sexta-feira, dezembro 04, 2015

Tempo e Espaço

Pessoas há que gostavam de viajar no tempo.

Quando tinha 6 anos, ou 7, lembro-me bem de ter ficado uma série de dias a pensar se isso seria possível ou não e, caso fosse, como seria o choque de ver o atraso ou o progresso. Penso que foi a propósito de um filme em que os heróis viajam no tempo e voltam à altura de Jack, O Estripador, tentando saber qual a sua identidade.

De alguma maneira, perdi esse interesse. De há anos para cá, há uma frase de Ortega y Gasset que ecoa qual bomba a rebentar nos meus ouvidos: "O homem é o homem e a sua circunstância"

Uma viagem ao futuro não é turismo, como não o é uma viagem ao passado. Seria sempre uma viagem definitiva. Seria sempre revelador. Demasiado. Seria desvirtuar a "circunstância".

Mas, hellas, há excepções.



Perto do Natal

Estava a fumar à porta do Tribunal do Barreiro.

Apareceu um senhor de poucas posses que me apertou a mão.

Seguidamente, disse-me que não tinha dinheiro e que estava sem comer há alguns dias.

Pediu-me que lhe pagasse uma refeição num café ali ao lado.

Dirigimo-nos ao café e eu perguntei se podia pagar com cartão MB. Tal hipótese foi-me vedada. Fui, então, levantar dinheiro a uma caixa ali perto.

Ele ficou no café.

Quando lá cheguei, estava ele a pedir meia dose de cozido, o prato do dia.


sexta-feira, novembro 20, 2015

Ciclicamente



Como dizia, isto, esta, é cíclica.

Conheci-a algures em França, tocada a partir de um álbum chamado "Pano Cru", de Sérgio Godinho.

Fica para sempre, como o que é bom, mas também o que é mau. Paradoxo engraçado.

 Hoje foi lançado o site que "publicita" (palavra maldita neste meio) os meus serviços.

Sou, agora, uma Call Girl digital.

sexta-feira, novembro 13, 2015

Dias

Dias é um nome a que associo caracóis. No verão (sobretudo no verão), é ir àquela rua ao pé da padaria e trazer aquele que é "o" petisco de final de tarde.

Por outro lado, dias são períodos de 24 horas que compõem um ano.

Contudo, há ainda quem associe dia ao período dessas 24 horas em que há luz. Depois de se extinguir essa luz, vem a noite.

Há pouco mais de uma semana, despedi-me do meu anterior emprego.

De lá para cá, fiz telefonemas, tive reuniões, tomei cafés e fui a almoços. Visitei sítios, fiz perguntas.

Hoje, assinei um contrato, estou numa boa sala (que ainda precisa dos seus ajustes, vá lá ver), consegui alguns clientes e não sinto a atroz presença de almas pouco pias.

Raios, nem tudo é ouro. E as perspectivas? Onde está a continuidade garantida do projecto? Onde estão os clientes que garantem o pagamento de contas? Pois é. Pois é.

Ontem revisitei um filme que, como diz Nuno Markl, "dispõe bem". Dispenso-me de referir o nome. Basta-me atentar ao personagem principal que, ao longo da história, citava umas quantas regras que, garantia, o mantinham vivo. A regra que mais dificuldade teria em respeitar era a n.º 32: Aprecia as pequenas coisas.

Ora, hoje, como disse, assinei contrato. Como só hoje o assinei, o Senhorio fez um desconto de quase metade da renda devida, quando nada o fazia prever. O escritório foi entregue devoluto, o que lhe dá uma nova cara. Há promessa de benfeitorias porreiras. Isto é apreciar as pequenas coisas.

Pode não parecer, mas acabo a semana com o brasileiro "alto astral". São dias. Dos luminosos.

(Caros leitores, bem sei que isto é um espaço de auto-comiseração e sofrimento puro. Esse registo voltará quando, daqui a tempos, não houver dinheiro, ehehe).

quarta-feira, novembro 11, 2015

Causa natural das coisas

A bem da verdade, cumpre concluir que se uma canção o diz, fico desonerado de o escrever. Remo. Sigo remando. https://youtu.be/L3VptpW39YE

quinta-feira, novembro 05, 2015

Ontem.

Ontem tinha um emprego.

Quer isto dizer que tive um emprego.

Continuo a ter trabalho.


Ontem, demiti-me.

Vieram-me à cabeça as palavras de Ronaldo, apelidado de fenómeno: "Perdi para o meu corpo".

Eu também perdi. Para a dignidade. Ela levou-me a melhor.

A minha vida, muito mais alegre, agora continua. Transformei a vida em mulher da rua, na mais nova dama do tom de cristal.

segunda-feira, novembro 02, 2015

Somatório de ideias ridículas

Apetece-me continuar na senda Miguel Martins.

Sou de esquerda. Conheço muitas pessoas de esquerda. Conheço algumas pessoas de direita. As pessoas de direita tendem a deixar de apreciar a minha companhia.

Apesar de perder o respeito das pessoas de direita, creio que está na esquerda a maior crise de socialização. Há, na esquerda, uma ideia bélica do debate que tende a querer o desaparecimento do oponente.

A pensar nisso, tive outra ideia de programa para a TV. O nome é "Dá uma chance". A música de entrada seria "One more chance", de Julio Iglesias Jr., que existiu.

Seria um programa semanal a ser emitido às 5 horas da manhã, com a duração de uma hora. O formato seria um crossover entre entrevistas sérias e um espírito "Só Visto", com descontracção.

Objecto: reabilitar figuras pouco gratas à esquerda portuguesa, que se dispusessem a ser entrevistadas em tom "intimista" numa toada de perdão. Ou seja, por serem escroques aos olhos de muitos, tentariam a reabilitação, mostrando que "também são gente".

Para o primeiro programa, Camilo Lourenço.

Todas as entrevistas, dirigidas por Daniel Oliveira (o do B.E), deviam começar com a seguinte pergunta: "Porquê".

Caberia ao convidado dar a entender que, caso um dia a sua agenda oculta de tomar o poder via media viesse a concretizar-se, seria um amigo de todos.

Camilo poderia alegar que até tinha amigos comunistas e já acompanhou com malta da ala esquerda do P.S. Que tanto apertava a mão ao Passos como o pescoço a Costa.

Ao fundo, imagens dele a brincar com um cão de pelo bonito. A almoçar com os filhos, estando estes positivamente sujos de andarem a rebolar numa qualquer lama.

Para o segundo programa, Gomes Ferreira, o joker da macro economia.


Euromilhões

Entre determinado emprego e o euromilhões, prefiro mil vezes o emprego.

Não é o dinheiro ( e se eu gosto dele), é o que fazemos com ele. E, especialmente, é o que fazemos para o ter.

Gostava que, como dizem os Brasileiros, "desse tudo certo".

Mas, como quase toda a gente, não terei nascido para fazer o que me faz feliz.

Ninguém nasceu para ser cantoneiro ou operador cemiterial. Mas essas profissões são exercidas.

terça-feira, outubro 27, 2015

Um pequeno Mário Machado (Não quis usar o mais recente termo inventado: Pedro Guerra da Cordoaria)

E como mil vezes nunca são demais, é altura de visitar o meu quotidiano laboral.

No episódio de hoje, uma questão de princípio, ou como os DAMA podiam ter escolhido outro título para o álbum.

Estava eu na minha vidinha a pensar em formas de atropelamento de seres unicelulares, quando me é ordenado que faça uma série de comunicações, uma delas dirigida a um cliente espanhol. Importa referir que já tinham tido lugar outras comunicações, um tanto ou quanto semelhantes. Em comum, uma coisa: todas escritas em Castelhano.

Pois bem.

Escrevo a missiva no melhor Portunhol de Almada, consulto uns dicionários on-line e a comunicação está pronta a seguir.

Entrego à entidade profana que me encarregou com a tarefa o labor e continuo a pensar em crimes perfeitos.

No dia seguinte, uma mensagem:

"Que merda é esta escrita em espanhol? Por acaso o gajo alguma vez se dignou a escrever em Português?"

E era isto. Aconteceram episódios conexos com a situação, mas são demasiado ridículos.

Há sociedades de advogados.

Há escritórios com advogados lá dentro.


E depois há isto.

Miguel Martins

Tenho saudades de um programa que era emitido na Sic Radical: Vai tudo Abaixo. Há rubricas memoráveis: Ruce e Reco, Black Skin e uma imitação de Brasileiro nacionalista cujo nome não me recordo.

Há bocado, lembrei-me de outro: Miguel Martins, o tal que tinha ideias para o país.

Vindo de um almoço bastante feliz numa conhecida adega lisboeta, a que junto o facto de estar constantemente a ser bombardeado com concursos televisivos, sejam em formato "760" ou "Alta Pressão", tive um delírio lúcido.

Seria espectador de um concurso de brindes.

As regras seriam simples:

a) 6 concorrentes. 5 fases.

b) A cada fase, ao concorrente seria dado um tema ao qual ele teria de brindar. Por exemplo: aniversário do Bóbi num jantar de família para 8 pessoas.

c) O brinde não poderia exceder os 5 minutos e seria "julgado" por um painel constituído por Jorge Palma, Jorge Sampaio e Marinho Pinto.

d) O pior brinde significaria a desqualificação do proponente.

e) O concurso seguiria até existirem só dois contendores e, nessa fase, o brinde poderia chegar aos 7 minutos.

Um aspecto que não poderia ser descurado era a categoria da bebida com a qual se brindava. A primeira ronda deveria ser protagonizada por um vinho maduro alentejano tinto. A segunda seria com cerveja importada. A terceira e quarta com o melhor espumante Português ou um Moet e a última com um champagne estilo Bolinger.


A apresentação deveria estar a cargo daquele fulano que indica aos ministros onde é que eles devem assinar nos actos de tomada de posse.

Só seriam admitidos a concurso licenciados nas áreas das humanidades que tivessem concluído o curso com participação em, pelo menos, 10 jantares de turma e 5 aparições em festas de tunas.

O prémio seria a abertura de uma conta bancária a prazo, com um depósito de € 5.000,00 no Novo Banco.

Subitamente, acordei.

Mal me recordando do sonho.

segunda-feira, outubro 26, 2015

Um post típico desta tasca

O Sábado e o Domingo que antecederam esta Segunda Feira foram excelentes. Sábado recebi e convivi com grandes amigos; no Domingo estive com a família de ambos os lados e o Sporting ganhou categoricamente.

Dito isto, vim trabalhar.

Que é que posso fazer para que este exercício supra descrito custe menos?

Vou explicar.

Não são as funções. Não é o espaço físico (embora esteja nojento com a falta de limpeza).

São as mesmas caras, de quem não gosto. São as mesmas conversas, das quais não gosto, é o mesmo chefe, do qual não gosto.

Já me cansa escrever isto. Já me cansa sentir isto.

A única dúvida que me assalta é: não ganhar dinheiro algum dá uma sensação melhor ou pior? Fico aliviado porque, finalmente, terei mandado o Pedro Guerra da MS para o orvalho que o parta, ou arrependido porque ter dinheiro é mesmo a única coisa?

Até agora tenho preferido o dinheiro.


sexta-feira, outubro 23, 2015

Mediocridade

O conceito de média é das poucas coisas bonitas que a matemática me trouxe.

Com ela, pude saber qual era o meu lugar na sociedade. É baixo. Rastejante. Tenho de viver com isso.

O que me complica a felicidade quotidiana é saber que, como eu, há tantos seres desprovidos de utilidade que, não obstante, se têm em grande conta.

Já fui mais bruto do que actualmente.

Hoje, só sou a favor de severos castigos corporais exercidos nessa gente.

quinta-feira, outubro 22, 2015

Uma outra versão do anti-cristo.

Diz-nos a wikipedia que: Anticristo (do grego αντιχριστός i.e. "opositor a Cristo") é uma denominação comum no Novo Testamento para designar aqueles que se oponham a Jesus Cristo, e também designa um personagem escatológico, que segundo a tradição cristã dominará o mundo.

Não sendo, nem querendo ser, particularmente teólogo, Jesus Cristo é amor. Amor é bem. O bem não é o mal. Açougue é talho.

Enquanto deslizava pelo mural do FB, descobri que, assim como Deus, o Diabo pode estar dividido. Não há um "Pai, Filho e Ricardo Salgado", mas pode haver parecido.

Medina Carreira;
Camilo Lourenço;
Marcelo Rebelo de Sousa;
Marques Mendes;
José Gomes Ferreira.

Cinco nomes para uma estrela de cinco pontas invertida. Todos eles são bestas e pouco faltará para terem os cascos de uma.

Tentei, ainda, pesquisar por uma figura que os incorporasse.

Está aqui.

quarta-feira, outubro 21, 2015

Proposta do dia

Atentai ao seguinte poema:

Eu já estive aqui anteriormente
Mas bati sempre no fundo
Passei uma vida inteira a correr
E sempre fugi
Mas contigo sinto qualquer coisa
Que me faz querer ficar

Estou preparado para isto
Nunca atiro para falhar
Mas sinto que vem uma tempestade a caminho
Se eu vou conseguir aguentar mais um dia
Já não faz sentido correr
Isto é algo que tenho de enfrentar

Se eu tudo arriscar
Podes comigo ficar?

Como é que vivo? Como é que respiro?
Sem te ter por perto sufoco
Quero sentir o amor a correr no meu sangue
Diz se é agora que tudo vou largar?
Por ti arrisco tudo,
É o que está escrito na parede.



Este poema é musica. Por quem?

Hipóteses:

a) António Antunes (a.k.a Tony Carreira)

b) João Pedro Pais

c) Clemente

d) Samuel Frederico

Resposta aqui.

terça-feira, outubro 13, 2015

Du Vin

Conheço poucas pessoas que não gostem de vinho.

Ponto prévio: não sou daquelas pessoas que categoriza as outras por aquilo que comem (e bebem) ou não. Por exemplo, jamais ficaria menos impressionado com alguém se soubesse que esse alguém não gostava de trufas. O mesmo sucede para o vinho.

O vinho é das poucas bebidas que pode ser consumida à refeição e como bebida social. Dir-me-ão que todas têm a mesma benção. Digo que não. Jamais algum manjar ficará bem acompanhado com Blue Coraçao ou Baileys.

É uma bebida democrática. É bebida pelo bêbedo. É bebida pelo nobre. É transversal. Ainda que nunca nos passe pela goela um Barca Velha de 2004 (e a mim nunca passou), soubemos que existe vinho bom a menos de 5 euros.

Venho, por esta via, lamentar a falta de vinho nas reuniões que António Costa tem mantido. Não é que não perceba. Os jornalistas iam achar horrendo o bafo expelido depois de um encontro com Passos e Portas. Iam imputar-lhe adjectivos desonrosos. Chamar-lhe coisas feias. Jurar que não era o líder que o país precisava.

Entendo, mas lamento.

A minha experiência ensinou-me que os melhores negócios se fazem à mesa. Em mesas onde não se bebe água. Não deviam ter existido reuniões. Deviam ter sido marcados jantares ou almoços. Penso que todos ganhariam. Desde logo, o sector privado da restauração, que bem carecido está. Ganhavam os jornalistas. É que para além do que diriam no caso de existir uma simples reunião, teriam mais assunto: a conta, quem a pagou, o que se bebeu, o que se comeu, quem comeu o quê. Poderia dar-se o caso de existir uma reportagem na Tabu com o cozinheiro que preparou a cabeça de peixe que Passos tinha deglutido. Até mesmo uma crónica no Correio da Manhã com uma tabela de correspondências entre o que Costa comeu e Sócrates havia comido, naquele mesmo restaurante, há 5 anos, com prejuízo para o primeiro, uma vez que Sócrates comeu as ostras de entrada, mandou vir o Heston Blumenthal para fazer o prato e encerrou com uma edição limitada de uma mousse de chocolate confeccionada apud receita inventada por um mestre chocolateiro morto em Jacarta.

Mas, melhor que tudo, as televisões poderiam contratar "entendidos" que pudessem ligar o vinho tomado com o perfil do tomador. "Portas pediu José de Sousa 2011, o que revela que gosta de homens mais velhos". "Catarina Martins optou por um Mateus Rosé, o que claramente a desqualifica para qualquer cargo governativo". "Jerónimo de Sousa bebeu palheto, o que mostra a tradição a que o PC é fiel". Por aí fora.

Este post é, como disse, um lamento. O melhor de Portugal é a hotelaria, o turismo. A jóia da coroa é a gastronomia. Sem respeito pelos Portugueses, os actores políticos deram um sinal terrível ao país.

Não faço planos de perdoar.

segunda-feira, outubro 05, 2015

Bíblia

A páginas tantas, António Costa empunhava aquela pastinha e quase a venerava, como se de um vendedor de bíblias se tratasse. Não sei quem lhe disse que aquilo iria resultar.

Quem me conhece, sabe que não morro de amores por António Costa. Nunca o vi como suficientemente capaz de estar à altura do que ambicionava, isto é, comandar os destinos deste país. Sei, contudo, duas coisas: que o político António Costa tinha algumas provas dadas e que o candidato António Costa foi pouco melhor que fraquíssimo.

Até que se chegou ao dia das eleições e, às 20 horas, numa casa repleta de "adeptos do mesmo clube", assisti a uma calamitosa derrota.

No princípio foi o verbo e no fim foi Porto Editora.

terça-feira, setembro 22, 2015

Banda Sonora para as Eleições

Hoje, mais um fado. Este remota à I República (assim me disseram), contudo, vou aproveitá-lo para enquadrar duas temáticas ou, por outra, dois traços que marcam uma campanha eleitoral em Portugal: as arruadas e as famílias que deixam de se falar porque "a prima Laura é uma comuna de merda" e o "Zé é um facho do caralho".

Desata tudo ao biscoito.




Coisas que parecem promissoras quando escutado o seu nome, mas que, na verdade, não são - Continuação I

Dobrada

Pork. Pig

Ontem escrevia-se que, a certa altura, Cameron, British P.M, enfiou o seu pénis na boca de um porco morto. Chama-se ao caso Pig Gate.

Hoje, li que o Pedro Boucherie Mendes não acha assim tão importante ter opinião sobre tudo e que, por vezes, até finge ter opinião sobre determinado tópico, finalizando com o exemplo do caso dos Mirós.

Há bocado, li um bocado do Beccaria, na parte em que dizia que o juiz deve construir um silogismo perfeito para decidir e apresentar a sua decisão.

Agora, temo bem que o mundo esteja sobrecarregado de coisas que não interessam ao menino Jesus.

Coisas que parecem promissoras quando escutado o seu nome, mas que, na verdade, não são - Introdução

Cassata