É a lógica do reflexo.
Para esta semana, examine-se o sul do país.
É reflexo da crise e da falta dela. Reflexo dos tugas e dos bifes que complementam um quadro colorido.
Sendo certo que o melhor da vida não tem que estar longe de casa (no meu caso está a 45 min de carro), reflexo das férias é ter que andar alguns kilómetros para descansar.
Cansar para descansar.
Já agora, porque será que ninguém percebe a medida do programa de governo P.S que incide na questão de conceder 200 euricos pelo nascimento de cada bebé?
Rapaziada, aquilo não é só um incentivo à natalidade, embora pareça. Vejam isto, na página 64, vá lá, especificamente no ponto 2, a). Muito antes da natalidade, habemus: I) a conclusão dos estudos obrigatórios; II) a criação de hábitos de poupança; III) o início de novos projecto na vida dos jovens.
A isto chamo mudar a mentalidade somente despesista de cada português. Não olvidando que a carga fiscal pode ser de tal forma elevada que possa impedir a poupança, a verdade é que não aparenta ser demonstrável que, se se baixassem os impostos, os bancos ganhariam mais depósitos. Ergo, isto.
Não entender isto é o reflexo da derrota futura numas eleições legislativas.
eu que não sou de intrigas
Há 2 horas

8 comentários:
oh amigo, o facto do gozo por causa dos €200 euritos só aconteceu devido à Grande importância que o Grande Líder lhe deu na apresentação.
Mas a grande confusão para mim não é isso, é a proliferação que se faz de contas de pessoas que secalhar não têm o mínimo interesse em ser clientes da CGD e vão passa-lo a ser só porque nasceram. Assemelha-se muito ao ateu que não pediu aos seus papás para ser baptizado, mas foi.
E para que servem esses €200? para incentivar a natalidade? i dont think so. Porque se fosse pensava-se que a maior parte das pessoas só tem 1 ou, vá lá, 2 filhos porque não têm dinheiro para os criar. Ter um filho é caro, e o Estado ajuda 0 (ou dá €48 por mês se forres paupérrimo).
O problema desta gente, e digo-o de todos, é que o seu horizonte é Setembro. Não pensam que temos um sistema de segurança social falido ao mesmo tempo que temos a população mais velha da Europa.
Anunciaram-me há 4 anos atrás que iamos ser a Finlândia do Sul da Europa, mas não passamos do mesmo velho Portugal sempre igual a si próprio.
Retórica há muita, soluções concretas, not really.
E depois querem que os jovens não fujam da política. Desilusão chamo-lhe eu. E ainda não cheguei aos 30.
A isto chamo mudar a mentalidade somente despesista de cada português.
Tradução: O governo é que sabe e vai ditar como é que as pessoas devem gastar (ou poupar) o seu dinheiro.
Belo princípio económico.
Por outro lado, dizer que 200 euros daqui a 18 anos vai "mudar a mentalidade somente despesista", ou vai incentivar "o início de novos projectos na vida dos jovens" é hilariante. A Kapital agradecerá, claro!
Mas aquilo que dizes no fim é que é preocupante. Aquilo que dizes é que o governo é que tem o direito e a obrigação de determinar a quantidade de depósitos que os bancos têm. Isto é receita para o desastre.
Aquilo que era necessário era aumentar o apoio social, ergo, "abono de família".
Barba Rija,
Deixe lá de parte a cartilha e leia o que escrevi, pode ser?
Se está contra a medida esteja, não me podia interessar menos. Todavia, quando comenta um texto tem de ter em conta o que lá está escrito, sob pena de ter de lhe explicar.
Preocupa-me que o consumo vença a poupança. Preocupa-me por vários motivos, mas o princípal prende-se com a inflacção. Não teremos taxas de juro como estas para o resto da vida, lhe garanto a pés juntos. Muito antes desta crise aparecer, a dita taxa galopava, subia e isso tinha uma razão de ser. Para ser mais explícito, o medo que existia de haver uma corrida aos depósitos para si não deverá ter significado muito ou nada, mas se tivesse acontecido eu nao queria assistir.
Verdade verdadinha é que há um sistema de segurança social que um dia pode quebrar. Cada vez mais, se recorre ao privada para garantir uma vida futura. O risco de desemprego aumenta e é mais que conveniente que se tenha um pequeno pé-de-meia que aguente uns meses de ausencia de rendimentos.
Esta medida não responde a tudo isto, nem pode ter essa pretensão. Facto é que, apesar de ser uma escassa quantia, sempre é uma pedra numa construção a concluir no futuro. Estará sempre ali qualquer coisa, qualquer fundo que, devidamente alimentado, ajudará numa altura de algum aperto.
Ninguém aqui ou na china quer determinar a quantidade de depósitos em bancos, não leia coisas sem as enquadrar, peço-lhe!
Todo o meu discurso era dirigido ao elogio da poupança e nada mais.
Em contrapartida, todo o seu palavreado liberal que fazia sentido cai na última frase: venham de lá os subsídios, venha de lá o Estado a ajudar. O Estado que não tem que se meter, que tem de ser menos, que até podia desaparecer, mas antes pague o abono a tempo e horas. Depois desapareça, depois volte e pague, depois dasapareça, depois volte e pague.
Vá lá, alguma cuidado e coerência!
Esqueci-me de dizer duas coisas.
1. A crítica mais acutilante é que esta medida de tão mediatizada que foi demonstra que o governo não tem medidas concretas para aquilo que realmente precisamos de resolver, que é esta crise, e não o que se vai passar daqui a vinte anos. A isto chama-se ou incompetência ou dissonância cognitiva. Não são exclusivas como é óbvio.
2. Que a acusação de "reflexologia", ou a psicoanálise da crítica, para além de reaccionária, é sempre inútil e um tiro no pé, pois também é fácil acusar quem acusa de reflexologia da mesma maleita, a saber, que reage instantaneamente à crítica que é dirigida às ideias que a sua ideologia produz. Quem é aqui culpado realmente de reflexologia? E será que essa análise barata é sequer relevante? Ou é apenas chincalhice?
Meu caro, li bem o que escreveu. Pouco importam as "justificações" pseudo-científicas que o governo adianta, os estudos que as suportam são sempre "encomendados", e provavelmente serão também da "OCDE", ou então talvez não!
Compreendo todas as preocupações que adiantas. Mas elas não estão descritas nas intenções governamentais, ou seja, são de outra índole! Dizes bem que não é uma medida que possa ter essa pretensão, logo, não deve ter essa justificação! Aquilo que dizes é, isto é melhor que nada. Eu digo que não, que isto é sinal de que o governo não tem ideias melhores que nada e então diverte-nos com estes fait-divers.
Para teres uma ideia do ridículo da medida, basta teres a noção que um abono de família num país dito mais "civilizado" (europeu), o abono de família por puto ronda os 100/150 euros mensais. Aqui falamos de 200 euros / 18 anos, ou qualquer coisa como 1 euro mensal. Um euro mensal? E gasta-se tinta de jornal a discutir isto??
E não é bonito da tua parte invocar o medo da corrida aos depósitos, quando eu próprio já andava a gritar que havia fogo nas instituições bancárias desde 2006.
Finalmente, enganas-te a meu respeito. Não sou de direita liberal a torto e a direito. Aquilo que penso é, de base, uma economia liberal, na qual se sobrepõem questões sociais, e atrevo-me a dizer, redistributivas (essa palavra maldita nos meios liberais). Mas estas medidas têm de fazer sentido e ser (1) o menos lesivas para quem paga impostos, (2) o mais justas, (3) o mais eficientes.
Ora esta medida é idiota, porque consiste no confiscamento de dinheiro e consequente redistribuição através do seu próprio congelamento! Não "promove" o depósito, torna-o obrigatório. No abono de família ao menos, os pais têm o direito de escolha, ou gastam o dinheiro conforme lhes apetece, ou poupam-no.
Tendo em conta que, pelo que diz, é liberal mas até tem de haver redistribuição e tal, tudo somado dá caldeirada. Como defendo o direito à opinião, defenda o que bem lhe aprouver.
Coisa diametralmente oposta é dizer que os depósitos são obrigatórios.
Obrigatório seria obrigá-lo a pegar na sua verbinha e capital e forçá-lo a depositá-lo. O Governo não faz isso. O que se leva a cabo é um investimento, porque é disso que se está a falar, numa conta. Ninguém obriga ninguém até porque, que eu saiba, é necessária candidatura, aprovação e só depois se abre a dita conta.
Pois bem, se não presta, se é atentatória do que defende, faça a seguinte campanha: impeça quem a ela quer ter acesso. Impeça, diga que é uma vergonha aquilo que fazem com os nossos impostos. Ponha-se em campo e diga que estamos a obrigar os Portugueses a depositar o "el contado" na cgd.
Se se rirem, diga que foi tudo ideia minha.
É ler a CRP, artº103, e perceber o seguinte: Impostos financiam e servem a repartição de riqueza, aquilo que o desvia do total liberalismo. Apostar numa mentalidade de poupança que, alimentada, ajudará no futuro é repartir a riqueza e é distribuir. É, todavia, uma só modalidade. Modalidade que não extingue abonos nem outras ajudas, mas que passa dinheiro para mãos privadas e ainda fomenta uma prática salutar.
Esclareça-se: a "propósito do nobre" ataque que faz, com termos como inutilidade, "chincalhice" (whatever that means), reaccionária, a última frase do meu post, do qual não percebeu nada, diz tão somente que a mensagem de ideia não passou. É, objectivamente, uma boa ideia cuja mensagem foi desvirtuada e mal atacada. Pois bem, esse ataque, essa falta de entendimento por parte da população tem um significado: derrota do PS nas eleições legislativas. Quando já nada se aceita e se gosta há reflexos a observar, perder as eleições. Foi isto.
Bem sabendo que se acusam as pessoas de pertencerem a x ou a y ideologia de modo a colocá-las num armário qualquer, indepedentemente de as pessoas recusarem ou não determinadas categorias, resta-me resignar-me com um suspiro. Provavelmente, não se concebe que haja quem pense pela sua própria cabeça, nem que essas categorias já estão totalmente minadas por desvios e contra-desvios que poluem qualquer conversa que as use (para exemplo compare-se o significado da palavra "liberal" em Portugal com o dos Estados Unidos). Enfim, se é o ópio da excitação de quem se sente mais ideológico em pré-campanha, ou então apenas um mau humor, não sei.
Quando falo em "obrigação", falo obviamente na confiscação obrigatória de uma conta bancária para colocar noutra conta bancária e congelá-la. Defendes bem e admito isso a legitimidade democrática da coisa. Não quer dizer que não seja um disparate, porque por um lado é pouco (da parte de quem o recebe, é uma ninharia irrelevante que servirá apenas para financiar a viagem de finalistas do 12º ano), e por outro é demasiado, por ser um peso grande no orçamento que já vai disparar o seu défice este ano. A única razão de ser mais racional é aquela que apontaste, ou seja, a manipulação directa do estado no aumento dos depósitos. Mas mesmo essa é irracional, porque os bancos portugueses portaram-se relativamente bem em relação à maioria do mundo, descontando obviamente a prestação do BPN. Portanto, é uma medida irrelevante nesse sentido.
Mas aquilo que mais custa é que é um fait-divers. Felizmente já não se fala nisto.
Noutra nota, vejo com gozo a trapalhada que se passa na pré-campanha do PSD. Mas o teste vai começar apenas quando os dois se encontrarem frente a frente. E aí até acho que o Sócras ganha.
Mas digo-te uma coisa. Se a Nela prometesse (coisa da qual parece recuar) não investir nem no aeroporto, nem no TGV nem na terceira autoestrada Lx.Porto, votava nela, apesar de tudo o resto. Só isto compensava todas as asneiras orçamentais que fizesse.
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