quarta-feira, maio 17, 2017
sexta-feira, maio 12, 2017
Supondo
Que o Vitória ganha na Luz;
Que o Salvador se engasga;
Que o Papa refere gostar muito de Lourdes.
Que fim-de-semana temos?
Que o Salvador se engasga;
Que o Papa refere gostar muito de Lourdes.
Que fim-de-semana temos?
Reflexo
Hoje, sonhei que rapava o cabelo.
Nada de chocante, como em tempos fiz. Máquina 4.
No sonho, dava indicações erradas e adormecia. Ao acordar, aquilo. Não era um "corte" qualquer. Era semelhante ao de um conhecido Chef Jugo-Luso.
O meu subconsciente anda viciado.
Nada de chocante, como em tempos fiz. Máquina 4.
No sonho, dava indicações erradas e adormecia. Ao acordar, aquilo. Não era um "corte" qualquer. Era semelhante ao de um conhecido Chef Jugo-Luso.
O meu subconsciente anda viciado.
terça-feira, maio 02, 2017
Memória
Pensar na Streisand. Gatos?
Ainda que em código, há que registar. Há que manter ao alcance.
A propósito do tema abaixo, e remetendo (como fiz numa conversa tida com a esposa) para o High Fidelity, na cena específica onde se fala num determinado conjunto de canções para determinado momento da "vida" (cá está, codificação, ainda que da pobre), esta é uma delas.
Podia ser "a do momento". Por tudo. Sobretudo, pela ironia.
Ainda que em código, há que registar. Há que manter ao alcance.
A propósito do tema abaixo, e remetendo (como fiz numa conversa tida com a esposa) para o High Fidelity, na cena específica onde se fala num determinado conjunto de canções para determinado momento da "vida" (cá está, codificação, ainda que da pobre), esta é uma delas.
Podia ser "a do momento". Por tudo. Sobretudo, pela ironia.
quinta-feira, abril 06, 2017
A poluição da blogoesfera
Fitter, happier, more productive
Comfortable
Not drinking too much
Regular exercise at the gym
Three days a week
Um problema clássico é aquele que medita sobre o nosso lugar no mundo. Podemos ver isto de uma perspectiva mais ampla ou, então, centrar a discussão em nós próprios.
Francamente, marimbo-me para a perspectiva ampla. A humanidade que trate dela, enquanto todo. Tem a eternidade para isso.
Contudo, se penso neste corpo claramente fora de prazo e na eventualidade de alma que o habita, fico indisposto.
O meu lugar no mundo está errado. Deduzo isto através de um princípio de inversão e observação com pena. Penso em bêbedos. Penso em drogados. Penso em que gente que fez outras escolhas. Depois, penso em mim.
Há, essencialmente, três atitudes que todos temos perante um bêbedo. Falo de bêbedos crónicos, alcoólicos, não é de verdinhos em Calpe.
a) Nojo. Queremos que ele vá à vida dele.
b) Gozo. Se o bêbedo arrastar a voz e disser que "O Salazar é que foi um grande home" o dia está ganho.
c) Pena.
A pena é o ponto. Pena. Porquê? Porque "está a estragar a vida", porque "havia potencial", porque "a idade devia dar outro discernimento", enfim, penas para todos os gostos e situações.
A pena deriva de uma comparação. Que a tem, para com outrem, tem-na porque conhece gente feliz sem lágrimas e com modesto ou abundante sucesso. Gente que, não como o bêbedo que vislumbram, pôs ao seu serviço o potencial que detinha.
O bêbedo representa a antítese daquilo que poderia ser a vida. É a negação da concretização. É a confirmação da desgraça.
Posto isto, eu.
Passada a barreira psicológica dos 30, voltei a pensar nos feitos. O número é redondo. Tão redondo quanto um zero pode ser.
Há realizações pessoais, claro. Há motivos pelos quais lutar. Felizmente, todos eles externos. Só podia.
Dei por mim a liquidar (no sentido fiscal) os talentos e capacidades. O número é bonito. Tão bonito quanto um zero pode ser.
Dei por mim a pensar que, se fosse eu o bêbedo, ninguém sentiria pena. Corresponderia ao meu lugar no mundo. Ao olhar para mim, quando noutro caso haveria pena, no meu caso haveria um aceno de cabeça, confiante, como se dissessem: "Cada um é mesmo para o que nasce".
Devia ter-me desviado de um hipotético caminho do natural há anos. Teria poupado os que me estão próximos à minha natural "chatice".
Já sendo, deveria ser, ainda mais, um farrapo humano. Com um prazo muito curto de vida.
Não digo drogas. Digo álcool.
O meu lugar no mundo é o de farrapo.
Em diante. Dizer em diante. Ser dito em diante. Dalgum modo em diante. Até de modo nenhum em diante. Dito de modo nenhum em diante.
Dizer por ser dito. Desdito. De ora em diante dizer por ser desdito.
Dizer um corpo. Onde nenhum. Mente nenhuma. Onde nenhuma. Ao menos isso. Um lugar. Onde nenhum. Para o corpo. Estar lá dentro. Morrer-se lá dentro. E sair. E voltar lá para dentro. Não. Sair nenhum. Voltar nenhum. Só entrar. Ficar lá dentro. Em diante lá dentro. Parado.
Tudo desde sempre. Nunca outra coisa. Nunca ter tentado. Nunca ter falhado. Não importa. Tentar outra vez. Falhar outra vez. Falhar melhor.
samuel beckett
últimos trabalhos de samuel beckett
tradução de miguel esteves cardoso
o independente / assírio & alvim
1996
Comfortable
Not drinking too much
Regular exercise at the gym
Three days a week
Um problema clássico é aquele que medita sobre o nosso lugar no mundo. Podemos ver isto de uma perspectiva mais ampla ou, então, centrar a discussão em nós próprios.
Francamente, marimbo-me para a perspectiva ampla. A humanidade que trate dela, enquanto todo. Tem a eternidade para isso.
Contudo, se penso neste corpo claramente fora de prazo e na eventualidade de alma que o habita, fico indisposto.
O meu lugar no mundo está errado. Deduzo isto através de um princípio de inversão e observação com pena. Penso em bêbedos. Penso em drogados. Penso em que gente que fez outras escolhas. Depois, penso em mim.
Há, essencialmente, três atitudes que todos temos perante um bêbedo. Falo de bêbedos crónicos, alcoólicos, não é de verdinhos em Calpe.
a) Nojo. Queremos que ele vá à vida dele.
b) Gozo. Se o bêbedo arrastar a voz e disser que "O Salazar é que foi um grande home" o dia está ganho.
c) Pena.
A pena é o ponto. Pena. Porquê? Porque "está a estragar a vida", porque "havia potencial", porque "a idade devia dar outro discernimento", enfim, penas para todos os gostos e situações.
A pena deriva de uma comparação. Que a tem, para com outrem, tem-na porque conhece gente feliz sem lágrimas e com modesto ou abundante sucesso. Gente que, não como o bêbedo que vislumbram, pôs ao seu serviço o potencial que detinha.
O bêbedo representa a antítese daquilo que poderia ser a vida. É a negação da concretização. É a confirmação da desgraça.
Posto isto, eu.
Passada a barreira psicológica dos 30, voltei a pensar nos feitos. O número é redondo. Tão redondo quanto um zero pode ser.
Há realizações pessoais, claro. Há motivos pelos quais lutar. Felizmente, todos eles externos. Só podia.
Dei por mim a liquidar (no sentido fiscal) os talentos e capacidades. O número é bonito. Tão bonito quanto um zero pode ser.
Dei por mim a pensar que, se fosse eu o bêbedo, ninguém sentiria pena. Corresponderia ao meu lugar no mundo. Ao olhar para mim, quando noutro caso haveria pena, no meu caso haveria um aceno de cabeça, confiante, como se dissessem: "Cada um é mesmo para o que nasce".
Devia ter-me desviado de um hipotético caminho do natural há anos. Teria poupado os que me estão próximos à minha natural "chatice".
Já sendo, deveria ser, ainda mais, um farrapo humano. Com um prazo muito curto de vida.
Não digo drogas. Digo álcool.
O meu lugar no mundo é o de farrapo.
Em diante. Dizer em diante. Ser dito em diante. Dalgum modo em diante. Até de modo nenhum em diante. Dito de modo nenhum em diante.
Dizer por ser dito. Desdito. De ora em diante dizer por ser desdito.
Dizer um corpo. Onde nenhum. Mente nenhuma. Onde nenhuma. Ao menos isso. Um lugar. Onde nenhum. Para o corpo. Estar lá dentro. Morrer-se lá dentro. E sair. E voltar lá para dentro. Não. Sair nenhum. Voltar nenhum. Só entrar. Ficar lá dentro. Em diante lá dentro. Parado.
Tudo desde sempre. Nunca outra coisa. Nunca ter tentado. Nunca ter falhado. Não importa. Tentar outra vez. Falhar outra vez. Falhar melhor.
samuel beckett
últimos trabalhos de samuel beckett
tradução de miguel esteves cardoso
o independente / assírio & alvim
1996
quinta-feira, março 30, 2017
Erros de percepção, sejam mútuos ou não
"Centeno rejeitou ter mentido na polémica sobre as declarações de
rendimento e património da equipa de administradores da CGD liderada por
António Domingues. Admitiu, contudo, um "erro de percepção mútuo", que
levou Domingues a acreditar que a sua equipa estaria isenta de entregar
aquelas declarações ao abrigo das alterações ao Estatuto do Gestor
Público."
in: aqui
Depois desta célebre expressão, que supra transcrevo, vieram a terreiro centenas (para ser conservador) de "tudólogos" explicar que isto não existia. Que um erro de percepção nunca pode ser mútuo", uma vez que a percepção é feita por uma pessoa, ou até mais, não pode é ser mútuo, porque, se uma pessoa explica, a outra percebe ou não, mas não podem as duas "não perceber".
Mantive-me céptico. As possibilidades são infinitas e, como dizia o Dr. Malcom, "life finds a way".
Na passada terça-feira, life found a way.
O Samsung que me acompanha há três anos tocou. Do outro lado, uma voz. Dizia a mesma que trazia feedback positivo e que, qual encontro à americana que correu bem, queriam voltar a falar comigo.
O que sucedeu? Um erro de percepção mútuo. Na conversa que tive, uma conversa a três, para ser rigoroso, comprova-se que ninguém percebeu "ponta de corno".
Pela minha parte, claro que não percebi o iter da converseta. Pela parte deles, não perceberam a verdade dos factos.
(E sim, estou a ser propositadamente vago).
Ergo,
Erro de percepção mútuo.
O me quererem ver novamente, erro de percepção. Violadíssimo o princípio da causalidade. É como accionar o seguro sem sinistro.
O ser chamado, erro de percepção. Violadíssimo o princípio da culpa. É preciso ter consciência. Deixei-a em casa.
De parte a parte.
É mútuo.
Enfim, foi giro.
Uma esboço de reacção
De acordo com a Wikipedia, "Manuel João Gonçalves Rodrigues Vieira (Lisboa, 17 de outubro de 1962) é um músico e pintor português.
Filho mais velho do pintor português João Rodrigues Vieira, estudou na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e foi membro do movimento homeostético, em conjunto com Pedro Proença, Pedro Portugal, Ivo Silva, Xana, e Fernando Brito. É professor na Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha.
Fundador e vocalista das bandas Ena Pá 2000, Irmãos Catita e Corações de Atum, criou e encarnou diversas personagens em palco, como Lello Universal, Lello Minsk, Lello Marmelo, Orgasmo Carlos, Catita, entre outros. Recentemente uma sua biografia fictícia foi alvo de uma série de seis episódios intitulada Mundo Catita, transmitida em exclusivo na RTP2, em 2008, editado em DVD, em 2009 e, exibida na SIC Radical em Dezembro de 2010.
Foi um dos proprietários do Cabaret Maxime, junto à Avenida da Liberdade, em Lisboa.
Anunciou a sua candidatura a Presidente da República Portuguesa, em 2011 e em 2016."
Isto é dizer pouco. A biografia de alguém é, como terá sempre de ser, constituída por factos, de preferência o mais concreto possível. Mas é mais. Há sempre a marca que o biografado deixa na vida daqueles que, de forma mais ou menos directa, o seguem.
Manuel João Vieira deixa-me risos. Às vezes, risos imparáveis, daqueles que fazem chorar. Gargalhadas.
Por exemplo, o "És cruel". Não me consegui parar de rir quando o ouvi pela primeira vez. Depois seguiu-se a necessidade de ouvir tudo quanto me estava disponível de Ena Pá 2000, Irmãos Catita, Corações de Atum, por aí fora.
Ontem voltei a ouvir o tema que referi. A seguir a esse, apareceu o "Marilú". Não me lembrava dele.
Quando acaba o "Marilú" (n.d.r: digo "o" porque me refiro a ele como tema. Tema é masculino) surge o trabalho bem conseguido abaixo postado.
Como há algo em mim que aprecia a divulgação de tragédias cómicas, aqui fica.
Filho mais velho do pintor português João Rodrigues Vieira, estudou na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e foi membro do movimento homeostético, em conjunto com Pedro Proença, Pedro Portugal, Ivo Silva, Xana, e Fernando Brito. É professor na Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha.
Fundador e vocalista das bandas Ena Pá 2000, Irmãos Catita e Corações de Atum, criou e encarnou diversas personagens em palco, como Lello Universal, Lello Minsk, Lello Marmelo, Orgasmo Carlos, Catita, entre outros. Recentemente uma sua biografia fictícia foi alvo de uma série de seis episódios intitulada Mundo Catita, transmitida em exclusivo na RTP2, em 2008, editado em DVD, em 2009 e, exibida na SIC Radical em Dezembro de 2010.
Foi um dos proprietários do Cabaret Maxime, junto à Avenida da Liberdade, em Lisboa.
Anunciou a sua candidatura a Presidente da República Portuguesa, em 2011 e em 2016."
Isto é dizer pouco. A biografia de alguém é, como terá sempre de ser, constituída por factos, de preferência o mais concreto possível. Mas é mais. Há sempre a marca que o biografado deixa na vida daqueles que, de forma mais ou menos directa, o seguem.
Manuel João Vieira deixa-me risos. Às vezes, risos imparáveis, daqueles que fazem chorar. Gargalhadas.
Por exemplo, o "És cruel". Não me consegui parar de rir quando o ouvi pela primeira vez. Depois seguiu-se a necessidade de ouvir tudo quanto me estava disponível de Ena Pá 2000, Irmãos Catita, Corações de Atum, por aí fora.
Ontem voltei a ouvir o tema que referi. A seguir a esse, apareceu o "Marilú". Não me lembrava dele.
Quando acaba o "Marilú" (n.d.r: digo "o" porque me refiro a ele como tema. Tema é masculino) surge o trabalho bem conseguido abaixo postado.
Como há algo em mim que aprecia a divulgação de tragédias cómicas, aqui fica.
sexta-feira, março 10, 2017
O chumbo é um metal pesado?
Número 141 de uma Avenida que, segundo me disseram, albergava um manancial de mulheres da vida.
Para uma meia hora em que se discutiram filmes, séries, música e outros deleites mundanos, vieram 60 minutos que, talvez para todo o sempre, me puseram no meu lugar. Me reduziram à insignificância que sou.
Lembro-me de Pedro Múrias, brilhante jurista com sentido de humor. Dizia ele, sobre determinada parcela do programa que "quem não sabe isto, não sabe nada".
"Imagine isto: celebra-se contrato-promessa de compra e venda de um imóvel. Preço: um milhão de euros. Você patrocina o vendedor, que a título de sinal e princípio de pagamento, recebeu meio milhão de euros. Marca-se a escritura. No momento, já no Cartório, o comprador passa um cheque do remanescente. A escritura faz-se, todos assinam. Quando se vai levantar o cheque, este não tem provisão.
Pergunto:
O negócio está feito?
O seu cliente é obrigado a aceitar o cheque?
Supondo que não aceita, como pode fazer para não perder o negócio?"
Naturalmente, caro leitor, eventualmente jurídico, o diálogo não foi tão escorreito como o pinto. Foi bastante mais confuso, Dali on scotch.
Alias, continuou. Com acidentes de viação.
Percebi o que valho.
Aprendi a minha lição.
Para uma meia hora em que se discutiram filmes, séries, música e outros deleites mundanos, vieram 60 minutos que, talvez para todo o sempre, me puseram no meu lugar. Me reduziram à insignificância que sou.
Lembro-me de Pedro Múrias, brilhante jurista com sentido de humor. Dizia ele, sobre determinada parcela do programa que "quem não sabe isto, não sabe nada".
"Imagine isto: celebra-se contrato-promessa de compra e venda de um imóvel. Preço: um milhão de euros. Você patrocina o vendedor, que a título de sinal e princípio de pagamento, recebeu meio milhão de euros. Marca-se a escritura. No momento, já no Cartório, o comprador passa um cheque do remanescente. A escritura faz-se, todos assinam. Quando se vai levantar o cheque, este não tem provisão.
Pergunto:
O negócio está feito?
O seu cliente é obrigado a aceitar o cheque?
Supondo que não aceita, como pode fazer para não perder o negócio?"
Naturalmente, caro leitor, eventualmente jurídico, o diálogo não foi tão escorreito como o pinto. Foi bastante mais confuso, Dali on scotch.
Alias, continuou. Com acidentes de viação.
Percebi o que valho.
Aprendi a minha lição.
quinta-feira, março 09, 2017
Gostava de escrever como um homem
Foi na quarta-feira que o meu filho começou a "adaptação" ao infantário. Primeiro uma hora, depois duas, finalmente quatro. Na segunda fará o dia todo.
Não vou estar aqui a tecer um tratado sobre a velhice que chega de surpresa e nos consome. Não, o que me faz sentir uma TPM Fox Life são as notícias.
Anuncia-se que uma bebé de oito meses morreu, num infantário de Lisboa. Para já, não há rigorosamente nada que indique responsabilidade por parte dos funcionários. Nem sei se é bom ou mau. É que, aparentemente, a menina teve "uma morte natural".
Isto pode acontecer. Quantas vezes ouvi falar no "síndrome da morte súbita" e associei ao unicórnio.
Mas aconteceu.
Ultimamente tenho sentido demasiada empatia. Para quem via a série do Hannibal, que passava num AXN qualquer, falo daquela empatia sentida pelo investigador, cujo nome não me recordo, mas vai chegar antes de acabar de escrever.
Estou ali. Vejo-me ali. Sinto-me ali. Olho para o lado. Certifico-me que, afinal, não é comigo.
Will Graham.
É isso.
Não vou estar aqui a tecer um tratado sobre a velhice que chega de surpresa e nos consome. Não, o que me faz sentir uma TPM Fox Life são as notícias.
Anuncia-se que uma bebé de oito meses morreu, num infantário de Lisboa. Para já, não há rigorosamente nada que indique responsabilidade por parte dos funcionários. Nem sei se é bom ou mau. É que, aparentemente, a menina teve "uma morte natural".
Isto pode acontecer. Quantas vezes ouvi falar no "síndrome da morte súbita" e associei ao unicórnio.
Mas aconteceu.
Ultimamente tenho sentido demasiada empatia. Para quem via a série do Hannibal, que passava num AXN qualquer, falo daquela empatia sentida pelo investigador, cujo nome não me recordo, mas vai chegar antes de acabar de escrever.
Estou ali. Vejo-me ali. Sinto-me ali. Olho para o lado. Certifico-me que, afinal, não é comigo.
Will Graham.
É isso.
sexta-feira, fevereiro 17, 2017
Catarina Eufémia
Não me esqueci.
Naquele dia, era sagrado. Um almoço "como deve ser", com "o único cheiro" de que gostavas: comida bem feita.
Mas não era só.
No final da refeição, o bolo em forma de coração.
Não me esqueci. Custa é lembrar-me.
Naquele dia, era sagrado. Um almoço "como deve ser", com "o único cheiro" de que gostavas: comida bem feita.
Mas não era só.
No final da refeição, o bolo em forma de coração.
Não me esqueci. Custa é lembrar-me.
quinta-feira, fevereiro 02, 2017
O interlocutor, ou como a vida é bonita
Há coisa de duas semanas, fui exercer o patrocínio forense para Lisboa. Tratava-se de um processo-crime, estando em causa factos enquadráveis nos tipos de condução sem habilitação e falsificação de documento. Como tantas vezes acontece, isto deu-se no âmbito do apoio judiciário.
Hoje teve lugar a continuação. Este que vos escreve habita na margem sul do Tejo. Sendo a audiência às 9.30h, teve que levantar-se às 6.30h. Até que chegou ao tribunal. É feita a chamada e aparece uma Colega.
"O Arguido é meu cliente. Contactou-me e vai passar procuração neste processo". O Arguido, que vinha do EPL, confirmou. A Colega pede desculpa, uma vez que tinha sido contactada ontem para o efeito.
"Muito obrigada, sotore, até à próxima." Juiza educada.
Desde então, fui duas vezes ao tribunal de Almada, por motivos diversos, tive uma reunião por Lisboa e a vida foi fluindo, como não podia deixar de ser.
Cheguei ao escritório e abro o Facebook. É uma coisa que faço. Mantém-me a par da actualidade.
O Facebook tem muitas coisas, mas a principal e que o distingue de todas as realidades próximas é algo peculiar: "indignação".
É um mar de indignação. "Querem eutanasia? Porcos!". "Não querem eutanasia? Porcos!".
A indignação de hoje é, de longe, a minha favorita: críticos de cinema do Público.
Que fizeram os "mininos"? Deram duas estrelas ao filme "Elementos Secretos".
Eis alguns comentários:
"Epá, mas vocês gostam de algum filme?!?!?"
"Dá 2 estrelas a este... mas 5 estrelas ao CAVALO DE TURIM, que é literalmente 2 horas a ver um casal idoso a tratar da sua horta e a descascar batatas...Por amor de deus..."
"ahaha o público acha que não existe mais cinema depois do "e tudo o vento levou""
Mais uma vez devo reflectir sobre a importância da crítica. Há dias, um amigo meu dizia-me que se podia perfeitamente comparar Bach com Quim Barreiros, concluindo que Quim Barreiros era, à falta de melhor expressão, azeiteiro, e pior, inferior.
Se tentarmos transpor o exercício para o cinema, estes comentários perdem toda a razão de ser. Ao fim e ao cabo, os críticos do Público estão certos na análise. O Cavalo de Turim (que tenho lá em casa para ver, juntamente com 3 filmes do mesmo cineasta) é, reconhecidamente, uma obra prima que seria o Bach do cinema. Ao pé dele, os Elementos Secretos é um Quim desta vida.
Só que não.
Por duas razões.
A primeira de ordem sociológica: estes filmes de que vos falei (Cavalo e Elementos) são totalmente diferentes. Não podem concorrer entre si um Musical, uma Comédia, um Drama ou um filme do Van Damme. E porquê? Pela mesma razão que não podemos preferir o lombo à salada. São coisas diferentes que, em alguns casos, se podem complementar. Mas num certame gastronómico, o bolo de arroz concorre em categorias diferentes do Bucho à moda de Ceia.
A segunda é de ordem arbitrária: povo, cada um gosta do que gosta. É bom gostar de tudo, até do mau. Mas é mau só gostar do mau.
Isto para concluir que gostava de ter acabado o julgamento do Arguido e para dizer que os críticos do Público dizem o que lhes apetece, que é para isso que lhes pagam.
Quem pensou que eu ia fazer uma ponte sobre ambos os eventos ou tópicos enganou-se.
Recordo que eram 6.30 da manhã quando me levantei.
Obrigado, boa tarde.
Hoje teve lugar a continuação. Este que vos escreve habita na margem sul do Tejo. Sendo a audiência às 9.30h, teve que levantar-se às 6.30h. Até que chegou ao tribunal. É feita a chamada e aparece uma Colega.
"O Arguido é meu cliente. Contactou-me e vai passar procuração neste processo". O Arguido, que vinha do EPL, confirmou. A Colega pede desculpa, uma vez que tinha sido contactada ontem para o efeito.
"Muito obrigada, sotore, até à próxima." Juiza educada.
Desde então, fui duas vezes ao tribunal de Almada, por motivos diversos, tive uma reunião por Lisboa e a vida foi fluindo, como não podia deixar de ser.
Cheguei ao escritório e abro o Facebook. É uma coisa que faço. Mantém-me a par da actualidade.
O Facebook tem muitas coisas, mas a principal e que o distingue de todas as realidades próximas é algo peculiar: "indignação".
É um mar de indignação. "Querem eutanasia? Porcos!". "Não querem eutanasia? Porcos!".
A indignação de hoje é, de longe, a minha favorita: críticos de cinema do Público.
Que fizeram os "mininos"? Deram duas estrelas ao filme "Elementos Secretos".
Eis alguns comentários:
"Epá, mas vocês gostam de algum filme?!?!?"
"Dá 2 estrelas a este... mas 5 estrelas ao CAVALO DE TURIM, que é literalmente 2 horas a ver um casal idoso a tratar da sua horta e a descascar batatas...Por amor de deus..."
"ahaha o público acha que não existe mais cinema depois do "e tudo o vento levou""
Mais uma vez devo reflectir sobre a importância da crítica. Há dias, um amigo meu dizia-me que se podia perfeitamente comparar Bach com Quim Barreiros, concluindo que Quim Barreiros era, à falta de melhor expressão, azeiteiro, e pior, inferior.
Se tentarmos transpor o exercício para o cinema, estes comentários perdem toda a razão de ser. Ao fim e ao cabo, os críticos do Público estão certos na análise. O Cavalo de Turim (que tenho lá em casa para ver, juntamente com 3 filmes do mesmo cineasta) é, reconhecidamente, uma obra prima que seria o Bach do cinema. Ao pé dele, os Elementos Secretos é um Quim desta vida.
Só que não.
Por duas razões.
A primeira de ordem sociológica: estes filmes de que vos falei (Cavalo e Elementos) são totalmente diferentes. Não podem concorrer entre si um Musical, uma Comédia, um Drama ou um filme do Van Damme. E porquê? Pela mesma razão que não podemos preferir o lombo à salada. São coisas diferentes que, em alguns casos, se podem complementar. Mas num certame gastronómico, o bolo de arroz concorre em categorias diferentes do Bucho à moda de Ceia.
A segunda é de ordem arbitrária: povo, cada um gosta do que gosta. É bom gostar de tudo, até do mau. Mas é mau só gostar do mau.
Isto para concluir que gostava de ter acabado o julgamento do Arguido e para dizer que os críticos do Público dizem o que lhes apetece, que é para isso que lhes pagam.
Quem pensou que eu ia fazer uma ponte sobre ambos os eventos ou tópicos enganou-se.
Recordo que eram 6.30 da manhã quando me levantei.
Obrigado, boa tarde.
terça-feira, janeiro 24, 2017
Uma ilisão de presunção
Pertenço ao mundo jurídico e, no mundo jurídico, entre tantas outras realidades, existem presunções.
Também existe gente presunçosa, presuntos e presumíveis.
Centremo-nos: presunções são consequências deduzidas de um fato conhecido, não destinado a funcionar como prova, para chegar a um fato desconhecido.
Eis o facto conhecido (até agora, pelo menos) por mim: juiz nenhum desta terra abençoada por deus e pouco tropical ouve alegações de um causídico. Se ouve, não as leva em conta. Se as leva em conta, não leva.
Hoje fui defender um fulano que nunca vi. Que fez o cavalheiro? Pegou no passe social do amigo e foi andar de autocarro, usando o dito passe para possibilitar o seu trajecto.
Segundo uma lei bonita, a que se convencionou chamar Código Penal, parece que é crime, podendo dar cadeia.
Como nunca o vi, não sei qual a versão dele, se tem testemunhas, sequer. Tentou enviar-se missivas para o domicílio e nada. Se isto fosse uma série, era o Macgyver. Eu tenho o canivete suíço e uma linha de botão descosido e o M.P o arsenal do Pentágono.
Não desisto de resistir. O M.P, depois de ouvir um mui honrado agente da PSP, pede justiça. Assim. Nem "ai" nem "ui". Se fosse um advogado oficioso, era para queimar na fogueira marinho-pintista.
Calha estar um advogado oficioso na sala. Este que vos escreve.
Apresenta os cumprimentos a todos. Debita uma teoria jurídica baseada no conceito material de crime, que vai desaguar numa falta de consciência da ilicitude que terá, como efeitos práticos, uma absolvição. Também disse qualquer coisa abonatória caso se entendesse o contrário.
Durante o meu breve excurso vi algo que jamais pensei existir: um sorriso de Mona Lisa e um olhar sobre uns óculos...da juíza.
A Procuradora olhava como se eu falasse de direito marciano. Também um misto entre alguém que acaba de descobrir que comeu fezes caninas e ouviu a Maria Leal a primeira vez. Havia nojo.
Assim que termino, o sorriso mantém-se e o olhar idem.
"Oh sótor, não concordo nada consigo!"
Por isso, meus amigos, não só uma coisa aconteceu hoje, mas sim duas.
Uma juiza "discutiu" o mérito das alegações com o causídico e...
Afinal estava a ouvir!
quinta-feira, janeiro 19, 2017
quinta-feira, janeiro 05, 2017
Chá de cidreira
Circula, por aí, um "vídeo" onde se mostra um jovem a ser agredido por um bando de outros, possivelmente da mesma idade.
É perto de onde vivo.
Nada do que ali está tem apelo ou agravo. Mas o que me penaliza mais é querer que aconteça aos agressores aquilo que fizeram ao agredido.
Não consegui, logo, calar o "bicho" que habita em mim.
Só vi ali o meu filho.
quinta-feira, dezembro 29, 2016
A página da necrologia
Já não me recordo se foi no Quiosque do Sr. Vítor, ou mesmo na casa dos meus pais. Estava a ler o jornal em conjunto com o meu avô. Devia ter não mais que 10 anos. Era um jornal popular, um CM ou 24 Horas. Como é tradição nessas publicações, chegou-se à página onde se anunciam os óbitos. Fotografias de velhos, não-tão velhos, novos.
Perguntou-me o meu avô se sabia o que tinha acontecido àquelas almas. Respondi que não sabia.
"Deixaram de fumar".
Como é tão natural nesta altura do ano, quem escreve pedaços de sarjeta parecidos com este propõe-se a elaborar um balanço do ano que finda.
Não o vou fazer. Primeiro porque não sei o que é um balanço. Fosse Contabilista Certificado e tudo era mais fácil. Até fazer os trocos do tabaco.
Ao invés de lamentar o facto de grandes nomes "deixarem de fumar", não quero deixar de me lembrar do que foi o fim do ano de 2015. Cerca de 5º graus, um 5.º Andar. Fogo de Artífico.
"Vamos ser pais?"
E fomos.
E somos.
Entrem bem o ano.
Sou a prova viva de que, calhando, as resoluções de ano novo verificam-se.
Perguntou-me o meu avô se sabia o que tinha acontecido àquelas almas. Respondi que não sabia.
"Deixaram de fumar".
Como é tão natural nesta altura do ano, quem escreve pedaços de sarjeta parecidos com este propõe-se a elaborar um balanço do ano que finda.
Não o vou fazer. Primeiro porque não sei o que é um balanço. Fosse Contabilista Certificado e tudo era mais fácil. Até fazer os trocos do tabaco.
Ao invés de lamentar o facto de grandes nomes "deixarem de fumar", não quero deixar de me lembrar do que foi o fim do ano de 2015. Cerca de 5º graus, um 5.º Andar. Fogo de Artífico.
"Vamos ser pais?"
E fomos.
E somos.
Entrem bem o ano.
Sou a prova viva de que, calhando, as resoluções de ano novo verificam-se.
terça-feira, dezembro 13, 2016
Para não variar, um lamento
Poucos dias depois de me lançar naquilo que o capitalismo ainda proporciona, fiz o que faria qualquer amador: pesquisei na gigante net por alguém que me fizesse um site ao nível do orçamento que tinha, equivalente a uma prestação mensal de um carro de gama baixa.
Veja-se bem: encontrei. Fizeram, cobraram e foram à vida deles, se é que isso se pode dizer.
Advertiram: "Daqui a um ano, tem de renovar o servidor".
Assim fiz: um ano depois, ia elaborar um e-mail para os fulanos e, eis senão quando, descubro que já não existem.
Ou seja, hoje já não tenho site e não encontro um negócio semelhante em lado nenhum.
Acaba por ser chato.
Veja-se bem: encontrei. Fizeram, cobraram e foram à vida deles, se é que isso se pode dizer.
Advertiram: "Daqui a um ano, tem de renovar o servidor".
Assim fiz: um ano depois, ia elaborar um e-mail para os fulanos e, eis senão quando, descubro que já não existem.
Ou seja, hoje já não tenho site e não encontro um negócio semelhante em lado nenhum.
Acaba por ser chato.
segunda-feira, dezembro 05, 2016
Notas Profissionais
Desleixei-me.
Não é porque esteja gordo, que estou. Não é porque só me lembre do que precise, embora o faça. Não é porque não tenha actividade física relevante. Não tenho.
Lembro-me de, ainda na Faculdade, um caríssimo Amigo iniciar, convidando-me para tal, um blogue a favor do SIM no referendo relativo à IVG. Naquela altura, despertam-se as noções políticas, percebe-se o lado da barricada, sem prejuízo de um qualquer progresso, ou reversão, se tudo correr mal. Ideais como Democracia, Liberdade, Dignidade Humana ou Igualdade estavam no vocabulário de todo e qualquer dia. Não havia perda de pitada da vida ocorrida no poder. Chegamos a conhecer quase todos os deputados à A.R.
Hoje, em vésperas de uma eleição importante, percebo que não tomei parte em rigorosamente nada daquilo que lhe diz respeito.
Clarificando, elaboro sobre o meu absentismo no dossier "Eleições para a O.A".
Votei, claro que votei. Votei em branco.
Porque pensei "Eles são todos iguais, querem é visibilidade".
Porque não vi um debate.
Porque não abri um mail de candidaturas.
Nada. Nadinha.
Mal ou bem, um bastonário tem peso. Muito ou pouco, influencia a vida da Ordem.
Estou descrente, é o que estou. Deixei de acreditar.
Já vai para anos em que deixei de acreditar em intervenientes públicos. O último em quem pensei que poderia mudar qualquer coisa para melhor chegou a estar detido.
Em suma, nhé.
Não é porque esteja gordo, que estou. Não é porque só me lembre do que precise, embora o faça. Não é porque não tenha actividade física relevante. Não tenho.
Lembro-me de, ainda na Faculdade, um caríssimo Amigo iniciar, convidando-me para tal, um blogue a favor do SIM no referendo relativo à IVG. Naquela altura, despertam-se as noções políticas, percebe-se o lado da barricada, sem prejuízo de um qualquer progresso, ou reversão, se tudo correr mal. Ideais como Democracia, Liberdade, Dignidade Humana ou Igualdade estavam no vocabulário de todo e qualquer dia. Não havia perda de pitada da vida ocorrida no poder. Chegamos a conhecer quase todos os deputados à A.R.
Hoje, em vésperas de uma eleição importante, percebo que não tomei parte em rigorosamente nada daquilo que lhe diz respeito.
Clarificando, elaboro sobre o meu absentismo no dossier "Eleições para a O.A".
Votei, claro que votei. Votei em branco.
Porque pensei "Eles são todos iguais, querem é visibilidade".
Porque não vi um debate.
Porque não abri um mail de candidaturas.
Nada. Nadinha.
Mal ou bem, um bastonário tem peso. Muito ou pouco, influencia a vida da Ordem.
Estou descrente, é o que estou. Deixei de acreditar.
Já vai para anos em que deixei de acreditar em intervenientes públicos. O último em quem pensei que poderia mudar qualquer coisa para melhor chegou a estar detido.
Em suma, nhé.
terça-feira, novembro 29, 2016
Contributo para um estudo sobre o conceito de normalidade: de REO Speewagon a Bon Jovi
Não sou sociólogo, pelo que também não sei se cabe à sociologia explicar o que são comportamentos normais. Ser normal. Se calhar, cabe à psicologia.
Lobo Antunes escreveu "A morte de Carlos Gardel".
Carlos Gardel era um portentoso compositor de Tangos. Isto, para quem não saiba, não esclarece se era Bartender ou Músico.
Vamos partir do princípio que era Bartender. O Tango é uma bebida composta por cerveja e groselha. Num como, vertem-se cerca de dois dedos de groselha. Depois, mistura-se a cerveja.
Dá um ar "amaricado", mas serve perfeitamente para acompanhar uma interpretação de "Por una cabeza". É ver o "Perfume de Mulher".
Dito isto, nesta composição que se assemelha a algo escrito por John Doe, do Seven (What's in the box?), quero concluir com uma questão, o que é, igualmente, normal.
Como apreender o grau máximo da lamechice? A lamechice é-me cara, uma vez que a exerço. Com veemência.
Lembrei-me de REO Speedwagon e Bon Jovi. Lembrei-me de I Can't Fight this Feeling e Always.
Lobo Antunes escreveu "A morte de Carlos Gardel".
Carlos Gardel era um portentoso compositor de Tangos. Isto, para quem não saiba, não esclarece se era Bartender ou Músico.
Vamos partir do princípio que era Bartender. O Tango é uma bebida composta por cerveja e groselha. Num como, vertem-se cerca de dois dedos de groselha. Depois, mistura-se a cerveja.
Dá um ar "amaricado", mas serve perfeitamente para acompanhar uma interpretação de "Por una cabeza". É ver o "Perfume de Mulher".
Dito isto, nesta composição que se assemelha a algo escrito por John Doe, do Seven (What's in the box?), quero concluir com uma questão, o que é, igualmente, normal.
Como apreender o grau máximo da lamechice? A lamechice é-me cara, uma vez que a exerço. Com veemência.
Lembrei-me de REO Speedwagon e Bon Jovi. Lembrei-me de I Can't Fight this Feeling e Always.
quarta-feira, novembro 16, 2016
Da Representação Voluntária em Direito Civil
Algures nos anos 90, Pedro Albuquerque, filho de Ruy, decide doutorar-se em Direito e inicia a escrita da sua tese, cujo título supra reproduzo. Trata-se de uma obra fascinante, bem documentada, precisa, capaz de resolver os inúmeros problemas que a disciplina da representação traz. Pessoalmente, não seria capaz de ter concluído a minha licenciatura sem me ter cruzado com tão estimulante escrito.
Com o que acabo de escrever, duas coisas podem acontecer:
a) os motores de pesquisa passaram a incluir este texto quando alguém pesquisar por "Representação Voluntária";
b) Quem me ler, desistir.
As fotografias têm a faculdade de se inserir na previsão da norma constante de um qualquer artigo que fala em Documentos.
Estive a ver umas poucas em que consto.
Passam-se anos, quilos, pessoas. Já quase nada do que ali vi existe, no sentido que gosto de dar à existência. Foram-se as pessoas e os anos. Os quilos, como um conhecido da primária que engraçou connosco e de quando em vez quer ir lá jantar a casa, vieram.
Tudo bem, se gosto de chanfana, pago o preço. Se aprecio coisas que não saem de mim sem ginásio, ora pois.
O que mais me fascina é a roupa. A roupa, juntamente com a qualidade da imagem, é o principal GPS para localizar o evento e momento no tempo.
E nem aí. Nem. Aí.
Lembro-me de ficar melhor em roupa menos cara do que agora. Há uma foto específica, tirada numa noite que me recordo perfeitamente, que é fatal. Uma camisa que já não existe, umas calças que me servem, não em duas, mas uma perna, e um blusão, que resistiu.
Pedro de Albuquerque, que percebe tanto de representação, nunca me sossegou e escreveu sobre a representação nas fotografias. O Direito pouco diz sobre a passagem dos anos, quilos e pessoas.
Hoje mesmo, precisamente hoje, uma fotografia passou a fazer parte do passado.
Até há umas largas horas, era só uma fotografia com meses. E poucos. Agora, é uma fotografia tão válida como a de uma criança, que agora tira o Doutoramento.
Doutoramento que Pedro de Albuquerque começou a concluir nos anos 90.
Com o que acabo de escrever, duas coisas podem acontecer:
a) os motores de pesquisa passaram a incluir este texto quando alguém pesquisar por "Representação Voluntária";
b) Quem me ler, desistir.
As fotografias têm a faculdade de se inserir na previsão da norma constante de um qualquer artigo que fala em Documentos.
Estive a ver umas poucas em que consto.
Passam-se anos, quilos, pessoas. Já quase nada do que ali vi existe, no sentido que gosto de dar à existência. Foram-se as pessoas e os anos. Os quilos, como um conhecido da primária que engraçou connosco e de quando em vez quer ir lá jantar a casa, vieram.
Tudo bem, se gosto de chanfana, pago o preço. Se aprecio coisas que não saem de mim sem ginásio, ora pois.
O que mais me fascina é a roupa. A roupa, juntamente com a qualidade da imagem, é o principal GPS para localizar o evento e momento no tempo.
E nem aí. Nem. Aí.
Lembro-me de ficar melhor em roupa menos cara do que agora. Há uma foto específica, tirada numa noite que me recordo perfeitamente, que é fatal. Uma camisa que já não existe, umas calças que me servem, não em duas, mas uma perna, e um blusão, que resistiu.
Pedro de Albuquerque, que percebe tanto de representação, nunca me sossegou e escreveu sobre a representação nas fotografias. O Direito pouco diz sobre a passagem dos anos, quilos e pessoas.
Hoje mesmo, precisamente hoje, uma fotografia passou a fazer parte do passado.
Até há umas largas horas, era só uma fotografia com meses. E poucos. Agora, é uma fotografia tão válida como a de uma criança, que agora tira o Doutoramento.
Doutoramento que Pedro de Albuquerque começou a concluir nos anos 90.
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