quarta-feira, maio 09, 2007

Elitismo

Se há coisa que podemos constatar, sobre quem quer que falemos, é que o poder atrai. Não uma espécie específica de poder, antes uma ideia lata de poder, muito abrangente.
Trata-se de um recurso escasso e como todos os recursos escassos, há quem o tenha e quem não o tenha.
Porventura, a agitação mundial, passada e presente, deve-se muito a este fenómeno: quem não o tem depende de quem o tem. Quem o tem colide com quem o tem. No final, quem somar mais ganhará.
Se a observação vale olhando para grandes dimensões de relações, nos pequenos aspectos o que transmito pode ser gritante.
Nas relações de subalternidade, por exemplo, o chefe dispõe do subalterno com uma intensidade palpável. Noutro tipo de relações, uma análise ad-hoc pode suprir alguma falta de entendimento que esteja a suscitar.
A acumulação de capitais leva, inevitavelmente, a uma acumulação de poder, dentro da esfera do proprietário. Com o decurso de tempo necessário, o empreendedor, que será o capitalista que citei em cima, o dito proprietário, tenderá a ver que, à sua volta, quererão, alguns, subir ao seu nível, a chamada mobilidade social, subida de classe.
Que faz ele?
Se capital é poder, usará o que tem para impedir, a todo o custo, que este fenómeno se dê. Mas atenção: ele é empreendedor, ele dá emprego, está informado e ajuda os que para si trabalham a ficar também nesse estado. Não estará ele, advertidamente, a contribuir para a sua própria ultrapassagem?
Evidentemente que sim.
Só acaba com o perigo quando deixar de pagar aos que de si dependem. Isso, claro, aniquilá-los-à.
Mas, enquanto pagar, sustenta o perigo. Solução: pagar pouco, exigir demasiado.
No fundo, quem tem poder, quem é a elite, quer manter-se como está, com quem está. Quem tem o poder usa-o. Quem o perde...

Esta dissertação é uma analogia ao que se passou hoje, num estabelecimento de ensino superior público.