E como mil vezes nunca são demais, é altura de visitar o meu quotidiano laboral.
No episódio de hoje, uma questão de princípio, ou como os DAMA podiam ter escolhido outro título para o álbum.
Estava eu na minha vidinha a pensar em formas de atropelamento de seres unicelulares, quando me é ordenado que faça uma série de comunicações, uma delas dirigida a um cliente espanhol. Importa referir que já tinham tido lugar outras comunicações, um tanto ou quanto semelhantes. Em comum, uma coisa: todas escritas em Castelhano.
Pois bem.
Escrevo a missiva no melhor Portunhol de Almada, consulto uns dicionários on-line e a comunicação está pronta a seguir.
Entrego à entidade profana que me encarregou com a tarefa o labor e continuo a pensar em crimes perfeitos.
No dia seguinte, uma mensagem:
"Que merda é esta escrita em espanhol? Por acaso o gajo alguma vez se dignou a escrever em Português?"
E era isto. Aconteceram episódios conexos com a situação, mas são demasiado ridículos.
Há sociedades de advogados.
Há escritórios com advogados lá dentro.
E depois há isto.
terça-feira, outubro 27, 2015
Miguel Martins
Tenho saudades de um programa que era emitido na Sic Radical: Vai tudo Abaixo. Há rubricas memoráveis: Ruce e Reco, Black Skin e uma imitação de Brasileiro nacionalista cujo nome não me recordo.
Há bocado, lembrei-me de outro: Miguel Martins, o tal que tinha ideias para o país.
Vindo de um almoço bastante feliz numa conhecida adega lisboeta, a que junto o facto de estar constantemente a ser bombardeado com concursos televisivos, sejam em formato "760" ou "Alta Pressão", tive um delírio lúcido.
Seria espectador de um concurso de brindes.
As regras seriam simples:
a) 6 concorrentes. 5 fases.
b) A cada fase, ao concorrente seria dado um tema ao qual ele teria de brindar. Por exemplo: aniversário do Bóbi num jantar de família para 8 pessoas.
c) O brinde não poderia exceder os 5 minutos e seria "julgado" por um painel constituído por Jorge Palma, Jorge Sampaio e Marinho Pinto.
d) O pior brinde significaria a desqualificação do proponente.
e) O concurso seguiria até existirem só dois contendores e, nessa fase, o brinde poderia chegar aos 7 minutos.
Um aspecto que não poderia ser descurado era a categoria da bebida com a qual se brindava. A primeira ronda deveria ser protagonizada por um vinho maduro alentejano tinto. A segunda seria com cerveja importada. A terceira e quarta com o melhor espumante Português ou um Moet e a última com um champagne estilo Bolinger.
A apresentação deveria estar a cargo daquele fulano que indica aos ministros onde é que eles devem assinar nos actos de tomada de posse.
Só seriam admitidos a concurso licenciados nas áreas das humanidades que tivessem concluído o curso com participação em, pelo menos, 10 jantares de turma e 5 aparições em festas de tunas.
O prémio seria a abertura de uma conta bancária a prazo, com um depósito de € 5.000,00 no Novo Banco.
Subitamente, acordei.
Mal me recordando do sonho.
Há bocado, lembrei-me de outro: Miguel Martins, o tal que tinha ideias para o país.
Vindo de um almoço bastante feliz numa conhecida adega lisboeta, a que junto o facto de estar constantemente a ser bombardeado com concursos televisivos, sejam em formato "760" ou "Alta Pressão", tive um delírio lúcido.
Seria espectador de um concurso de brindes.
As regras seriam simples:
a) 6 concorrentes. 5 fases.
b) A cada fase, ao concorrente seria dado um tema ao qual ele teria de brindar. Por exemplo: aniversário do Bóbi num jantar de família para 8 pessoas.
c) O brinde não poderia exceder os 5 minutos e seria "julgado" por um painel constituído por Jorge Palma, Jorge Sampaio e Marinho Pinto.
d) O pior brinde significaria a desqualificação do proponente.
e) O concurso seguiria até existirem só dois contendores e, nessa fase, o brinde poderia chegar aos 7 minutos.
Um aspecto que não poderia ser descurado era a categoria da bebida com a qual se brindava. A primeira ronda deveria ser protagonizada por um vinho maduro alentejano tinto. A segunda seria com cerveja importada. A terceira e quarta com o melhor espumante Português ou um Moet e a última com um champagne estilo Bolinger.
A apresentação deveria estar a cargo daquele fulano que indica aos ministros onde é que eles devem assinar nos actos de tomada de posse.
Só seriam admitidos a concurso licenciados nas áreas das humanidades que tivessem concluído o curso com participação em, pelo menos, 10 jantares de turma e 5 aparições em festas de tunas.
O prémio seria a abertura de uma conta bancária a prazo, com um depósito de € 5.000,00 no Novo Banco.
Subitamente, acordei.
Mal me recordando do sonho.
segunda-feira, outubro 26, 2015
Um post típico desta tasca
O Sábado e o Domingo que antecederam esta Segunda Feira foram excelentes. Sábado recebi e convivi com grandes amigos; no Domingo estive com a família de ambos os lados e o Sporting ganhou categoricamente.
Dito isto, vim trabalhar.
Que é que posso fazer para que este exercício supra descrito custe menos?
Vou explicar.
Não são as funções. Não é o espaço físico (embora esteja nojento com a falta de limpeza).
São as mesmas caras, de quem não gosto. São as mesmas conversas, das quais não gosto, é o mesmo chefe, do qual não gosto.
Já me cansa escrever isto. Já me cansa sentir isto.
A única dúvida que me assalta é: não ganhar dinheiro algum dá uma sensação melhor ou pior? Fico aliviado porque, finalmente, terei mandado o Pedro Guerra da MS para o orvalho que o parta, ou arrependido porque ter dinheiro é mesmo a única coisa?
Até agora tenho preferido o dinheiro.
Dito isto, vim trabalhar.
Que é que posso fazer para que este exercício supra descrito custe menos?
Vou explicar.
Não são as funções. Não é o espaço físico (embora esteja nojento com a falta de limpeza).
São as mesmas caras, de quem não gosto. São as mesmas conversas, das quais não gosto, é o mesmo chefe, do qual não gosto.
Já me cansa escrever isto. Já me cansa sentir isto.
A única dúvida que me assalta é: não ganhar dinheiro algum dá uma sensação melhor ou pior? Fico aliviado porque, finalmente, terei mandado o Pedro Guerra da MS para o orvalho que o parta, ou arrependido porque ter dinheiro é mesmo a única coisa?
Até agora tenho preferido o dinheiro.
sexta-feira, outubro 23, 2015
Mediocridade
O conceito de média é das poucas coisas bonitas que a matemática me trouxe.
Com ela, pude saber qual era o meu lugar na sociedade. É baixo. Rastejante. Tenho de viver com isso.
O que me complica a felicidade quotidiana é saber que, como eu, há tantos seres desprovidos de utilidade que, não obstante, se têm em grande conta.
Já fui mais bruto do que actualmente.
Hoje, só sou a favor de severos castigos corporais exercidos nessa gente.
Com ela, pude saber qual era o meu lugar na sociedade. É baixo. Rastejante. Tenho de viver com isso.
O que me complica a felicidade quotidiana é saber que, como eu, há tantos seres desprovidos de utilidade que, não obstante, se têm em grande conta.
Já fui mais bruto do que actualmente.
Hoje, só sou a favor de severos castigos corporais exercidos nessa gente.
quinta-feira, outubro 22, 2015
Uma outra versão do anti-cristo.
Diz-nos a wikipedia que: Anticristo (do grego αντιχριστός i.e. "opositor a Cristo") é uma denominação comum no Novo Testamento para designar aqueles que se oponham a Jesus Cristo, e também designa um personagem escatológico, que segundo a tradição cristã dominará o mundo.
Não sendo, nem querendo ser, particularmente teólogo, Jesus Cristo é amor. Amor é bem. O bem não é o mal. Açougue é talho.
Enquanto deslizava pelo mural do FB, descobri que, assim como Deus, o Diabo pode estar dividido. Não há um "Pai, Filho e Ricardo Salgado", mas pode haver parecido.
Medina Carreira;
Camilo Lourenço;
Marcelo Rebelo de Sousa;
Marques Mendes;
José Gomes Ferreira.
Cinco nomes para uma estrela de cinco pontas invertida. Todos eles são bestas e pouco faltará para terem os cascos de uma.
Tentei, ainda, pesquisar por uma figura que os incorporasse.
Está aqui.
Não sendo, nem querendo ser, particularmente teólogo, Jesus Cristo é amor. Amor é bem. O bem não é o mal. Açougue é talho.
Enquanto deslizava pelo mural do FB, descobri que, assim como Deus, o Diabo pode estar dividido. Não há um "Pai, Filho e Ricardo Salgado", mas pode haver parecido.
Medina Carreira;
Camilo Lourenço;
Marcelo Rebelo de Sousa;
Marques Mendes;
José Gomes Ferreira.
Cinco nomes para uma estrela de cinco pontas invertida. Todos eles são bestas e pouco faltará para terem os cascos de uma.
Tentei, ainda, pesquisar por uma figura que os incorporasse.
Está aqui.
quarta-feira, outubro 21, 2015
Proposta do dia
Atentai ao seguinte poema:
Eu já estive aqui anteriormente
Mas bati sempre no fundo
Passei uma vida inteira a correr
E sempre fugi
Mas contigo sinto qualquer coisa
Que me faz querer ficar
Estou preparado para isto
Nunca atiro para falhar
Mas sinto que vem uma tempestade a caminho
Se eu vou conseguir aguentar mais um dia
Já não faz sentido correr
Isto é algo que tenho de enfrentar
Se eu tudo arriscar
Podes comigo ficar?
Como é que vivo? Como é que respiro?
Sem te ter por perto sufoco
Quero sentir o amor a correr no meu sangue
Diz se é agora que tudo vou largar?
Por ti arrisco tudo,
É o que está escrito na parede.
Este poema é musica. Por quem?
Hipóteses:
a) António Antunes (a.k.a Tony Carreira)
b) João Pedro Pais
c) Clemente
d) Samuel Frederico
Resposta aqui.
Eu já estive aqui anteriormente
Mas bati sempre no fundo
Passei uma vida inteira a correr
E sempre fugi
Mas contigo sinto qualquer coisa
Que me faz querer ficar
Estou preparado para isto
Nunca atiro para falhar
Mas sinto que vem uma tempestade a caminho
Se eu vou conseguir aguentar mais um dia
Já não faz sentido correr
Isto é algo que tenho de enfrentar
Se eu tudo arriscar
Podes comigo ficar?
Como é que vivo? Como é que respiro?
Sem te ter por perto sufoco
Quero sentir o amor a correr no meu sangue
Diz se é agora que tudo vou largar?
Por ti arrisco tudo,
É o que está escrito na parede.
Este poema é musica. Por quem?
Hipóteses:
a) António Antunes (a.k.a Tony Carreira)
b) João Pedro Pais
c) Clemente
d) Samuel Frederico
Resposta aqui.
terça-feira, outubro 13, 2015
Du Vin
Conheço poucas pessoas que não gostem de vinho.
Ponto prévio: não sou daquelas pessoas que categoriza as outras por aquilo que comem (e bebem) ou não. Por exemplo, jamais ficaria menos impressionado com alguém se soubesse que esse alguém não gostava de trufas. O mesmo sucede para o vinho.
O vinho é das poucas bebidas que pode ser consumida à refeição e como bebida social. Dir-me-ão que todas têm a mesma benção. Digo que não. Jamais algum manjar ficará bem acompanhado com Blue Coraçao ou Baileys.
É uma bebida democrática. É bebida pelo bêbedo. É bebida pelo nobre. É transversal. Ainda que nunca nos passe pela goela um Barca Velha de 2004 (e a mim nunca passou), soubemos que existe vinho bom a menos de 5 euros.
Venho, por esta via, lamentar a falta de vinho nas reuniões que António Costa tem mantido. Não é que não perceba. Os jornalistas iam achar horrendo o bafo expelido depois de um encontro com Passos e Portas. Iam imputar-lhe adjectivos desonrosos. Chamar-lhe coisas feias. Jurar que não era o líder que o país precisava.
Entendo, mas lamento.
A minha experiência ensinou-me que os melhores negócios se fazem à mesa. Em mesas onde não se bebe água. Não deviam ter existido reuniões. Deviam ter sido marcados jantares ou almoços. Penso que todos ganhariam. Desde logo, o sector privado da restauração, que bem carecido está. Ganhavam os jornalistas. É que para além do que diriam no caso de existir uma simples reunião, teriam mais assunto: a conta, quem a pagou, o que se bebeu, o que se comeu, quem comeu o quê. Poderia dar-se o caso de existir uma reportagem na Tabu com o cozinheiro que preparou a cabeça de peixe que Passos tinha deglutido. Até mesmo uma crónica no Correio da Manhã com uma tabela de correspondências entre o que Costa comeu e Sócrates havia comido, naquele mesmo restaurante, há 5 anos, com prejuízo para o primeiro, uma vez que Sócrates comeu as ostras de entrada, mandou vir o Heston Blumenthal para fazer o prato e encerrou com uma edição limitada de uma mousse de chocolate confeccionada apud receita inventada por um mestre chocolateiro morto em Jacarta.
Mas, melhor que tudo, as televisões poderiam contratar "entendidos" que pudessem ligar o vinho tomado com o perfil do tomador. "Portas pediu José de Sousa 2011, o que revela que gosta de homens mais velhos". "Catarina Martins optou por um Mateus Rosé, o que claramente a desqualifica para qualquer cargo governativo". "Jerónimo de Sousa bebeu palheto, o que mostra a tradição a que o PC é fiel". Por aí fora.
Este post é, como disse, um lamento. O melhor de Portugal é a hotelaria, o turismo. A jóia da coroa é a gastronomia. Sem respeito pelos Portugueses, os actores políticos deram um sinal terrível ao país.
Não faço planos de perdoar.
Ponto prévio: não sou daquelas pessoas que categoriza as outras por aquilo que comem (e bebem) ou não. Por exemplo, jamais ficaria menos impressionado com alguém se soubesse que esse alguém não gostava de trufas. O mesmo sucede para o vinho.
O vinho é das poucas bebidas que pode ser consumida à refeição e como bebida social. Dir-me-ão que todas têm a mesma benção. Digo que não. Jamais algum manjar ficará bem acompanhado com Blue Coraçao ou Baileys.
É uma bebida democrática. É bebida pelo bêbedo. É bebida pelo nobre. É transversal. Ainda que nunca nos passe pela goela um Barca Velha de 2004 (e a mim nunca passou), soubemos que existe vinho bom a menos de 5 euros.
Venho, por esta via, lamentar a falta de vinho nas reuniões que António Costa tem mantido. Não é que não perceba. Os jornalistas iam achar horrendo o bafo expelido depois de um encontro com Passos e Portas. Iam imputar-lhe adjectivos desonrosos. Chamar-lhe coisas feias. Jurar que não era o líder que o país precisava.
Entendo, mas lamento.
A minha experiência ensinou-me que os melhores negócios se fazem à mesa. Em mesas onde não se bebe água. Não deviam ter existido reuniões. Deviam ter sido marcados jantares ou almoços. Penso que todos ganhariam. Desde logo, o sector privado da restauração, que bem carecido está. Ganhavam os jornalistas. É que para além do que diriam no caso de existir uma simples reunião, teriam mais assunto: a conta, quem a pagou, o que se bebeu, o que se comeu, quem comeu o quê. Poderia dar-se o caso de existir uma reportagem na Tabu com o cozinheiro que preparou a cabeça de peixe que Passos tinha deglutido. Até mesmo uma crónica no Correio da Manhã com uma tabela de correspondências entre o que Costa comeu e Sócrates havia comido, naquele mesmo restaurante, há 5 anos, com prejuízo para o primeiro, uma vez que Sócrates comeu as ostras de entrada, mandou vir o Heston Blumenthal para fazer o prato e encerrou com uma edição limitada de uma mousse de chocolate confeccionada apud receita inventada por um mestre chocolateiro morto em Jacarta.
Mas, melhor que tudo, as televisões poderiam contratar "entendidos" que pudessem ligar o vinho tomado com o perfil do tomador. "Portas pediu José de Sousa 2011, o que revela que gosta de homens mais velhos". "Catarina Martins optou por um Mateus Rosé, o que claramente a desqualifica para qualquer cargo governativo". "Jerónimo de Sousa bebeu palheto, o que mostra a tradição a que o PC é fiel". Por aí fora.
Este post é, como disse, um lamento. O melhor de Portugal é a hotelaria, o turismo. A jóia da coroa é a gastronomia. Sem respeito pelos Portugueses, os actores políticos deram um sinal terrível ao país.
Não faço planos de perdoar.
segunda-feira, outubro 05, 2015
Bíblia
A
páginas tantas, António Costa empunhava aquela pastinha e quase a
venerava, como se de um vendedor de bíblias se tratasse. Não sei quem
lhe disse que aquilo iria resultar.
Quem me conhece, sabe que não morro de amores por António Costa. Nunca o vi como suficientemente capaz de estar à altura do que ambicionava, isto é, comandar os destinos deste país. Sei, contudo, duas coisas: que o político António Costa tinha algumas provas dadas e que o candidato António Costa foi pouco melhor que fraquíssimo.
Até que se chegou ao dia das eleições e, às 20 horas, numa casa repleta de "adeptos do mesmo clube", assisti a uma calamitosa derrota.
No princípio foi o verbo e no fim foi Porto Editora.
Quem me conhece, sabe que não morro de amores por António Costa. Nunca o vi como suficientemente capaz de estar à altura do que ambicionava, isto é, comandar os destinos deste país. Sei, contudo, duas coisas: que o político António Costa tinha algumas provas dadas e que o candidato António Costa foi pouco melhor que fraquíssimo.
Até que se chegou ao dia das eleições e, às 20 horas, numa casa repleta de "adeptos do mesmo clube", assisti a uma calamitosa derrota.
No princípio foi o verbo e no fim foi Porto Editora.
terça-feira, setembro 22, 2015
Banda Sonora para as Eleições
Hoje, mais um fado. Este remota à I República (assim me disseram), contudo, vou aproveitá-lo para enquadrar duas temáticas ou, por outra, dois traços que marcam uma campanha eleitoral em Portugal: as arruadas e as famílias que deixam de se falar porque "a prima Laura é uma comuna de merda" e o "Zé é um facho do caralho".
Desata tudo ao biscoito.
Desata tudo ao biscoito.
Pork. Pig
Ontem escrevia-se que, a certa altura, Cameron, British P.M, enfiou o seu pénis na boca de um porco morto. Chama-se ao caso Pig Gate.
Hoje, li que o Pedro Boucherie Mendes não acha assim tão importante ter opinião sobre tudo e que, por vezes, até finge ter opinião sobre determinado tópico, finalizando com o exemplo do caso dos Mirós.
Há bocado, li um bocado do Beccaria, na parte em que dizia que o juiz deve construir um silogismo perfeito para decidir e apresentar a sua decisão.
Agora, temo bem que o mundo esteja sobrecarregado de coisas que não interessam ao menino Jesus.
Hoje, li que o Pedro Boucherie Mendes não acha assim tão importante ter opinião sobre tudo e que, por vezes, até finge ter opinião sobre determinado tópico, finalizando com o exemplo do caso dos Mirós.
Há bocado, li um bocado do Beccaria, na parte em que dizia que o juiz deve construir um silogismo perfeito para decidir e apresentar a sua decisão.
Agora, temo bem que o mundo esteja sobrecarregado de coisas que não interessam ao menino Jesus.
sexta-feira, setembro 18, 2015
Respeito
Tinha mais ou menos um metro e sessenta. Aparência cuidada, e bons modos, não deve muito à beleza.
Vinha contar-me o que ali a trazia. Violência doméstica. Um agarrar de pescoço. Uma discussão. Anos de bailado e natação, como na música. Um namoro de quase 20 anos, com filhos, com momentos.
Descobri traições constantes e serôdias.
Descobri desprezo pela família.
Ainda não percebi porquê.
Porquê só hoje.
Não me venham com histórias: é maior a capacidade de sofrer do que a capacidade de amar.
Vinha contar-me o que ali a trazia. Violência doméstica. Um agarrar de pescoço. Uma discussão. Anos de bailado e natação, como na música. Um namoro de quase 20 anos, com filhos, com momentos.
Descobri traições constantes e serôdias.
Descobri desprezo pela família.
Ainda não percebi porquê.
Porquê só hoje.
Não me venham com histórias: é maior a capacidade de sofrer do que a capacidade de amar.
quinta-feira, setembro 17, 2015
Ensaio (pois, sim. Mini-escrito e já gozas) sobre uma hipotética banda sonora para as eleições
Pode ser só de mim, mas acho que todos os momentos da vida individual e colectiva devem ser acompanhados de música. O amor, o fel, o desprezo, o sucesso. Há som adequado a tudo.
Hoje, vamos perceber (vamos, isto é, eu) que existe "sonido" para as próximas eleições.
Para a indiferença. Para os candidatos, políticas e propostas. Para a realidade. Para a miséria.
Vou tentar colocar uma por semana.
Hoje, o povo que talha com o seu machado as tábuas do meu caixão.
Hoje, vamos perceber (vamos, isto é, eu) que existe "sonido" para as próximas eleições.
Para a indiferença. Para os candidatos, políticas e propostas. Para a realidade. Para a miséria.
Vou tentar colocar uma por semana.
Hoje, o povo que talha com o seu machado as tábuas do meu caixão.
terça-feira, setembro 15, 2015
O Mundo
Vi, há momentos, uma publicidade a uma série em que o protagonista é um fulano super inteligente, capaz e munido de recursos infindáveis.
Este modelo de personagem não é novo. Basta pensar: Dr. House, Shark, Forever e por aí fora.
Quando não estamos a fazer vénias ao génio, há a outra face das séries: os homicídios. Nem faço ideia à quantidade de gente morta nas 20 temporadas de Lei e Ordem ou nas 15 de CSI. Em contas breves, numa estimativa rápida, se cada série tem 22 episódios e em cada episódio morre uma pessoa, em Lei e Ordem já morreram 440 pessoas e no CSI morreram 330, ou seja, somado dá 770.
Isto é o grosso das séries.
Fora o génio e homicídio, há, também, mas não só, o híbrido e o original. Como híbrido temos o exemplo do policial. Aí, há um génio que investiga o homicídio. Mantenho a autonomia dogmática do híbrido porquanto, ainda que em séries como o Lei e Ordem não haja génios, há policias esforçados, no True Detective há génios puros...a investigar homicídios... O híbrido também comporta séries de médicos, ou advogados: E.R, Good wife ou Grey. Mistura-se drama com algo especializado. Também sucede com a comédia, quando se junta a dita ao direito e temos o Boston Legal, só a título de exemplo.
Resta o original ou "despadronizado", mas não só, ou seja, qualquer coisa que não está massificada como os géneros supra descritos. As sit-com foram originais. Deixaram de ser e agora estão no mainstream, juntamente com todo o resto da comédia. Eis outro género. As séries de ficção científica também estão à parte e ainda servem um nicho.
Então o que é original? Guerra dos tronos? Parece-me que se encaixa nas séries de época/históricas, à semelhança das adaptações de grandes livros ou livros bem vendidos, como os Pilares da Terra.
No catálogo de "original", há quatro exemplos, na minha modesta opinião: O Shameless (Inglês ou Americano), o Nip/Tuck, Wayward Pines ou American Horror Story. Há mais coisas, mas estes são de salientar.
E porquê esta dissertação?
Para expressar, fundamentalmente, um lamento. Não há ninguém que pegue na personagem de um gajo que "não dava para a escola", vai de trabalho em trabalho, porque trabalhar também não é a cena dele, e passa os tempos que tem livres numa taberna/tasca/casa de pasto. Não há ninguém que retrate uma vida média, não especialmente brilhante.
Eu teria um guião para esta série. O título era básico, como o personagem: seria o seu nome, ou apelido. "Esteves".
"Esteves" seria a história de um fulano à porta dos 40 anos que já tinha sido repositor de stock, assistente de vendas, escriturário de 3.ª e, agora, estava tentar ganhar a vida como auxiliar de padeiro. O rendimento é de € 500,00, já depois dos descontos, e vive em Vila Franca de Xira num t1 mobilado pelo senhorio. De família, só sobra a Esteves a mãe, já velhota, e um tio que veio maluco do Ultramar. Tem uma namorada, Sheila, com está um tudo-nada acima do peso, mas com quem não vive. Sheila tem o seu negócio de mercearia e consegue viver melhor que o Esteves. Como auxiliar de padeiro, o Esteves passa as manhãs a dormir, a tarde, ora com Sagres ou com Super Bock e, à noite, trabalha. Está com a Sheila quando não há dinheiro para as minis.
As férias de Esteves são passadas na Costa, para onde se desloca num Citroen Saxo Cup. Politicamente, Esteves chegou a militar no P.C, mas agora nem vota. Quanto a vícios, poucos. 4 a 6 cigarros Águia por dia; as minis, claro, e reality-shows, onde já se tentou inscrever.
E pronto, a série seria observar este dia-a-dia, com Esteves a fazer conversa no café/taberna/casa de pasto, a discutir com Sheila, ou a fazer o doce amor com ela e a aprender a arte de bem fazer pão. Tudo isto no cenário de Vila Franca.
Eu seria fã.
Este modelo de personagem não é novo. Basta pensar: Dr. House, Shark, Forever e por aí fora.
Quando não estamos a fazer vénias ao génio, há a outra face das séries: os homicídios. Nem faço ideia à quantidade de gente morta nas 20 temporadas de Lei e Ordem ou nas 15 de CSI. Em contas breves, numa estimativa rápida, se cada série tem 22 episódios e em cada episódio morre uma pessoa, em Lei e Ordem já morreram 440 pessoas e no CSI morreram 330, ou seja, somado dá 770.
Isto é o grosso das séries.
Fora o génio e homicídio, há, também, mas não só, o híbrido e o original. Como híbrido temos o exemplo do policial. Aí, há um génio que investiga o homicídio. Mantenho a autonomia dogmática do híbrido porquanto, ainda que em séries como o Lei e Ordem não haja génios, há policias esforçados, no True Detective há génios puros...a investigar homicídios... O híbrido também comporta séries de médicos, ou advogados: E.R, Good wife ou Grey. Mistura-se drama com algo especializado. Também sucede com a comédia, quando se junta a dita ao direito e temos o Boston Legal, só a título de exemplo.
Resta o original ou "despadronizado", mas não só, ou seja, qualquer coisa que não está massificada como os géneros supra descritos. As sit-com foram originais. Deixaram de ser e agora estão no mainstream, juntamente com todo o resto da comédia. Eis outro género. As séries de ficção científica também estão à parte e ainda servem um nicho.
Então o que é original? Guerra dos tronos? Parece-me que se encaixa nas séries de época/históricas, à semelhança das adaptações de grandes livros ou livros bem vendidos, como os Pilares da Terra.
No catálogo de "original", há quatro exemplos, na minha modesta opinião: O Shameless (Inglês ou Americano), o Nip/Tuck, Wayward Pines ou American Horror Story. Há mais coisas, mas estes são de salientar.
E porquê esta dissertação?
Para expressar, fundamentalmente, um lamento. Não há ninguém que pegue na personagem de um gajo que "não dava para a escola", vai de trabalho em trabalho, porque trabalhar também não é a cena dele, e passa os tempos que tem livres numa taberna/tasca/casa de pasto. Não há ninguém que retrate uma vida média, não especialmente brilhante.
Eu teria um guião para esta série. O título era básico, como o personagem: seria o seu nome, ou apelido. "Esteves".
"Esteves" seria a história de um fulano à porta dos 40 anos que já tinha sido repositor de stock, assistente de vendas, escriturário de 3.ª e, agora, estava tentar ganhar a vida como auxiliar de padeiro. O rendimento é de € 500,00, já depois dos descontos, e vive em Vila Franca de Xira num t1 mobilado pelo senhorio. De família, só sobra a Esteves a mãe, já velhota, e um tio que veio maluco do Ultramar. Tem uma namorada, Sheila, com está um tudo-nada acima do peso, mas com quem não vive. Sheila tem o seu negócio de mercearia e consegue viver melhor que o Esteves. Como auxiliar de padeiro, o Esteves passa as manhãs a dormir, a tarde, ora com Sagres ou com Super Bock e, à noite, trabalha. Está com a Sheila quando não há dinheiro para as minis.
As férias de Esteves são passadas na Costa, para onde se desloca num Citroen Saxo Cup. Politicamente, Esteves chegou a militar no P.C, mas agora nem vota. Quanto a vícios, poucos. 4 a 6 cigarros Águia por dia; as minis, claro, e reality-shows, onde já se tentou inscrever.
E pronto, a série seria observar este dia-a-dia, com Esteves a fazer conversa no café/taberna/casa de pasto, a discutir com Sheila, ou a fazer o doce amor com ela e a aprender a arte de bem fazer pão. Tudo isto no cenário de Vila Franca.
Eu seria fã.
terça-feira, setembro 08, 2015
Trazido para o jazigo. Fui à praia e trouxe um búzio, cheguei a casa e na estante puzio
Fui feliz nas férias.
Um texto que estampasse a felicidade bastava-se com a afirmação supra escrita. Claro, o pretério perfeito indica que o estado de felicidade se extinguiu, mas que, de todo o modo, existiu. Não sendo a felicidade, por impossibilidade objectiva, eterna, chegava.
Durante o sossego, pensei que tudo ia mudar. Se não tudo, algo. Que não ia sentir qualquer espécie de contrariedade ao ir para o trabalho. Que ia gostar do que faço, independentemente de fazer o que gostasse.
Não.
Este blogue transformou-se num mausoléu de desabafos sobre a minha vida profissional. A certa altura, e lendo o que por aqui escrevo, dá a sensação que nada mais se passa.
E tanto se passa além disto.
Há a vida familiar e "amigalhar". Há Portugal.
Mas nada aqui é lembrado. Percebo. Há que ventilar.
Uma vez que a família, salvo uma triste excepção, está bem, deixo uma nota sobre Portugal.
Vai haver eleições.
Vou votar.
Contrariado e em uso do "voto útil".
Não encontro nenhum partido que me represente. Desta vez, vou votar contra alguém, em vez de apoiar um projecto, como fiz em todas as eleições legislativas em que exerci o meu dever cívico.
A conclusão que tiro é a seguinte: na noite de 4 de Outubro, perco sempre.
Um texto que estampasse a felicidade bastava-se com a afirmação supra escrita. Claro, o pretério perfeito indica que o estado de felicidade se extinguiu, mas que, de todo o modo, existiu. Não sendo a felicidade, por impossibilidade objectiva, eterna, chegava.
Durante o sossego, pensei que tudo ia mudar. Se não tudo, algo. Que não ia sentir qualquer espécie de contrariedade ao ir para o trabalho. Que ia gostar do que faço, independentemente de fazer o que gostasse.
Não.
Este blogue transformou-se num mausoléu de desabafos sobre a minha vida profissional. A certa altura, e lendo o que por aqui escrevo, dá a sensação que nada mais se passa.
E tanto se passa além disto.
Há a vida familiar e "amigalhar". Há Portugal.
Mas nada aqui é lembrado. Percebo. Há que ventilar.
Uma vez que a família, salvo uma triste excepção, está bem, deixo uma nota sobre Portugal.
Vai haver eleições.
Vou votar.
Contrariado e em uso do "voto útil".
Não encontro nenhum partido que me represente. Desta vez, vou votar contra alguém, em vez de apoiar um projecto, como fiz em todas as eleições legislativas em que exerci o meu dever cívico.
A conclusão que tiro é a seguinte: na noite de 4 de Outubro, perco sempre.
sexta-feira, julho 31, 2015
Voltando ao texto, o que é recorrente
O irmão do meu patrão trabalha na sociedade de advogados em que exerço funções.
O que faz ele? Para além do que lhe apetece, faz coisas. Por coisas entenda-se qualquer coisa parecida com serviço administrativo.
Quase a chegar aos 30 anos, muito meditei antes de escrever aquilo que escrevi. Pensei em pessoas, feitios, episódios, até mesmo filosofias.
Cheguei a uma conclusão. Há três pessoas que podiam sair da minha vida, ainda que de forma pensada e ordenada, mercê das condicionantes socio-económicas. Eis as 3 piores pessoas que habitam na minha vida:
O irmão do meu patrão. É a pior pessoa que conheço. Não se aproveita nada. Não lhe conheci uma virtude, algo por que se possa puxar. Até o bem que faz é mau.
Logo a seguir, está o patrão, como é óbvio e razoável.
A finalizar o Top 3, sempre lembrando que o critério é terem alguma relação de proximidade e convívio comigo, está o irmão do meu patrão.
Não é engano.
(Adiantadas desculpas pelo texto à pita)
O que faz ele? Para além do que lhe apetece, faz coisas. Por coisas entenda-se qualquer coisa parecida com serviço administrativo.
Quase a chegar aos 30 anos, muito meditei antes de escrever aquilo que escrevi. Pensei em pessoas, feitios, episódios, até mesmo filosofias.
Cheguei a uma conclusão. Há três pessoas que podiam sair da minha vida, ainda que de forma pensada e ordenada, mercê das condicionantes socio-económicas. Eis as 3 piores pessoas que habitam na minha vida:
O irmão do meu patrão. É a pior pessoa que conheço. Não se aproveita nada. Não lhe conheci uma virtude, algo por que se possa puxar. Até o bem que faz é mau.
Logo a seguir, está o patrão, como é óbvio e razoável.
A finalizar o Top 3, sempre lembrando que o critério é terem alguma relação de proximidade e convívio comigo, está o irmão do meu patrão.
Não é engano.
(Adiantadas desculpas pelo texto à pita)
segunda-feira, julho 27, 2015
Dia 27
Há alturas em que, mesmo que nunca nos tenhamos esquecido, voltamos a lembrar por que razão existem uniões.
A "meia bola", a "melhor metade", digna desse nome, tem a capacidade de trazer à nossa vida aspectos e coisas que já tínhamos esquecido.
Voltei a ouvir isto. Fazia falta.
A "meia bola", a "melhor metade", digna desse nome, tem a capacidade de trazer à nossa vida aspectos e coisas que já tínhamos esquecido.
Voltei a ouvir isto. Fazia falta.
quinta-feira, julho 23, 2015
A propósito da revisitação a Nip/Tuck
Nunca granjeou grande popularidade a série a que me refiro acima.
Haverá vários motivos, mas o principal será, talvez, o grau de whatthefuckness que abunda em cada episódio e personagem. Muito triângulo, muita carne, muito daquilo que não é aberto.
Emitida, actualmente, pela SIC Radical, recomecei, assim como a minha melhor metade, a ver a série do seu início.
Num episódio recente, uma das personagens principais, Sean McNamara, escrevia o seu epitáfio. Não porque tivesse morrido ou estivesse para isso. Inquirido pelo seu filho sobre as razões de tal acto, respondeu-lhe que era um exercício de motivação.
Há, na minha opinião, uma grande música dos Titãs, precisamente chamada de "Epitáfio". Uma lista de lamentos e de "coulda-shoulda-woulda". Apesar de ser excelente, como disse, não achei correcto que lhe dessem um nome que não corresponde àquilo que é. A letra da música, o poema, para usar uma palavra que devia ter um significado mais restrito, é um rol "do que devia ter sido". O epitáfio tem de conter aquilo que efectivamente foi/aconteceu.
Na pior das hipóteses, o epitáfio é um testamento, um legado de factos e conquistas do de cujus.
Abomino a ideia de ser eu a escrevê-lo. Ainda pensei fazê-lo. Contudo, é demasiado tétrico. Demasiado mórbido. Faltar-me-ia a objectividade. Faltar-me-ia tudo.
Será estranho pedir a um amigo para fazê-lo? Será mais justo solicitá-lo a um inimigo?
Pus-me a pensar. Não há ninguém que o pudesse fazer por mim. A minha família e até amigos, inexplicavelmente, gostam de mim. Seria doce. Os restantes seres assumem perante mim uma postura de indiferença ou desdém que também não permitiria a execução com qualidade.
Ao fim e ao cabo, o que somos é subjectivo. Claro que há factos e actos. Mas os factos e os actos não são nada sem interpretação.
Haverá vários motivos, mas o principal será, talvez, o grau de whatthefuckness que abunda em cada episódio e personagem. Muito triângulo, muita carne, muito daquilo que não é aberto.
Emitida, actualmente, pela SIC Radical, recomecei, assim como a minha melhor metade, a ver a série do seu início.
Num episódio recente, uma das personagens principais, Sean McNamara, escrevia o seu epitáfio. Não porque tivesse morrido ou estivesse para isso. Inquirido pelo seu filho sobre as razões de tal acto, respondeu-lhe que era um exercício de motivação.
Há, na minha opinião, uma grande música dos Titãs, precisamente chamada de "Epitáfio". Uma lista de lamentos e de "coulda-shoulda-woulda". Apesar de ser excelente, como disse, não achei correcto que lhe dessem um nome que não corresponde àquilo que é. A letra da música, o poema, para usar uma palavra que devia ter um significado mais restrito, é um rol "do que devia ter sido". O epitáfio tem de conter aquilo que efectivamente foi/aconteceu.
Na pior das hipóteses, o epitáfio é um testamento, um legado de factos e conquistas do de cujus.
Abomino a ideia de ser eu a escrevê-lo. Ainda pensei fazê-lo. Contudo, é demasiado tétrico. Demasiado mórbido. Faltar-me-ia a objectividade. Faltar-me-ia tudo.
Será estranho pedir a um amigo para fazê-lo? Será mais justo solicitá-lo a um inimigo?
Pus-me a pensar. Não há ninguém que o pudesse fazer por mim. A minha família e até amigos, inexplicavelmente, gostam de mim. Seria doce. Os restantes seres assumem perante mim uma postura de indiferença ou desdém que também não permitiria a execução com qualidade.
Ao fim e ao cabo, o que somos é subjectivo. Claro que há factos e actos. Mas os factos e os actos não são nada sem interpretação.
quarta-feira, julho 08, 2015
À beira
Estou quase com 30 anos.
A este respeito, lembrei-me de uma questão que me é colocada há décadas (sim, há décadas): "por que razão não gostas de fazer/celebrar o teu aniversário?"
Já o disse dezenas de vezes. Agora, fica escrito e, so help me god, vou colocar uma "etiqueta" (tag) no fim. Para me lembrar. Para servir de remissão.
Que sentido tem festejar a mediocridade? Tenho quase 30 anos e sou um trabalhador de segunda, desprezado, ignorado, tantas vezes vilipendiado, desonrado.
Que sentido tem festejar a data? Tenho quase 30 anos e, lembrando os factos supra expostos, nem por isso ganho melhor, sequer bem, não tenho o dinheiro para viver o que queria nem para fazer coisas por quem gostava.
Que sentido tem ouvir a canção dos parabéns? Quando morrer, serei uma vírgula na história, um nada, um ninguém, uma alma inominada que serviu e mal.
Porquê pensar diferente? Tirei um curso massificado, não estou com idade nem vida para mudar, não ingressei na carreira que queria, trabalho, há quase 6 anos, num sitio onde filho meu nunca porá os pés.
Mas e então não é engraçado celebrar o meu nascimento? Acredito que sim, para as poucas pessoas que gostam de mim. Isso não me inclui a mim. Trocava a minha pela vida de qualquer pessoa. Odeio o que faço. Odeio ainda mais com quem faço.
Ao fim e ao cabo, percebo que o meu problema é a situação profissional. Que me mata.
Mas, claro, a culpa é toda minha. Não estou disposto a abdicar do que tenho em troca de paz. Porque se abdicar, tão cedo não arranjo ocupação. Porque se abdicar, desisti.
Mas, à beira dos meus 30 anos, é isto.
Estudei para ter uma carreira melhor do que a que tenho. A minha carreira não existe.
Deixei de sair à noite para poder descansar para um exame no dia seguinte. Se fosse hoje, até fortemente alcoolizado teria ido fazer o exame.
Deixei de fazer uma tese de mestrado porque estava a trabalhar e, quando vi que não chegava para as encomendas, até porque também tinha a agregação à O.A metida ao barulho, escolhi o trabalho. Devia ter saído daqui e começava de novo.
Mas não.
Tenho 30 anos e nem o respeito próprio alcancei.
Se tudo correr bem, esse dia fatídico será passado longe desta corja com quem coexisto 10 horas por dia.
A este respeito, lembrei-me de uma questão que me é colocada há décadas (sim, há décadas): "por que razão não gostas de fazer/celebrar o teu aniversário?"
Já o disse dezenas de vezes. Agora, fica escrito e, so help me god, vou colocar uma "etiqueta" (tag) no fim. Para me lembrar. Para servir de remissão.
Que sentido tem festejar a mediocridade? Tenho quase 30 anos e sou um trabalhador de segunda, desprezado, ignorado, tantas vezes vilipendiado, desonrado.
Que sentido tem festejar a data? Tenho quase 30 anos e, lembrando os factos supra expostos, nem por isso ganho melhor, sequer bem, não tenho o dinheiro para viver o que queria nem para fazer coisas por quem gostava.
Que sentido tem ouvir a canção dos parabéns? Quando morrer, serei uma vírgula na história, um nada, um ninguém, uma alma inominada que serviu e mal.
Porquê pensar diferente? Tirei um curso massificado, não estou com idade nem vida para mudar, não ingressei na carreira que queria, trabalho, há quase 6 anos, num sitio onde filho meu nunca porá os pés.
Mas e então não é engraçado celebrar o meu nascimento? Acredito que sim, para as poucas pessoas que gostam de mim. Isso não me inclui a mim. Trocava a minha pela vida de qualquer pessoa. Odeio o que faço. Odeio ainda mais com quem faço.
Ao fim e ao cabo, percebo que o meu problema é a situação profissional. Que me mata.
Mas, claro, a culpa é toda minha. Não estou disposto a abdicar do que tenho em troca de paz. Porque se abdicar, tão cedo não arranjo ocupação. Porque se abdicar, desisti.
Mas, à beira dos meus 30 anos, é isto.
Estudei para ter uma carreira melhor do que a que tenho. A minha carreira não existe.
Deixei de sair à noite para poder descansar para um exame no dia seguinte. Se fosse hoje, até fortemente alcoolizado teria ido fazer o exame.
Deixei de fazer uma tese de mestrado porque estava a trabalhar e, quando vi que não chegava para as encomendas, até porque também tinha a agregação à O.A metida ao barulho, escolhi o trabalho. Devia ter saído daqui e começava de novo.
Mas não.
Tenho 30 anos e nem o respeito próprio alcancei.
Se tudo correr bem, esse dia fatídico será passado longe desta corja com quem coexisto 10 horas por dia.
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