É estar doente dos olhos. O que é ver como um danado?
Vamos ao mundano.
Quando era mais jovem, tinha uma tese imberbe: as raparigas (no usar luso da palavra) mais engraçadas e dotadas andavam juntas. Quase como se de um cartel se tratasse.
A tese, por força da vida, não veio a ter sucesso. Só se verificariam episódios esporádicos que serviam, não para provar, mas demonstrar que são excepção.
Isto serviu de base para ter noção de algo, mas para o futuro: o que é de bom, como o que é de mau, vem aos grupos. No plural. Confirmei, ao fim e ao cabo, que uma desgraça nunca vem só, citando o mítico povão.
Estou mal de vida? Não estou não senhor. Poderei estar? Queira deus que não, nossa senhora de Fátima.
Sucede que isto tem corrido bem. E a vida nunca corre bem para sempre.
sexta-feira, junho 17, 2016
quinta-feira, junho 09, 2016
Lâncome
Anúncios de perfume. Um pouco, tudo-nada, como os anúncios dos pensos higiénicos. Posso conceder que, quanto a estes últimos, existe uma perigosa apologia da mulher com o período que passa bem por Super-Homem.
Percebo pouco de publicidade, diria mesmo, que percebo pouco de muito em geral. Neste ramo do "saber", e também da acção, creio que a psicologia joga uma carta essencial. Daí partir para uma conclusão que tirei há muito: a raça humana pensa toda de forma parecida. A economia dirá o mesmo.
Pois bem, ontem, enquanto saboreava um sofrível choco frito à moda de Setúbal, mas somente a fazer lembrar o Sado, em conversa falou-se de aspectos específicos do nojo. Também aqui creio que a Humanidade está unida, salvo raras excepções.
Para mim, algo fez sentido há pouco, quando achei que o nojo e um seu combatente (o perfume) se podiam unir e passar uma mensagem eficaz.
Cheguei ao anúncio que me faria comprar um perfume, de caras.
Num cenário de piquenique, um fulano com os seus 150 kilinhos bem pesados está sentado numa cadeira de praia, somente de calções. À sua volta, amigos, homens, mulheres.
Está calor. O fulano sua em bica. Todo ele é água. Debaixo das suas mamas, um oceano de suor. Na barriga, pêlos pretos, grossos, de uma vida de trabalho. O homem, acto contínuo, pega num pedaço gigante de pão, encosta-o ao peito e corta-o, com uma faca sobre-dimensionada. Enquanto a faca corta, o pão vai sendo empurrado pela lâmina contra o peito do bicho. Feito o serviço, corta uma fatia de queijo Castelões da mesma forma. Junta e come.
Aparece a Cristina Ferreira em vestido azul (estou muito longe de ser fã da senhora, pelo contrário) e borrifa-se no "Comenda #7".
Para homem e mulher.
Percebo pouco de publicidade, diria mesmo, que percebo pouco de muito em geral. Neste ramo do "saber", e também da acção, creio que a psicologia joga uma carta essencial. Daí partir para uma conclusão que tirei há muito: a raça humana pensa toda de forma parecida. A economia dirá o mesmo.
Pois bem, ontem, enquanto saboreava um sofrível choco frito à moda de Setúbal, mas somente a fazer lembrar o Sado, em conversa falou-se de aspectos específicos do nojo. Também aqui creio que a Humanidade está unida, salvo raras excepções.
Para mim, algo fez sentido há pouco, quando achei que o nojo e um seu combatente (o perfume) se podiam unir e passar uma mensagem eficaz.
Cheguei ao anúncio que me faria comprar um perfume, de caras.
Num cenário de piquenique, um fulano com os seus 150 kilinhos bem pesados está sentado numa cadeira de praia, somente de calções. À sua volta, amigos, homens, mulheres.
Está calor. O fulano sua em bica. Todo ele é água. Debaixo das suas mamas, um oceano de suor. Na barriga, pêlos pretos, grossos, de uma vida de trabalho. O homem, acto contínuo, pega num pedaço gigante de pão, encosta-o ao peito e corta-o, com uma faca sobre-dimensionada. Enquanto a faca corta, o pão vai sendo empurrado pela lâmina contra o peito do bicho. Feito o serviço, corta uma fatia de queijo Castelões da mesma forma. Junta e come.
Aparece a Cristina Ferreira em vestido azul (estou muito longe de ser fã da senhora, pelo contrário) e borrifa-se no "Comenda #7".
Para homem e mulher.
terça-feira, maio 31, 2016
A composição
Um casal que solicita os meus serviços profissionais ofereceu-me uma pequena banheira.
Uma banheira onde poderei lavar a criança que ai vem.
De onde veio, ou como veio, não sei. O casal é de confiança e ofereceu, de forma efusiva, aquela composição de plástico. Aceitei-a e, para quebrar protocolos, dei dois beijinhos na cara à senhora.
Entretanto, ouvi Lou Reed e, por alguma razão, fui projectado para uma visão de pobreza, miséria e dificuldades financeiras no geral.
A música era o "Perfect Day".
A visão era qualquer coisa como uma foto dos anos 80, em que estava vestido de ganga e tinha um infante ranhoso ao colo. Devia estar a regressar de uma feira.
A questão é que sempre associei as crianças a miséria financeira. Há algo de pobre nos casais que vejo com crianças pequenas.
Até quem eu sei que é abonado me parece um mendigo quando segura um pequeno ao colo.
(Nota pessoal: para não variar, o texto está escrito com a mestria de um repetente do quarto ano. É tentar dar um ar alucinado e parecer só estúpido.)
Uma banheira onde poderei lavar a criança que ai vem.
De onde veio, ou como veio, não sei. O casal é de confiança e ofereceu, de forma efusiva, aquela composição de plástico. Aceitei-a e, para quebrar protocolos, dei dois beijinhos na cara à senhora.
Entretanto, ouvi Lou Reed e, por alguma razão, fui projectado para uma visão de pobreza, miséria e dificuldades financeiras no geral.
A música era o "Perfect Day".
A visão era qualquer coisa como uma foto dos anos 80, em que estava vestido de ganga e tinha um infante ranhoso ao colo. Devia estar a regressar de uma feira.
A questão é que sempre associei as crianças a miséria financeira. Há algo de pobre nos casais que vejo com crianças pequenas.
Até quem eu sei que é abonado me parece um mendigo quando segura um pequeno ao colo.
(Nota pessoal: para não variar, o texto está escrito com a mestria de um repetente do quarto ano. É tentar dar um ar alucinado e parecer só estúpido.)
terça-feira, maio 17, 2016
Verde
Acabou a época futebolística regular, tendo o Sport Lisboa e Benfica acabado em primeiro lugar.
Para expiar os meus pecados, quero deixar aqui, sobretudo para minha memória futura, algumas considerações e conclusões.
a) O futebol jogado foi bom/excelente. Contudo, tal verdade serve, maioritariamente, para consumo interno. À sua imagem, Jesus não tem grande futebol lá fora, à exceção do jogo com o Lokomotiv.
b) O apoio dos adeptos foi excepcional (excluindo o meu, desconfiado por natureza).
Isto foram os pontos positivos.
c) Ganhámos uma Supertaça. Mais. Nada. Nadinha. Ponta. De. Corno.
d) O Presidente, o Director Desportivo e o Treinador deviam cortar a língua. Arrogantes, errados, mal-informados, burros (porque não?)
e) O Sporting foi factor de união do Benfica. Como li: ressuscitámos um morto.
Ora,
Continuamos no caminho. Todos os anos temos subido um bocado. Este ano, a qualidade exibicional foi altíssima. Claro, há que dar continuidade.
Agora, e é este o meu problema:
Ninguém, absolutamente ninguém, na estrutura do Sporting está a aprender com os erros.
Jesus não perde a postura arrogante. Devia. A glória é para quem vence. Para quem perde é só desprezível.
O Presidente NÃO. SE. CALA.
O Octávio não desaparece.
E eu estou farto.
Tive várias conversas com quem pensa de forma diferente da minha.
Para todos, relembro: mais um ano, mais nada.
Para expiar os meus pecados, quero deixar aqui, sobretudo para minha memória futura, algumas considerações e conclusões.
a) O futebol jogado foi bom/excelente. Contudo, tal verdade serve, maioritariamente, para consumo interno. À sua imagem, Jesus não tem grande futebol lá fora, à exceção do jogo com o Lokomotiv.
b) O apoio dos adeptos foi excepcional (excluindo o meu, desconfiado por natureza).
Isto foram os pontos positivos.
c) Ganhámos uma Supertaça. Mais. Nada. Nadinha. Ponta. De. Corno.
d) O Presidente, o Director Desportivo e o Treinador deviam cortar a língua. Arrogantes, errados, mal-informados, burros (porque não?)
e) O Sporting foi factor de união do Benfica. Como li: ressuscitámos um morto.
Ora,
Continuamos no caminho. Todos os anos temos subido um bocado. Este ano, a qualidade exibicional foi altíssima. Claro, há que dar continuidade.
Agora, e é este o meu problema:
Ninguém, absolutamente ninguém, na estrutura do Sporting está a aprender com os erros.
Jesus não perde a postura arrogante. Devia. A glória é para quem vence. Para quem perde é só desprezível.
O Presidente NÃO. SE. CALA.
O Octávio não desaparece.
E eu estou farto.
Tive várias conversas com quem pensa de forma diferente da minha.
Para todos, relembro: mais um ano, mais nada.
terça-feira, maio 10, 2016
Las cosas pequeñas
Por ocasião do lançamento do novo trabalho dos Radiohead, uma das minhas agremiações musicais preferidas, muitos "críticos" vieram dizer aquilo que, para mim, é a frase mais batida de sempre do panorama crítico-musical: "É o melhor disco desde o (inserir qualquer trabalho anterior, de preferência, preferido por hipsters)."
O pior nem é ser batido, é ser mesmo estúpido, pedante e desinformado. Não neste caso, mas em todos.
A produção musical de uma banda não é uma linha recta de coerência. Há oscilações no estilo, nos membros, nas influências, nas intenções, em tanta, mas tanta coisa.
Cada álbum de uma banda não serve de "benchmark". Marcou um tempo. Foi mais vendido? Foi menos? Gostei mais?
Nada mais irrelevante. Em cada ouvido está um gosto e, segundo aquilo que penso (que reconheço ser pouco e mau), crítica não é comparar o incomparável.
Descendo ao concreto: li que o "Moon shaped pool" é o melhor álbum desde o "Kid A".
Isto irritou-me ao ponto de ter vindo aqui escrever.
É falso. Se o crítico dissesse que prefere x a y, tudo bem. Agora, basear uma crónica numa afirmação que só espelha o gosto pessoal é só ser pequeno e preguiçoso.
A crítica não pode ser uma expressão de opinião. Tem de ser objectiva, conter alguma coisa de concreto que possa servir para pensar.
Dizer que se prefere uma laranja a uma maçã é não ter mais de 6 anos e dizer que gosta mais do pai.
Amiúde acontece o mesmo na crítica cinematográfica. Menos, mas acontece.
Isto só para dizer uma coisa: se assumirmos que a música é uma arte, não há arte melhor ou pior. Podemos gostar mais de uma que de outra, mas ser pago para escrever algo sobre ela exige mais.
Exemplo: sim, eu gosto de muito do trabalho da Joana Vasconcelos. Chamem-me urso à vontade. Vou dizer que o Candeeiro gigante é pior que o naperon?
Tanta coisa para isto? Pois. Já não usava o espaço há uns tempos.
O pior nem é ser batido, é ser mesmo estúpido, pedante e desinformado. Não neste caso, mas em todos.
A produção musical de uma banda não é uma linha recta de coerência. Há oscilações no estilo, nos membros, nas influências, nas intenções, em tanta, mas tanta coisa.
Cada álbum de uma banda não serve de "benchmark". Marcou um tempo. Foi mais vendido? Foi menos? Gostei mais?
Nada mais irrelevante. Em cada ouvido está um gosto e, segundo aquilo que penso (que reconheço ser pouco e mau), crítica não é comparar o incomparável.
Descendo ao concreto: li que o "Moon shaped pool" é o melhor álbum desde o "Kid A".
Isto irritou-me ao ponto de ter vindo aqui escrever.
É falso. Se o crítico dissesse que prefere x a y, tudo bem. Agora, basear uma crónica numa afirmação que só espelha o gosto pessoal é só ser pequeno e preguiçoso.
A crítica não pode ser uma expressão de opinião. Tem de ser objectiva, conter alguma coisa de concreto que possa servir para pensar.
Dizer que se prefere uma laranja a uma maçã é não ter mais de 6 anos e dizer que gosta mais do pai.
Amiúde acontece o mesmo na crítica cinematográfica. Menos, mas acontece.
Isto só para dizer uma coisa: se assumirmos que a música é uma arte, não há arte melhor ou pior. Podemos gostar mais de uma que de outra, mas ser pago para escrever algo sobre ela exige mais.
Exemplo: sim, eu gosto de muito do trabalho da Joana Vasconcelos. Chamem-me urso à vontade. Vou dizer que o Candeeiro gigante é pior que o naperon?
Tanta coisa para isto? Pois. Já não usava o espaço há uns tempos.
domingo, maio 01, 2016
sexta-feira, abril 01, 2016
Carta a um "eu" futuro
Meu caro,
Algures em Fevereiro/Março de 2016, passaste duas semanas em São João do Estoril. Nem tu sabias que existia tal localidade, tu que dividias a linha (excluindo Sintra) entre Cascais e Estoril. A melodia abaixo levar-te-á a esses tempos.
Na altura, mal chegavas, ias aviar um chávena de café, fumar o SG matinal e ouvir os OMD. Lembravas-te do teu escritório. Do teu. Do que estavas a deixar para trás. Souvenir doutro tempo.
Quinze dias. Dez úteis. Ao segundo, foste introduzido à temática das "pinças", artefacto útil para lidar com problemas delicados.
Foram-te ditos nomes, explicadas situações. Depois, noutra altura, foram-te ditos ainda mais nomes e explicadas ainda mais situações.
Serias como que invisível aos olhos da base. Com alguma, claro, havia relações a começar, mas na tua nuca estava sempre alguém. Alguém que ta torcia e te obrigava a coçá-la. Spider sense. Macacada. Qualquer coisa.
Certo dia, o telefone tocou. Duas vezes.
Foram duas semanas. Valorizado pela chefia como nunca ou até mesmo nunca mais.
Demorou duas horas a que pudesses sair. Foi tudo debatido.
Mas o telefone tinha tocado. Era a única coisa que tinhas dito a ti próprio: se tocasse, não mais quisesses obedecer se pudesses mandar.
Quando saíste, pairava no ar uma nuvem negra. Ou lua, para poderes pensar nos CCR.
Terão ficado a pensar que saíste porque a nuvem te impedia de respirar. Tão longe disso.
Hoje, a dita nuvem (imagem a que recorro pela terceira vez e que, por isso, peço as devidas desculpas) ficou menos negra.
Ao leres, hoje mesmo, as notícias que pululam em todos os sites da especialidade, lembras-te daquelas duas semanas.
Souvenir.
quarta-feira, março 16, 2016
Pequeno, ou pequeníssimo, ensaio sobre a saudade
A saudade é uma ressaca, ainda que uma forma muito específica de ressaca.
Como todas as ressacas, também a saudade tem fim.
quarta-feira, março 02, 2016
terça-feira, fevereiro 23, 2016
A vida e qualquer coisa de Steiner, cuja obra conheço mal
A ecoar, há coisa de uma semana, na minha pequena cabeça de aprendiz: We have no more beginnings.
We? I.
Para quem gostar, qualquer coisa, apenas relacionada, aqui.
We? I.
Para quem gostar, qualquer coisa, apenas relacionada, aqui.
sexta-feira, fevereiro 05, 2016
terça-feira, janeiro 19, 2016
Toada de GNR
Por GNR entenda-se Grupo Novo Rock, a banda na qual pontifica Rui Reininho.
Do seu trabalho "Mosquito", que conta com uns anos, há uma composição musical feliz: Bem-vindo ao passado.
Dispensando-me de analisar a letra, ela veio-me à cabeça por causa de um exercício que levei a cabo ainda agora: limpar a caixa de e-mails.
Quando a dita caixa conta com alguns anos de fundação, natural é ter milhares de e-mails completamente inúteis que merecem incineração. Foi o que fiz.
Ora, se há inutilidades, também há um regresso ao passado, passado tão longínquo que é quase novo.
Dos indícios de outros tempos de estudante, até outros conducentes a alturas mais recentes, a vida é, como em tantas outras coisas, uma soma positiva das comunicações que efectuamos com terceiros.
De e-mails de pessoal que já faleceu e de outros que passaram, vê-se tudo.
O que foi e o que podia ter sido.
O que foi escrito e não devia.
Até que... matte kudasai!
Vê-se um e-mail com piropos do trolha. Do pai que deve ser terrorista, porque a fulana é uma bomba. Ou pergunta-se à fulana se ela se alivia numa caixa de areia, porque é uma verdadeira gata.
Quando se tem uma certa idade, e só aí, percebe-se que nada é circular. Especialmente o tempo.
Do seu trabalho "Mosquito", que conta com uns anos, há uma composição musical feliz: Bem-vindo ao passado.
Dispensando-me de analisar a letra, ela veio-me à cabeça por causa de um exercício que levei a cabo ainda agora: limpar a caixa de e-mails.
Quando a dita caixa conta com alguns anos de fundação, natural é ter milhares de e-mails completamente inúteis que merecem incineração. Foi o que fiz.
Ora, se há inutilidades, também há um regresso ao passado, passado tão longínquo que é quase novo.
Dos indícios de outros tempos de estudante, até outros conducentes a alturas mais recentes, a vida é, como em tantas outras coisas, uma soma positiva das comunicações que efectuamos com terceiros.
De e-mails de pessoal que já faleceu e de outros que passaram, vê-se tudo.
O que foi e o que podia ter sido.
O que foi escrito e não devia.
Até que... matte kudasai!
Vê-se um e-mail com piropos do trolha. Do pai que deve ser terrorista, porque a fulana é uma bomba. Ou pergunta-se à fulana se ela se alivia numa caixa de areia, porque é uma verdadeira gata.
Quando se tem uma certa idade, e só aí, percebe-se que nada é circular. Especialmente o tempo.
terça-feira, janeiro 05, 2016
sexta-feira, dezembro 18, 2015
Num jantar de Natal
Todos te desejam as melhores felicidades.
Prescreveram as oportunidades recentes.
Entra um novo ano.
A verdade é uma.
Cerrar punhos.
quarta-feira, dezembro 16, 2015
Inapto.
De Novembro até este momento, várias etapas da minha vida foram, sucessivamente, acabando.
Ontem foi mais uma.
Este texto é para quem o escreve. Para que haja mentalização de algo que nunca se apreciou: não farei jamais o que quero. Farei o que me deixarem.
Havia duas profissões que gostava de ter exercido. A primeira deixou de ser hipótese bem cedo. A segunda faleceu ontem.
Sinto-me uma pessoa portadora de deficiência.
Ontem foi mais uma.
Este texto é para quem o escreve. Para que haja mentalização de algo que nunca se apreciou: não farei jamais o que quero. Farei o que me deixarem.
Havia duas profissões que gostava de ter exercido. A primeira deixou de ser hipótese bem cedo. A segunda faleceu ontem.
Sinto-me uma pessoa portadora de deficiência.
sexta-feira, dezembro 04, 2015
Tempo e Espaço
Pessoas há que gostavam de viajar no tempo.
Quando tinha 6 anos, ou 7, lembro-me bem de ter ficado uma série de dias a pensar se isso seria possível ou não e, caso fosse, como seria o choque de ver o atraso ou o progresso. Penso que foi a propósito de um filme em que os heróis viajam no tempo e voltam à altura de Jack, O Estripador, tentando saber qual a sua identidade.
De alguma maneira, perdi esse interesse. De há anos para cá, há uma frase de Ortega y Gasset que ecoa qual bomba a rebentar nos meus ouvidos: "O homem é o homem e a sua circunstância"
Uma viagem ao futuro não é turismo, como não o é uma viagem ao passado. Seria sempre uma viagem definitiva. Seria sempre revelador. Demasiado. Seria desvirtuar a "circunstância".
Mas, hellas, há excepções.
Quando tinha 6 anos, ou 7, lembro-me bem de ter ficado uma série de dias a pensar se isso seria possível ou não e, caso fosse, como seria o choque de ver o atraso ou o progresso. Penso que foi a propósito de um filme em que os heróis viajam no tempo e voltam à altura de Jack, O Estripador, tentando saber qual a sua identidade.
De alguma maneira, perdi esse interesse. De há anos para cá, há uma frase de Ortega y Gasset que ecoa qual bomba a rebentar nos meus ouvidos: "O homem é o homem e a sua circunstância"
Uma viagem ao futuro não é turismo, como não o é uma viagem ao passado. Seria sempre uma viagem definitiva. Seria sempre revelador. Demasiado. Seria desvirtuar a "circunstância".
Mas, hellas, há excepções.
Perto do Natal
Estava a fumar à porta do Tribunal do Barreiro.
Apareceu um senhor de poucas posses que me apertou a mão.
Seguidamente, disse-me que não tinha dinheiro e que estava sem comer há alguns dias.
Pediu-me que lhe pagasse uma refeição num café ali ao lado.
Dirigimo-nos ao café e eu perguntei se podia pagar com cartão MB. Tal hipótese foi-me vedada. Fui, então, levantar dinheiro a uma caixa ali perto.
Ele ficou no café.
Quando lá cheguei, estava ele a pedir meia dose de cozido, o prato do dia.
Apareceu um senhor de poucas posses que me apertou a mão.
Seguidamente, disse-me que não tinha dinheiro e que estava sem comer há alguns dias.
Pediu-me que lhe pagasse uma refeição num café ali ao lado.
Dirigimo-nos ao café e eu perguntei se podia pagar com cartão MB. Tal hipótese foi-me vedada. Fui, então, levantar dinheiro a uma caixa ali perto.
Ele ficou no café.
Quando lá cheguei, estava ele a pedir meia dose de cozido, o prato do dia.
sexta-feira, novembro 20, 2015
Ciclicamente
Como dizia, isto, esta, é cíclica.
Conheci-a algures em França, tocada a partir de um álbum chamado "Pano Cru", de Sérgio Godinho.
Fica para sempre, como o que é bom, mas também o que é mau. Paradoxo engraçado.
Hoje foi lançado o site que "publicita" (palavra maldita neste meio) os meus serviços.
Sou, agora, uma Call Girl digital.
sexta-feira, novembro 13, 2015
Dias
Dias é um nome a que associo caracóis. No verão (sobretudo no verão), é ir àquela rua ao pé da padaria e trazer aquele que é "o" petisco de final de tarde.
Por outro lado, dias são períodos de 24 horas que compõem um ano.
Contudo, há ainda quem associe dia ao período dessas 24 horas em que há luz. Depois de se extinguir essa luz, vem a noite.
Há pouco mais de uma semana, despedi-me do meu anterior emprego.
De lá para cá, fiz telefonemas, tive reuniões, tomei cafés e fui a almoços. Visitei sítios, fiz perguntas.
Hoje, assinei um contrato, estou numa boa sala (que ainda precisa dos seus ajustes, vá lá ver), consegui alguns clientes e não sinto a atroz presença de almas pouco pias.
Raios, nem tudo é ouro. E as perspectivas? Onde está a continuidade garantida do projecto? Onde estão os clientes que garantem o pagamento de contas? Pois é. Pois é.
Ontem revisitei um filme que, como diz Nuno Markl, "dispõe bem". Dispenso-me de referir o nome. Basta-me atentar ao personagem principal que, ao longo da história, citava umas quantas regras que, garantia, o mantinham vivo. A regra que mais dificuldade teria em respeitar era a n.º 32: Aprecia as pequenas coisas.
Ora, hoje, como disse, assinei contrato. Como só hoje o assinei, o Senhorio fez um desconto de quase metade da renda devida, quando nada o fazia prever. O escritório foi entregue devoluto, o que lhe dá uma nova cara. Há promessa de benfeitorias porreiras. Isto é apreciar as pequenas coisas.
Pode não parecer, mas acabo a semana com o brasileiro "alto astral". São dias. Dos luminosos.
(Caros leitores, bem sei que isto é um espaço de auto-comiseração e sofrimento puro. Esse registo voltará quando, daqui a tempos, não houver dinheiro, ehehe).
Por outro lado, dias são períodos de 24 horas que compõem um ano.
Contudo, há ainda quem associe dia ao período dessas 24 horas em que há luz. Depois de se extinguir essa luz, vem a noite.
Há pouco mais de uma semana, despedi-me do meu anterior emprego.
De lá para cá, fiz telefonemas, tive reuniões, tomei cafés e fui a almoços. Visitei sítios, fiz perguntas.
Hoje, assinei um contrato, estou numa boa sala (que ainda precisa dos seus ajustes, vá lá ver), consegui alguns clientes e não sinto a atroz presença de almas pouco pias.
Raios, nem tudo é ouro. E as perspectivas? Onde está a continuidade garantida do projecto? Onde estão os clientes que garantem o pagamento de contas? Pois é. Pois é.
Ontem revisitei um filme que, como diz Nuno Markl, "dispõe bem". Dispenso-me de referir o nome. Basta-me atentar ao personagem principal que, ao longo da história, citava umas quantas regras que, garantia, o mantinham vivo. A regra que mais dificuldade teria em respeitar era a n.º 32: Aprecia as pequenas coisas.
Ora, hoje, como disse, assinei contrato. Como só hoje o assinei, o Senhorio fez um desconto de quase metade da renda devida, quando nada o fazia prever. O escritório foi entregue devoluto, o que lhe dá uma nova cara. Há promessa de benfeitorias porreiras. Isto é apreciar as pequenas coisas.
Pode não parecer, mas acabo a semana com o brasileiro "alto astral". São dias. Dos luminosos.
(Caros leitores, bem sei que isto é um espaço de auto-comiseração e sofrimento puro. Esse registo voltará quando, daqui a tempos, não houver dinheiro, ehehe).
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