Pensemos numa pessoa. Pode ser um homem. Digamos que é careca. Para aguçar, idealizemos que tem uma cara semelhante àqueles tantos desgraçados que padecem de uma qualquer deficiência.
Vista a personagem, escusamo-nos de carregar mais atributos. Lembramos, somente, que nenhum homem é uma ilha e, como tal, tem amigos, pais, tios ou até mesmo filhos.
À partida, não há nada de errado. As pessoas são o que são e não têm que pedir desculpa por nada. Pode haver problemas com a justiça, mas isso é uma outra sede.
Este homem chegou à vossa vida. Não sabemos como e apenas suspeitamos do "porquê". Quanto tempo é que lá aguenta?
segunda-feira, setembro 11, 2017
sexta-feira, setembro 08, 2017
Agora, numa toada mais profissional
Não há ninguém que ensine a "montar" uma grande petição inicial.
Não estou a dizer que não há ninguém que ensine a fazer uma petição inicial. Nada disso.
Montar uma grande petição inicial. Assim, com tudo. Bem escrita. Bem dirigida. Bem montada.
E eu tenho um problema com coisas que não se ensinam...porque jamais as aprendo.
Não estou a dizer que não há ninguém que ensine a fazer uma petição inicial. Nada disso.
Montar uma grande petição inicial. Assim, com tudo. Bem escrita. Bem dirigida. Bem montada.
E eu tenho um problema com coisas que não se ensinam...porque jamais as aprendo.
quinta-feira, agosto 31, 2017
A chamada "Gaita"
Percebi que os dois últimos posts divulgam músicas da mesma banda.
Está atestada a profunda falta de interesse, conhecimento e cultura de que padeço.
Ontem pensei em sair do Facebook.
Pronto, obrigado e boa noite.
Está atestada a profunda falta de interesse, conhecimento e cultura de que padeço.
Ontem pensei em sair do Facebook.
Pronto, obrigado e boa noite.
quarta-feira, julho 12, 2017
Por estes dias
A minha melhor metade tem um hábito de que não comungo: ouvir em repeat as músicas que lhe aprazem.
Para todo o traço de carácter há uma excepção. Esta música tem sido a dita excepção.
"Vamoláver", não estamos perante uma música que possa ocupar o top 25 da banda. Acontece que isso não interessa para nada, especialmente quando a banda é esta.
E não interessa para nada porque cada tema é como o Homem na definição de Ortega y Gasset: aquilo que é a as suas circunstâncias.
Para todo o traço de carácter há uma excepção. Esta música tem sido a dita excepção.
"Vamoláver", não estamos perante uma música que possa ocupar o top 25 da banda. Acontece que isso não interessa para nada, especialmente quando a banda é esta.
E não interessa para nada porque cada tema é como o Homem na definição de Ortega y Gasset: aquilo que é a as suas circunstâncias.
sexta-feira, maio 26, 2017
O "quando"
Jigoro Kano foi o fundador do Judo. Pequeno, de constituição débil, conseguiu trazer ao mundo um desporto em que só interessa não ser derrubado.
Com o advento do Judo não faltaram analogias e princípios de vida associados. Aquele que retive poderia chamar de "parábola do salgueiro". O salgueiro, árvore conhecida, torcia, mas nunca quebrava. O vento passava e ele vergava, só para logo depois voltar ao sítio. Alguém trepava por ele acima, ele vergava, só para logo depois voltar ao sitio.
Já Nuno Markl, numa rubrica que tem na Rádio Comercial chamada "Baladas do Dr. Paixão", poderia dizer que isto mais não é que uma frase inspiradora de facebook com pôr-do-sol atrás. Gente mais mal intencionada poderia atribuir isto ao Gustavo Santos ou, no limite, ao Nuno Espírito Santo.
Pela minha parte, nem sei bem a razão de ter sacado destas "lembraduras" a propósito do que vou escrever. Talvez lá para o fim aconteça a luz.
A 25 de Maio de 2007 tinha medo. Estava aterrorizado com a hipótese de falhar. Esta sensação ocorre quando tenho a absoluta certeza que me lancei para fora de pé. Tinha lançado. Ainda hoje o acho. Há expressões equivalentes: areia a mais para o meu camião; ela é de outro campeonato; nas palavras de Gabriel, O pensador: muita ração para minha tigela.
Ainda acho que não saí da Faculdade. Ainda estou naquela noite. Lembro-me perfeitamente quando me fui embora, não obstante. Incrível, mas foi: pensava que estava a deixar a minha vida toda para trás. Não partia como um todo.
E dos palhaços que disto falavam e isto diziam só me podia rir.
Tocou-me. Chegou a vez de perceber o que era a poesia e algum fado. Chegou o momento em que deixei de ser um ser inteiro.
Hoje aqui escrevo. Dez anos depois. Pouco menos de 4000 dias.
Sendo o mesmo, não sou. Sonhando, estou acordado. Outrora sozinho, agora com ela.
Juntos.
Ao sabor do vento, vivendo a vida. Torcendo, nunca quebrando, para logo depois voltar ao sítio.
A nós.
sexta-feira, maio 19, 2017
O meu caro amigo Eduardo
O estimado cavalheiro que menciono no título remeteu-me uma missiva electrónica referindo que, graças a este estaleiro, se tinha lembrado de que hoje era dia do Advogado.
Depois de mais umas mensagens trocadas, lá se estabeleceu que ele tinha lido qualquer coisa no blogue daquele ser "todobom" que é a minha esposa.
Adiante.
O meu caro amigo Eduardo teve sempre o especial talento de me fazer escrever. Lembro-me, inclusivamente, numa sala obscura de uma qualquer aula prática, tida na faculdade, de me ter dito: "olha, cá está uma coisa para meteres no blogue".
Dito isto, cá vai "qualquer coisa".
Hoje é dia de São Ivo, padroeiro, entre outras coisas, dos Advogados, ofício que exerço, ainda que vagamente contrariado.
A Advocacia moderna, não obstante do que vem sendo dito, tem práticas milenares. Por outro lado, o mercado e forças deles constantes trataram de diferenciar negativamente os elementos da classe.
Sendo mais especifico, o glamour da tv e cinema fizeram da advocacia algo que ela não é. Mas com isto vivemos bem. A mentira faz parte da vida e sem ela não existe a verdade. O que me choca é o poder dos media. Para além dos espaços televisivos onde se sentam Advogados que, tendo notoriedade, não são necessariamente mais competentes, temos algo mais recente: as revistas. Com efeito, há revistas próprias e criadas para promover advogados e seus escritórios, revistas que se subsidiam com o dinheiro que os advogados pagam para lá aparecer.
Neste dia, quero propor algo diferente: uma revista que só fale de pequenas sociedades e advogados em prática individual que ainda respiram graças à máquina.
O nome: Zés das Couves
Periodicidade: Diária (Claro)
Tamanho: A4, 35 páginas
O m.o seria o seguinte: Começavam a cobrir o Algarve e iam subindo até chegar a Monção do Minho.
Na capa, o advogado mais "porta de cadeia" da zona.
"Ildeberto Costa é advogado na Comarca de Odeceixe há 10 anos. No seu CV conta já com a defesa do gang do Medronho, o cartel das Laranjas e a absolvição de Joaquim "Marreco", conhecido por alterar marcos dos terrenos a pedido. Ildeberto tem este nome em homenagem a S. Ildeberto, padroeiro das virgens ofendidas, devidamente compensadas em pedido cível 100% procedente. Hoje, Ildeberto abre as portas do seu escritório, sito no Centro Comercial "SolMar". Lá dentro, serve-nos um Nescafé com cheirinho".
Feliz dia do Advogado.
Depois de mais umas mensagens trocadas, lá se estabeleceu que ele tinha lido qualquer coisa no blogue daquele ser "todobom" que é a minha esposa.
Adiante.
O meu caro amigo Eduardo teve sempre o especial talento de me fazer escrever. Lembro-me, inclusivamente, numa sala obscura de uma qualquer aula prática, tida na faculdade, de me ter dito: "olha, cá está uma coisa para meteres no blogue".
Dito isto, cá vai "qualquer coisa".
Hoje é dia de São Ivo, padroeiro, entre outras coisas, dos Advogados, ofício que exerço, ainda que vagamente contrariado.
A Advocacia moderna, não obstante do que vem sendo dito, tem práticas milenares. Por outro lado, o mercado e forças deles constantes trataram de diferenciar negativamente os elementos da classe.
Sendo mais especifico, o glamour da tv e cinema fizeram da advocacia algo que ela não é. Mas com isto vivemos bem. A mentira faz parte da vida e sem ela não existe a verdade. O que me choca é o poder dos media. Para além dos espaços televisivos onde se sentam Advogados que, tendo notoriedade, não são necessariamente mais competentes, temos algo mais recente: as revistas. Com efeito, há revistas próprias e criadas para promover advogados e seus escritórios, revistas que se subsidiam com o dinheiro que os advogados pagam para lá aparecer.
Neste dia, quero propor algo diferente: uma revista que só fale de pequenas sociedades e advogados em prática individual que ainda respiram graças à máquina.
O nome: Zés das Couves
Periodicidade: Diária (Claro)
Tamanho: A4, 35 páginas
O m.o seria o seguinte: Começavam a cobrir o Algarve e iam subindo até chegar a Monção do Minho.
Na capa, o advogado mais "porta de cadeia" da zona.
"Ildeberto Costa é advogado na Comarca de Odeceixe há 10 anos. No seu CV conta já com a defesa do gang do Medronho, o cartel das Laranjas e a absolvição de Joaquim "Marreco", conhecido por alterar marcos dos terrenos a pedido. Ildeberto tem este nome em homenagem a S. Ildeberto, padroeiro das virgens ofendidas, devidamente compensadas em pedido cível 100% procedente. Hoje, Ildeberto abre as portas do seu escritório, sito no Centro Comercial "SolMar". Lá dentro, serve-nos um Nescafé com cheirinho".
Feliz dia do Advogado.
quarta-feira, maio 17, 2017
sexta-feira, maio 12, 2017
Reflexo
Hoje, sonhei que rapava o cabelo.
Nada de chocante, como em tempos fiz. Máquina 4.
No sonho, dava indicações erradas e adormecia. Ao acordar, aquilo. Não era um "corte" qualquer. Era semelhante ao de um conhecido Chef Jugo-Luso.
O meu subconsciente anda viciado.
Nada de chocante, como em tempos fiz. Máquina 4.
No sonho, dava indicações erradas e adormecia. Ao acordar, aquilo. Não era um "corte" qualquer. Era semelhante ao de um conhecido Chef Jugo-Luso.
O meu subconsciente anda viciado.
terça-feira, maio 02, 2017
Memória
Pensar na Streisand. Gatos?
Ainda que em código, há que registar. Há que manter ao alcance.
A propósito do tema abaixo, e remetendo (como fiz numa conversa tida com a esposa) para o High Fidelity, na cena específica onde se fala num determinado conjunto de canções para determinado momento da "vida" (cá está, codificação, ainda que da pobre), esta é uma delas.
Podia ser "a do momento". Por tudo. Sobretudo, pela ironia.
Ainda que em código, há que registar. Há que manter ao alcance.
A propósito do tema abaixo, e remetendo (como fiz numa conversa tida com a esposa) para o High Fidelity, na cena específica onde se fala num determinado conjunto de canções para determinado momento da "vida" (cá está, codificação, ainda que da pobre), esta é uma delas.
Podia ser "a do momento". Por tudo. Sobretudo, pela ironia.
quinta-feira, abril 06, 2017
A poluição da blogoesfera
Fitter, happier, more productive
Comfortable
Not drinking too much
Regular exercise at the gym
Three days a week
Um problema clássico é aquele que medita sobre o nosso lugar no mundo. Podemos ver isto de uma perspectiva mais ampla ou, então, centrar a discussão em nós próprios.
Francamente, marimbo-me para a perspectiva ampla. A humanidade que trate dela, enquanto todo. Tem a eternidade para isso.
Contudo, se penso neste corpo claramente fora de prazo e na eventualidade de alma que o habita, fico indisposto.
O meu lugar no mundo está errado. Deduzo isto através de um princípio de inversão e observação com pena. Penso em bêbedos. Penso em drogados. Penso em que gente que fez outras escolhas. Depois, penso em mim.
Há, essencialmente, três atitudes que todos temos perante um bêbedo. Falo de bêbedos crónicos, alcoólicos, não é de verdinhos em Calpe.
a) Nojo. Queremos que ele vá à vida dele.
b) Gozo. Se o bêbedo arrastar a voz e disser que "O Salazar é que foi um grande home" o dia está ganho.
c) Pena.
A pena é o ponto. Pena. Porquê? Porque "está a estragar a vida", porque "havia potencial", porque "a idade devia dar outro discernimento", enfim, penas para todos os gostos e situações.
A pena deriva de uma comparação. Que a tem, para com outrem, tem-na porque conhece gente feliz sem lágrimas e com modesto ou abundante sucesso. Gente que, não como o bêbedo que vislumbram, pôs ao seu serviço o potencial que detinha.
O bêbedo representa a antítese daquilo que poderia ser a vida. É a negação da concretização. É a confirmação da desgraça.
Posto isto, eu.
Passada a barreira psicológica dos 30, voltei a pensar nos feitos. O número é redondo. Tão redondo quanto um zero pode ser.
Há realizações pessoais, claro. Há motivos pelos quais lutar. Felizmente, todos eles externos. Só podia.
Dei por mim a liquidar (no sentido fiscal) os talentos e capacidades. O número é bonito. Tão bonito quanto um zero pode ser.
Dei por mim a pensar que, se fosse eu o bêbedo, ninguém sentiria pena. Corresponderia ao meu lugar no mundo. Ao olhar para mim, quando noutro caso haveria pena, no meu caso haveria um aceno de cabeça, confiante, como se dissessem: "Cada um é mesmo para o que nasce".
Devia ter-me desviado de um hipotético caminho do natural há anos. Teria poupado os que me estão próximos à minha natural "chatice".
Já sendo, deveria ser, ainda mais, um farrapo humano. Com um prazo muito curto de vida.
Não digo drogas. Digo álcool.
O meu lugar no mundo é o de farrapo.
Em diante. Dizer em diante. Ser dito em diante. Dalgum modo em diante. Até de modo nenhum em diante. Dito de modo nenhum em diante.
Dizer por ser dito. Desdito. De ora em diante dizer por ser desdito.
Dizer um corpo. Onde nenhum. Mente nenhuma. Onde nenhuma. Ao menos isso. Um lugar. Onde nenhum. Para o corpo. Estar lá dentro. Morrer-se lá dentro. E sair. E voltar lá para dentro. Não. Sair nenhum. Voltar nenhum. Só entrar. Ficar lá dentro. Em diante lá dentro. Parado.
Tudo desde sempre. Nunca outra coisa. Nunca ter tentado. Nunca ter falhado. Não importa. Tentar outra vez. Falhar outra vez. Falhar melhor.
samuel beckett
últimos trabalhos de samuel beckett
tradução de miguel esteves cardoso
o independente / assírio & alvim
1996
Comfortable
Not drinking too much
Regular exercise at the gym
Three days a week
Um problema clássico é aquele que medita sobre o nosso lugar no mundo. Podemos ver isto de uma perspectiva mais ampla ou, então, centrar a discussão em nós próprios.
Francamente, marimbo-me para a perspectiva ampla. A humanidade que trate dela, enquanto todo. Tem a eternidade para isso.
Contudo, se penso neste corpo claramente fora de prazo e na eventualidade de alma que o habita, fico indisposto.
O meu lugar no mundo está errado. Deduzo isto através de um princípio de inversão e observação com pena. Penso em bêbedos. Penso em drogados. Penso em que gente que fez outras escolhas. Depois, penso em mim.
Há, essencialmente, três atitudes que todos temos perante um bêbedo. Falo de bêbedos crónicos, alcoólicos, não é de verdinhos em Calpe.
a) Nojo. Queremos que ele vá à vida dele.
b) Gozo. Se o bêbedo arrastar a voz e disser que "O Salazar é que foi um grande home" o dia está ganho.
c) Pena.
A pena é o ponto. Pena. Porquê? Porque "está a estragar a vida", porque "havia potencial", porque "a idade devia dar outro discernimento", enfim, penas para todos os gostos e situações.
A pena deriva de uma comparação. Que a tem, para com outrem, tem-na porque conhece gente feliz sem lágrimas e com modesto ou abundante sucesso. Gente que, não como o bêbedo que vislumbram, pôs ao seu serviço o potencial que detinha.
O bêbedo representa a antítese daquilo que poderia ser a vida. É a negação da concretização. É a confirmação da desgraça.
Posto isto, eu.
Passada a barreira psicológica dos 30, voltei a pensar nos feitos. O número é redondo. Tão redondo quanto um zero pode ser.
Há realizações pessoais, claro. Há motivos pelos quais lutar. Felizmente, todos eles externos. Só podia.
Dei por mim a liquidar (no sentido fiscal) os talentos e capacidades. O número é bonito. Tão bonito quanto um zero pode ser.
Dei por mim a pensar que, se fosse eu o bêbedo, ninguém sentiria pena. Corresponderia ao meu lugar no mundo. Ao olhar para mim, quando noutro caso haveria pena, no meu caso haveria um aceno de cabeça, confiante, como se dissessem: "Cada um é mesmo para o que nasce".
Devia ter-me desviado de um hipotético caminho do natural há anos. Teria poupado os que me estão próximos à minha natural "chatice".
Já sendo, deveria ser, ainda mais, um farrapo humano. Com um prazo muito curto de vida.
Não digo drogas. Digo álcool.
O meu lugar no mundo é o de farrapo.
Em diante. Dizer em diante. Ser dito em diante. Dalgum modo em diante. Até de modo nenhum em diante. Dito de modo nenhum em diante.
Dizer por ser dito. Desdito. De ora em diante dizer por ser desdito.
Dizer um corpo. Onde nenhum. Mente nenhuma. Onde nenhuma. Ao menos isso. Um lugar. Onde nenhum. Para o corpo. Estar lá dentro. Morrer-se lá dentro. E sair. E voltar lá para dentro. Não. Sair nenhum. Voltar nenhum. Só entrar. Ficar lá dentro. Em diante lá dentro. Parado.
Tudo desde sempre. Nunca outra coisa. Nunca ter tentado. Nunca ter falhado. Não importa. Tentar outra vez. Falhar outra vez. Falhar melhor.
samuel beckett
últimos trabalhos de samuel beckett
tradução de miguel esteves cardoso
o independente / assírio & alvim
1996
quinta-feira, março 30, 2017
Erros de percepção, sejam mútuos ou não
"Centeno rejeitou ter mentido na polémica sobre as declarações de
rendimento e património da equipa de administradores da CGD liderada por
António Domingues. Admitiu, contudo, um "erro de percepção mútuo", que
levou Domingues a acreditar que a sua equipa estaria isenta de entregar
aquelas declarações ao abrigo das alterações ao Estatuto do Gestor
Público."
in: aqui
Depois desta célebre expressão, que supra transcrevo, vieram a terreiro centenas (para ser conservador) de "tudólogos" explicar que isto não existia. Que um erro de percepção nunca pode ser mútuo", uma vez que a percepção é feita por uma pessoa, ou até mais, não pode é ser mútuo, porque, se uma pessoa explica, a outra percebe ou não, mas não podem as duas "não perceber".
Mantive-me céptico. As possibilidades são infinitas e, como dizia o Dr. Malcom, "life finds a way".
Na passada terça-feira, life found a way.
O Samsung que me acompanha há três anos tocou. Do outro lado, uma voz. Dizia a mesma que trazia feedback positivo e que, qual encontro à americana que correu bem, queriam voltar a falar comigo.
O que sucedeu? Um erro de percepção mútuo. Na conversa que tive, uma conversa a três, para ser rigoroso, comprova-se que ninguém percebeu "ponta de corno".
Pela minha parte, claro que não percebi o iter da converseta. Pela parte deles, não perceberam a verdade dos factos.
(E sim, estou a ser propositadamente vago).
Ergo,
Erro de percepção mútuo.
O me quererem ver novamente, erro de percepção. Violadíssimo o princípio da causalidade. É como accionar o seguro sem sinistro.
O ser chamado, erro de percepção. Violadíssimo o princípio da culpa. É preciso ter consciência. Deixei-a em casa.
De parte a parte.
É mútuo.
Enfim, foi giro.
Uma esboço de reacção
De acordo com a Wikipedia, "Manuel João Gonçalves Rodrigues Vieira (Lisboa, 17 de outubro de 1962) é um músico e pintor português.
Filho mais velho do pintor português João Rodrigues Vieira, estudou na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e foi membro do movimento homeostético, em conjunto com Pedro Proença, Pedro Portugal, Ivo Silva, Xana, e Fernando Brito. É professor na Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha.
Fundador e vocalista das bandas Ena Pá 2000, Irmãos Catita e Corações de Atum, criou e encarnou diversas personagens em palco, como Lello Universal, Lello Minsk, Lello Marmelo, Orgasmo Carlos, Catita, entre outros. Recentemente uma sua biografia fictícia foi alvo de uma série de seis episódios intitulada Mundo Catita, transmitida em exclusivo na RTP2, em 2008, editado em DVD, em 2009 e, exibida na SIC Radical em Dezembro de 2010.
Foi um dos proprietários do Cabaret Maxime, junto à Avenida da Liberdade, em Lisboa.
Anunciou a sua candidatura a Presidente da República Portuguesa, em 2011 e em 2016."
Isto é dizer pouco. A biografia de alguém é, como terá sempre de ser, constituída por factos, de preferência o mais concreto possível. Mas é mais. Há sempre a marca que o biografado deixa na vida daqueles que, de forma mais ou menos directa, o seguem.
Manuel João Vieira deixa-me risos. Às vezes, risos imparáveis, daqueles que fazem chorar. Gargalhadas.
Por exemplo, o "És cruel". Não me consegui parar de rir quando o ouvi pela primeira vez. Depois seguiu-se a necessidade de ouvir tudo quanto me estava disponível de Ena Pá 2000, Irmãos Catita, Corações de Atum, por aí fora.
Ontem voltei a ouvir o tema que referi. A seguir a esse, apareceu o "Marilú". Não me lembrava dele.
Quando acaba o "Marilú" (n.d.r: digo "o" porque me refiro a ele como tema. Tema é masculino) surge o trabalho bem conseguido abaixo postado.
Como há algo em mim que aprecia a divulgação de tragédias cómicas, aqui fica.
Filho mais velho do pintor português João Rodrigues Vieira, estudou na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e foi membro do movimento homeostético, em conjunto com Pedro Proença, Pedro Portugal, Ivo Silva, Xana, e Fernando Brito. É professor na Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha.
Fundador e vocalista das bandas Ena Pá 2000, Irmãos Catita e Corações de Atum, criou e encarnou diversas personagens em palco, como Lello Universal, Lello Minsk, Lello Marmelo, Orgasmo Carlos, Catita, entre outros. Recentemente uma sua biografia fictícia foi alvo de uma série de seis episódios intitulada Mundo Catita, transmitida em exclusivo na RTP2, em 2008, editado em DVD, em 2009 e, exibida na SIC Radical em Dezembro de 2010.
Foi um dos proprietários do Cabaret Maxime, junto à Avenida da Liberdade, em Lisboa.
Anunciou a sua candidatura a Presidente da República Portuguesa, em 2011 e em 2016."
Isto é dizer pouco. A biografia de alguém é, como terá sempre de ser, constituída por factos, de preferência o mais concreto possível. Mas é mais. Há sempre a marca que o biografado deixa na vida daqueles que, de forma mais ou menos directa, o seguem.
Manuel João Vieira deixa-me risos. Às vezes, risos imparáveis, daqueles que fazem chorar. Gargalhadas.
Por exemplo, o "És cruel". Não me consegui parar de rir quando o ouvi pela primeira vez. Depois seguiu-se a necessidade de ouvir tudo quanto me estava disponível de Ena Pá 2000, Irmãos Catita, Corações de Atum, por aí fora.
Ontem voltei a ouvir o tema que referi. A seguir a esse, apareceu o "Marilú". Não me lembrava dele.
Quando acaba o "Marilú" (n.d.r: digo "o" porque me refiro a ele como tema. Tema é masculino) surge o trabalho bem conseguido abaixo postado.
Como há algo em mim que aprecia a divulgação de tragédias cómicas, aqui fica.
sexta-feira, março 10, 2017
O chumbo é um metal pesado?
Número 141 de uma Avenida que, segundo me disseram, albergava um manancial de mulheres da vida.
Para uma meia hora em que se discutiram filmes, séries, música e outros deleites mundanos, vieram 60 minutos que, talvez para todo o sempre, me puseram no meu lugar. Me reduziram à insignificância que sou.
Lembro-me de Pedro Múrias, brilhante jurista com sentido de humor. Dizia ele, sobre determinada parcela do programa que "quem não sabe isto, não sabe nada".
"Imagine isto: celebra-se contrato-promessa de compra e venda de um imóvel. Preço: um milhão de euros. Você patrocina o vendedor, que a título de sinal e princípio de pagamento, recebeu meio milhão de euros. Marca-se a escritura. No momento, já no Cartório, o comprador passa um cheque do remanescente. A escritura faz-se, todos assinam. Quando se vai levantar o cheque, este não tem provisão.
Pergunto:
O negócio está feito?
O seu cliente é obrigado a aceitar o cheque?
Supondo que não aceita, como pode fazer para não perder o negócio?"
Naturalmente, caro leitor, eventualmente jurídico, o diálogo não foi tão escorreito como o pinto. Foi bastante mais confuso, Dali on scotch.
Alias, continuou. Com acidentes de viação.
Percebi o que valho.
Aprendi a minha lição.
Para uma meia hora em que se discutiram filmes, séries, música e outros deleites mundanos, vieram 60 minutos que, talvez para todo o sempre, me puseram no meu lugar. Me reduziram à insignificância que sou.
Lembro-me de Pedro Múrias, brilhante jurista com sentido de humor. Dizia ele, sobre determinada parcela do programa que "quem não sabe isto, não sabe nada".
"Imagine isto: celebra-se contrato-promessa de compra e venda de um imóvel. Preço: um milhão de euros. Você patrocina o vendedor, que a título de sinal e princípio de pagamento, recebeu meio milhão de euros. Marca-se a escritura. No momento, já no Cartório, o comprador passa um cheque do remanescente. A escritura faz-se, todos assinam. Quando se vai levantar o cheque, este não tem provisão.
Pergunto:
O negócio está feito?
O seu cliente é obrigado a aceitar o cheque?
Supondo que não aceita, como pode fazer para não perder o negócio?"
Naturalmente, caro leitor, eventualmente jurídico, o diálogo não foi tão escorreito como o pinto. Foi bastante mais confuso, Dali on scotch.
Alias, continuou. Com acidentes de viação.
Percebi o que valho.
Aprendi a minha lição.
quinta-feira, março 09, 2017
Gostava de escrever como um homem
Foi na quarta-feira que o meu filho começou a "adaptação" ao infantário. Primeiro uma hora, depois duas, finalmente quatro. Na segunda fará o dia todo.
Não vou estar aqui a tecer um tratado sobre a velhice que chega de surpresa e nos consome. Não, o que me faz sentir uma TPM Fox Life são as notícias.
Anuncia-se que uma bebé de oito meses morreu, num infantário de Lisboa. Para já, não há rigorosamente nada que indique responsabilidade por parte dos funcionários. Nem sei se é bom ou mau. É que, aparentemente, a menina teve "uma morte natural".
Isto pode acontecer. Quantas vezes ouvi falar no "síndrome da morte súbita" e associei ao unicórnio.
Mas aconteceu.
Ultimamente tenho sentido demasiada empatia. Para quem via a série do Hannibal, que passava num AXN qualquer, falo daquela empatia sentida pelo investigador, cujo nome não me recordo, mas vai chegar antes de acabar de escrever.
Estou ali. Vejo-me ali. Sinto-me ali. Olho para o lado. Certifico-me que, afinal, não é comigo.
Will Graham.
É isso.
Não vou estar aqui a tecer um tratado sobre a velhice que chega de surpresa e nos consome. Não, o que me faz sentir uma TPM Fox Life são as notícias.
Anuncia-se que uma bebé de oito meses morreu, num infantário de Lisboa. Para já, não há rigorosamente nada que indique responsabilidade por parte dos funcionários. Nem sei se é bom ou mau. É que, aparentemente, a menina teve "uma morte natural".
Isto pode acontecer. Quantas vezes ouvi falar no "síndrome da morte súbita" e associei ao unicórnio.
Mas aconteceu.
Ultimamente tenho sentido demasiada empatia. Para quem via a série do Hannibal, que passava num AXN qualquer, falo daquela empatia sentida pelo investigador, cujo nome não me recordo, mas vai chegar antes de acabar de escrever.
Estou ali. Vejo-me ali. Sinto-me ali. Olho para o lado. Certifico-me que, afinal, não é comigo.
Will Graham.
É isso.
sexta-feira, fevereiro 17, 2017
Catarina Eufémia
Não me esqueci.
Naquele dia, era sagrado. Um almoço "como deve ser", com "o único cheiro" de que gostavas: comida bem feita.
Mas não era só.
No final da refeição, o bolo em forma de coração.
Não me esqueci. Custa é lembrar-me.
Naquele dia, era sagrado. Um almoço "como deve ser", com "o único cheiro" de que gostavas: comida bem feita.
Mas não era só.
No final da refeição, o bolo em forma de coração.
Não me esqueci. Custa é lembrar-me.
quinta-feira, fevereiro 02, 2017
O interlocutor, ou como a vida é bonita
Há coisa de duas semanas, fui exercer o patrocínio forense para Lisboa. Tratava-se de um processo-crime, estando em causa factos enquadráveis nos tipos de condução sem habilitação e falsificação de documento. Como tantas vezes acontece, isto deu-se no âmbito do apoio judiciário.
Hoje teve lugar a continuação. Este que vos escreve habita na margem sul do Tejo. Sendo a audiência às 9.30h, teve que levantar-se às 6.30h. Até que chegou ao tribunal. É feita a chamada e aparece uma Colega.
"O Arguido é meu cliente. Contactou-me e vai passar procuração neste processo". O Arguido, que vinha do EPL, confirmou. A Colega pede desculpa, uma vez que tinha sido contactada ontem para o efeito.
"Muito obrigada, sotore, até à próxima." Juiza educada.
Desde então, fui duas vezes ao tribunal de Almada, por motivos diversos, tive uma reunião por Lisboa e a vida foi fluindo, como não podia deixar de ser.
Cheguei ao escritório e abro o Facebook. É uma coisa que faço. Mantém-me a par da actualidade.
O Facebook tem muitas coisas, mas a principal e que o distingue de todas as realidades próximas é algo peculiar: "indignação".
É um mar de indignação. "Querem eutanasia? Porcos!". "Não querem eutanasia? Porcos!".
A indignação de hoje é, de longe, a minha favorita: críticos de cinema do Público.
Que fizeram os "mininos"? Deram duas estrelas ao filme "Elementos Secretos".
Eis alguns comentários:
"Epá, mas vocês gostam de algum filme?!?!?"
"Dá 2 estrelas a este... mas 5 estrelas ao CAVALO DE TURIM, que é literalmente 2 horas a ver um casal idoso a tratar da sua horta e a descascar batatas...Por amor de deus..."
"ahaha o público acha que não existe mais cinema depois do "e tudo o vento levou""
Mais uma vez devo reflectir sobre a importância da crítica. Há dias, um amigo meu dizia-me que se podia perfeitamente comparar Bach com Quim Barreiros, concluindo que Quim Barreiros era, à falta de melhor expressão, azeiteiro, e pior, inferior.
Se tentarmos transpor o exercício para o cinema, estes comentários perdem toda a razão de ser. Ao fim e ao cabo, os críticos do Público estão certos na análise. O Cavalo de Turim (que tenho lá em casa para ver, juntamente com 3 filmes do mesmo cineasta) é, reconhecidamente, uma obra prima que seria o Bach do cinema. Ao pé dele, os Elementos Secretos é um Quim desta vida.
Só que não.
Por duas razões.
A primeira de ordem sociológica: estes filmes de que vos falei (Cavalo e Elementos) são totalmente diferentes. Não podem concorrer entre si um Musical, uma Comédia, um Drama ou um filme do Van Damme. E porquê? Pela mesma razão que não podemos preferir o lombo à salada. São coisas diferentes que, em alguns casos, se podem complementar. Mas num certame gastronómico, o bolo de arroz concorre em categorias diferentes do Bucho à moda de Ceia.
A segunda é de ordem arbitrária: povo, cada um gosta do que gosta. É bom gostar de tudo, até do mau. Mas é mau só gostar do mau.
Isto para concluir que gostava de ter acabado o julgamento do Arguido e para dizer que os críticos do Público dizem o que lhes apetece, que é para isso que lhes pagam.
Quem pensou que eu ia fazer uma ponte sobre ambos os eventos ou tópicos enganou-se.
Recordo que eram 6.30 da manhã quando me levantei.
Obrigado, boa tarde.
Hoje teve lugar a continuação. Este que vos escreve habita na margem sul do Tejo. Sendo a audiência às 9.30h, teve que levantar-se às 6.30h. Até que chegou ao tribunal. É feita a chamada e aparece uma Colega.
"O Arguido é meu cliente. Contactou-me e vai passar procuração neste processo". O Arguido, que vinha do EPL, confirmou. A Colega pede desculpa, uma vez que tinha sido contactada ontem para o efeito.
"Muito obrigada, sotore, até à próxima." Juiza educada.
Desde então, fui duas vezes ao tribunal de Almada, por motivos diversos, tive uma reunião por Lisboa e a vida foi fluindo, como não podia deixar de ser.
Cheguei ao escritório e abro o Facebook. É uma coisa que faço. Mantém-me a par da actualidade.
O Facebook tem muitas coisas, mas a principal e que o distingue de todas as realidades próximas é algo peculiar: "indignação".
É um mar de indignação. "Querem eutanasia? Porcos!". "Não querem eutanasia? Porcos!".
A indignação de hoje é, de longe, a minha favorita: críticos de cinema do Público.
Que fizeram os "mininos"? Deram duas estrelas ao filme "Elementos Secretos".
Eis alguns comentários:
"Epá, mas vocês gostam de algum filme?!?!?"
"Dá 2 estrelas a este... mas 5 estrelas ao CAVALO DE TURIM, que é literalmente 2 horas a ver um casal idoso a tratar da sua horta e a descascar batatas...Por amor de deus..."
"ahaha o público acha que não existe mais cinema depois do "e tudo o vento levou""
Mais uma vez devo reflectir sobre a importância da crítica. Há dias, um amigo meu dizia-me que se podia perfeitamente comparar Bach com Quim Barreiros, concluindo que Quim Barreiros era, à falta de melhor expressão, azeiteiro, e pior, inferior.
Se tentarmos transpor o exercício para o cinema, estes comentários perdem toda a razão de ser. Ao fim e ao cabo, os críticos do Público estão certos na análise. O Cavalo de Turim (que tenho lá em casa para ver, juntamente com 3 filmes do mesmo cineasta) é, reconhecidamente, uma obra prima que seria o Bach do cinema. Ao pé dele, os Elementos Secretos é um Quim desta vida.
Só que não.
Por duas razões.
A primeira de ordem sociológica: estes filmes de que vos falei (Cavalo e Elementos) são totalmente diferentes. Não podem concorrer entre si um Musical, uma Comédia, um Drama ou um filme do Van Damme. E porquê? Pela mesma razão que não podemos preferir o lombo à salada. São coisas diferentes que, em alguns casos, se podem complementar. Mas num certame gastronómico, o bolo de arroz concorre em categorias diferentes do Bucho à moda de Ceia.
A segunda é de ordem arbitrária: povo, cada um gosta do que gosta. É bom gostar de tudo, até do mau. Mas é mau só gostar do mau.
Isto para concluir que gostava de ter acabado o julgamento do Arguido e para dizer que os críticos do Público dizem o que lhes apetece, que é para isso que lhes pagam.
Quem pensou que eu ia fazer uma ponte sobre ambos os eventos ou tópicos enganou-se.
Recordo que eram 6.30 da manhã quando me levantei.
Obrigado, boa tarde.
terça-feira, janeiro 24, 2017
Uma ilisão de presunção
Pertenço ao mundo jurídico e, no mundo jurídico, entre tantas outras realidades, existem presunções.
Também existe gente presunçosa, presuntos e presumíveis.
Centremo-nos: presunções são consequências deduzidas de um fato conhecido, não destinado a funcionar como prova, para chegar a um fato desconhecido.
Eis o facto conhecido (até agora, pelo menos) por mim: juiz nenhum desta terra abençoada por deus e pouco tropical ouve alegações de um causídico. Se ouve, não as leva em conta. Se as leva em conta, não leva.
Hoje fui defender um fulano que nunca vi. Que fez o cavalheiro? Pegou no passe social do amigo e foi andar de autocarro, usando o dito passe para possibilitar o seu trajecto.
Segundo uma lei bonita, a que se convencionou chamar Código Penal, parece que é crime, podendo dar cadeia.
Como nunca o vi, não sei qual a versão dele, se tem testemunhas, sequer. Tentou enviar-se missivas para o domicílio e nada. Se isto fosse uma série, era o Macgyver. Eu tenho o canivete suíço e uma linha de botão descosido e o M.P o arsenal do Pentágono.
Não desisto de resistir. O M.P, depois de ouvir um mui honrado agente da PSP, pede justiça. Assim. Nem "ai" nem "ui". Se fosse um advogado oficioso, era para queimar na fogueira marinho-pintista.
Calha estar um advogado oficioso na sala. Este que vos escreve.
Apresenta os cumprimentos a todos. Debita uma teoria jurídica baseada no conceito material de crime, que vai desaguar numa falta de consciência da ilicitude que terá, como efeitos práticos, uma absolvição. Também disse qualquer coisa abonatória caso se entendesse o contrário.
Durante o meu breve excurso vi algo que jamais pensei existir: um sorriso de Mona Lisa e um olhar sobre uns óculos...da juíza.
A Procuradora olhava como se eu falasse de direito marciano. Também um misto entre alguém que acaba de descobrir que comeu fezes caninas e ouviu a Maria Leal a primeira vez. Havia nojo.
Assim que termino, o sorriso mantém-se e o olhar idem.
"Oh sótor, não concordo nada consigo!"
Por isso, meus amigos, não só uma coisa aconteceu hoje, mas sim duas.
Uma juiza "discutiu" o mérito das alegações com o causídico e...
Afinal estava a ouvir!
quinta-feira, janeiro 19, 2017
quinta-feira, janeiro 05, 2017
Chá de cidreira
Circula, por aí, um "vídeo" onde se mostra um jovem a ser agredido por um bando de outros, possivelmente da mesma idade.
É perto de onde vivo.
Nada do que ali está tem apelo ou agravo. Mas o que me penaliza mais é querer que aconteça aos agressores aquilo que fizeram ao agredido.
Não consegui, logo, calar o "bicho" que habita em mim.
Só vi ali o meu filho.
quinta-feira, dezembro 29, 2016
A página da necrologia
Já não me recordo se foi no Quiosque do Sr. Vítor, ou mesmo na casa dos meus pais. Estava a ler o jornal em conjunto com o meu avô. Devia ter não mais que 10 anos. Era um jornal popular, um CM ou 24 Horas. Como é tradição nessas publicações, chegou-se à página onde se anunciam os óbitos. Fotografias de velhos, não-tão velhos, novos.
Perguntou-me o meu avô se sabia o que tinha acontecido àquelas almas. Respondi que não sabia.
"Deixaram de fumar".
Como é tão natural nesta altura do ano, quem escreve pedaços de sarjeta parecidos com este propõe-se a elaborar um balanço do ano que finda.
Não o vou fazer. Primeiro porque não sei o que é um balanço. Fosse Contabilista Certificado e tudo era mais fácil. Até fazer os trocos do tabaco.
Ao invés de lamentar o facto de grandes nomes "deixarem de fumar", não quero deixar de me lembrar do que foi o fim do ano de 2015. Cerca de 5º graus, um 5.º Andar. Fogo de Artífico.
"Vamos ser pais?"
E fomos.
E somos.
Entrem bem o ano.
Sou a prova viva de que, calhando, as resoluções de ano novo verificam-se.
Perguntou-me o meu avô se sabia o que tinha acontecido àquelas almas. Respondi que não sabia.
"Deixaram de fumar".
Como é tão natural nesta altura do ano, quem escreve pedaços de sarjeta parecidos com este propõe-se a elaborar um balanço do ano que finda.
Não o vou fazer. Primeiro porque não sei o que é um balanço. Fosse Contabilista Certificado e tudo era mais fácil. Até fazer os trocos do tabaco.
Ao invés de lamentar o facto de grandes nomes "deixarem de fumar", não quero deixar de me lembrar do que foi o fim do ano de 2015. Cerca de 5º graus, um 5.º Andar. Fogo de Artífico.
"Vamos ser pais?"
E fomos.
E somos.
Entrem bem o ano.
Sou a prova viva de que, calhando, as resoluções de ano novo verificam-se.
terça-feira, dezembro 13, 2016
Para não variar, um lamento
Poucos dias depois de me lançar naquilo que o capitalismo ainda proporciona, fiz o que faria qualquer amador: pesquisei na gigante net por alguém que me fizesse um site ao nível do orçamento que tinha, equivalente a uma prestação mensal de um carro de gama baixa.
Veja-se bem: encontrei. Fizeram, cobraram e foram à vida deles, se é que isso se pode dizer.
Advertiram: "Daqui a um ano, tem de renovar o servidor".
Assim fiz: um ano depois, ia elaborar um e-mail para os fulanos e, eis senão quando, descubro que já não existem.
Ou seja, hoje já não tenho site e não encontro um negócio semelhante em lado nenhum.
Acaba por ser chato.
Veja-se bem: encontrei. Fizeram, cobraram e foram à vida deles, se é que isso se pode dizer.
Advertiram: "Daqui a um ano, tem de renovar o servidor".
Assim fiz: um ano depois, ia elaborar um e-mail para os fulanos e, eis senão quando, descubro que já não existem.
Ou seja, hoje já não tenho site e não encontro um negócio semelhante em lado nenhum.
Acaba por ser chato.
segunda-feira, dezembro 05, 2016
Notas Profissionais
Desleixei-me.
Não é porque esteja gordo, que estou. Não é porque só me lembre do que precise, embora o faça. Não é porque não tenha actividade física relevante. Não tenho.
Lembro-me de, ainda na Faculdade, um caríssimo Amigo iniciar, convidando-me para tal, um blogue a favor do SIM no referendo relativo à IVG. Naquela altura, despertam-se as noções políticas, percebe-se o lado da barricada, sem prejuízo de um qualquer progresso, ou reversão, se tudo correr mal. Ideais como Democracia, Liberdade, Dignidade Humana ou Igualdade estavam no vocabulário de todo e qualquer dia. Não havia perda de pitada da vida ocorrida no poder. Chegamos a conhecer quase todos os deputados à A.R.
Hoje, em vésperas de uma eleição importante, percebo que não tomei parte em rigorosamente nada daquilo que lhe diz respeito.
Clarificando, elaboro sobre o meu absentismo no dossier "Eleições para a O.A".
Votei, claro que votei. Votei em branco.
Porque pensei "Eles são todos iguais, querem é visibilidade".
Porque não vi um debate.
Porque não abri um mail de candidaturas.
Nada. Nadinha.
Mal ou bem, um bastonário tem peso. Muito ou pouco, influencia a vida da Ordem.
Estou descrente, é o que estou. Deixei de acreditar.
Já vai para anos em que deixei de acreditar em intervenientes públicos. O último em quem pensei que poderia mudar qualquer coisa para melhor chegou a estar detido.
Em suma, nhé.
Não é porque esteja gordo, que estou. Não é porque só me lembre do que precise, embora o faça. Não é porque não tenha actividade física relevante. Não tenho.
Lembro-me de, ainda na Faculdade, um caríssimo Amigo iniciar, convidando-me para tal, um blogue a favor do SIM no referendo relativo à IVG. Naquela altura, despertam-se as noções políticas, percebe-se o lado da barricada, sem prejuízo de um qualquer progresso, ou reversão, se tudo correr mal. Ideais como Democracia, Liberdade, Dignidade Humana ou Igualdade estavam no vocabulário de todo e qualquer dia. Não havia perda de pitada da vida ocorrida no poder. Chegamos a conhecer quase todos os deputados à A.R.
Hoje, em vésperas de uma eleição importante, percebo que não tomei parte em rigorosamente nada daquilo que lhe diz respeito.
Clarificando, elaboro sobre o meu absentismo no dossier "Eleições para a O.A".
Votei, claro que votei. Votei em branco.
Porque pensei "Eles são todos iguais, querem é visibilidade".
Porque não vi um debate.
Porque não abri um mail de candidaturas.
Nada. Nadinha.
Mal ou bem, um bastonário tem peso. Muito ou pouco, influencia a vida da Ordem.
Estou descrente, é o que estou. Deixei de acreditar.
Já vai para anos em que deixei de acreditar em intervenientes públicos. O último em quem pensei que poderia mudar qualquer coisa para melhor chegou a estar detido.
Em suma, nhé.
terça-feira, novembro 29, 2016
Contributo para um estudo sobre o conceito de normalidade: de REO Speewagon a Bon Jovi
Não sou sociólogo, pelo que também não sei se cabe à sociologia explicar o que são comportamentos normais. Ser normal. Se calhar, cabe à psicologia.
Lobo Antunes escreveu "A morte de Carlos Gardel".
Carlos Gardel era um portentoso compositor de Tangos. Isto, para quem não saiba, não esclarece se era Bartender ou Músico.
Vamos partir do princípio que era Bartender. O Tango é uma bebida composta por cerveja e groselha. Num como, vertem-se cerca de dois dedos de groselha. Depois, mistura-se a cerveja.
Dá um ar "amaricado", mas serve perfeitamente para acompanhar uma interpretação de "Por una cabeza". É ver o "Perfume de Mulher".
Dito isto, nesta composição que se assemelha a algo escrito por John Doe, do Seven (What's in the box?), quero concluir com uma questão, o que é, igualmente, normal.
Como apreender o grau máximo da lamechice? A lamechice é-me cara, uma vez que a exerço. Com veemência.
Lembrei-me de REO Speedwagon e Bon Jovi. Lembrei-me de I Can't Fight this Feeling e Always.
Lobo Antunes escreveu "A morte de Carlos Gardel".
Carlos Gardel era um portentoso compositor de Tangos. Isto, para quem não saiba, não esclarece se era Bartender ou Músico.
Vamos partir do princípio que era Bartender. O Tango é uma bebida composta por cerveja e groselha. Num como, vertem-se cerca de dois dedos de groselha. Depois, mistura-se a cerveja.
Dá um ar "amaricado", mas serve perfeitamente para acompanhar uma interpretação de "Por una cabeza". É ver o "Perfume de Mulher".
Dito isto, nesta composição que se assemelha a algo escrito por John Doe, do Seven (What's in the box?), quero concluir com uma questão, o que é, igualmente, normal.
Como apreender o grau máximo da lamechice? A lamechice é-me cara, uma vez que a exerço. Com veemência.
Lembrei-me de REO Speedwagon e Bon Jovi. Lembrei-me de I Can't Fight this Feeling e Always.
quarta-feira, novembro 16, 2016
Da Representação Voluntária em Direito Civil
Algures nos anos 90, Pedro Albuquerque, filho de Ruy, decide doutorar-se em Direito e inicia a escrita da sua tese, cujo título supra reproduzo. Trata-se de uma obra fascinante, bem documentada, precisa, capaz de resolver os inúmeros problemas que a disciplina da representação traz. Pessoalmente, não seria capaz de ter concluído a minha licenciatura sem me ter cruzado com tão estimulante escrito.
Com o que acabo de escrever, duas coisas podem acontecer:
a) os motores de pesquisa passaram a incluir este texto quando alguém pesquisar por "Representação Voluntária";
b) Quem me ler, desistir.
As fotografias têm a faculdade de se inserir na previsão da norma constante de um qualquer artigo que fala em Documentos.
Estive a ver umas poucas em que consto.
Passam-se anos, quilos, pessoas. Já quase nada do que ali vi existe, no sentido que gosto de dar à existência. Foram-se as pessoas e os anos. Os quilos, como um conhecido da primária que engraçou connosco e de quando em vez quer ir lá jantar a casa, vieram.
Tudo bem, se gosto de chanfana, pago o preço. Se aprecio coisas que não saem de mim sem ginásio, ora pois.
O que mais me fascina é a roupa. A roupa, juntamente com a qualidade da imagem, é o principal GPS para localizar o evento e momento no tempo.
E nem aí. Nem. Aí.
Lembro-me de ficar melhor em roupa menos cara do que agora. Há uma foto específica, tirada numa noite que me recordo perfeitamente, que é fatal. Uma camisa que já não existe, umas calças que me servem, não em duas, mas uma perna, e um blusão, que resistiu.
Pedro de Albuquerque, que percebe tanto de representação, nunca me sossegou e escreveu sobre a representação nas fotografias. O Direito pouco diz sobre a passagem dos anos, quilos e pessoas.
Hoje mesmo, precisamente hoje, uma fotografia passou a fazer parte do passado.
Até há umas largas horas, era só uma fotografia com meses. E poucos. Agora, é uma fotografia tão válida como a de uma criança, que agora tira o Doutoramento.
Doutoramento que Pedro de Albuquerque começou a concluir nos anos 90.
Com o que acabo de escrever, duas coisas podem acontecer:
a) os motores de pesquisa passaram a incluir este texto quando alguém pesquisar por "Representação Voluntária";
b) Quem me ler, desistir.
As fotografias têm a faculdade de se inserir na previsão da norma constante de um qualquer artigo que fala em Documentos.
Estive a ver umas poucas em que consto.
Passam-se anos, quilos, pessoas. Já quase nada do que ali vi existe, no sentido que gosto de dar à existência. Foram-se as pessoas e os anos. Os quilos, como um conhecido da primária que engraçou connosco e de quando em vez quer ir lá jantar a casa, vieram.
Tudo bem, se gosto de chanfana, pago o preço. Se aprecio coisas que não saem de mim sem ginásio, ora pois.
O que mais me fascina é a roupa. A roupa, juntamente com a qualidade da imagem, é o principal GPS para localizar o evento e momento no tempo.
E nem aí. Nem. Aí.
Lembro-me de ficar melhor em roupa menos cara do que agora. Há uma foto específica, tirada numa noite que me recordo perfeitamente, que é fatal. Uma camisa que já não existe, umas calças que me servem, não em duas, mas uma perna, e um blusão, que resistiu.
Pedro de Albuquerque, que percebe tanto de representação, nunca me sossegou e escreveu sobre a representação nas fotografias. O Direito pouco diz sobre a passagem dos anos, quilos e pessoas.
Hoje mesmo, precisamente hoje, uma fotografia passou a fazer parte do passado.
Até há umas largas horas, era só uma fotografia com meses. E poucos. Agora, é uma fotografia tão válida como a de uma criança, que agora tira o Doutoramento.
Doutoramento que Pedro de Albuquerque começou a concluir nos anos 90.
quarta-feira, novembro 09, 2016
E agora, uma análise rigorosa sobre as eleições americanas e a ascenção de Trump
A perspectiva democrática anda pelas ruas da amargura.
a) Enquanto advogado, vou votar em branco para a eleição de bastonário.
b) Enquanto cidadão de Almada, creio ir votar em branco para Presidente de Câmara.
c) Se fosse sócio do Sporting, daqueles que até pode votar, votava em branco.
Foi o branco que decidiu a eleição de Trump.
a) Enquanto advogado, vou votar em branco para a eleição de bastonário.
b) Enquanto cidadão de Almada, creio ir votar em branco para Presidente de Câmara.
c) Se fosse sócio do Sporting, daqueles que até pode votar, votava em branco.
Foi o branco que decidiu a eleição de Trump.
quinta-feira, outubro 20, 2016
Sim
Agora, também eu sei o que é apaixonar-me por alguém que tem o mesmo sexo que eu.
E apaixonei-me.
E apaixonei-me.
quinta-feira, setembro 01, 2016
O inexplicável a encontrar o banal
O exorcismo é qualquer coisa parecida com uma expulsão. É preciso acreditar que há espíritos ou outras entidades não materiais e também não terrenas.Com o exorcismo pretende-se expulsar as tais entidades de um corpo. Essas entidades controlam esse corpo e farão dele o que bem entenderem. Na crença cristã e baseado em tantos filmes e alguns livros que li sobre a matéria, o exorcismo visa expulsar de um corpo um espírito do mal.
Realidade próxima desta é a chamada dor do membro fantasma. Sinteticamente, essa dor dá-se quando alguém vê amputado um membro, por alguma maleita, e continua a sentir dor proveniente daquele membro. É como se me cortassem um braço por estar infectado e eu continuasse a sentir dali dor, ainda que o braço já tenha servido de adubo.
De maneiras que ontem perdi o meu animal de estimação, o Lenine.
Já perdi outros, no passado. Senti a dor, mas, estranhamente, nada foi como agora. Estive a pensar nas razões.
Vi aquela criatura chegar à minha casa com poucos dias, nem um mês, segundo recordo. Media e pesava pouco. Explorava, cheirava. Usucapiu aqueles metros quadrados a que chamo casa num tempo record, imprevisto pelo melhor dos Códigos Civis. Levei-o ao médico amiúde. Cumpri escrupulosamente o plano de vacinação e de desparasitação. Comprei a melhor ração. Quando não pude tratar dele, deixei-o ao cuidado daqueles em quem confiava, ora os meus pais, ora os dela, ora os melhores amigos.
Ontem disseram-me que nasceu com os rins afectados. Que a maleita que sobre ele se abateu era inevitável. Que podia esconder qualquer sintoma até que os rins estivessem apenas a 25% da sua capacidade. Foi o que fez.
Naquele dia em que o vi deitar-se debaixo da minha cama, para só depois se ir deitar debaixo do meu sofá, revi cenas antigas. Fiz com ele o que faria ao meu filho: corri com ele para as urgências para tentar perceber como e porquê se estava a dar o declínio.
Ao final do dia, quando voltámos para casa, já sem ele, a casa não era a mesma. Faltava o ser que vinha a porta cumprimentar quem visitava. Faltava o ser que acompanhava religiosamente quem ia à casa de banho. Faltava um terceiro elemento na cama, tomando o que queria.
Hoje, sinto uma insuportável dor do membro fantasma. Amputada que me foi aquela parte da minha vida (da nossa), morro um pouco por dentro. Não há como parar.
O Lenine foi exorcizado da sua casa. Sem que o quisesse, sem que quiséssemos. Perdemos um pilar, ou então um ovo, se pensarmos em nós como um projecto de doce.
E aqui chego. A sofrer como uma criança pequena, com esporádicos episódios de desespero, a lamentar que algo banal como a morte, que tantas vezes se revelou e demonstrou perante mim, seja tão difícil de suportar.
Diria que: é a vida.
Mas é a morte.
Realidade próxima desta é a chamada dor do membro fantasma. Sinteticamente, essa dor dá-se quando alguém vê amputado um membro, por alguma maleita, e continua a sentir dor proveniente daquele membro. É como se me cortassem um braço por estar infectado e eu continuasse a sentir dali dor, ainda que o braço já tenha servido de adubo.
De maneiras que ontem perdi o meu animal de estimação, o Lenine.
Já perdi outros, no passado. Senti a dor, mas, estranhamente, nada foi como agora. Estive a pensar nas razões.
Vi aquela criatura chegar à minha casa com poucos dias, nem um mês, segundo recordo. Media e pesava pouco. Explorava, cheirava. Usucapiu aqueles metros quadrados a que chamo casa num tempo record, imprevisto pelo melhor dos Códigos Civis. Levei-o ao médico amiúde. Cumpri escrupulosamente o plano de vacinação e de desparasitação. Comprei a melhor ração. Quando não pude tratar dele, deixei-o ao cuidado daqueles em quem confiava, ora os meus pais, ora os dela, ora os melhores amigos.
Ontem disseram-me que nasceu com os rins afectados. Que a maleita que sobre ele se abateu era inevitável. Que podia esconder qualquer sintoma até que os rins estivessem apenas a 25% da sua capacidade. Foi o que fez.
Naquele dia em que o vi deitar-se debaixo da minha cama, para só depois se ir deitar debaixo do meu sofá, revi cenas antigas. Fiz com ele o que faria ao meu filho: corri com ele para as urgências para tentar perceber como e porquê se estava a dar o declínio.
Ao final do dia, quando voltámos para casa, já sem ele, a casa não era a mesma. Faltava o ser que vinha a porta cumprimentar quem visitava. Faltava o ser que acompanhava religiosamente quem ia à casa de banho. Faltava um terceiro elemento na cama, tomando o que queria.
Hoje, sinto uma insuportável dor do membro fantasma. Amputada que me foi aquela parte da minha vida (da nossa), morro um pouco por dentro. Não há como parar.
O Lenine foi exorcizado da sua casa. Sem que o quisesse, sem que quiséssemos. Perdemos um pilar, ou então um ovo, se pensarmos em nós como um projecto de doce.
E aqui chego. A sofrer como uma criança pequena, com esporádicos episódios de desespero, a lamentar que algo banal como a morte, que tantas vezes se revelou e demonstrou perante mim, seja tão difícil de suportar.
Diria que: é a vida.
Mas é a morte.
quarta-feira, agosto 17, 2016
Estudos sobre o património
22.
Quando era viva, a minha avó passava as tardes com mais sol ali sentada. Não propriamente ali, mas na casa dela, numa espécie de escano de madeira. A olhar ou a ler (especialmente qualquer coisa religiosa).
Já eu, quando era mais novo e era por ali que dormia a família ou parte dela, descia aquelas escadas de pedra e andava por ali, apesar do cheiro mais intenso. Ninguém queira imaginar aquele espaço antes de ser mexido.
Até que foi. Até que, religiosamente (no bom sentido de "religiosamente") todos uns anos existe um jantar (que será sempre em honra dela e da família). Este ano repetiu-se.
Eramos 22 à mesa. Entre os que estavam, não estavam e, essencialmente, os que podiam estar, quase me lembrei do Jorge Palma quando versava sobre os "serões habituais e as conversas sempre iguais".
Lembrei-me agora, mas então não.
Só senti que estávamos todos mais velhos. Tenho ideia que só a minha mãe não envelhece.
Não lamento o envelhecimento. Tenho pena que o veja. Que quase o apalpe. Louvo, porém, a renovação.
Mas pena tenho. Até porque há tanto para resolver. Tanta conversa que está em falta. Tanto, tanto.
Quando era viva, a minha avó passava as tardes com mais sol ali sentada. Não propriamente ali, mas na casa dela, numa espécie de escano de madeira. A olhar ou a ler (especialmente qualquer coisa religiosa).
Já eu, quando era mais novo e era por ali que dormia a família ou parte dela, descia aquelas escadas de pedra e andava por ali, apesar do cheiro mais intenso. Ninguém queira imaginar aquele espaço antes de ser mexido.
Até que foi. Até que, religiosamente (no bom sentido de "religiosamente") todos uns anos existe um jantar (que será sempre em honra dela e da família). Este ano repetiu-se.
Eramos 22 à mesa. Entre os que estavam, não estavam e, essencialmente, os que podiam estar, quase me lembrei do Jorge Palma quando versava sobre os "serões habituais e as conversas sempre iguais".
Lembrei-me agora, mas então não.
Só senti que estávamos todos mais velhos. Tenho ideia que só a minha mãe não envelhece.
Não lamento o envelhecimento. Tenho pena que o veja. Que quase o apalpe. Louvo, porém, a renovação.
Mas pena tenho. Até porque há tanto para resolver. Tanta conversa que está em falta. Tanto, tanto.
quinta-feira, julho 14, 2016
Palavras homófonas
Anos.
Começo por uma repetição própria: não ligo à passagem de ano. Aquela história do 31 de dezembro para 1 de janeiro. Faço festa e costuma haver álcool? Claro, mas isso (felizmente) tenho todas as semanas, com bom vinho e excelente petisco. Festa é festa e o último dia do ano é uma boa desculpa como qualquer outra.
O meu tempo de reflexão começa a 16 de Julho, terminando em Setembro. Coincide, portanto, com o início e fim das férias judiciais.
No ano transacto, por esta altura e depois de 365 dias de esforço, parti rumo à República Dominicana com a sensação do dever cumprido. Na minha estadia, apenas a preocupação de chegar a tempo à praia e marcar os jantares temáticos. Resto? Rum e charutos.
Dois meses depois de ter chegado, resolvi tentar a minha sorte por conta própria, deixando para trás mais de 6 anos de colaboração com uma prestigiada sociedade de advogados de Almada (nota lateral: em entrevistas de emprego que tive, aqui e ali durante os ditos 6 anos, vários se riram com a designação. Aparentemente o engrandecimento que faço da sociedade é cómico).
3 meses depois do início da aventura, surge outro desafio: serei pai.
Quer isto dizer somente uma coisa: se em Setembro de 2015 me tivessem dito que daí a 6 meses estaria com o meu negócio e à espera de rebento, provavelmente teria de pedir o internamento do informante.
No entanto, aqui estou.
Os receios são o que são. As certezas idem. Contudo, e porque tardo em pensar como um ser estruturado, tenho-me lembrado das palavras do Dr. Ian Malcom.
" I'm, I'm simply saying that life, uh... finds a way"
Começo por uma repetição própria: não ligo à passagem de ano. Aquela história do 31 de dezembro para 1 de janeiro. Faço festa e costuma haver álcool? Claro, mas isso (felizmente) tenho todas as semanas, com bom vinho e excelente petisco. Festa é festa e o último dia do ano é uma boa desculpa como qualquer outra.
O meu tempo de reflexão começa a 16 de Julho, terminando em Setembro. Coincide, portanto, com o início e fim das férias judiciais.
No ano transacto, por esta altura e depois de 365 dias de esforço, parti rumo à República Dominicana com a sensação do dever cumprido. Na minha estadia, apenas a preocupação de chegar a tempo à praia e marcar os jantares temáticos. Resto? Rum e charutos.
Dois meses depois de ter chegado, resolvi tentar a minha sorte por conta própria, deixando para trás mais de 6 anos de colaboração com uma prestigiada sociedade de advogados de Almada (nota lateral: em entrevistas de emprego que tive, aqui e ali durante os ditos 6 anos, vários se riram com a designação. Aparentemente o engrandecimento que faço da sociedade é cómico).
3 meses depois do início da aventura, surge outro desafio: serei pai.
Quer isto dizer somente uma coisa: se em Setembro de 2015 me tivessem dito que daí a 6 meses estaria com o meu negócio e à espera de rebento, provavelmente teria de pedir o internamento do informante.
No entanto, aqui estou.
Os receios são o que são. As certezas idem. Contudo, e porque tardo em pensar como um ser estruturado, tenho-me lembrado das palavras do Dr. Ian Malcom.
" I'm, I'm simply saying that life, uh... finds a way"
sexta-feira, julho 01, 2016
Numa tarde - Ou como quase nunca a morte de alguem é aquilo que poderiamos esperar se esperássemos efectivamente
Quando tinha cerca de seis anos, como tantas vezes ocorreu, fomos jantar a casa dos nossos tios Luís e Bela (a senhora, um doce de mulher, chama-se Isabel, mas pelo carinho que merece, assim a identifico). Por alguma razão que não me volta à memória, devo ter respondido de forma menos polida, mas de todo o modo respeitosa. Virou-se para o cão e chamou-o, usando o meu nome. Acto consumado, olhou para mim a rir-se, com alguma satisfação vingativa no olhar.
Numa outra ocasião, fui meter-me com ela. Perguntar por que razão havia Cristo morrido por nós. Só isto. Foram 6 horas de diálogo com ela, que até tinha sido freira. Não conseguiu explicar. Lembro-me de o meu antigo padrinho se rir a bandeiras despregadas. Do meu avô também.
Finalmente, num momento cronológico não alinhado com os anteriores, sentou-se na mesa de jogo que pontifica (sim, pontifica, adoro que uma mesa se destine ao jogo puro e duro) na casa dos meus pais e jogou um "pente" de sueca. Dizia: "filho, sempre tive que me virar e surpreender".
Hoje, envolvida em madeira fria, despedimo-nos dela.
Pessoas existem que não queremos que morram de forma alguma. Daí nunca imaginarmos a sua morte. Serão sempre imortais e, até certo ponto da nossa vida, são-no, porque não existe maneira que chegue o seu fim.
Este caso era diferente. Aqui, como que havia uma presunção de imortalidade. Foi um caso em que olhámos e dissemos: ela? Não cai. Não caiu.
Quando as despedidas foram proferidas, quase caiu aquela falácia que sustenta que "todos morremos sozinhos".
"Espera por mim lá em cima. Adeus, minha querida amiga".
E se eram amigas.
Se foram.
Numa outra ocasião, fui meter-me com ela. Perguntar por que razão havia Cristo morrido por nós. Só isto. Foram 6 horas de diálogo com ela, que até tinha sido freira. Não conseguiu explicar. Lembro-me de o meu antigo padrinho se rir a bandeiras despregadas. Do meu avô também.
Finalmente, num momento cronológico não alinhado com os anteriores, sentou-se na mesa de jogo que pontifica (sim, pontifica, adoro que uma mesa se destine ao jogo puro e duro) na casa dos meus pais e jogou um "pente" de sueca. Dizia: "filho, sempre tive que me virar e surpreender".
Hoje, envolvida em madeira fria, despedimo-nos dela.
Pessoas existem que não queremos que morram de forma alguma. Daí nunca imaginarmos a sua morte. Serão sempre imortais e, até certo ponto da nossa vida, são-no, porque não existe maneira que chegue o seu fim.
Este caso era diferente. Aqui, como que havia uma presunção de imortalidade. Foi um caso em que olhámos e dissemos: ela? Não cai. Não caiu.
Quando as despedidas foram proferidas, quase caiu aquela falácia que sustenta que "todos morremos sozinhos".
"Espera por mim lá em cima. Adeus, minha querida amiga".
E se eram amigas.
Se foram.
terça-feira, junho 21, 2016
Do Spoiler (ou tentativa de "homenagem")
Sou um ávido fã da série "Guerra dos Tronos".
Para quem a segue, hoje é um dia feliz.
Queria deixar aqui uma pequena "homenagem" ao melhor Vilão que aquela série conheceu: Ramsay Bolton/Snow.
Sem dúvida, a mais pérfida personagem jamais criada.
Foi magistral vê-la a agir em todo o seu esplendor. A maldade, tantas vezes aliada à genialidade, com um fim inglório, que mereceu.
Saibam e percebam: não havendo "Mindinho", o Snow tinha que recorrer aos serviços da mulher de vermelho uma vez mais.
O génio estava lá.
Para quem a segue, hoje é um dia feliz.
Queria deixar aqui uma pequena "homenagem" ao melhor Vilão que aquela série conheceu: Ramsay Bolton/Snow.
Sem dúvida, a mais pérfida personagem jamais criada.
Foi magistral vê-la a agir em todo o seu esplendor. A maldade, tantas vezes aliada à genialidade, com um fim inglório, que mereceu.
Saibam e percebam: não havendo "Mindinho", o Snow tinha que recorrer aos serviços da mulher de vermelho uma vez mais.
O génio estava lá.
sexta-feira, junho 17, 2016
Silva
Um dos meus filmes preferidos chama-se "Alta Fidelidade", ver aqui.
Numa das suas muitas cenas, quase de antologia, os empregados da Champioship Vinyl lançam uma discussão: de que temas seria composto o top 5 de músicas sobre a morte, idealmente a passar no próprio funeral?
Não é que pense nisso. Nem me faz muito sentido. Não me interessa o efeito que a música tem noutros, mas sim em mim. Estando morto, não oiço. Abro excepção para quem entende que quem presta a última homenagem deve estar rodeado de algo sonoro para além das vozes dos demais.
Ao recordar a cena, nem sei bem porquê, fui levado a pensar noutro aspecto que mistura a música com a mortalidade. Que música passava quando soube que algum ente querido tinha "partido"?
Lamentavelmente, só me lembro de uma. Ouvia-a quando soube que o meu avô não tinha resistido. Paradoxo de merda: é uma bela música. Tem um verso filho de puta: "Pode ser belo o feio visto de perto". Ainda diz: "O avesso às vezes pode dar certo".
Já tive a minha quota parte de perdas. E num período muito curto.
O pior é não me lembrar. Sinto que mandei qualquer coisa para o subconsciente só com bilhete de ida.
Assustam-me os traumas.
Numa das suas muitas cenas, quase de antologia, os empregados da Champioship Vinyl lançam uma discussão: de que temas seria composto o top 5 de músicas sobre a morte, idealmente a passar no próprio funeral?
Não é que pense nisso. Nem me faz muito sentido. Não me interessa o efeito que a música tem noutros, mas sim em mim. Estando morto, não oiço. Abro excepção para quem entende que quem presta a última homenagem deve estar rodeado de algo sonoro para além das vozes dos demais.
Ao recordar a cena, nem sei bem porquê, fui levado a pensar noutro aspecto que mistura a música com a mortalidade. Que música passava quando soube que algum ente querido tinha "partido"?
Lamentavelmente, só me lembro de uma. Ouvia-a quando soube que o meu avô não tinha resistido. Paradoxo de merda: é uma bela música. Tem um verso filho de puta: "Pode ser belo o feio visto de perto". Ainda diz: "O avesso às vezes pode dar certo".
Já tive a minha quota parte de perdas. E num período muito curto.
O pior é não me lembrar. Sinto que mandei qualquer coisa para o subconsciente só com bilhete de ida.
Assustam-me os traumas.
Pensar
É estar doente dos olhos. O que é ver como um danado?
Vamos ao mundano.
Quando era mais jovem, tinha uma tese imberbe: as raparigas (no usar luso da palavra) mais engraçadas e dotadas andavam juntas. Quase como se de um cartel se tratasse.
A tese, por força da vida, não veio a ter sucesso. Só se verificariam episódios esporádicos que serviam, não para provar, mas demonstrar que são excepção.
Isto serviu de base para ter noção de algo, mas para o futuro: o que é de bom, como o que é de mau, vem aos grupos. No plural. Confirmei, ao fim e ao cabo, que uma desgraça nunca vem só, citando o mítico povão.
Estou mal de vida? Não estou não senhor. Poderei estar? Queira deus que não, nossa senhora de Fátima.
Sucede que isto tem corrido bem. E a vida nunca corre bem para sempre.
Vamos ao mundano.
Quando era mais jovem, tinha uma tese imberbe: as raparigas (no usar luso da palavra) mais engraçadas e dotadas andavam juntas. Quase como se de um cartel se tratasse.
A tese, por força da vida, não veio a ter sucesso. Só se verificariam episódios esporádicos que serviam, não para provar, mas demonstrar que são excepção.
Isto serviu de base para ter noção de algo, mas para o futuro: o que é de bom, como o que é de mau, vem aos grupos. No plural. Confirmei, ao fim e ao cabo, que uma desgraça nunca vem só, citando o mítico povão.
Estou mal de vida? Não estou não senhor. Poderei estar? Queira deus que não, nossa senhora de Fátima.
Sucede que isto tem corrido bem. E a vida nunca corre bem para sempre.
quinta-feira, junho 09, 2016
Lâncome
Anúncios de perfume. Um pouco, tudo-nada, como os anúncios dos pensos higiénicos. Posso conceder que, quanto a estes últimos, existe uma perigosa apologia da mulher com o período que passa bem por Super-Homem.
Percebo pouco de publicidade, diria mesmo, que percebo pouco de muito em geral. Neste ramo do "saber", e também da acção, creio que a psicologia joga uma carta essencial. Daí partir para uma conclusão que tirei há muito: a raça humana pensa toda de forma parecida. A economia dirá o mesmo.
Pois bem, ontem, enquanto saboreava um sofrível choco frito à moda de Setúbal, mas somente a fazer lembrar o Sado, em conversa falou-se de aspectos específicos do nojo. Também aqui creio que a Humanidade está unida, salvo raras excepções.
Para mim, algo fez sentido há pouco, quando achei que o nojo e um seu combatente (o perfume) se podiam unir e passar uma mensagem eficaz.
Cheguei ao anúncio que me faria comprar um perfume, de caras.
Num cenário de piquenique, um fulano com os seus 150 kilinhos bem pesados está sentado numa cadeira de praia, somente de calções. À sua volta, amigos, homens, mulheres.
Está calor. O fulano sua em bica. Todo ele é água. Debaixo das suas mamas, um oceano de suor. Na barriga, pêlos pretos, grossos, de uma vida de trabalho. O homem, acto contínuo, pega num pedaço gigante de pão, encosta-o ao peito e corta-o, com uma faca sobre-dimensionada. Enquanto a faca corta, o pão vai sendo empurrado pela lâmina contra o peito do bicho. Feito o serviço, corta uma fatia de queijo Castelões da mesma forma. Junta e come.
Aparece a Cristina Ferreira em vestido azul (estou muito longe de ser fã da senhora, pelo contrário) e borrifa-se no "Comenda #7".
Para homem e mulher.
Percebo pouco de publicidade, diria mesmo, que percebo pouco de muito em geral. Neste ramo do "saber", e também da acção, creio que a psicologia joga uma carta essencial. Daí partir para uma conclusão que tirei há muito: a raça humana pensa toda de forma parecida. A economia dirá o mesmo.
Pois bem, ontem, enquanto saboreava um sofrível choco frito à moda de Setúbal, mas somente a fazer lembrar o Sado, em conversa falou-se de aspectos específicos do nojo. Também aqui creio que a Humanidade está unida, salvo raras excepções.
Para mim, algo fez sentido há pouco, quando achei que o nojo e um seu combatente (o perfume) se podiam unir e passar uma mensagem eficaz.
Cheguei ao anúncio que me faria comprar um perfume, de caras.
Num cenário de piquenique, um fulano com os seus 150 kilinhos bem pesados está sentado numa cadeira de praia, somente de calções. À sua volta, amigos, homens, mulheres.
Está calor. O fulano sua em bica. Todo ele é água. Debaixo das suas mamas, um oceano de suor. Na barriga, pêlos pretos, grossos, de uma vida de trabalho. O homem, acto contínuo, pega num pedaço gigante de pão, encosta-o ao peito e corta-o, com uma faca sobre-dimensionada. Enquanto a faca corta, o pão vai sendo empurrado pela lâmina contra o peito do bicho. Feito o serviço, corta uma fatia de queijo Castelões da mesma forma. Junta e come.
Aparece a Cristina Ferreira em vestido azul (estou muito longe de ser fã da senhora, pelo contrário) e borrifa-se no "Comenda #7".
Para homem e mulher.
terça-feira, maio 31, 2016
A composição
Um casal que solicita os meus serviços profissionais ofereceu-me uma pequena banheira.
Uma banheira onde poderei lavar a criança que ai vem.
De onde veio, ou como veio, não sei. O casal é de confiança e ofereceu, de forma efusiva, aquela composição de plástico. Aceitei-a e, para quebrar protocolos, dei dois beijinhos na cara à senhora.
Entretanto, ouvi Lou Reed e, por alguma razão, fui projectado para uma visão de pobreza, miséria e dificuldades financeiras no geral.
A música era o "Perfect Day".
A visão era qualquer coisa como uma foto dos anos 80, em que estava vestido de ganga e tinha um infante ranhoso ao colo. Devia estar a regressar de uma feira.
A questão é que sempre associei as crianças a miséria financeira. Há algo de pobre nos casais que vejo com crianças pequenas.
Até quem eu sei que é abonado me parece um mendigo quando segura um pequeno ao colo.
(Nota pessoal: para não variar, o texto está escrito com a mestria de um repetente do quarto ano. É tentar dar um ar alucinado e parecer só estúpido.)
Uma banheira onde poderei lavar a criança que ai vem.
De onde veio, ou como veio, não sei. O casal é de confiança e ofereceu, de forma efusiva, aquela composição de plástico. Aceitei-a e, para quebrar protocolos, dei dois beijinhos na cara à senhora.
Entretanto, ouvi Lou Reed e, por alguma razão, fui projectado para uma visão de pobreza, miséria e dificuldades financeiras no geral.
A música era o "Perfect Day".
A visão era qualquer coisa como uma foto dos anos 80, em que estava vestido de ganga e tinha um infante ranhoso ao colo. Devia estar a regressar de uma feira.
A questão é que sempre associei as crianças a miséria financeira. Há algo de pobre nos casais que vejo com crianças pequenas.
Até quem eu sei que é abonado me parece um mendigo quando segura um pequeno ao colo.
(Nota pessoal: para não variar, o texto está escrito com a mestria de um repetente do quarto ano. É tentar dar um ar alucinado e parecer só estúpido.)
terça-feira, maio 17, 2016
Verde
Acabou a época futebolística regular, tendo o Sport Lisboa e Benfica acabado em primeiro lugar.
Para expiar os meus pecados, quero deixar aqui, sobretudo para minha memória futura, algumas considerações e conclusões.
a) O futebol jogado foi bom/excelente. Contudo, tal verdade serve, maioritariamente, para consumo interno. À sua imagem, Jesus não tem grande futebol lá fora, à exceção do jogo com o Lokomotiv.
b) O apoio dos adeptos foi excepcional (excluindo o meu, desconfiado por natureza).
Isto foram os pontos positivos.
c) Ganhámos uma Supertaça. Mais. Nada. Nadinha. Ponta. De. Corno.
d) O Presidente, o Director Desportivo e o Treinador deviam cortar a língua. Arrogantes, errados, mal-informados, burros (porque não?)
e) O Sporting foi factor de união do Benfica. Como li: ressuscitámos um morto.
Ora,
Continuamos no caminho. Todos os anos temos subido um bocado. Este ano, a qualidade exibicional foi altíssima. Claro, há que dar continuidade.
Agora, e é este o meu problema:
Ninguém, absolutamente ninguém, na estrutura do Sporting está a aprender com os erros.
Jesus não perde a postura arrogante. Devia. A glória é para quem vence. Para quem perde é só desprezível.
O Presidente NÃO. SE. CALA.
O Octávio não desaparece.
E eu estou farto.
Tive várias conversas com quem pensa de forma diferente da minha.
Para todos, relembro: mais um ano, mais nada.
Para expiar os meus pecados, quero deixar aqui, sobretudo para minha memória futura, algumas considerações e conclusões.
a) O futebol jogado foi bom/excelente. Contudo, tal verdade serve, maioritariamente, para consumo interno. À sua imagem, Jesus não tem grande futebol lá fora, à exceção do jogo com o Lokomotiv.
b) O apoio dos adeptos foi excepcional (excluindo o meu, desconfiado por natureza).
Isto foram os pontos positivos.
c) Ganhámos uma Supertaça. Mais. Nada. Nadinha. Ponta. De. Corno.
d) O Presidente, o Director Desportivo e o Treinador deviam cortar a língua. Arrogantes, errados, mal-informados, burros (porque não?)
e) O Sporting foi factor de união do Benfica. Como li: ressuscitámos um morto.
Ora,
Continuamos no caminho. Todos os anos temos subido um bocado. Este ano, a qualidade exibicional foi altíssima. Claro, há que dar continuidade.
Agora, e é este o meu problema:
Ninguém, absolutamente ninguém, na estrutura do Sporting está a aprender com os erros.
Jesus não perde a postura arrogante. Devia. A glória é para quem vence. Para quem perde é só desprezível.
O Presidente NÃO. SE. CALA.
O Octávio não desaparece.
E eu estou farto.
Tive várias conversas com quem pensa de forma diferente da minha.
Para todos, relembro: mais um ano, mais nada.
terça-feira, maio 10, 2016
Las cosas pequeñas
Por ocasião do lançamento do novo trabalho dos Radiohead, uma das minhas agremiações musicais preferidas, muitos "críticos" vieram dizer aquilo que, para mim, é a frase mais batida de sempre do panorama crítico-musical: "É o melhor disco desde o (inserir qualquer trabalho anterior, de preferência, preferido por hipsters)."
O pior nem é ser batido, é ser mesmo estúpido, pedante e desinformado. Não neste caso, mas em todos.
A produção musical de uma banda não é uma linha recta de coerência. Há oscilações no estilo, nos membros, nas influências, nas intenções, em tanta, mas tanta coisa.
Cada álbum de uma banda não serve de "benchmark". Marcou um tempo. Foi mais vendido? Foi menos? Gostei mais?
Nada mais irrelevante. Em cada ouvido está um gosto e, segundo aquilo que penso (que reconheço ser pouco e mau), crítica não é comparar o incomparável.
Descendo ao concreto: li que o "Moon shaped pool" é o melhor álbum desde o "Kid A".
Isto irritou-me ao ponto de ter vindo aqui escrever.
É falso. Se o crítico dissesse que prefere x a y, tudo bem. Agora, basear uma crónica numa afirmação que só espelha o gosto pessoal é só ser pequeno e preguiçoso.
A crítica não pode ser uma expressão de opinião. Tem de ser objectiva, conter alguma coisa de concreto que possa servir para pensar.
Dizer que se prefere uma laranja a uma maçã é não ter mais de 6 anos e dizer que gosta mais do pai.
Amiúde acontece o mesmo na crítica cinematográfica. Menos, mas acontece.
Isto só para dizer uma coisa: se assumirmos que a música é uma arte, não há arte melhor ou pior. Podemos gostar mais de uma que de outra, mas ser pago para escrever algo sobre ela exige mais.
Exemplo: sim, eu gosto de muito do trabalho da Joana Vasconcelos. Chamem-me urso à vontade. Vou dizer que o Candeeiro gigante é pior que o naperon?
Tanta coisa para isto? Pois. Já não usava o espaço há uns tempos.
O pior nem é ser batido, é ser mesmo estúpido, pedante e desinformado. Não neste caso, mas em todos.
A produção musical de uma banda não é uma linha recta de coerência. Há oscilações no estilo, nos membros, nas influências, nas intenções, em tanta, mas tanta coisa.
Cada álbum de uma banda não serve de "benchmark". Marcou um tempo. Foi mais vendido? Foi menos? Gostei mais?
Nada mais irrelevante. Em cada ouvido está um gosto e, segundo aquilo que penso (que reconheço ser pouco e mau), crítica não é comparar o incomparável.
Descendo ao concreto: li que o "Moon shaped pool" é o melhor álbum desde o "Kid A".
Isto irritou-me ao ponto de ter vindo aqui escrever.
É falso. Se o crítico dissesse que prefere x a y, tudo bem. Agora, basear uma crónica numa afirmação que só espelha o gosto pessoal é só ser pequeno e preguiçoso.
A crítica não pode ser uma expressão de opinião. Tem de ser objectiva, conter alguma coisa de concreto que possa servir para pensar.
Dizer que se prefere uma laranja a uma maçã é não ter mais de 6 anos e dizer que gosta mais do pai.
Amiúde acontece o mesmo na crítica cinematográfica. Menos, mas acontece.
Isto só para dizer uma coisa: se assumirmos que a música é uma arte, não há arte melhor ou pior. Podemos gostar mais de uma que de outra, mas ser pago para escrever algo sobre ela exige mais.
Exemplo: sim, eu gosto de muito do trabalho da Joana Vasconcelos. Chamem-me urso à vontade. Vou dizer que o Candeeiro gigante é pior que o naperon?
Tanta coisa para isto? Pois. Já não usava o espaço há uns tempos.
domingo, maio 01, 2016
sexta-feira, abril 01, 2016
Carta a um "eu" futuro
Meu caro,
Algures em Fevereiro/Março de 2016, passaste duas semanas em São João do Estoril. Nem tu sabias que existia tal localidade, tu que dividias a linha (excluindo Sintra) entre Cascais e Estoril. A melodia abaixo levar-te-á a esses tempos.
Na altura, mal chegavas, ias aviar um chávena de café, fumar o SG matinal e ouvir os OMD. Lembravas-te do teu escritório. Do teu. Do que estavas a deixar para trás. Souvenir doutro tempo.
Quinze dias. Dez úteis. Ao segundo, foste introduzido à temática das "pinças", artefacto útil para lidar com problemas delicados.
Foram-te ditos nomes, explicadas situações. Depois, noutra altura, foram-te ditos ainda mais nomes e explicadas ainda mais situações.
Serias como que invisível aos olhos da base. Com alguma, claro, havia relações a começar, mas na tua nuca estava sempre alguém. Alguém que ta torcia e te obrigava a coçá-la. Spider sense. Macacada. Qualquer coisa.
Certo dia, o telefone tocou. Duas vezes.
Foram duas semanas. Valorizado pela chefia como nunca ou até mesmo nunca mais.
Demorou duas horas a que pudesses sair. Foi tudo debatido.
Mas o telefone tinha tocado. Era a única coisa que tinhas dito a ti próprio: se tocasse, não mais quisesses obedecer se pudesses mandar.
Quando saíste, pairava no ar uma nuvem negra. Ou lua, para poderes pensar nos CCR.
Terão ficado a pensar que saíste porque a nuvem te impedia de respirar. Tão longe disso.
Hoje, a dita nuvem (imagem a que recorro pela terceira vez e que, por isso, peço as devidas desculpas) ficou menos negra.
Ao leres, hoje mesmo, as notícias que pululam em todos os sites da especialidade, lembras-te daquelas duas semanas.
Souvenir.
quarta-feira, março 16, 2016
Pequeno, ou pequeníssimo, ensaio sobre a saudade
A saudade é uma ressaca, ainda que uma forma muito específica de ressaca.
Como todas as ressacas, também a saudade tem fim.
quarta-feira, março 02, 2016
terça-feira, fevereiro 23, 2016
A vida e qualquer coisa de Steiner, cuja obra conheço mal
A ecoar, há coisa de uma semana, na minha pequena cabeça de aprendiz: We have no more beginnings.
We? I.
Para quem gostar, qualquer coisa, apenas relacionada, aqui.
We? I.
Para quem gostar, qualquer coisa, apenas relacionada, aqui.
sexta-feira, fevereiro 05, 2016
terça-feira, janeiro 19, 2016
Toada de GNR
Por GNR entenda-se Grupo Novo Rock, a banda na qual pontifica Rui Reininho.
Do seu trabalho "Mosquito", que conta com uns anos, há uma composição musical feliz: Bem-vindo ao passado.
Dispensando-me de analisar a letra, ela veio-me à cabeça por causa de um exercício que levei a cabo ainda agora: limpar a caixa de e-mails.
Quando a dita caixa conta com alguns anos de fundação, natural é ter milhares de e-mails completamente inúteis que merecem incineração. Foi o que fiz.
Ora, se há inutilidades, também há um regresso ao passado, passado tão longínquo que é quase novo.
Dos indícios de outros tempos de estudante, até outros conducentes a alturas mais recentes, a vida é, como em tantas outras coisas, uma soma positiva das comunicações que efectuamos com terceiros.
De e-mails de pessoal que já faleceu e de outros que passaram, vê-se tudo.
O que foi e o que podia ter sido.
O que foi escrito e não devia.
Até que... matte kudasai!
Vê-se um e-mail com piropos do trolha. Do pai que deve ser terrorista, porque a fulana é uma bomba. Ou pergunta-se à fulana se ela se alivia numa caixa de areia, porque é uma verdadeira gata.
Quando se tem uma certa idade, e só aí, percebe-se que nada é circular. Especialmente o tempo.
Do seu trabalho "Mosquito", que conta com uns anos, há uma composição musical feliz: Bem-vindo ao passado.
Dispensando-me de analisar a letra, ela veio-me à cabeça por causa de um exercício que levei a cabo ainda agora: limpar a caixa de e-mails.
Quando a dita caixa conta com alguns anos de fundação, natural é ter milhares de e-mails completamente inúteis que merecem incineração. Foi o que fiz.
Ora, se há inutilidades, também há um regresso ao passado, passado tão longínquo que é quase novo.
Dos indícios de outros tempos de estudante, até outros conducentes a alturas mais recentes, a vida é, como em tantas outras coisas, uma soma positiva das comunicações que efectuamos com terceiros.
De e-mails de pessoal que já faleceu e de outros que passaram, vê-se tudo.
O que foi e o que podia ter sido.
O que foi escrito e não devia.
Até que... matte kudasai!
Vê-se um e-mail com piropos do trolha. Do pai que deve ser terrorista, porque a fulana é uma bomba. Ou pergunta-se à fulana se ela se alivia numa caixa de areia, porque é uma verdadeira gata.
Quando se tem uma certa idade, e só aí, percebe-se que nada é circular. Especialmente o tempo.
terça-feira, janeiro 05, 2016
sexta-feira, dezembro 18, 2015
Num jantar de Natal
Todos te desejam as melhores felicidades.
Prescreveram as oportunidades recentes.
Entra um novo ano.
A verdade é uma.
Cerrar punhos.
quarta-feira, dezembro 16, 2015
Inapto.
De Novembro até este momento, várias etapas da minha vida foram, sucessivamente, acabando.
Ontem foi mais uma.
Este texto é para quem o escreve. Para que haja mentalização de algo que nunca se apreciou: não farei jamais o que quero. Farei o que me deixarem.
Havia duas profissões que gostava de ter exercido. A primeira deixou de ser hipótese bem cedo. A segunda faleceu ontem.
Sinto-me uma pessoa portadora de deficiência.
Ontem foi mais uma.
Este texto é para quem o escreve. Para que haja mentalização de algo que nunca se apreciou: não farei jamais o que quero. Farei o que me deixarem.
Havia duas profissões que gostava de ter exercido. A primeira deixou de ser hipótese bem cedo. A segunda faleceu ontem.
Sinto-me uma pessoa portadora de deficiência.
sexta-feira, dezembro 04, 2015
Tempo e Espaço
Pessoas há que gostavam de viajar no tempo.
Quando tinha 6 anos, ou 7, lembro-me bem de ter ficado uma série de dias a pensar se isso seria possível ou não e, caso fosse, como seria o choque de ver o atraso ou o progresso. Penso que foi a propósito de um filme em que os heróis viajam no tempo e voltam à altura de Jack, O Estripador, tentando saber qual a sua identidade.
De alguma maneira, perdi esse interesse. De há anos para cá, há uma frase de Ortega y Gasset que ecoa qual bomba a rebentar nos meus ouvidos: "O homem é o homem e a sua circunstância"
Uma viagem ao futuro não é turismo, como não o é uma viagem ao passado. Seria sempre uma viagem definitiva. Seria sempre revelador. Demasiado. Seria desvirtuar a "circunstância".
Mas, hellas, há excepções.
Quando tinha 6 anos, ou 7, lembro-me bem de ter ficado uma série de dias a pensar se isso seria possível ou não e, caso fosse, como seria o choque de ver o atraso ou o progresso. Penso que foi a propósito de um filme em que os heróis viajam no tempo e voltam à altura de Jack, O Estripador, tentando saber qual a sua identidade.
De alguma maneira, perdi esse interesse. De há anos para cá, há uma frase de Ortega y Gasset que ecoa qual bomba a rebentar nos meus ouvidos: "O homem é o homem e a sua circunstância"
Uma viagem ao futuro não é turismo, como não o é uma viagem ao passado. Seria sempre uma viagem definitiva. Seria sempre revelador. Demasiado. Seria desvirtuar a "circunstância".
Mas, hellas, há excepções.
Perto do Natal
Estava a fumar à porta do Tribunal do Barreiro.
Apareceu um senhor de poucas posses que me apertou a mão.
Seguidamente, disse-me que não tinha dinheiro e que estava sem comer há alguns dias.
Pediu-me que lhe pagasse uma refeição num café ali ao lado.
Dirigimo-nos ao café e eu perguntei se podia pagar com cartão MB. Tal hipótese foi-me vedada. Fui, então, levantar dinheiro a uma caixa ali perto.
Ele ficou no café.
Quando lá cheguei, estava ele a pedir meia dose de cozido, o prato do dia.
Apareceu um senhor de poucas posses que me apertou a mão.
Seguidamente, disse-me que não tinha dinheiro e que estava sem comer há alguns dias.
Pediu-me que lhe pagasse uma refeição num café ali ao lado.
Dirigimo-nos ao café e eu perguntei se podia pagar com cartão MB. Tal hipótese foi-me vedada. Fui, então, levantar dinheiro a uma caixa ali perto.
Ele ficou no café.
Quando lá cheguei, estava ele a pedir meia dose de cozido, o prato do dia.
sexta-feira, novembro 20, 2015
Ciclicamente
Como dizia, isto, esta, é cíclica.
Conheci-a algures em França, tocada a partir de um álbum chamado "Pano Cru", de Sérgio Godinho.
Fica para sempre, como o que é bom, mas também o que é mau. Paradoxo engraçado.
Hoje foi lançado o site que "publicita" (palavra maldita neste meio) os meus serviços.
Sou, agora, uma Call Girl digital.
sexta-feira, novembro 13, 2015
Dias
Dias é um nome a que associo caracóis. No verão (sobretudo no verão), é ir àquela rua ao pé da padaria e trazer aquele que é "o" petisco de final de tarde.
Por outro lado, dias são períodos de 24 horas que compõem um ano.
Contudo, há ainda quem associe dia ao período dessas 24 horas em que há luz. Depois de se extinguir essa luz, vem a noite.
Há pouco mais de uma semana, despedi-me do meu anterior emprego.
De lá para cá, fiz telefonemas, tive reuniões, tomei cafés e fui a almoços. Visitei sítios, fiz perguntas.
Hoje, assinei um contrato, estou numa boa sala (que ainda precisa dos seus ajustes, vá lá ver), consegui alguns clientes e não sinto a atroz presença de almas pouco pias.
Raios, nem tudo é ouro. E as perspectivas? Onde está a continuidade garantida do projecto? Onde estão os clientes que garantem o pagamento de contas? Pois é. Pois é.
Ontem revisitei um filme que, como diz Nuno Markl, "dispõe bem". Dispenso-me de referir o nome. Basta-me atentar ao personagem principal que, ao longo da história, citava umas quantas regras que, garantia, o mantinham vivo. A regra que mais dificuldade teria em respeitar era a n.º 32: Aprecia as pequenas coisas.
Ora, hoje, como disse, assinei contrato. Como só hoje o assinei, o Senhorio fez um desconto de quase metade da renda devida, quando nada o fazia prever. O escritório foi entregue devoluto, o que lhe dá uma nova cara. Há promessa de benfeitorias porreiras. Isto é apreciar as pequenas coisas.
Pode não parecer, mas acabo a semana com o brasileiro "alto astral". São dias. Dos luminosos.
(Caros leitores, bem sei que isto é um espaço de auto-comiseração e sofrimento puro. Esse registo voltará quando, daqui a tempos, não houver dinheiro, ehehe).
Por outro lado, dias são períodos de 24 horas que compõem um ano.
Contudo, há ainda quem associe dia ao período dessas 24 horas em que há luz. Depois de se extinguir essa luz, vem a noite.
Há pouco mais de uma semana, despedi-me do meu anterior emprego.
De lá para cá, fiz telefonemas, tive reuniões, tomei cafés e fui a almoços. Visitei sítios, fiz perguntas.
Hoje, assinei um contrato, estou numa boa sala (que ainda precisa dos seus ajustes, vá lá ver), consegui alguns clientes e não sinto a atroz presença de almas pouco pias.
Raios, nem tudo é ouro. E as perspectivas? Onde está a continuidade garantida do projecto? Onde estão os clientes que garantem o pagamento de contas? Pois é. Pois é.
Ontem revisitei um filme que, como diz Nuno Markl, "dispõe bem". Dispenso-me de referir o nome. Basta-me atentar ao personagem principal que, ao longo da história, citava umas quantas regras que, garantia, o mantinham vivo. A regra que mais dificuldade teria em respeitar era a n.º 32: Aprecia as pequenas coisas.
Ora, hoje, como disse, assinei contrato. Como só hoje o assinei, o Senhorio fez um desconto de quase metade da renda devida, quando nada o fazia prever. O escritório foi entregue devoluto, o que lhe dá uma nova cara. Há promessa de benfeitorias porreiras. Isto é apreciar as pequenas coisas.
Pode não parecer, mas acabo a semana com o brasileiro "alto astral". São dias. Dos luminosos.
(Caros leitores, bem sei que isto é um espaço de auto-comiseração e sofrimento puro. Esse registo voltará quando, daqui a tempos, não houver dinheiro, ehehe).
quarta-feira, novembro 11, 2015
Causa natural das coisas
A bem da verdade, cumpre concluir que se uma canção o diz, fico desonerado de o escrever.
Remo. Sigo remando.
https://youtu.be/L3VptpW39YE
quinta-feira, novembro 05, 2015
Ontem.
Ontem tinha um emprego.
Quer isto dizer que tive um emprego.
Continuo a ter trabalho.
Ontem, demiti-me.
Vieram-me à cabeça as palavras de Ronaldo, apelidado de fenómeno: "Perdi para o meu corpo".
Eu também perdi. Para a dignidade. Ela levou-me a melhor.
A minha vida, muito mais alegre, agora continua. Transformei a vida em mulher da rua, na mais nova dama do tom de cristal.
Quer isto dizer que tive um emprego.
Continuo a ter trabalho.
Ontem, demiti-me.
Vieram-me à cabeça as palavras de Ronaldo, apelidado de fenómeno: "Perdi para o meu corpo".
Eu também perdi. Para a dignidade. Ela levou-me a melhor.
A minha vida, muito mais alegre, agora continua. Transformei a vida em mulher da rua, na mais nova dama do tom de cristal.
segunda-feira, novembro 02, 2015
Somatório de ideias ridículas
Apetece-me continuar na senda Miguel Martins.
Sou de esquerda. Conheço muitas pessoas de esquerda. Conheço algumas pessoas de direita. As pessoas de direita tendem a deixar de apreciar a minha companhia.
Apesar de perder o respeito das pessoas de direita, creio que está na esquerda a maior crise de socialização. Há, na esquerda, uma ideia bélica do debate que tende a querer o desaparecimento do oponente.
A pensar nisso, tive outra ideia de programa para a TV. O nome é "Dá uma chance". A música de entrada seria "One more chance", de Julio Iglesias Jr., que existiu.
Seria um programa semanal a ser emitido às 5 horas da manhã, com a duração de uma hora. O formato seria um crossover entre entrevistas sérias e um espírito "Só Visto", com descontracção.
Objecto: reabilitar figuras pouco gratas à esquerda portuguesa, que se dispusessem a ser entrevistadas em tom "intimista" numa toada de perdão. Ou seja, por serem escroques aos olhos de muitos, tentariam a reabilitação, mostrando que "também são gente".
Para o primeiro programa, Camilo Lourenço.
Todas as entrevistas, dirigidas por Daniel Oliveira (o do B.E), deviam começar com a seguinte pergunta: "Porquê".
Caberia ao convidado dar a entender que, caso um dia a sua agenda oculta de tomar o poder via media viesse a concretizar-se, seria um amigo de todos.
Camilo poderia alegar que até tinha amigos comunistas e já acompanhou com malta da ala esquerda do P.S. Que tanto apertava a mão ao Passos como o pescoço a Costa.
Ao fundo, imagens dele a brincar com um cão de pelo bonito. A almoçar com os filhos, estando estes positivamente sujos de andarem a rebolar numa qualquer lama.
Para o segundo programa, Gomes Ferreira, o joker da macro economia.
Sou de esquerda. Conheço muitas pessoas de esquerda. Conheço algumas pessoas de direita. As pessoas de direita tendem a deixar de apreciar a minha companhia.
Apesar de perder o respeito das pessoas de direita, creio que está na esquerda a maior crise de socialização. Há, na esquerda, uma ideia bélica do debate que tende a querer o desaparecimento do oponente.
A pensar nisso, tive outra ideia de programa para a TV. O nome é "Dá uma chance". A música de entrada seria "One more chance", de Julio Iglesias Jr., que existiu.
Seria um programa semanal a ser emitido às 5 horas da manhã, com a duração de uma hora. O formato seria um crossover entre entrevistas sérias e um espírito "Só Visto", com descontracção.
Objecto: reabilitar figuras pouco gratas à esquerda portuguesa, que se dispusessem a ser entrevistadas em tom "intimista" numa toada de perdão. Ou seja, por serem escroques aos olhos de muitos, tentariam a reabilitação, mostrando que "também são gente".
Para o primeiro programa, Camilo Lourenço.
Todas as entrevistas, dirigidas por Daniel Oliveira (o do B.E), deviam começar com a seguinte pergunta: "Porquê".
Caberia ao convidado dar a entender que, caso um dia a sua agenda oculta de tomar o poder via media viesse a concretizar-se, seria um amigo de todos.
Camilo poderia alegar que até tinha amigos comunistas e já acompanhou com malta da ala esquerda do P.S. Que tanto apertava a mão ao Passos como o pescoço a Costa.
Ao fundo, imagens dele a brincar com um cão de pelo bonito. A almoçar com os filhos, estando estes positivamente sujos de andarem a rebolar numa qualquer lama.
Para o segundo programa, Gomes Ferreira, o joker da macro economia.
Euromilhões
Entre determinado emprego e o euromilhões, prefiro mil vezes o emprego.
Não é o dinheiro ( e se eu gosto dele), é o que fazemos com ele. E, especialmente, é o que fazemos para o ter.
Gostava que, como dizem os Brasileiros, "desse tudo certo".
Mas, como quase toda a gente, não terei nascido para fazer o que me faz feliz.
Ninguém nasceu para ser cantoneiro ou operador cemiterial. Mas essas profissões são exercidas.
Não é o dinheiro ( e se eu gosto dele), é o que fazemos com ele. E, especialmente, é o que fazemos para o ter.
Gostava que, como dizem os Brasileiros, "desse tudo certo".
Mas, como quase toda a gente, não terei nascido para fazer o que me faz feliz.
Ninguém nasceu para ser cantoneiro ou operador cemiterial. Mas essas profissões são exercidas.
terça-feira, outubro 27, 2015
Um pequeno Mário Machado (Não quis usar o mais recente termo inventado: Pedro Guerra da Cordoaria)
E como mil vezes nunca são demais, é altura de visitar o meu quotidiano laboral.
No episódio de hoje, uma questão de princípio, ou como os DAMA podiam ter escolhido outro título para o álbum.
Estava eu na minha vidinha a pensar em formas de atropelamento de seres unicelulares, quando me é ordenado que faça uma série de comunicações, uma delas dirigida a um cliente espanhol. Importa referir que já tinham tido lugar outras comunicações, um tanto ou quanto semelhantes. Em comum, uma coisa: todas escritas em Castelhano.
Pois bem.
Escrevo a missiva no melhor Portunhol de Almada, consulto uns dicionários on-line e a comunicação está pronta a seguir.
Entrego à entidade profana que me encarregou com a tarefa o labor e continuo a pensar em crimes perfeitos.
No dia seguinte, uma mensagem:
"Que merda é esta escrita em espanhol? Por acaso o gajo alguma vez se dignou a escrever em Português?"
E era isto. Aconteceram episódios conexos com a situação, mas são demasiado ridículos.
Há sociedades de advogados.
Há escritórios com advogados lá dentro.
E depois há isto.
No episódio de hoje, uma questão de princípio, ou como os DAMA podiam ter escolhido outro título para o álbum.
Estava eu na minha vidinha a pensar em formas de atropelamento de seres unicelulares, quando me é ordenado que faça uma série de comunicações, uma delas dirigida a um cliente espanhol. Importa referir que já tinham tido lugar outras comunicações, um tanto ou quanto semelhantes. Em comum, uma coisa: todas escritas em Castelhano.
Pois bem.
Escrevo a missiva no melhor Portunhol de Almada, consulto uns dicionários on-line e a comunicação está pronta a seguir.
Entrego à entidade profana que me encarregou com a tarefa o labor e continuo a pensar em crimes perfeitos.
No dia seguinte, uma mensagem:
"Que merda é esta escrita em espanhol? Por acaso o gajo alguma vez se dignou a escrever em Português?"
E era isto. Aconteceram episódios conexos com a situação, mas são demasiado ridículos.
Há sociedades de advogados.
Há escritórios com advogados lá dentro.
E depois há isto.
Miguel Martins
Tenho saudades de um programa que era emitido na Sic Radical: Vai tudo Abaixo. Há rubricas memoráveis: Ruce e Reco, Black Skin e uma imitação de Brasileiro nacionalista cujo nome não me recordo.
Há bocado, lembrei-me de outro: Miguel Martins, o tal que tinha ideias para o país.
Vindo de um almoço bastante feliz numa conhecida adega lisboeta, a que junto o facto de estar constantemente a ser bombardeado com concursos televisivos, sejam em formato "760" ou "Alta Pressão", tive um delírio lúcido.
Seria espectador de um concurso de brindes.
As regras seriam simples:
a) 6 concorrentes. 5 fases.
b) A cada fase, ao concorrente seria dado um tema ao qual ele teria de brindar. Por exemplo: aniversário do Bóbi num jantar de família para 8 pessoas.
c) O brinde não poderia exceder os 5 minutos e seria "julgado" por um painel constituído por Jorge Palma, Jorge Sampaio e Marinho Pinto.
d) O pior brinde significaria a desqualificação do proponente.
e) O concurso seguiria até existirem só dois contendores e, nessa fase, o brinde poderia chegar aos 7 minutos.
Um aspecto que não poderia ser descurado era a categoria da bebida com a qual se brindava. A primeira ronda deveria ser protagonizada por um vinho maduro alentejano tinto. A segunda seria com cerveja importada. A terceira e quarta com o melhor espumante Português ou um Moet e a última com um champagne estilo Bolinger.
A apresentação deveria estar a cargo daquele fulano que indica aos ministros onde é que eles devem assinar nos actos de tomada de posse.
Só seriam admitidos a concurso licenciados nas áreas das humanidades que tivessem concluído o curso com participação em, pelo menos, 10 jantares de turma e 5 aparições em festas de tunas.
O prémio seria a abertura de uma conta bancária a prazo, com um depósito de € 5.000,00 no Novo Banco.
Subitamente, acordei.
Mal me recordando do sonho.
Há bocado, lembrei-me de outro: Miguel Martins, o tal que tinha ideias para o país.
Vindo de um almoço bastante feliz numa conhecida adega lisboeta, a que junto o facto de estar constantemente a ser bombardeado com concursos televisivos, sejam em formato "760" ou "Alta Pressão", tive um delírio lúcido.
Seria espectador de um concurso de brindes.
As regras seriam simples:
a) 6 concorrentes. 5 fases.
b) A cada fase, ao concorrente seria dado um tema ao qual ele teria de brindar. Por exemplo: aniversário do Bóbi num jantar de família para 8 pessoas.
c) O brinde não poderia exceder os 5 minutos e seria "julgado" por um painel constituído por Jorge Palma, Jorge Sampaio e Marinho Pinto.
d) O pior brinde significaria a desqualificação do proponente.
e) O concurso seguiria até existirem só dois contendores e, nessa fase, o brinde poderia chegar aos 7 minutos.
Um aspecto que não poderia ser descurado era a categoria da bebida com a qual se brindava. A primeira ronda deveria ser protagonizada por um vinho maduro alentejano tinto. A segunda seria com cerveja importada. A terceira e quarta com o melhor espumante Português ou um Moet e a última com um champagne estilo Bolinger.
A apresentação deveria estar a cargo daquele fulano que indica aos ministros onde é que eles devem assinar nos actos de tomada de posse.
Só seriam admitidos a concurso licenciados nas áreas das humanidades que tivessem concluído o curso com participação em, pelo menos, 10 jantares de turma e 5 aparições em festas de tunas.
O prémio seria a abertura de uma conta bancária a prazo, com um depósito de € 5.000,00 no Novo Banco.
Subitamente, acordei.
Mal me recordando do sonho.
segunda-feira, outubro 26, 2015
Um post típico desta tasca
O Sábado e o Domingo que antecederam esta Segunda Feira foram excelentes. Sábado recebi e convivi com grandes amigos; no Domingo estive com a família de ambos os lados e o Sporting ganhou categoricamente.
Dito isto, vim trabalhar.
Que é que posso fazer para que este exercício supra descrito custe menos?
Vou explicar.
Não são as funções. Não é o espaço físico (embora esteja nojento com a falta de limpeza).
São as mesmas caras, de quem não gosto. São as mesmas conversas, das quais não gosto, é o mesmo chefe, do qual não gosto.
Já me cansa escrever isto. Já me cansa sentir isto.
A única dúvida que me assalta é: não ganhar dinheiro algum dá uma sensação melhor ou pior? Fico aliviado porque, finalmente, terei mandado o Pedro Guerra da MS para o orvalho que o parta, ou arrependido porque ter dinheiro é mesmo a única coisa?
Até agora tenho preferido o dinheiro.
Dito isto, vim trabalhar.
Que é que posso fazer para que este exercício supra descrito custe menos?
Vou explicar.
Não são as funções. Não é o espaço físico (embora esteja nojento com a falta de limpeza).
São as mesmas caras, de quem não gosto. São as mesmas conversas, das quais não gosto, é o mesmo chefe, do qual não gosto.
Já me cansa escrever isto. Já me cansa sentir isto.
A única dúvida que me assalta é: não ganhar dinheiro algum dá uma sensação melhor ou pior? Fico aliviado porque, finalmente, terei mandado o Pedro Guerra da MS para o orvalho que o parta, ou arrependido porque ter dinheiro é mesmo a única coisa?
Até agora tenho preferido o dinheiro.
sexta-feira, outubro 23, 2015
Mediocridade
O conceito de média é das poucas coisas bonitas que a matemática me trouxe.
Com ela, pude saber qual era o meu lugar na sociedade. É baixo. Rastejante. Tenho de viver com isso.
O que me complica a felicidade quotidiana é saber que, como eu, há tantos seres desprovidos de utilidade que, não obstante, se têm em grande conta.
Já fui mais bruto do que actualmente.
Hoje, só sou a favor de severos castigos corporais exercidos nessa gente.
Com ela, pude saber qual era o meu lugar na sociedade. É baixo. Rastejante. Tenho de viver com isso.
O que me complica a felicidade quotidiana é saber que, como eu, há tantos seres desprovidos de utilidade que, não obstante, se têm em grande conta.
Já fui mais bruto do que actualmente.
Hoje, só sou a favor de severos castigos corporais exercidos nessa gente.
quinta-feira, outubro 22, 2015
Uma outra versão do anti-cristo.
Diz-nos a wikipedia que: Anticristo (do grego αντιχριστός i.e. "opositor a Cristo") é uma denominação comum no Novo Testamento para designar aqueles que se oponham a Jesus Cristo, e também designa um personagem escatológico, que segundo a tradição cristã dominará o mundo.
Não sendo, nem querendo ser, particularmente teólogo, Jesus Cristo é amor. Amor é bem. O bem não é o mal. Açougue é talho.
Enquanto deslizava pelo mural do FB, descobri que, assim como Deus, o Diabo pode estar dividido. Não há um "Pai, Filho e Ricardo Salgado", mas pode haver parecido.
Medina Carreira;
Camilo Lourenço;
Marcelo Rebelo de Sousa;
Marques Mendes;
José Gomes Ferreira.
Cinco nomes para uma estrela de cinco pontas invertida. Todos eles são bestas e pouco faltará para terem os cascos de uma.
Tentei, ainda, pesquisar por uma figura que os incorporasse.
Está aqui.
Não sendo, nem querendo ser, particularmente teólogo, Jesus Cristo é amor. Amor é bem. O bem não é o mal. Açougue é talho.
Enquanto deslizava pelo mural do FB, descobri que, assim como Deus, o Diabo pode estar dividido. Não há um "Pai, Filho e Ricardo Salgado", mas pode haver parecido.
Medina Carreira;
Camilo Lourenço;
Marcelo Rebelo de Sousa;
Marques Mendes;
José Gomes Ferreira.
Cinco nomes para uma estrela de cinco pontas invertida. Todos eles são bestas e pouco faltará para terem os cascos de uma.
Tentei, ainda, pesquisar por uma figura que os incorporasse.
Está aqui.
quarta-feira, outubro 21, 2015
Proposta do dia
Atentai ao seguinte poema:
Eu já estive aqui anteriormente
Mas bati sempre no fundo
Passei uma vida inteira a correr
E sempre fugi
Mas contigo sinto qualquer coisa
Que me faz querer ficar
Estou preparado para isto
Nunca atiro para falhar
Mas sinto que vem uma tempestade a caminho
Se eu vou conseguir aguentar mais um dia
Já não faz sentido correr
Isto é algo que tenho de enfrentar
Se eu tudo arriscar
Podes comigo ficar?
Como é que vivo? Como é que respiro?
Sem te ter por perto sufoco
Quero sentir o amor a correr no meu sangue
Diz se é agora que tudo vou largar?
Por ti arrisco tudo,
É o que está escrito na parede.
Este poema é musica. Por quem?
Hipóteses:
a) António Antunes (a.k.a Tony Carreira)
b) João Pedro Pais
c) Clemente
d) Samuel Frederico
Resposta aqui.
Eu já estive aqui anteriormente
Mas bati sempre no fundo
Passei uma vida inteira a correr
E sempre fugi
Mas contigo sinto qualquer coisa
Que me faz querer ficar
Estou preparado para isto
Nunca atiro para falhar
Mas sinto que vem uma tempestade a caminho
Se eu vou conseguir aguentar mais um dia
Já não faz sentido correr
Isto é algo que tenho de enfrentar
Se eu tudo arriscar
Podes comigo ficar?
Como é que vivo? Como é que respiro?
Sem te ter por perto sufoco
Quero sentir o amor a correr no meu sangue
Diz se é agora que tudo vou largar?
Por ti arrisco tudo,
É o que está escrito na parede.
Este poema é musica. Por quem?
Hipóteses:
a) António Antunes (a.k.a Tony Carreira)
b) João Pedro Pais
c) Clemente
d) Samuel Frederico
Resposta aqui.
terça-feira, outubro 13, 2015
Du Vin
Conheço poucas pessoas que não gostem de vinho.
Ponto prévio: não sou daquelas pessoas que categoriza as outras por aquilo que comem (e bebem) ou não. Por exemplo, jamais ficaria menos impressionado com alguém se soubesse que esse alguém não gostava de trufas. O mesmo sucede para o vinho.
O vinho é das poucas bebidas que pode ser consumida à refeição e como bebida social. Dir-me-ão que todas têm a mesma benção. Digo que não. Jamais algum manjar ficará bem acompanhado com Blue Coraçao ou Baileys.
É uma bebida democrática. É bebida pelo bêbedo. É bebida pelo nobre. É transversal. Ainda que nunca nos passe pela goela um Barca Velha de 2004 (e a mim nunca passou), soubemos que existe vinho bom a menos de 5 euros.
Venho, por esta via, lamentar a falta de vinho nas reuniões que António Costa tem mantido. Não é que não perceba. Os jornalistas iam achar horrendo o bafo expelido depois de um encontro com Passos e Portas. Iam imputar-lhe adjectivos desonrosos. Chamar-lhe coisas feias. Jurar que não era o líder que o país precisava.
Entendo, mas lamento.
A minha experiência ensinou-me que os melhores negócios se fazem à mesa. Em mesas onde não se bebe água. Não deviam ter existido reuniões. Deviam ter sido marcados jantares ou almoços. Penso que todos ganhariam. Desde logo, o sector privado da restauração, que bem carecido está. Ganhavam os jornalistas. É que para além do que diriam no caso de existir uma simples reunião, teriam mais assunto: a conta, quem a pagou, o que se bebeu, o que se comeu, quem comeu o quê. Poderia dar-se o caso de existir uma reportagem na Tabu com o cozinheiro que preparou a cabeça de peixe que Passos tinha deglutido. Até mesmo uma crónica no Correio da Manhã com uma tabela de correspondências entre o que Costa comeu e Sócrates havia comido, naquele mesmo restaurante, há 5 anos, com prejuízo para o primeiro, uma vez que Sócrates comeu as ostras de entrada, mandou vir o Heston Blumenthal para fazer o prato e encerrou com uma edição limitada de uma mousse de chocolate confeccionada apud receita inventada por um mestre chocolateiro morto em Jacarta.
Mas, melhor que tudo, as televisões poderiam contratar "entendidos" que pudessem ligar o vinho tomado com o perfil do tomador. "Portas pediu José de Sousa 2011, o que revela que gosta de homens mais velhos". "Catarina Martins optou por um Mateus Rosé, o que claramente a desqualifica para qualquer cargo governativo". "Jerónimo de Sousa bebeu palheto, o que mostra a tradição a que o PC é fiel". Por aí fora.
Este post é, como disse, um lamento. O melhor de Portugal é a hotelaria, o turismo. A jóia da coroa é a gastronomia. Sem respeito pelos Portugueses, os actores políticos deram um sinal terrível ao país.
Não faço planos de perdoar.
Ponto prévio: não sou daquelas pessoas que categoriza as outras por aquilo que comem (e bebem) ou não. Por exemplo, jamais ficaria menos impressionado com alguém se soubesse que esse alguém não gostava de trufas. O mesmo sucede para o vinho.
O vinho é das poucas bebidas que pode ser consumida à refeição e como bebida social. Dir-me-ão que todas têm a mesma benção. Digo que não. Jamais algum manjar ficará bem acompanhado com Blue Coraçao ou Baileys.
É uma bebida democrática. É bebida pelo bêbedo. É bebida pelo nobre. É transversal. Ainda que nunca nos passe pela goela um Barca Velha de 2004 (e a mim nunca passou), soubemos que existe vinho bom a menos de 5 euros.
Venho, por esta via, lamentar a falta de vinho nas reuniões que António Costa tem mantido. Não é que não perceba. Os jornalistas iam achar horrendo o bafo expelido depois de um encontro com Passos e Portas. Iam imputar-lhe adjectivos desonrosos. Chamar-lhe coisas feias. Jurar que não era o líder que o país precisava.
Entendo, mas lamento.
A minha experiência ensinou-me que os melhores negócios se fazem à mesa. Em mesas onde não se bebe água. Não deviam ter existido reuniões. Deviam ter sido marcados jantares ou almoços. Penso que todos ganhariam. Desde logo, o sector privado da restauração, que bem carecido está. Ganhavam os jornalistas. É que para além do que diriam no caso de existir uma simples reunião, teriam mais assunto: a conta, quem a pagou, o que se bebeu, o que se comeu, quem comeu o quê. Poderia dar-se o caso de existir uma reportagem na Tabu com o cozinheiro que preparou a cabeça de peixe que Passos tinha deglutido. Até mesmo uma crónica no Correio da Manhã com uma tabela de correspondências entre o que Costa comeu e Sócrates havia comido, naquele mesmo restaurante, há 5 anos, com prejuízo para o primeiro, uma vez que Sócrates comeu as ostras de entrada, mandou vir o Heston Blumenthal para fazer o prato e encerrou com uma edição limitada de uma mousse de chocolate confeccionada apud receita inventada por um mestre chocolateiro morto em Jacarta.
Mas, melhor que tudo, as televisões poderiam contratar "entendidos" que pudessem ligar o vinho tomado com o perfil do tomador. "Portas pediu José de Sousa 2011, o que revela que gosta de homens mais velhos". "Catarina Martins optou por um Mateus Rosé, o que claramente a desqualifica para qualquer cargo governativo". "Jerónimo de Sousa bebeu palheto, o que mostra a tradição a que o PC é fiel". Por aí fora.
Este post é, como disse, um lamento. O melhor de Portugal é a hotelaria, o turismo. A jóia da coroa é a gastronomia. Sem respeito pelos Portugueses, os actores políticos deram um sinal terrível ao país.
Não faço planos de perdoar.
segunda-feira, outubro 05, 2015
Bíblia
A
páginas tantas, António Costa empunhava aquela pastinha e quase a
venerava, como se de um vendedor de bíblias se tratasse. Não sei quem
lhe disse que aquilo iria resultar.
Quem me conhece, sabe que não morro de amores por António Costa. Nunca o vi como suficientemente capaz de estar à altura do que ambicionava, isto é, comandar os destinos deste país. Sei, contudo, duas coisas: que o político António Costa tinha algumas provas dadas e que o candidato António Costa foi pouco melhor que fraquíssimo.
Até que se chegou ao dia das eleições e, às 20 horas, numa casa repleta de "adeptos do mesmo clube", assisti a uma calamitosa derrota.
No princípio foi o verbo e no fim foi Porto Editora.
Quem me conhece, sabe que não morro de amores por António Costa. Nunca o vi como suficientemente capaz de estar à altura do que ambicionava, isto é, comandar os destinos deste país. Sei, contudo, duas coisas: que o político António Costa tinha algumas provas dadas e que o candidato António Costa foi pouco melhor que fraquíssimo.
Até que se chegou ao dia das eleições e, às 20 horas, numa casa repleta de "adeptos do mesmo clube", assisti a uma calamitosa derrota.
No princípio foi o verbo e no fim foi Porto Editora.
terça-feira, setembro 22, 2015
Banda Sonora para as Eleições
Hoje, mais um fado. Este remota à I República (assim me disseram), contudo, vou aproveitá-lo para enquadrar duas temáticas ou, por outra, dois traços que marcam uma campanha eleitoral em Portugal: as arruadas e as famílias que deixam de se falar porque "a prima Laura é uma comuna de merda" e o "Zé é um facho do caralho".
Desata tudo ao biscoito.
Desata tudo ao biscoito.
Pork. Pig
Ontem escrevia-se que, a certa altura, Cameron, British P.M, enfiou o seu pénis na boca de um porco morto. Chama-se ao caso Pig Gate.
Hoje, li que o Pedro Boucherie Mendes não acha assim tão importante ter opinião sobre tudo e que, por vezes, até finge ter opinião sobre determinado tópico, finalizando com o exemplo do caso dos Mirós.
Há bocado, li um bocado do Beccaria, na parte em que dizia que o juiz deve construir um silogismo perfeito para decidir e apresentar a sua decisão.
Agora, temo bem que o mundo esteja sobrecarregado de coisas que não interessam ao menino Jesus.
Hoje, li que o Pedro Boucherie Mendes não acha assim tão importante ter opinião sobre tudo e que, por vezes, até finge ter opinião sobre determinado tópico, finalizando com o exemplo do caso dos Mirós.
Há bocado, li um bocado do Beccaria, na parte em que dizia que o juiz deve construir um silogismo perfeito para decidir e apresentar a sua decisão.
Agora, temo bem que o mundo esteja sobrecarregado de coisas que não interessam ao menino Jesus.
sexta-feira, setembro 18, 2015
Respeito
Tinha mais ou menos um metro e sessenta. Aparência cuidada, e bons modos, não deve muito à beleza.
Vinha contar-me o que ali a trazia. Violência doméstica. Um agarrar de pescoço. Uma discussão. Anos de bailado e natação, como na música. Um namoro de quase 20 anos, com filhos, com momentos.
Descobri traições constantes e serôdias.
Descobri desprezo pela família.
Ainda não percebi porquê.
Porquê só hoje.
Não me venham com histórias: é maior a capacidade de sofrer do que a capacidade de amar.
Vinha contar-me o que ali a trazia. Violência doméstica. Um agarrar de pescoço. Uma discussão. Anos de bailado e natação, como na música. Um namoro de quase 20 anos, com filhos, com momentos.
Descobri traições constantes e serôdias.
Descobri desprezo pela família.
Ainda não percebi porquê.
Porquê só hoje.
Não me venham com histórias: é maior a capacidade de sofrer do que a capacidade de amar.
quinta-feira, setembro 17, 2015
Ensaio (pois, sim. Mini-escrito e já gozas) sobre uma hipotética banda sonora para as eleições
Pode ser só de mim, mas acho que todos os momentos da vida individual e colectiva devem ser acompanhados de música. O amor, o fel, o desprezo, o sucesso. Há som adequado a tudo.
Hoje, vamos perceber (vamos, isto é, eu) que existe "sonido" para as próximas eleições.
Para a indiferença. Para os candidatos, políticas e propostas. Para a realidade. Para a miséria.
Vou tentar colocar uma por semana.
Hoje, o povo que talha com o seu machado as tábuas do meu caixão.
Hoje, vamos perceber (vamos, isto é, eu) que existe "sonido" para as próximas eleições.
Para a indiferença. Para os candidatos, políticas e propostas. Para a realidade. Para a miséria.
Vou tentar colocar uma por semana.
Hoje, o povo que talha com o seu machado as tábuas do meu caixão.
terça-feira, setembro 15, 2015
O Mundo
Vi, há momentos, uma publicidade a uma série em que o protagonista é um fulano super inteligente, capaz e munido de recursos infindáveis.
Este modelo de personagem não é novo. Basta pensar: Dr. House, Shark, Forever e por aí fora.
Quando não estamos a fazer vénias ao génio, há a outra face das séries: os homicídios. Nem faço ideia à quantidade de gente morta nas 20 temporadas de Lei e Ordem ou nas 15 de CSI. Em contas breves, numa estimativa rápida, se cada série tem 22 episódios e em cada episódio morre uma pessoa, em Lei e Ordem já morreram 440 pessoas e no CSI morreram 330, ou seja, somado dá 770.
Isto é o grosso das séries.
Fora o génio e homicídio, há, também, mas não só, o híbrido e o original. Como híbrido temos o exemplo do policial. Aí, há um génio que investiga o homicídio. Mantenho a autonomia dogmática do híbrido porquanto, ainda que em séries como o Lei e Ordem não haja génios, há policias esforçados, no True Detective há génios puros...a investigar homicídios... O híbrido também comporta séries de médicos, ou advogados: E.R, Good wife ou Grey. Mistura-se drama com algo especializado. Também sucede com a comédia, quando se junta a dita ao direito e temos o Boston Legal, só a título de exemplo.
Resta o original ou "despadronizado", mas não só, ou seja, qualquer coisa que não está massificada como os géneros supra descritos. As sit-com foram originais. Deixaram de ser e agora estão no mainstream, juntamente com todo o resto da comédia. Eis outro género. As séries de ficção científica também estão à parte e ainda servem um nicho.
Então o que é original? Guerra dos tronos? Parece-me que se encaixa nas séries de época/históricas, à semelhança das adaptações de grandes livros ou livros bem vendidos, como os Pilares da Terra.
No catálogo de "original", há quatro exemplos, na minha modesta opinião: O Shameless (Inglês ou Americano), o Nip/Tuck, Wayward Pines ou American Horror Story. Há mais coisas, mas estes são de salientar.
E porquê esta dissertação?
Para expressar, fundamentalmente, um lamento. Não há ninguém que pegue na personagem de um gajo que "não dava para a escola", vai de trabalho em trabalho, porque trabalhar também não é a cena dele, e passa os tempos que tem livres numa taberna/tasca/casa de pasto. Não há ninguém que retrate uma vida média, não especialmente brilhante.
Eu teria um guião para esta série. O título era básico, como o personagem: seria o seu nome, ou apelido. "Esteves".
"Esteves" seria a história de um fulano à porta dos 40 anos que já tinha sido repositor de stock, assistente de vendas, escriturário de 3.ª e, agora, estava tentar ganhar a vida como auxiliar de padeiro. O rendimento é de € 500,00, já depois dos descontos, e vive em Vila Franca de Xira num t1 mobilado pelo senhorio. De família, só sobra a Esteves a mãe, já velhota, e um tio que veio maluco do Ultramar. Tem uma namorada, Sheila, com está um tudo-nada acima do peso, mas com quem não vive. Sheila tem o seu negócio de mercearia e consegue viver melhor que o Esteves. Como auxiliar de padeiro, o Esteves passa as manhãs a dormir, a tarde, ora com Sagres ou com Super Bock e, à noite, trabalha. Está com a Sheila quando não há dinheiro para as minis.
As férias de Esteves são passadas na Costa, para onde se desloca num Citroen Saxo Cup. Politicamente, Esteves chegou a militar no P.C, mas agora nem vota. Quanto a vícios, poucos. 4 a 6 cigarros Águia por dia; as minis, claro, e reality-shows, onde já se tentou inscrever.
E pronto, a série seria observar este dia-a-dia, com Esteves a fazer conversa no café/taberna/casa de pasto, a discutir com Sheila, ou a fazer o doce amor com ela e a aprender a arte de bem fazer pão. Tudo isto no cenário de Vila Franca.
Eu seria fã.
Este modelo de personagem não é novo. Basta pensar: Dr. House, Shark, Forever e por aí fora.
Quando não estamos a fazer vénias ao génio, há a outra face das séries: os homicídios. Nem faço ideia à quantidade de gente morta nas 20 temporadas de Lei e Ordem ou nas 15 de CSI. Em contas breves, numa estimativa rápida, se cada série tem 22 episódios e em cada episódio morre uma pessoa, em Lei e Ordem já morreram 440 pessoas e no CSI morreram 330, ou seja, somado dá 770.
Isto é o grosso das séries.
Fora o génio e homicídio, há, também, mas não só, o híbrido e o original. Como híbrido temos o exemplo do policial. Aí, há um génio que investiga o homicídio. Mantenho a autonomia dogmática do híbrido porquanto, ainda que em séries como o Lei e Ordem não haja génios, há policias esforçados, no True Detective há génios puros...a investigar homicídios... O híbrido também comporta séries de médicos, ou advogados: E.R, Good wife ou Grey. Mistura-se drama com algo especializado. Também sucede com a comédia, quando se junta a dita ao direito e temos o Boston Legal, só a título de exemplo.
Resta o original ou "despadronizado", mas não só, ou seja, qualquer coisa que não está massificada como os géneros supra descritos. As sit-com foram originais. Deixaram de ser e agora estão no mainstream, juntamente com todo o resto da comédia. Eis outro género. As séries de ficção científica também estão à parte e ainda servem um nicho.
Então o que é original? Guerra dos tronos? Parece-me que se encaixa nas séries de época/históricas, à semelhança das adaptações de grandes livros ou livros bem vendidos, como os Pilares da Terra.
No catálogo de "original", há quatro exemplos, na minha modesta opinião: O Shameless (Inglês ou Americano), o Nip/Tuck, Wayward Pines ou American Horror Story. Há mais coisas, mas estes são de salientar.
E porquê esta dissertação?
Para expressar, fundamentalmente, um lamento. Não há ninguém que pegue na personagem de um gajo que "não dava para a escola", vai de trabalho em trabalho, porque trabalhar também não é a cena dele, e passa os tempos que tem livres numa taberna/tasca/casa de pasto. Não há ninguém que retrate uma vida média, não especialmente brilhante.
Eu teria um guião para esta série. O título era básico, como o personagem: seria o seu nome, ou apelido. "Esteves".
"Esteves" seria a história de um fulano à porta dos 40 anos que já tinha sido repositor de stock, assistente de vendas, escriturário de 3.ª e, agora, estava tentar ganhar a vida como auxiliar de padeiro. O rendimento é de € 500,00, já depois dos descontos, e vive em Vila Franca de Xira num t1 mobilado pelo senhorio. De família, só sobra a Esteves a mãe, já velhota, e um tio que veio maluco do Ultramar. Tem uma namorada, Sheila, com está um tudo-nada acima do peso, mas com quem não vive. Sheila tem o seu negócio de mercearia e consegue viver melhor que o Esteves. Como auxiliar de padeiro, o Esteves passa as manhãs a dormir, a tarde, ora com Sagres ou com Super Bock e, à noite, trabalha. Está com a Sheila quando não há dinheiro para as minis.
As férias de Esteves são passadas na Costa, para onde se desloca num Citroen Saxo Cup. Politicamente, Esteves chegou a militar no P.C, mas agora nem vota. Quanto a vícios, poucos. 4 a 6 cigarros Águia por dia; as minis, claro, e reality-shows, onde já se tentou inscrever.
E pronto, a série seria observar este dia-a-dia, com Esteves a fazer conversa no café/taberna/casa de pasto, a discutir com Sheila, ou a fazer o doce amor com ela e a aprender a arte de bem fazer pão. Tudo isto no cenário de Vila Franca.
Eu seria fã.
terça-feira, setembro 08, 2015
Trazido para o jazigo. Fui à praia e trouxe um búzio, cheguei a casa e na estante puzio
Fui feliz nas férias.
Um texto que estampasse a felicidade bastava-se com a afirmação supra escrita. Claro, o pretério perfeito indica que o estado de felicidade se extinguiu, mas que, de todo o modo, existiu. Não sendo a felicidade, por impossibilidade objectiva, eterna, chegava.
Durante o sossego, pensei que tudo ia mudar. Se não tudo, algo. Que não ia sentir qualquer espécie de contrariedade ao ir para o trabalho. Que ia gostar do que faço, independentemente de fazer o que gostasse.
Não.
Este blogue transformou-se num mausoléu de desabafos sobre a minha vida profissional. A certa altura, e lendo o que por aqui escrevo, dá a sensação que nada mais se passa.
E tanto se passa além disto.
Há a vida familiar e "amigalhar". Há Portugal.
Mas nada aqui é lembrado. Percebo. Há que ventilar.
Uma vez que a família, salvo uma triste excepção, está bem, deixo uma nota sobre Portugal.
Vai haver eleições.
Vou votar.
Contrariado e em uso do "voto útil".
Não encontro nenhum partido que me represente. Desta vez, vou votar contra alguém, em vez de apoiar um projecto, como fiz em todas as eleições legislativas em que exerci o meu dever cívico.
A conclusão que tiro é a seguinte: na noite de 4 de Outubro, perco sempre.
Um texto que estampasse a felicidade bastava-se com a afirmação supra escrita. Claro, o pretério perfeito indica que o estado de felicidade se extinguiu, mas que, de todo o modo, existiu. Não sendo a felicidade, por impossibilidade objectiva, eterna, chegava.
Durante o sossego, pensei que tudo ia mudar. Se não tudo, algo. Que não ia sentir qualquer espécie de contrariedade ao ir para o trabalho. Que ia gostar do que faço, independentemente de fazer o que gostasse.
Não.
Este blogue transformou-se num mausoléu de desabafos sobre a minha vida profissional. A certa altura, e lendo o que por aqui escrevo, dá a sensação que nada mais se passa.
E tanto se passa além disto.
Há a vida familiar e "amigalhar". Há Portugal.
Mas nada aqui é lembrado. Percebo. Há que ventilar.
Uma vez que a família, salvo uma triste excepção, está bem, deixo uma nota sobre Portugal.
Vai haver eleições.
Vou votar.
Contrariado e em uso do "voto útil".
Não encontro nenhum partido que me represente. Desta vez, vou votar contra alguém, em vez de apoiar um projecto, como fiz em todas as eleições legislativas em que exerci o meu dever cívico.
A conclusão que tiro é a seguinte: na noite de 4 de Outubro, perco sempre.
sexta-feira, julho 31, 2015
Voltando ao texto, o que é recorrente
O irmão do meu patrão trabalha na sociedade de advogados em que exerço funções.
O que faz ele? Para além do que lhe apetece, faz coisas. Por coisas entenda-se qualquer coisa parecida com serviço administrativo.
Quase a chegar aos 30 anos, muito meditei antes de escrever aquilo que escrevi. Pensei em pessoas, feitios, episódios, até mesmo filosofias.
Cheguei a uma conclusão. Há três pessoas que podiam sair da minha vida, ainda que de forma pensada e ordenada, mercê das condicionantes socio-económicas. Eis as 3 piores pessoas que habitam na minha vida:
O irmão do meu patrão. É a pior pessoa que conheço. Não se aproveita nada. Não lhe conheci uma virtude, algo por que se possa puxar. Até o bem que faz é mau.
Logo a seguir, está o patrão, como é óbvio e razoável.
A finalizar o Top 3, sempre lembrando que o critério é terem alguma relação de proximidade e convívio comigo, está o irmão do meu patrão.
Não é engano.
(Adiantadas desculpas pelo texto à pita)
O que faz ele? Para além do que lhe apetece, faz coisas. Por coisas entenda-se qualquer coisa parecida com serviço administrativo.
Quase a chegar aos 30 anos, muito meditei antes de escrever aquilo que escrevi. Pensei em pessoas, feitios, episódios, até mesmo filosofias.
Cheguei a uma conclusão. Há três pessoas que podiam sair da minha vida, ainda que de forma pensada e ordenada, mercê das condicionantes socio-económicas. Eis as 3 piores pessoas que habitam na minha vida:
O irmão do meu patrão. É a pior pessoa que conheço. Não se aproveita nada. Não lhe conheci uma virtude, algo por que se possa puxar. Até o bem que faz é mau.
Logo a seguir, está o patrão, como é óbvio e razoável.
A finalizar o Top 3, sempre lembrando que o critério é terem alguma relação de proximidade e convívio comigo, está o irmão do meu patrão.
Não é engano.
(Adiantadas desculpas pelo texto à pita)
segunda-feira, julho 27, 2015
Dia 27
Há alturas em que, mesmo que nunca nos tenhamos esquecido, voltamos a lembrar por que razão existem uniões.
A "meia bola", a "melhor metade", digna desse nome, tem a capacidade de trazer à nossa vida aspectos e coisas que já tínhamos esquecido.
Voltei a ouvir isto. Fazia falta.
A "meia bola", a "melhor metade", digna desse nome, tem a capacidade de trazer à nossa vida aspectos e coisas que já tínhamos esquecido.
Voltei a ouvir isto. Fazia falta.
quinta-feira, julho 23, 2015
A propósito da revisitação a Nip/Tuck
Nunca granjeou grande popularidade a série a que me refiro acima.
Haverá vários motivos, mas o principal será, talvez, o grau de whatthefuckness que abunda em cada episódio e personagem. Muito triângulo, muita carne, muito daquilo que não é aberto.
Emitida, actualmente, pela SIC Radical, recomecei, assim como a minha melhor metade, a ver a série do seu início.
Num episódio recente, uma das personagens principais, Sean McNamara, escrevia o seu epitáfio. Não porque tivesse morrido ou estivesse para isso. Inquirido pelo seu filho sobre as razões de tal acto, respondeu-lhe que era um exercício de motivação.
Há, na minha opinião, uma grande música dos Titãs, precisamente chamada de "Epitáfio". Uma lista de lamentos e de "coulda-shoulda-woulda". Apesar de ser excelente, como disse, não achei correcto que lhe dessem um nome que não corresponde àquilo que é. A letra da música, o poema, para usar uma palavra que devia ter um significado mais restrito, é um rol "do que devia ter sido". O epitáfio tem de conter aquilo que efectivamente foi/aconteceu.
Na pior das hipóteses, o epitáfio é um testamento, um legado de factos e conquistas do de cujus.
Abomino a ideia de ser eu a escrevê-lo. Ainda pensei fazê-lo. Contudo, é demasiado tétrico. Demasiado mórbido. Faltar-me-ia a objectividade. Faltar-me-ia tudo.
Será estranho pedir a um amigo para fazê-lo? Será mais justo solicitá-lo a um inimigo?
Pus-me a pensar. Não há ninguém que o pudesse fazer por mim. A minha família e até amigos, inexplicavelmente, gostam de mim. Seria doce. Os restantes seres assumem perante mim uma postura de indiferença ou desdém que também não permitiria a execução com qualidade.
Ao fim e ao cabo, o que somos é subjectivo. Claro que há factos e actos. Mas os factos e os actos não são nada sem interpretação.
Haverá vários motivos, mas o principal será, talvez, o grau de whatthefuckness que abunda em cada episódio e personagem. Muito triângulo, muita carne, muito daquilo que não é aberto.
Emitida, actualmente, pela SIC Radical, recomecei, assim como a minha melhor metade, a ver a série do seu início.
Num episódio recente, uma das personagens principais, Sean McNamara, escrevia o seu epitáfio. Não porque tivesse morrido ou estivesse para isso. Inquirido pelo seu filho sobre as razões de tal acto, respondeu-lhe que era um exercício de motivação.
Há, na minha opinião, uma grande música dos Titãs, precisamente chamada de "Epitáfio". Uma lista de lamentos e de "coulda-shoulda-woulda". Apesar de ser excelente, como disse, não achei correcto que lhe dessem um nome que não corresponde àquilo que é. A letra da música, o poema, para usar uma palavra que devia ter um significado mais restrito, é um rol "do que devia ter sido". O epitáfio tem de conter aquilo que efectivamente foi/aconteceu.
Na pior das hipóteses, o epitáfio é um testamento, um legado de factos e conquistas do de cujus.
Abomino a ideia de ser eu a escrevê-lo. Ainda pensei fazê-lo. Contudo, é demasiado tétrico. Demasiado mórbido. Faltar-me-ia a objectividade. Faltar-me-ia tudo.
Será estranho pedir a um amigo para fazê-lo? Será mais justo solicitá-lo a um inimigo?
Pus-me a pensar. Não há ninguém que o pudesse fazer por mim. A minha família e até amigos, inexplicavelmente, gostam de mim. Seria doce. Os restantes seres assumem perante mim uma postura de indiferença ou desdém que também não permitiria a execução com qualidade.
Ao fim e ao cabo, o que somos é subjectivo. Claro que há factos e actos. Mas os factos e os actos não são nada sem interpretação.
quarta-feira, julho 08, 2015
À beira
Estou quase com 30 anos.
A este respeito, lembrei-me de uma questão que me é colocada há décadas (sim, há décadas): "por que razão não gostas de fazer/celebrar o teu aniversário?"
Já o disse dezenas de vezes. Agora, fica escrito e, so help me god, vou colocar uma "etiqueta" (tag) no fim. Para me lembrar. Para servir de remissão.
Que sentido tem festejar a mediocridade? Tenho quase 30 anos e sou um trabalhador de segunda, desprezado, ignorado, tantas vezes vilipendiado, desonrado.
Que sentido tem festejar a data? Tenho quase 30 anos e, lembrando os factos supra expostos, nem por isso ganho melhor, sequer bem, não tenho o dinheiro para viver o que queria nem para fazer coisas por quem gostava.
Que sentido tem ouvir a canção dos parabéns? Quando morrer, serei uma vírgula na história, um nada, um ninguém, uma alma inominada que serviu e mal.
Porquê pensar diferente? Tirei um curso massificado, não estou com idade nem vida para mudar, não ingressei na carreira que queria, trabalho, há quase 6 anos, num sitio onde filho meu nunca porá os pés.
Mas e então não é engraçado celebrar o meu nascimento? Acredito que sim, para as poucas pessoas que gostam de mim. Isso não me inclui a mim. Trocava a minha pela vida de qualquer pessoa. Odeio o que faço. Odeio ainda mais com quem faço.
Ao fim e ao cabo, percebo que o meu problema é a situação profissional. Que me mata.
Mas, claro, a culpa é toda minha. Não estou disposto a abdicar do que tenho em troca de paz. Porque se abdicar, tão cedo não arranjo ocupação. Porque se abdicar, desisti.
Mas, à beira dos meus 30 anos, é isto.
Estudei para ter uma carreira melhor do que a que tenho. A minha carreira não existe.
Deixei de sair à noite para poder descansar para um exame no dia seguinte. Se fosse hoje, até fortemente alcoolizado teria ido fazer o exame.
Deixei de fazer uma tese de mestrado porque estava a trabalhar e, quando vi que não chegava para as encomendas, até porque também tinha a agregação à O.A metida ao barulho, escolhi o trabalho. Devia ter saído daqui e começava de novo.
Mas não.
Tenho 30 anos e nem o respeito próprio alcancei.
Se tudo correr bem, esse dia fatídico será passado longe desta corja com quem coexisto 10 horas por dia.
A este respeito, lembrei-me de uma questão que me é colocada há décadas (sim, há décadas): "por que razão não gostas de fazer/celebrar o teu aniversário?"
Já o disse dezenas de vezes. Agora, fica escrito e, so help me god, vou colocar uma "etiqueta" (tag) no fim. Para me lembrar. Para servir de remissão.
Que sentido tem festejar a mediocridade? Tenho quase 30 anos e sou um trabalhador de segunda, desprezado, ignorado, tantas vezes vilipendiado, desonrado.
Que sentido tem festejar a data? Tenho quase 30 anos e, lembrando os factos supra expostos, nem por isso ganho melhor, sequer bem, não tenho o dinheiro para viver o que queria nem para fazer coisas por quem gostava.
Que sentido tem ouvir a canção dos parabéns? Quando morrer, serei uma vírgula na história, um nada, um ninguém, uma alma inominada que serviu e mal.
Porquê pensar diferente? Tirei um curso massificado, não estou com idade nem vida para mudar, não ingressei na carreira que queria, trabalho, há quase 6 anos, num sitio onde filho meu nunca porá os pés.
Mas e então não é engraçado celebrar o meu nascimento? Acredito que sim, para as poucas pessoas que gostam de mim. Isso não me inclui a mim. Trocava a minha pela vida de qualquer pessoa. Odeio o que faço. Odeio ainda mais com quem faço.
Ao fim e ao cabo, percebo que o meu problema é a situação profissional. Que me mata.
Mas, claro, a culpa é toda minha. Não estou disposto a abdicar do que tenho em troca de paz. Porque se abdicar, tão cedo não arranjo ocupação. Porque se abdicar, desisti.
Mas, à beira dos meus 30 anos, é isto.
Estudei para ter uma carreira melhor do que a que tenho. A minha carreira não existe.
Deixei de sair à noite para poder descansar para um exame no dia seguinte. Se fosse hoje, até fortemente alcoolizado teria ido fazer o exame.
Deixei de fazer uma tese de mestrado porque estava a trabalhar e, quando vi que não chegava para as encomendas, até porque também tinha a agregação à O.A metida ao barulho, escolhi o trabalho. Devia ter saído daqui e começava de novo.
Mas não.
Tenho 30 anos e nem o respeito próprio alcancei.
Se tudo correr bem, esse dia fatídico será passado longe desta corja com quem coexisto 10 horas por dia.
quinta-feira, julho 02, 2015
Agora, um desvio na rota, mas não no espírito.
Francisco José Viegas, que chegou a ser Secretário de Estado para a Cultura, tinha um belo blog no qual, de vez em quando, escrevia sobre futebol. A "rubrica", se assim quisermos chamar, dava pelo nome de "Cantinho do Hooligan". Hoje, apetece-me falar do Sporting.
O Sporting Clube de Portugal, fundado em 1906, é um imenso clube. Tem e inspira uma filosofia diferente das restantes agremiações desportivas. Enquanto Benfica e Porto têm uma matriz e base de apoio mais popular, o Sporting diferencia-se e aposta num entendimento do Desporto numa vertente mais plural. O Sporting é um clube de modalidades (para além do futebol). O Sporting tem um nome ouvido em todo o mundo. Em todos os meetings de atletismo, campeonatos de tudo e mais um par de botas, lá ouvimos o constante "(...) atleta do Sporting". Claro, os outros clubes também os têm. Sucede que os bons, verdadeiramente bons, são nossos. No disrespect.
Dito isto, o futebol é aquilo que preocupa 98% dos adeptos do clube.
E, no que a futebol diz respeito, isto não anda bem. Vamos a factos:
1. Há pouco dinheiro para grandes contratações;
2. A gestão desportiva é débil e inconsequente, senão vejamos;
2.1 Foi despedido o treinador que melhor pôs a equipa a jogar nos últimos anos e que ganhou, de facto, alguma coisa;
2.2 Nenhuma contratação trouxe algo de melhor à equipa, desde a tomada de posse de BdC;
3. A gestão (latu sensu) do clube corre o risco de ruir brevemente, ora;
3.1 No mesmo espaço físico estarão BdC, Jorge Jesus, Octávio Machado, Inácio, M. Fernandes
3.2 Deste lote, não há uma alma com bom feitio e espírito de negociação, é vai-ou-racha, sendo que vários destes elementos dão-se como cão e gato ou já deram;
3.3 Se não há vitórias no início do campeonato, rebenta a bomba.
Uma vez que não sou nenhum Rui Santos, deixo uma preocupação: que o edifício caia. Que ninguém se entenda. Que sejamos gozados pela incompetência e falta de visão.
A contratação do Octávio é errada. Não quero personalizar, mas acho que teve um tempo e que o tempo passou. Mesmo o tempo que teve foi um tempo mal passado.
Tenho pena do estilo do BdC. Aquilo não é o Sporting.
Acho que não vamos ganhar nada este ano. É mesmo triste, mas acho. Para além de um treinador que é, na minha opinião, acima de excelente e triplamente doutorado, não em futebol, mas em "bola", não há mais nada. Não há factores de acrescento, só factores de debilidade.
E pronto. Resta apoiar.
Obrigado e boa tarde.
O Sporting Clube de Portugal, fundado em 1906, é um imenso clube. Tem e inspira uma filosofia diferente das restantes agremiações desportivas. Enquanto Benfica e Porto têm uma matriz e base de apoio mais popular, o Sporting diferencia-se e aposta num entendimento do Desporto numa vertente mais plural. O Sporting é um clube de modalidades (para além do futebol). O Sporting tem um nome ouvido em todo o mundo. Em todos os meetings de atletismo, campeonatos de tudo e mais um par de botas, lá ouvimos o constante "(...) atleta do Sporting". Claro, os outros clubes também os têm. Sucede que os bons, verdadeiramente bons, são nossos. No disrespect.
Dito isto, o futebol é aquilo que preocupa 98% dos adeptos do clube.
E, no que a futebol diz respeito, isto não anda bem. Vamos a factos:
1. Há pouco dinheiro para grandes contratações;
2. A gestão desportiva é débil e inconsequente, senão vejamos;
2.1 Foi despedido o treinador que melhor pôs a equipa a jogar nos últimos anos e que ganhou, de facto, alguma coisa;
2.2 Nenhuma contratação trouxe algo de melhor à equipa, desde a tomada de posse de BdC;
3. A gestão (latu sensu) do clube corre o risco de ruir brevemente, ora;
3.1 No mesmo espaço físico estarão BdC, Jorge Jesus, Octávio Machado, Inácio, M. Fernandes
3.2 Deste lote, não há uma alma com bom feitio e espírito de negociação, é vai-ou-racha, sendo que vários destes elementos dão-se como cão e gato ou já deram;
3.3 Se não há vitórias no início do campeonato, rebenta a bomba.
Uma vez que não sou nenhum Rui Santos, deixo uma preocupação: que o edifício caia. Que ninguém se entenda. Que sejamos gozados pela incompetência e falta de visão.
A contratação do Octávio é errada. Não quero personalizar, mas acho que teve um tempo e que o tempo passou. Mesmo o tempo que teve foi um tempo mal passado.
Tenho pena do estilo do BdC. Aquilo não é o Sporting.
Acho que não vamos ganhar nada este ano. É mesmo triste, mas acho. Para além de um treinador que é, na minha opinião, acima de excelente e triplamente doutorado, não em futebol, mas em "bola", não há mais nada. Não há factores de acrescento, só factores de debilidade.
E pronto. Resta apoiar.
Obrigado e boa tarde.
Subscrever:
Mensagens (Atom)