Bar velho.
Mesmo naquelas mesas ao pé da porta que dá para um projecto inacabado de jardim, onde há um relvado e vista para a biblioteca.
Num moleskine, apontávamos apostas: quem é que vai para o Euro 2008?
Há 4 anos.
Hoje vi um passatempo semelhante. Coisa já profissional, acho que até metia dinheirinho.
Lembrei-me daquele instante. Porque irrepetível, porque de tão banal e comum, senti como se uma chapada me fosse dada.
É verdade. Acorda.
Isto para chegar, mais uma vez, àquela conclusão que não me larga, mas teimo em não acatar: há um modo de vida que acabou.
quinta-feira, abril 12, 2012
segunda-feira, março 19, 2012
"Tenho ideia que são nove"
Isto foi o que Cavaco respondeu quando lhe perguntaram quantos Cantos têm "Os Lusíadas".
Acho que nunca escrevi um post sobre o Dia do Pai. Até tenho ideia da razão.
Vamos lá a uma pequena dissertação.
O meu Pai é oriundo de um terra sita em Trás-os-Montes. Já o Pai dele, meu avô, era transmontano. Os irmãos, amigos e vizinhos comungavam da cena. Há um traço muito particular no que toca aos transmontanos: combinam na perfeição o binómio frieza/masculinidade.
Naquelas paragens, não há necessidade de chamar "roto", "rabeta", "rabo" ou qualquer coisa parecida. Ali, vive-se de atitude, de actos e factos. Simplesmente, "é-se home".
Isto porquê? Por uma razão simples: o Pai do meu Pai, meu avô, bem como os irmãos, amigos e vizinhos nunca fariam uma dissertação sobre o Dia do Pai. Para eles, não há dias desses. Há autênticas existências de dedicação. Na terra quente, a homenagem é diária, reflectindo-se no respeito que se merece, observando-se no trabalho que se presta, na compreensão eterna jogada no lar.
Ainda que blogs houvesse na sua infância e o mundo Dele fosse o meu, jamais veria o meu velho com um assomo de laudatória a escrever fosse o que fosse a respeito do Pai dele. Não era preciso. Nunca foi. É que sempre esteve na cara o que um simbolizava para o outro. O que era o meu avô na vida do meu Pai e o meu Pai na vida do meu avô.
Eis que chegamos a estas linhas. Eu não sou transmontano. A linguagem que o nordeste fala (e sente) eu nunca aprendi. Tivesse sido nascido e criado em Vale de Prados e o assunto, hoje, era a dimensão axiológica do mito de Anteu.
Ao invés disso, faço uma pequena catarse e penitencio-me: o meu grande mal é nunca dar a entender às pessoas o que elas significam. Na grande maioria dos casos, não significam nada. (Vá lá saber-se porquê). Todavia, outros casos há em que ficou tudo por demonstrar. Mais do que dizer, lamento profundamente não expressar a gratidão por uma vida maravilhosa (não só dada por ele, mas também por todo o meu núcleo familiar). Mais do que convencer, será uma eterna mágoa nunca imputar naquele Homem, com o seu consentimento, a responsabilidade por tantos e tão bons valores e exemplos que me transmitiu.
Mas eu ainda sou novo. Bem vistas as coisas, ele também.
Acho que nunca escrevi um post sobre o Dia do Pai. Até tenho ideia da razão.
Vamos lá a uma pequena dissertação.
O meu Pai é oriundo de um terra sita em Trás-os-Montes. Já o Pai dele, meu avô, era transmontano. Os irmãos, amigos e vizinhos comungavam da cena. Há um traço muito particular no que toca aos transmontanos: combinam na perfeição o binómio frieza/masculinidade.
Naquelas paragens, não há necessidade de chamar "roto", "rabeta", "rabo" ou qualquer coisa parecida. Ali, vive-se de atitude, de actos e factos. Simplesmente, "é-se home".
Isto porquê? Por uma razão simples: o Pai do meu Pai, meu avô, bem como os irmãos, amigos e vizinhos nunca fariam uma dissertação sobre o Dia do Pai. Para eles, não há dias desses. Há autênticas existências de dedicação. Na terra quente, a homenagem é diária, reflectindo-se no respeito que se merece, observando-se no trabalho que se presta, na compreensão eterna jogada no lar.
Ainda que blogs houvesse na sua infância e o mundo Dele fosse o meu, jamais veria o meu velho com um assomo de laudatória a escrever fosse o que fosse a respeito do Pai dele. Não era preciso. Nunca foi. É que sempre esteve na cara o que um simbolizava para o outro. O que era o meu avô na vida do meu Pai e o meu Pai na vida do meu avô.
Eis que chegamos a estas linhas. Eu não sou transmontano. A linguagem que o nordeste fala (e sente) eu nunca aprendi. Tivesse sido nascido e criado em Vale de Prados e o assunto, hoje, era a dimensão axiológica do mito de Anteu.
Ao invés disso, faço uma pequena catarse e penitencio-me: o meu grande mal é nunca dar a entender às pessoas o que elas significam. Na grande maioria dos casos, não significam nada. (Vá lá saber-se porquê). Todavia, outros casos há em que ficou tudo por demonstrar. Mais do que dizer, lamento profundamente não expressar a gratidão por uma vida maravilhosa (não só dada por ele, mas também por todo o meu núcleo familiar). Mais do que convencer, será uma eterna mágoa nunca imputar naquele Homem, com o seu consentimento, a responsabilidade por tantos e tão bons valores e exemplos que me transmitiu.
Mas eu ainda sou novo. Bem vistas as coisas, ele também.
quinta-feira, março 15, 2012
Banalidades e Lugares Comuns
Era a vida toda a correr à frente dos olhos.
Desde o momento do nascimento, até à morte.
Normalmente, quando se ouvem estes mitos, o filme que "rola" na retina é o dos êxitos, o das coisas que se fizeram.
Ali, não. Para além do que foi feito e alcançado, sobrava o que passou ao lado. O que deixou de se fazer, o que se ignorou e aquilo de que se fugiu.
De certa forma, a tónica era essa mesma. A despedidas faziam-se em lágrimas e as palavras dirigidas não eram de congratulação, muitos menos de enaltecimento. O que cantavam aquelas almas era o que estava por fazer, o que estava ao alcance e não podia, por força das circunstâncias, agora ser atingido.
No momento da última batida, onde deveria aparecer a palavra "Fim" a marcar, precisamente, o final do supra citado filme, há uma imagem e um som. Plácido Domingo. Anos mais novo mas com incrível potência vocal. Cantava uma aria qualquer. Em grande.
Partia, assim, para o outro mundo ou para a falta dele.
Desde o momento do nascimento, até à morte.
Normalmente, quando se ouvem estes mitos, o filme que "rola" na retina é o dos êxitos, o das coisas que se fizeram.
Ali, não. Para além do que foi feito e alcançado, sobrava o que passou ao lado. O que deixou de se fazer, o que se ignorou e aquilo de que se fugiu.
De certa forma, a tónica era essa mesma. A despedidas faziam-se em lágrimas e as palavras dirigidas não eram de congratulação, muitos menos de enaltecimento. O que cantavam aquelas almas era o que estava por fazer, o que estava ao alcance e não podia, por força das circunstâncias, agora ser atingido.
No momento da última batida, onde deveria aparecer a palavra "Fim" a marcar, precisamente, o final do supra citado filme, há uma imagem e um som. Plácido Domingo. Anos mais novo mas com incrível potência vocal. Cantava uma aria qualquer. Em grande.
Partia, assim, para o outro mundo ou para a falta dele.
terça-feira, março 13, 2012
Do "achismo" certo.
Aconteceu a este blogger a única coisa que nunca quis. Ok, uma entre muitas.
Ao almoço:
"- Parabéns, pá. Foi declarada a execução específica do !"#$%."
"- Parabéns porquê? Nem fiz o julgamento..."
"-Não houve julgamento..."
I - Preliminares:
Não sou interveniente nesta conversa. Estava ao lado.
II - Da causa:
No processo supra referido, o fulano que "nem fez o julgamento" foi mandatário do !"#$%. Alguém fez a Petição Inicial, não ele. Ele entregou-a via citius. (Nota: petição inicial é o articulado entregue pelo autor da acção judicial onde vem pedir que se faça justiça, i.e, uma folha A4 com artigos em que são descritos factos e feito um pedido, v.g, "o A. deu-me uma chapada, quero ser indemnizado")
O réu não contestou. Quando isso acontece, o Autor da acção é notificado para alegar, nos termos do artigo 484.º, n.º 2 do Código de Processo Civil. Por alegar entenda-se fazer uma exposição de factos e de direito a justificar a nossa razão.
É aí que eu entro. Fui o autor dessas alegações.
III - Da coisa
Chefe congratula o outro que deu o nome para os autos e disse que era lá advogado para a coisa ficar bonita. As alegações foram aceites, bem como o pedido formulado e foi ganha a acção.
IV - Da condição
Nem o chefe se lembrava que tinha sido eu a fazer as alegações nem a outra besta foi capaz de dizer que se limitou a enviar aquilo que eu fiz.
V - Conclusões
1. O trabalho foi bem feito e isso devia deixar-me contente.
2. O trabalho foi bem feito, mas para quem isso interessa, não tive relação com nada aquilo.
3. Já me têm repreendido por uma ou outra falta de atenção. Se me esqueço de pôr um acento, tenho de me levantar do gabinete e ouvir. Se sou responsável por algo valioso, não sou.
4. O custo de oportunidade. Sempre ele.
Ao almoço:
"- Parabéns, pá. Foi declarada a execução específica do !"#$%."
"- Parabéns porquê? Nem fiz o julgamento..."
"-Não houve julgamento..."
I - Preliminares:
Não sou interveniente nesta conversa. Estava ao lado.
II - Da causa:
No processo supra referido, o fulano que "nem fez o julgamento" foi mandatário do !"#$%. Alguém fez a Petição Inicial, não ele. Ele entregou-a via citius. (Nota: petição inicial é o articulado entregue pelo autor da acção judicial onde vem pedir que se faça justiça, i.e, uma folha A4 com artigos em que são descritos factos e feito um pedido, v.g, "o A. deu-me uma chapada, quero ser indemnizado")
O réu não contestou. Quando isso acontece, o Autor da acção é notificado para alegar, nos termos do artigo 484.º, n.º 2 do Código de Processo Civil. Por alegar entenda-se fazer uma exposição de factos e de direito a justificar a nossa razão.
É aí que eu entro. Fui o autor dessas alegações.
III - Da coisa
Chefe congratula o outro que deu o nome para os autos e disse que era lá advogado para a coisa ficar bonita. As alegações foram aceites, bem como o pedido formulado e foi ganha a acção.
IV - Da condição
Nem o chefe se lembrava que tinha sido eu a fazer as alegações nem a outra besta foi capaz de dizer que se limitou a enviar aquilo que eu fiz.
V - Conclusões
1. O trabalho foi bem feito e isso devia deixar-me contente.
2. O trabalho foi bem feito, mas para quem isso interessa, não tive relação com nada aquilo.
3. Já me têm repreendido por uma ou outra falta de atenção. Se me esqueço de pôr um acento, tenho de me levantar do gabinete e ouvir. Se sou responsável por algo valioso, não sou.
4. O custo de oportunidade. Sempre ele.
segunda-feira, março 12, 2012
Constantes e variáveis
A sobrevivência (em qualquer forma), depende sempre da cedência.
Saber jogar com as cedências é fundamental. Não sei se sempre foi assim, mas sei que comigo não funciona de outra maneira.
É uma constante.
A sobrevivência de uma família faz-se com a cedência dos egos. Cada individuo sê-lo-á menos se quiser gozar daquela confortável união.
A sobrevivência no trabalho faz-se com a cedência de personalidade e auto-estima. Quanto mais merda fomos aguentando mais longe iremos. Claro que ser minimamente competente ajuda. Mas aí está um ponto de toque engraçado: só é mesmo preciso ser minimamente competente. Eu até tenho a medida: competência ao nível do cumprimento de ordens. E chega.
Depois, há os dias variáveis, onde se lida menos bem com a cedência.
Nesses dias, escrevem-se posts.
(E agora, uma constatação nada fática sobre a existência).
Entre o que existe e o que não existe estão as palavras.
Acabando de escrever estas linhas sobre cedências, a realidade far-se-á sentir. Que quer isto dizer em termos práticos, de modo a que um homem médio perceba?
"Olha, tudo bem com as cedências e tal. Vives iludido com aquilo que trouxeste da Faculdade. Já viste que não te serviu de nada. Insistes. Espera que saia a nota do teu exame. Nunca te vais cansar de tomar banhos de humildade."
Saber jogar com as cedências é fundamental. Não sei se sempre foi assim, mas sei que comigo não funciona de outra maneira.
É uma constante.
A sobrevivência de uma família faz-se com a cedência dos egos. Cada individuo sê-lo-á menos se quiser gozar daquela confortável união.
A sobrevivência no trabalho faz-se com a cedência de personalidade e auto-estima. Quanto mais merda fomos aguentando mais longe iremos. Claro que ser minimamente competente ajuda. Mas aí está um ponto de toque engraçado: só é mesmo preciso ser minimamente competente. Eu até tenho a medida: competência ao nível do cumprimento de ordens. E chega.
Depois, há os dias variáveis, onde se lida menos bem com a cedência.
Nesses dias, escrevem-se posts.
(E agora, uma constatação nada fática sobre a existência).
Entre o que existe e o que não existe estão as palavras.
Acabando de escrever estas linhas sobre cedências, a realidade far-se-á sentir. Que quer isto dizer em termos práticos, de modo a que um homem médio perceba?
"Olha, tudo bem com as cedências e tal. Vives iludido com aquilo que trouxeste da Faculdade. Já viste que não te serviu de nada. Insistes. Espera que saia a nota do teu exame. Nunca te vais cansar de tomar banhos de humildade."
segunda-feira, março 05, 2012
Da Quebra Justificada do Jejum de Posts
Reza o Código Penal Português que, caso se preencham certos requisitos, certo facto pode justificar a ilicitude, o que fará com que não haja crime.
Ora, o que quero dizer não tem nada a ver.
Sobretudo um espelho de estados de espírito, este blogue já dedicou inúmeras palavras àquela que justifica a cada dia que o blogger subscritor não seja uma "ilicitude andante" (era só para relacionar).
Faz hoje anos.
Queria só dizer que está cada vez melhor. Está tão melhor que a comparação vai deixar de ser com o vinho do Porto. Doravante, as pessoas dirão: "Jesus, aquele Davidovich é como a Diligentia, quanto mais velho, melhor!".
Parabéns, mulherão.
Ora, o que quero dizer não tem nada a ver.
Sobretudo um espelho de estados de espírito, este blogue já dedicou inúmeras palavras àquela que justifica a cada dia que o blogger subscritor não seja uma "ilicitude andante" (era só para relacionar).
Faz hoje anos.
Queria só dizer que está cada vez melhor. Está tão melhor que a comparação vai deixar de ser com o vinho do Porto. Doravante, as pessoas dirão: "Jesus, aquele Davidovich é como a Diligentia, quanto mais velho, melhor!".
Parabéns, mulherão.
sexta-feira, fevereiro 03, 2012
quarta-feira, fevereiro 01, 2012
Foi bom ouvir aquilo.
(Aquilo o quê?)
Tudo.
Sei bem que sou o mais difícil de aturar. Demasiado.
Acontece é que, às vezes, até os chatos têm razões para chatearem.
Quando isso acontece, também eles precisam de uma palavra. Às vezes, só querem falar para que os oiçam.
Foi bom ouvir aquilo.
Também foi bom ser ouvido.
quinta-feira, janeiro 26, 2012
quarta-feira, janeiro 25, 2012
quarta-feira, janeiro 18, 2012
Tocou o telemóvel.
O Pingo Doce tinha comprado a Vodafone, a rede que utilizava para as telecomunicações móveis. Era o momento de cobrar a dívida, pelo que se impunha o primeiro telefonema de cortesia a avisar que era devedor e teria mesmo de pagar. Tudo era dito com a uma voz feminina delicodoce, como, aliás, se impunha.
Nada era devido. Era o que faltava. O que impunham as condições contratuais era, tão-somente, um pagamento mensal de "X". A partir daí, "liberar geral".
Toca a campainha.
Era um anão. Vestia uma camisa vermelha, que estava fora das calças, calças essas que eram de ganga. Ou bege. Os sapatos eram pretos, a atirar para o verniz. O traço distintivo, para além do tamanho, era o cabelo. Enorme, encaracolado, seboso. Não com caracóis perfeitos "tipo-anuncio-da-pantene", mas umas curvas capilares.
- "Sim?"
- "Sou advogado de $%&/, ando à procura de um devedor. É a !"()?=.
-"E o que é que eu tenho a ver com isso?"
- "Você não foi advogado da !"()?= ?"
- "Não. Por acaso, já litiguei, também contra era".
- "Ou isso. Não me sabe dizer onde anda, ou sabe?" (A pergunta era parva. A devedora era pessoa colectiva.)
O Pingo Doce tinha comprado a Vodafone, a rede que utilizava para as telecomunicações móveis. Era o momento de cobrar a dívida, pelo que se impunha o primeiro telefonema de cortesia a avisar que era devedor e teria mesmo de pagar. Tudo era dito com a uma voz feminina delicodoce, como, aliás, se impunha.
Nada era devido. Era o que faltava. O que impunham as condições contratuais era, tão-somente, um pagamento mensal de "X". A partir daí, "liberar geral".
Toca a campainha.
Era um anão. Vestia uma camisa vermelha, que estava fora das calças, calças essas que eram de ganga. Ou bege. Os sapatos eram pretos, a atirar para o verniz. O traço distintivo, para além do tamanho, era o cabelo. Enorme, encaracolado, seboso. Não com caracóis perfeitos "tipo-anuncio-da-pantene", mas umas curvas capilares.
- "Sim?"
- "Sou advogado de $%&/, ando à procura de um devedor. É a !"()?=.
-"E o que é que eu tenho a ver com isso?"
- "Você não foi advogado da !"()?= ?"
- "Não. Por acaso, já litiguei, também contra era".
- "Ou isso. Não me sabe dizer onde anda, ou sabe?" (A pergunta era parva. A devedora era pessoa colectiva.)
terça-feira, janeiro 03, 2012
Ao contrário do que as produções Hollywoodescas nos fazem parecer, o fracasso não é um momento que marca o fim de qualquer coisa.
Por exemplo, o "Suspeito da Rua Arlington". Aquilo acaba mal. Pode falar-se em fracasso. E há o fim. Let's move on.
Na vida real, não. Trata-se de uma diferença colossal.
Na vida real, não naquela onde o Jeff Bridges existe, um erro não determina o fim dos erros. A seguir a um vem outro. Ao outro segue-se outro. O outro melhor que outro. And so on.
Isto, basicamente, para dizer que, na modesta idade que tenho, já fracassei mais que a maioria. É uma coisa muito minha, pronto.
Não sei se será da proximidade da data, se será da perda progressiva de qualidades próprias a que tenho vindo a assistir. Uma das duas. Talvez as duas.
Constatada a primeira facada (não hoje constatada, apenas hoje relatada), a segunda vem já: como resolver? O problema do fracasso (como da humanidade em geral) é que não consegue reverter os ponteiros do relógio. O tempo não volta atrás, oh António Mourão. Pior: nada do que se faça agora deixará de ter o célebre e funesto rótulo: "Estás a compensar a merda que fizeste".
Pois é, é um dilema. Não há é vontade de ligar para a Maya (Eunice, de sua graça). De certeza que ela "sacava" logo de um Dependurado e me dizia qualquer coisa como: "venda a sua casa, que ela está cheia de más vibrações" ou "compre um pequeno hamster".
Quando souber o que fazer depois do fracasso, volto a escrever outro texto sobre a temática. Poupar-me-ei ao esforço se a resposta for um simples: "segue a tua vida".
Por exemplo, o "Suspeito da Rua Arlington". Aquilo acaba mal. Pode falar-se em fracasso. E há o fim. Let's move on.
Na vida real, não. Trata-se de uma diferença colossal.
Na vida real, não naquela onde o Jeff Bridges existe, um erro não determina o fim dos erros. A seguir a um vem outro. Ao outro segue-se outro. O outro melhor que outro. And so on.
Isto, basicamente, para dizer que, na modesta idade que tenho, já fracassei mais que a maioria. É uma coisa muito minha, pronto.
Não sei se será da proximidade da data, se será da perda progressiva de qualidades próprias a que tenho vindo a assistir. Uma das duas. Talvez as duas.
Constatada a primeira facada (não hoje constatada, apenas hoje relatada), a segunda vem já: como resolver? O problema do fracasso (como da humanidade em geral) é que não consegue reverter os ponteiros do relógio. O tempo não volta atrás, oh António Mourão. Pior: nada do que se faça agora deixará de ter o célebre e funesto rótulo: "Estás a compensar a merda que fizeste".
Pois é, é um dilema. Não há é vontade de ligar para a Maya (Eunice, de sua graça). De certeza que ela "sacava" logo de um Dependurado e me dizia qualquer coisa como: "venda a sua casa, que ela está cheia de más vibrações" ou "compre um pequeno hamster".
Quando souber o que fazer depois do fracasso, volto a escrever outro texto sobre a temática. Poupar-me-ei ao esforço se a resposta for um simples: "segue a tua vida".
segunda-feira, janeiro 02, 2012
O Orçamento "Zero"
É um nome pouco técnico de um documento do mais complexo possível.
Não o vou definir. Primeiro, porque acho que todos os Orçamentos devem ser "Zero" e são (Vide LEO). Segundo, porque não me apetece.
O ano 2012 vai ser o meu Orçamento "Zero". Não vou esperar nada. Cada rubrica da minha vida vai ter exactamente aquilo que precisa e nem mais um tusto.
(Isto é) Bom porquê?
Porque a parte "maniaco-depressiva-obsessiva-ursa" tem recursos a mais. Digamos que é o sector empresarial do Estado e eu sou o Estado. O Banco (que é a minha boa vontade) está a emprestar demais e isso está a criar um crowding out effect (não se escreve assim) que faz com que as rubricas restantes não gozem do melhor de mim.
Pronto. Era tudo o que queria dizer, numa alusão clara a conceitos económicos que cheguei a perceber mas nunca dominar.
Bom Ano a Todos.
Não o vou definir. Primeiro, porque acho que todos os Orçamentos devem ser "Zero" e são (Vide LEO). Segundo, porque não me apetece.
O ano 2012 vai ser o meu Orçamento "Zero". Não vou esperar nada. Cada rubrica da minha vida vai ter exactamente aquilo que precisa e nem mais um tusto.
(Isto é) Bom porquê?
Porque a parte "maniaco-depressiva-obsessiva-ursa" tem recursos a mais. Digamos que é o sector empresarial do Estado e eu sou o Estado. O Banco (que é a minha boa vontade) está a emprestar demais e isso está a criar um crowding out effect (não se escreve assim) que faz com que as rubricas restantes não gozem do melhor de mim.
Pronto. Era tudo o que queria dizer, numa alusão clara a conceitos económicos que cheguei a perceber mas nunca dominar.
Bom Ano a Todos.
segunda-feira, dezembro 26, 2011
sexta-feira, dezembro 23, 2011
quarta-feira, dezembro 21, 2011
Os últimos
O ingresso foi em Setembro de 2009. Fervilhavam os ensinamentos jurídico-políticos numa cabeça assombrada por aquilo que tinha pouco reflexo prático. A carreira forense é diametralmente oposta à carreira académica. Dir-se-á mesmo que o único ponto comum é a omnipresença de legislação, elementar em qualquer dos casos. Fora isso, rien.
*
A transmissão do novo saber começou com atraso: diria Outubro ou Novembro. Havia curiosidade. Desde pequeno que tinha que saber por que regras me regia. Acho que foi isso. Uma opção, uma escolha materializada num formulário entregue em Setúbal. Depois foi o que se viu. Só faltaram as lágrimas ao sangue e ao suor. 5 anos da alta cozinha jurídica numa escola de excelência.
*
4 meses depois, marcava-se mesa no "Sabor Mineiro". Uma imensidão de gente. Era curioso o ritual. Afinal, incitava-se ao convívio, ao bom ambiente, até mesmo à farra. "Ou vais ao RS ou não te assino o relatório de estágio". A brincar, claro. Comeu-se, bebeu-se. Riu-se. Continuava fresco e imberbe (não se mudou muito até hoje). Era estupendo ver que o trabalho também tinha uma dimensão socialite. Faz falta. Lá se foi para o RS, uma discoteca da moda. A visita durou uns amáveis 10 minutos.
*
Durante 5 anos, nasce e morre muita gente. Fisica e socialmente. O mesmo é dizer que corre muita água por baixo das pontes, meanwhile. Como na economia, onde tudo se pode representar por gráficos, também os certames desta índole gozavam de uma representação parecida à curva de Laffer, seja lá o que ela for. Do primeiro nem há lembrança se existiu. Admite-se que sim e até se acha que se sabe com quem. Só podia, na altura. Mas, como se demonstra, valeu zero.
*
2 anos passam. Já foi ontem. É a naturalidade que leva à escrita das linhas. Na verdade, aquele foi o último. Não haverá outro, seguramente, não com aquelas pessoas naquelas circunstâncias. Para o ano, isto não se escreve e terá passado mais uma fase. Naturalidade. Nem nostalgia, nem sentimento de saída. Sem drama. Estranho, porque a eles haveria lugar e não houve. Aceitou-se. Só pode querer dizer isto.
*
Os momentos que antecedem o encontro estão ligados à vida académica na fase mais generosa: terminada uma simulação processual, havia que seguir-se a celebração sazonal. Na altura, crê-se que só um dos convivas ganhava ordenado. Os outros só estudavam. Havia que ir ao encontro de todos os bolsos. Cantina do ISCTE, como era conhecida. Foi lá. O melhor. Até se recorda o prato: jardineira. Mais novos, mas tão felizes. Não interessava o "onde". Logisticamente, requeria-se o "quando". O "porquê" era adquirido: o desejo era de união, aproveitar aqueles últimos dias em que a manhã era teórica e a tarde prática. Trocaram-se prendas. Contaram-se piadas. Estava lá tudo. Também estavam lá todos.
*
Foi o último.
*
*
A transmissão do novo saber começou com atraso: diria Outubro ou Novembro. Havia curiosidade. Desde pequeno que tinha que saber por que regras me regia. Acho que foi isso. Uma opção, uma escolha materializada num formulário entregue em Setúbal. Depois foi o que se viu. Só faltaram as lágrimas ao sangue e ao suor. 5 anos da alta cozinha jurídica numa escola de excelência.
*
4 meses depois, marcava-se mesa no "Sabor Mineiro". Uma imensidão de gente. Era curioso o ritual. Afinal, incitava-se ao convívio, ao bom ambiente, até mesmo à farra. "Ou vais ao RS ou não te assino o relatório de estágio". A brincar, claro. Comeu-se, bebeu-se. Riu-se. Continuava fresco e imberbe (não se mudou muito até hoje). Era estupendo ver que o trabalho também tinha uma dimensão socialite. Faz falta. Lá se foi para o RS, uma discoteca da moda. A visita durou uns amáveis 10 minutos.
*
Durante 5 anos, nasce e morre muita gente. Fisica e socialmente. O mesmo é dizer que corre muita água por baixo das pontes, meanwhile. Como na economia, onde tudo se pode representar por gráficos, também os certames desta índole gozavam de uma representação parecida à curva de Laffer, seja lá o que ela for. Do primeiro nem há lembrança se existiu. Admite-se que sim e até se acha que se sabe com quem. Só podia, na altura. Mas, como se demonstra, valeu zero.
*
2 anos passam. Já foi ontem. É a naturalidade que leva à escrita das linhas. Na verdade, aquele foi o último. Não haverá outro, seguramente, não com aquelas pessoas naquelas circunstâncias. Para o ano, isto não se escreve e terá passado mais uma fase. Naturalidade. Nem nostalgia, nem sentimento de saída. Sem drama. Estranho, porque a eles haveria lugar e não houve. Aceitou-se. Só pode querer dizer isto.
*
Os momentos que antecedem o encontro estão ligados à vida académica na fase mais generosa: terminada uma simulação processual, havia que seguir-se a celebração sazonal. Na altura, crê-se que só um dos convivas ganhava ordenado. Os outros só estudavam. Havia que ir ao encontro de todos os bolsos. Cantina do ISCTE, como era conhecida. Foi lá. O melhor. Até se recorda o prato: jardineira. Mais novos, mas tão felizes. Não interessava o "onde". Logisticamente, requeria-se o "quando". O "porquê" era adquirido: o desejo era de união, aproveitar aqueles últimos dias em que a manhã era teórica e a tarde prática. Trocaram-se prendas. Contaram-se piadas. Estava lá tudo. Também estavam lá todos.
*
Foi o último.
*
sexta-feira, dezembro 16, 2011
Uma grande amiga minha anunciou-me, hoje, que vai sair de casa dos pais.
Foi das melhores notícias que poderia ter ouvido.
Desde que a conheço que teve esse desejo. De se emancipar, de ter a sua vida, o seu espaço. O seu "pequeno T2 onde pudessem viver os dois", lá dizia a música.
Em Janeiro lá está ela.
(Penso quando chegará a minha altura. Alegre, acho que já esteve mais longe.)
Há dias do camandro.
Foi das melhores notícias que poderia ter ouvido.
Desde que a conheço que teve esse desejo. De se emancipar, de ter a sua vida, o seu espaço. O seu "pequeno T2 onde pudessem viver os dois", lá dizia a música.
Em Janeiro lá está ela.
(Penso quando chegará a minha altura. Alegre, acho que já esteve mais longe.)
Há dias do camandro.
sexta-feira, dezembro 02, 2011
A propósito do "Método Perigoso", veio-me à cabeça um problema de sempre: limites.
Uma das questões que é levantada, e até debatida, no filme, é a da repressão sexual. As teses, primordialmente, tendem a favorecer a ideia de que não deve existir essa repressão, sob pena de se dar origem a comportamentos mais explosivos.
O problema de defender, ou não, a repressão, seja ela qual for, é saber onde se traçam limites. Porém, já saber onde se traçam limites é uma questão de critério. Achá-lo é o diabo.
(Tinha escrito um texto com algumas páginas, mas decidi apagá-lo. Um tema destes não se trata com leviandade).
Depois daquelas máximas ("o Homem é um fim em si mesmo), tenho só a dizer que, tantos os limites, como o inferno, são os outros.
Perceber até onde aguentam é o critério.
Uma das questões que é levantada, e até debatida, no filme, é a da repressão sexual. As teses, primordialmente, tendem a favorecer a ideia de que não deve existir essa repressão, sob pena de se dar origem a comportamentos mais explosivos.
O problema de defender, ou não, a repressão, seja ela qual for, é saber onde se traçam limites. Porém, já saber onde se traçam limites é uma questão de critério. Achá-lo é o diabo.
(Tinha escrito um texto com algumas páginas, mas decidi apagá-lo. Um tema destes não se trata com leviandade).
Depois daquelas máximas ("o Homem é um fim em si mesmo), tenho só a dizer que, tantos os limites, como o inferno, são os outros.
Perceber até onde aguentam é o critério.
quinta-feira, novembro 17, 2011
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