segunda-feira, maio 25, 2015
São 8 anos
A minha existência é, por alguma razão que me escapa, marcada por uma angústia constante. A verdade é que poucas vezes tive equilíbrios que me permitissem alguma paz. Contudo, foram muitas as vezes que fui feliz. Modo geral, sou-o.
Faz hoje 8 anos que a minha vida sofreu a primeira grande alteração: encontrei alguém que até estava disposto a aturar-me. Claro que a minha família nunca me faltou com nada, não me podendo queixar. Sucede que, há 8 anos, alguém começou a ver em mim algo que nem eu próprio vislumbro.
Depois de tantos episódios (tantos e bons!), acabei por me casar com a Tal. Aquela que, há 8 anos, me disse que sim.
Se hoje somos casados, também posso dizer que nunca deixámos de ser namorados.
segunda-feira, maio 18, 2015
A multiplicação dos aniversários
"Comemoro" (e mais aspas houvesse) 3 anos de agregação à Ordem dos Advogados.
Recordo-me do dia. Foi tão indiferente, que até comecei a fumar. Foi tão ligeiro, que nem consegui estar ao pé das examinadoras quando foi revelada a nota.
Em suma, um dia fácil, ou não dependessem quase três anos da mais pura submissão a um só momento.
3 anos depois, nesta Segunda-Feira, chego ao escritório e recebo uma mensagem no telemóvel.
"Já tive a má notícia, a juiza condenou-me a pagar tudo a eles".
Fui procurado por um colega. Disse-me que precisava da minha ajuda. Havia duas partes em contenda e ele, advogado, sendo amigo de ambas, não queria patrocinar aquela que lhe tinha solicitado patrocínio forense. Pediu-me, então, que avançasse, que representasse aquela que o tinha procurado. O trato era simples: ele fazia os articulados e eu o julgamento.
O caso era ruím. Em traços largos, duas amigas de infância, uma mais rica e outra menos, começaram a explorar um café, juntamente com o marido da rica. O negócio foi proveitoso e quiseram avançar para uma frutaria, na porta ao lado. A frutaria era para ser explorada pelas duas, tanto que ambas, formalmente, eram gerentes. A rica e o marido pediram um empréstimo ao banco e equiparam a casa. Contudo, o negócio correu mal. Não havia receitas, surgiram multas de várias entidades...um pavor. É então que a rica decide que quer fechar aquilo. A menos abonada diz que não, que mantém o barco. Celebra novo contrato de arrendamento e fica a laborar lá.
Alguns anos mais tarde, a rica e o marido dão entrada de uma acção a pedir uma avultada quantia pelos móveis que ficaram no estabelecimento, alegando a existência de um contrato de compra e venda. A "Demandada" procura o meu colega e o meu colega procura-me a mim.
Vim a saber várias coisas.
- Nunca foi celebrado contrato algum. Aliás, os "Demandantes" juntam na Petição Inicial uma minuta e para lá remetem quando querem provar a "existência do contrato";
- Por várias vezes, a minha constituinte insistiu para que os "Demandantes" fossem buscar os seus móveis, até lhe enviou cartas;
- A rica (so to speak) tinha a chave da loja, e sempre teve, para poder ir buscar os móveis e nunca foi;
- A rica deixou dívidas e a pobre pagou-as.
Faz-se julgamento. A minha primeira pergunta para todas as testemunhas, seja dos "Demandantes" como da "Demandada" foi: tem conhecimento se foi celebrado algum contrato entre as partes? A resposta, de todas!, foi uma só: "não". Se não há nada escrito e se ninguém pode confirmar a existência de contrato, está criada uma nova modalidade de prova: a prova por presunção de existência de contrato.
As testemunhas sabiam que tinha havido amizade, um negócio, que as coisas correram mal, mas nunca ninguém disse que tinha havido um contrato.
No aniversário dia em que me agreguei, perdi uma acção.
A meu ver, perdi-a sem razão (a sentença é anedótica ao ponto de dar como provados factos que TODAS as testemunhas negaram).
Perdi.
Perder quando o cliente pode suportar é uma coisa. Perder quando nem havia alternativa é uma coisa. Perder quando nada se logrou é uma coisa.
De forma vergonhosa, uma quadrilha foi a um Julgado de Paz pedir dinheiro e saiu de lá com uma sentença.
Sem provar nada. Sem mostrar nada.
E eu não pude evitar.
Perdi.
Se houver deus, não estarei mais 3 anos metido neste sistema.
Não haja equívocos: esta é a pior profissão do mundo.
E eu celebro o terceiro aniversário de "carreira". Sou um Tony.
Recordo-me do dia. Foi tão indiferente, que até comecei a fumar. Foi tão ligeiro, que nem consegui estar ao pé das examinadoras quando foi revelada a nota.
Em suma, um dia fácil, ou não dependessem quase três anos da mais pura submissão a um só momento.
3 anos depois, nesta Segunda-Feira, chego ao escritório e recebo uma mensagem no telemóvel.
"Já tive a má notícia, a juiza condenou-me a pagar tudo a eles".
*
Fui procurado por um colega. Disse-me que precisava da minha ajuda. Havia duas partes em contenda e ele, advogado, sendo amigo de ambas, não queria patrocinar aquela que lhe tinha solicitado patrocínio forense. Pediu-me, então, que avançasse, que representasse aquela que o tinha procurado. O trato era simples: ele fazia os articulados e eu o julgamento.
O caso era ruím. Em traços largos, duas amigas de infância, uma mais rica e outra menos, começaram a explorar um café, juntamente com o marido da rica. O negócio foi proveitoso e quiseram avançar para uma frutaria, na porta ao lado. A frutaria era para ser explorada pelas duas, tanto que ambas, formalmente, eram gerentes. A rica e o marido pediram um empréstimo ao banco e equiparam a casa. Contudo, o negócio correu mal. Não havia receitas, surgiram multas de várias entidades...um pavor. É então que a rica decide que quer fechar aquilo. A menos abonada diz que não, que mantém o barco. Celebra novo contrato de arrendamento e fica a laborar lá.
Alguns anos mais tarde, a rica e o marido dão entrada de uma acção a pedir uma avultada quantia pelos móveis que ficaram no estabelecimento, alegando a existência de um contrato de compra e venda. A "Demandada" procura o meu colega e o meu colega procura-me a mim.
Vim a saber várias coisas.
- Nunca foi celebrado contrato algum. Aliás, os "Demandantes" juntam na Petição Inicial uma minuta e para lá remetem quando querem provar a "existência do contrato";
- Por várias vezes, a minha constituinte insistiu para que os "Demandantes" fossem buscar os seus móveis, até lhe enviou cartas;
- A rica (so to speak) tinha a chave da loja, e sempre teve, para poder ir buscar os móveis e nunca foi;
- A rica deixou dívidas e a pobre pagou-as.
Faz-se julgamento. A minha primeira pergunta para todas as testemunhas, seja dos "Demandantes" como da "Demandada" foi: tem conhecimento se foi celebrado algum contrato entre as partes? A resposta, de todas!, foi uma só: "não". Se não há nada escrito e se ninguém pode confirmar a existência de contrato, está criada uma nova modalidade de prova: a prova por presunção de existência de contrato.
As testemunhas sabiam que tinha havido amizade, um negócio, que as coisas correram mal, mas nunca ninguém disse que tinha havido um contrato.
*
No aniversário dia em que me agreguei, perdi uma acção.
A meu ver, perdi-a sem razão (a sentença é anedótica ao ponto de dar como provados factos que TODAS as testemunhas negaram).
Perdi.
Perder quando o cliente pode suportar é uma coisa. Perder quando nem havia alternativa é uma coisa. Perder quando nada se logrou é uma coisa.
De forma vergonhosa, uma quadrilha foi a um Julgado de Paz pedir dinheiro e saiu de lá com uma sentença.
Sem provar nada. Sem mostrar nada.
E eu não pude evitar.
Perdi.
Se houver deus, não estarei mais 3 anos metido neste sistema.
Não haja equívocos: esta é a pior profissão do mundo.
E eu celebro o terceiro aniversário de "carreira". Sou um Tony.
quarta-feira, maio 06, 2015
Palavras
Há algo de reconfortante em saber que as angustias de que padeço já foram amplamente musicadas pelo Sérgio Godinho e Jorge Palma.
É que eles estão bem.
É que eles estão bem.
terça-feira, abril 28, 2015
Levantar hipóteses
Sou um bimbo camuflado.
Vale a pena ser mais concreto. Sou um bimbo sentimentalão. Não daqueles que são "azeite" (viva o princípio da aquisição linguística, se é que existe), ou da terrinha, ou mesmo rapioqueiros.
Gosto de ver o amor na forma real do termo (e por real refiro-me a pertença, como quem fala de direitos reais e da aquisição originária da posse).
Daí ser bimbo. Ouvir com gosto a Lana del Rey quando canta o "Nothing without you", esta dos Madredeus ou uma obra qualquer do Sérgio Godinho.
Acaba por ser um aspecto em mim que gostava de relegar. O problema, sempre o mesmo, são as associações que o subconsciente acaba por fazer.
Hoje, dia em que perco (e pode perder-se em tantos campos), lembro-me que o amparo está naqueles que aqui estão.
E eis o amor. Amor é amparo. Pelo menos na minha idade.
Vale a pena ser mais concreto. Sou um bimbo sentimentalão. Não daqueles que são "azeite" (viva o princípio da aquisição linguística, se é que existe), ou da terrinha, ou mesmo rapioqueiros.
Gosto de ver o amor na forma real do termo (e por real refiro-me a pertença, como quem fala de direitos reais e da aquisição originária da posse).
Daí ser bimbo. Ouvir com gosto a Lana del Rey quando canta o "Nothing without you", esta dos Madredeus ou uma obra qualquer do Sérgio Godinho.
Acaba por ser um aspecto em mim que gostava de relegar. O problema, sempre o mesmo, são as associações que o subconsciente acaba por fazer.
Hoje, dia em que perco (e pode perder-se em tantos campos), lembro-me que o amparo está naqueles que aqui estão.
E eis o amor. Amor é amparo. Pelo menos na minha idade.
segunda-feira, abril 20, 2015
O loop na prática
Tenho ideia de já ter escrito o que escrevi atrás há um tempo.
É recorrente em mim repetir-me. É recorrente em mim repetir-me.
Seja lá como for, percebi esta cena quando vi o filme pela primeira vez.
Na madrugada a que me refiro abaixo, senti-a.
É recorrente em mim repetir-me. É recorrente em mim repetir-me.
Seja lá como for, percebi esta cena quando vi o filme pela primeira vez.
Na madrugada a que me refiro abaixo, senti-a.
Um bocado
A Faculdade de Direito, não obstante o número de alunos que admite ao seu curso, não tem propriamente a fama de facilitar o seu caminho dentro de portas.
Ingressei, assim, em 2004 num curso que me daria uma profissão, pensava eu, diferente da que tenho hoje. O primeiro ano foi particularmente doloroso, com a adaptação e conhecimento de realidades que nunca pensei existirem.
Conheci lá um dos meus bons amigos. Por méritos próprios, transitámos para o segundo ano e, mercê do que referi supra, a nossa sub-turma teve de ser fundida com outra. Com efeito, de cerca de trinta e muitas pessoas que compunham a sub-turma de primeiro ano, menos de 50% resistiram, cenário que se generalizava. Como tal, somaram-se os alunos que ainda "respiravam" e juntaram-nos.
Não me vou esquecer dos olhos desse meu amigo quando olhou para uma das aquisições supervenientes. Uma jovem Eborense de cabelos escuros e boas notas (a fama precedia-a).
Naqueles momentos, deve ter havido uma constituição de sociedade cósmica. O Karma, aliou-se à sorte e fundou-se a "Vai, que dá, Lda.". O objecto social seria a promoção de felicidade daqueles dois moços.
Ontem, fui ao Baptizado do filho deles.
Celebrando a receção do petiz (um braçado de criança), voltei a 2004. Voltei a paredes que, não raras vezes, me puseram à beira da loucura. Não obstante, foi um regresso quase físico. Podia ver, à minha frente, episódios que foram determinantes na pessoa que sou, naquilo em que me tornei. Mas também voltaram as imagens de uma solidariedade materializada.
Na madrugada de 25 de Maio de 2007, recebiam-me em casa e aturavam o meu, também, recém-constituído auge. Passaram o "Lost in Translation" e faziam voar as palavras. Ainda hoje gozam com a minha cara de felicidade.
Contudo, naquele apoio e verdadeira claque, que sempre foram, estavam duas almas que se confirmaram, mutuamente, até aos dias de hoje.
E, ontem, fui ao Baptizado do filho deles.
Ingressei, assim, em 2004 num curso que me daria uma profissão, pensava eu, diferente da que tenho hoje. O primeiro ano foi particularmente doloroso, com a adaptação e conhecimento de realidades que nunca pensei existirem.
Conheci lá um dos meus bons amigos. Por méritos próprios, transitámos para o segundo ano e, mercê do que referi supra, a nossa sub-turma teve de ser fundida com outra. Com efeito, de cerca de trinta e muitas pessoas que compunham a sub-turma de primeiro ano, menos de 50% resistiram, cenário que se generalizava. Como tal, somaram-se os alunos que ainda "respiravam" e juntaram-nos.
Não me vou esquecer dos olhos desse meu amigo quando olhou para uma das aquisições supervenientes. Uma jovem Eborense de cabelos escuros e boas notas (a fama precedia-a).
Naqueles momentos, deve ter havido uma constituição de sociedade cósmica. O Karma, aliou-se à sorte e fundou-se a "Vai, que dá, Lda.". O objecto social seria a promoção de felicidade daqueles dois moços.
Ontem, fui ao Baptizado do filho deles.
Celebrando a receção do petiz (um braçado de criança), voltei a 2004. Voltei a paredes que, não raras vezes, me puseram à beira da loucura. Não obstante, foi um regresso quase físico. Podia ver, à minha frente, episódios que foram determinantes na pessoa que sou, naquilo em que me tornei. Mas também voltaram as imagens de uma solidariedade materializada.
Na madrugada de 25 de Maio de 2007, recebiam-me em casa e aturavam o meu, também, recém-constituído auge. Passaram o "Lost in Translation" e faziam voar as palavras. Ainda hoje gozam com a minha cara de felicidade.
Contudo, naquele apoio e verdadeira claque, que sempre foram, estavam duas almas que se confirmaram, mutuamente, até aos dias de hoje.
E, ontem, fui ao Baptizado do filho deles.
quinta-feira, abril 02, 2015
No dia da morte de Manoel de Oliveira
Aqui há dias, fui à Fnac numa ótica de prospeção de mercado. Tendo a considerar importante perceber o que há de novo, ainda que em mim exista a tentação do clássico.
Depois de alguns minutos de pesquisas (sim, meros minutos) dei por mim a ler, talvez, o livro que mais gozo me deu ler nos últimos anos: "O Estrangeiro", de Camus. Não estou a falar da obra original, mas da feliz adaptação para banda desenhada.
Em mim cresceu a óbvia e eterna esperança na humanidade, uma vez que ainda não conhecia a possibilidade (a mera possibilidade) de adaptar grandes clássicos à B.D.
Ali fiquei, pouco mais do que uma hora, a rejubilar. Boas ilustrações, a essência da obra apanhada. Enfim, estava conseguido um objectivo.
Naturalmente, voltou a mim uma história que conhecia. Lembro-me de a ler nos idos de 2005. Falhavam pormenores que foram colmatados.
"O Estrangeiro" tem, para mim, um problema: não sei se o interpreto como deve ser interpretado. A mim, lembra-me a vida como ela é. Depois de um acontecimento trágico, por meios que são insondáveis, a vida traz sempre uma série de acontecimentos inexplicáveis, ainda que pareçam corolário da mais elementar fluidez. Recordo alguns episódios da minha vida em que assim sucedeu. O povo (essa entidade superior, e olhem que não é ironia) chama a isto "estar na mó de baixo". Àquele desgraçado, morre a mãe, mete-se com quem não deve, comete um facto típico, ilícito, culposo e punível e vai preso. Não vou estragar o final a quem não leu. O importante disto é o "como", sem haver tanta necessidade de um "porquê". (Para a obra, o "porquê" e conclusões são importantes, ou não. Depende.)
E o "como" levou-me, inexoravelmente, a Manoel de Oliveira. Manoel de Oliveira disse, há meses, uma frase que é lapidar e resume a existência: "a vida é uma derrota".
A vida foi uma derrota para Mersault (Protagonista da obra a que me referi supra). A vida é uma derrota para Manoel de Oliveira. Para quantos mais não foi?
A falta de horizontes, sejam nossos, seja daqueles que nos rodeiam. A falta de compaixão. A falta de sucesso.
E tão relativo que é o sucesso.
Os Xutos (a banda), disseram o mesmo, no "Homem do Leme".
Não vi todos os filmes do chamado "Mestre". Não terei visto metade. Vi alguns. Sabia que estava ali uma alterantiva ao cinema-efeitos-especiais, ao blockbuster. Estava ali um sentido de estética que apreciava. Um ritmo que gostava de ver impresso. Uma forma de ver a arte. Havia diferença. Sobretudo, havia qualidade.
E tanta "porrada" levava Manoel de Oliveira. Das "secas" ao "desinteressante", passando pelo "velho" ao "visto".
Não haja dúvida: fez o que quis. Terá feito como quis? Sempre que quis?
Em resposta à sua arte sempre existiram os inevitáveis antagonistas. A condenação aconteceu.
Agora, morre. Deixando legando. Vivendo nos seus filmes. Fazendo ecoar o nome.
Mas morre.
Porque é inevitável. Dando sentido à vida, claro, mas não resistindo à inevitabilidade.
Acima de tudo, e é este o ponto, creio que o mundo não lhe foi indiferente. Creio, até, no contrário.
Só por isso, ganhou.
Depois de alguns minutos de pesquisas (sim, meros minutos) dei por mim a ler, talvez, o livro que mais gozo me deu ler nos últimos anos: "O Estrangeiro", de Camus. Não estou a falar da obra original, mas da feliz adaptação para banda desenhada.
Em mim cresceu a óbvia e eterna esperança na humanidade, uma vez que ainda não conhecia a possibilidade (a mera possibilidade) de adaptar grandes clássicos à B.D.
Ali fiquei, pouco mais do que uma hora, a rejubilar. Boas ilustrações, a essência da obra apanhada. Enfim, estava conseguido um objectivo.
Naturalmente, voltou a mim uma história que conhecia. Lembro-me de a ler nos idos de 2005. Falhavam pormenores que foram colmatados.
"O Estrangeiro" tem, para mim, um problema: não sei se o interpreto como deve ser interpretado. A mim, lembra-me a vida como ela é. Depois de um acontecimento trágico, por meios que são insondáveis, a vida traz sempre uma série de acontecimentos inexplicáveis, ainda que pareçam corolário da mais elementar fluidez. Recordo alguns episódios da minha vida em que assim sucedeu. O povo (essa entidade superior, e olhem que não é ironia) chama a isto "estar na mó de baixo". Àquele desgraçado, morre a mãe, mete-se com quem não deve, comete um facto típico, ilícito, culposo e punível e vai preso. Não vou estragar o final a quem não leu. O importante disto é o "como", sem haver tanta necessidade de um "porquê". (Para a obra, o "porquê" e conclusões são importantes, ou não. Depende.)
E o "como" levou-me, inexoravelmente, a Manoel de Oliveira. Manoel de Oliveira disse, há meses, uma frase que é lapidar e resume a existência: "a vida é uma derrota".
A vida foi uma derrota para Mersault (Protagonista da obra a que me referi supra). A vida é uma derrota para Manoel de Oliveira. Para quantos mais não foi?
A falta de horizontes, sejam nossos, seja daqueles que nos rodeiam. A falta de compaixão. A falta de sucesso.
E tão relativo que é o sucesso.
Os Xutos (a banda), disseram o mesmo, no "Homem do Leme".
Não vi todos os filmes do chamado "Mestre". Não terei visto metade. Vi alguns. Sabia que estava ali uma alterantiva ao cinema-efeitos-especiais, ao blockbuster. Estava ali um sentido de estética que apreciava. Um ritmo que gostava de ver impresso. Uma forma de ver a arte. Havia diferença. Sobretudo, havia qualidade.
E tanta "porrada" levava Manoel de Oliveira. Das "secas" ao "desinteressante", passando pelo "velho" ao "visto".
Não haja dúvida: fez o que quis. Terá feito como quis? Sempre que quis?
Em resposta à sua arte sempre existiram os inevitáveis antagonistas. A condenação aconteceu.
Agora, morre. Deixando legando. Vivendo nos seus filmes. Fazendo ecoar o nome.
Mas morre.
Porque é inevitável. Dando sentido à vida, claro, mas não resistindo à inevitabilidade.
Acima de tudo, e é este o ponto, creio que o mundo não lhe foi indiferente. Creio, até, no contrário.
Só por isso, ganhou.
sexta-feira, março 27, 2015
Vamos jogar no Totobola
Um pequeno post sobre isto que se está a passar com José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa.
Estava no cinema, à espera de ver um filme que, penso, dispunha de bastantes predicados. Recebo uma mensagem (em rigor, duas) de meu pai:
- "Já viste a última?"
Respondi que não
- "Sócrates detido".
Foi como uma bomba.
Na verdade, quase sempre apoiei Sócrates. Ainda hoje acho que, caso se tem mantido à frente dos destinos do País, isto não tinha chegado à miséria a que chegou. Claro, admito estar enganado. Adiante.
Desde que Sócrates foi preso que tenho adivinhado tudo quanto se tem passado de relevante. Resumindo:
- Depois da detenção, acertei na medida de coação: Prisão Preventiva;
- Depois da medida de coação, adivinhei o desfecho: Perder todos os recursos e mais alguns que invente para alterar a dita medida de coação;
- O Advogado que Sócrates escolheu pode ser um bom Advogado. Não serve para este processo;
- Havia de se chegar à conclusão que o livro não fora escrito por ele.
Ora bem, para não parecer presumido, vou jogar no totobola e apostar nos próximos acontecimentos:
- Os prazos de prisão preventiva vão bater nos limites máximos: antes disso, Sócrates não sai da cadeia.
- A Acusação vai ser conhecida a meio de uma qualquer campanha eleitoral (Dica do meu progenitor), seja ela a das Legislativas ou Presidenciais;
- Os advogados vão abrir instrução: Sócrates vai ser pronunciado;
- Feito o julgamento, que se irá arrastar, Sócrates vai ser condenado por todos os crimes, mas, em cúmulo (que é o que a mula diz ao mulo) não passa dos 7 anos e meio;
- Vai haver recurso para tudo o que seja instância: Sócrates não ganha mais nada, senão umas férias pagas num E.P deste Portugalão.
Coisa diferente é perguntarem-me se acho que os crimes foram cometidos. A isso, respondo como a quase tudo o que mete vida jurídica: não conheço o processo, portanto não sei.
Estava no cinema, à espera de ver um filme que, penso, dispunha de bastantes predicados. Recebo uma mensagem (em rigor, duas) de meu pai:
- "Já viste a última?"
Respondi que não
- "Sócrates detido".
Foi como uma bomba.
Na verdade, quase sempre apoiei Sócrates. Ainda hoje acho que, caso se tem mantido à frente dos destinos do País, isto não tinha chegado à miséria a que chegou. Claro, admito estar enganado. Adiante.
Desde que Sócrates foi preso que tenho adivinhado tudo quanto se tem passado de relevante. Resumindo:
- Depois da detenção, acertei na medida de coação: Prisão Preventiva;
- Depois da medida de coação, adivinhei o desfecho: Perder todos os recursos e mais alguns que invente para alterar a dita medida de coação;
- O Advogado que Sócrates escolheu pode ser um bom Advogado. Não serve para este processo;
- Havia de se chegar à conclusão que o livro não fora escrito por ele.
Ora bem, para não parecer presumido, vou jogar no totobola e apostar nos próximos acontecimentos:
- Os prazos de prisão preventiva vão bater nos limites máximos: antes disso, Sócrates não sai da cadeia.
- A Acusação vai ser conhecida a meio de uma qualquer campanha eleitoral (Dica do meu progenitor), seja ela a das Legislativas ou Presidenciais;
- Os advogados vão abrir instrução: Sócrates vai ser pronunciado;
- Feito o julgamento, que se irá arrastar, Sócrates vai ser condenado por todos os crimes, mas, em cúmulo (que é o que a mula diz ao mulo) não passa dos 7 anos e meio;
- Vai haver recurso para tudo o que seja instância: Sócrates não ganha mais nada, senão umas férias pagas num E.P deste Portugalão.
Coisa diferente é perguntarem-me se acho que os crimes foram cometidos. A isso, respondo como a quase tudo o que mete vida jurídica: não conheço o processo, portanto não sei.
Fecho de Semana
Sem quaisquer leituras secundárias, posto este videoclip de uma música de Sia, chamada Elastic Heart.
Vale pela coreografia, onde se encena uma espécie de batalha, ainda que as leituras que da visualização advenham dêem pano para mangas.
A pensar na semana, em tudo o que ela deu, seria lógico expor duas almas numa jaula em que, no final, ela até consegue sair.
Vale pela coreografia, onde se encena uma espécie de batalha, ainda que as leituras que da visualização advenham dêem pano para mangas.
A pensar na semana, em tudo o que ela deu, seria lógico expor duas almas numa jaula em que, no final, ela até consegue sair.
quinta-feira, março 26, 2015
Crises
Bernardo Pires de Lima foi ontem ao "Inferno", programa do Canal Q. Estava a apresentar o seu livro sobre a Síria. No mesmo, consta uma passagem que será qualquer coisa como: "É profundamente injusto dizer que a Síria está em crise". A leitura desta passagem devia ser a seguinte: crise tem a Europa. Na Síria será mais uma catástrofe humanitária.
Ontem foi dia 25 de Março. Dei por mim a pensar: de que raio me estarei a esquecer. Foi o dia inteiro numa busca aos arquivos da massa cinzenta, tentando perceber, afinal, do que me tinha esquecido.
No final do dia, lembrei-me.
O 25 de Março não era nada. O número 25 é tudo.
Durante muitos anos, o dia 25 foi uma instituição. Todos os meses, naquele dia, me lembrava da mudança da minha vida. Para melhor, claro.
Há um anos atrás, estaria num belo restaurante, com muito menos peso do que tenho agora, a olhar para uma delicada escultura humana, sempre recordando o dia em que me aceitou.
Não é que agora não faça o mesmo. Mudou a data, mercê de factos supervenientes.
Um homem casado tem a felicidade imensa de saber que alguém o aceitou como é.
Ontem foi dia 25 de Março. Dei por mim a pensar: de que raio me estarei a esquecer. Foi o dia inteiro numa busca aos arquivos da massa cinzenta, tentando perceber, afinal, do que me tinha esquecido.
No final do dia, lembrei-me.
O 25 de Março não era nada. O número 25 é tudo.
Durante muitos anos, o dia 25 foi uma instituição. Todos os meses, naquele dia, me lembrava da mudança da minha vida. Para melhor, claro.
Há um anos atrás, estaria num belo restaurante, com muito menos peso do que tenho agora, a olhar para uma delicada escultura humana, sempre recordando o dia em que me aceitou.
Não é que agora não faça o mesmo. Mudou a data, mercê de factos supervenientes.
Um homem casado tem a felicidade imensa de saber que alguém o aceitou como é.
quarta-feira, março 25, 2015
Sopa
Há palavras que nos castigam, que moem a paciência, que nos fazem desejar a surdez.
De entre as muitas que me provocam especial dificuldade, vinha hoje falar da palavra "sopa".
A magia da palavra "sopa" é muito pessoal. Há pessoas que a fazem soar de forma normalíssima, o que agradeço, penhoradamente. Depois, há as outras.
- As pessoas que medem 1,70 metros e pesam 30 kilos.
- As pessoas que estão no ginásio e conseguem sorrir enquanto correm na passadeira.
- As pessoas que dizem que vão almoçar uma "sopa".
- Nutricionistas em geral que falam dos "benefícios da sopa" (quase arranquei um ouvido ao escrever esta merda, fod@-#$)
Toda esta gente, profundamente necessitada de ser enjaulada, profere esta maldita palavra de 4 letras com um som capaz de me fazer desistir da vida. Falam dela como se fosse a solução, como se fosse algo de saboroso.
NÃO É!!!
Ora bem, e dito isto, valia a pena explicar-me. Terá de haver uma razão para estar a comunicar ao vasto auditório que me segue esta espécie de privação de uma relativa qualidade de vida.
E, como sempre, é o trauma. Tem de haver um trauma. Bem recalcado. Bem metido. Impossível de expulsar.
Quando somos mais jovens, entidades existem que "nos obrigam a comer a sopa".
Está aqui um problema. "Obrigar" e "Sopa". Nunca existe um "obrigar" a fazer algo que valha a pena. Não. "Obrigar" traz dor, traz chatice, traz textos destes anos depois.
A partir de uma certa idade, é certo, podemos escolher. Mas na infância não.
Está aqui a primeira razão.
A segunda razão é a mais evidente: SE A SOPA (AIIIIIIIIIIIIIIII) FOSSE UM ALIMENTO SABOROSO (AIIIII, "SOPA" E "SABOROSO" NA MESMA FRASE!!!) ninguém era obeso. Havia menos diabéticos, menos pessoal com hipertensão e por aí fora.
Terceira razão: a sopa representa um estilo de vida. Um estilo de vida de freiras, de fascistas-higiénicos, de gente que nunca comeu mais nada senão coves em caldo. (Sem querer generalizar. Percebam, é duro escrever tantas vezes a palavrinha e lembrar-me da sua entoação na cabeça. Raios). É um estilo de vida que não me interessa. Até porque, quando morrer, há de estar alguém ao pé do meu casaco de pinho a dizer:
- Este rapaz estava gordo. Só comia pizzas e hamburguers. Nunca o vi a comer uma sopa.
(Estava capaz de jurar que voltava à vida só para esfolar o autor da frase)
Enfim. Ao contrário de tudo mais, eu até aguento bem quem diz "sopinha". É mais irritante, mas remete para o imaginário das coisas rápidas (como sejam um "minutinho" ou "instantinho"). Uma "sopinha" é um castigo que passará rápido.
Antes de terminar, queria fazer uma importante distinção. Caldo Verde não é sopa. Canja não é sopa. Sopa da Pedra não é Sopa. O nome é Caldo Verde, Canja e Sopa da Pedra.
Enfim. O saudável irrita-me. Por isso estou assim.
De entre as muitas que me provocam especial dificuldade, vinha hoje falar da palavra "sopa".
A magia da palavra "sopa" é muito pessoal. Há pessoas que a fazem soar de forma normalíssima, o que agradeço, penhoradamente. Depois, há as outras.
- As pessoas que medem 1,70 metros e pesam 30 kilos.
- As pessoas que estão no ginásio e conseguem sorrir enquanto correm na passadeira.
- As pessoas que dizem que vão almoçar uma "sopa".
- Nutricionistas em geral que falam dos "benefícios da sopa" (quase arranquei um ouvido ao escrever esta merda, fod@-#$)
Toda esta gente, profundamente necessitada de ser enjaulada, profere esta maldita palavra de 4 letras com um som capaz de me fazer desistir da vida. Falam dela como se fosse a solução, como se fosse algo de saboroso.
NÃO É!!!
Ora bem, e dito isto, valia a pena explicar-me. Terá de haver uma razão para estar a comunicar ao vasto auditório que me segue esta espécie de privação de uma relativa qualidade de vida.
E, como sempre, é o trauma. Tem de haver um trauma. Bem recalcado. Bem metido. Impossível de expulsar.
Quando somos mais jovens, entidades existem que "nos obrigam a comer a sopa".
Está aqui um problema. "Obrigar" e "Sopa". Nunca existe um "obrigar" a fazer algo que valha a pena. Não. "Obrigar" traz dor, traz chatice, traz textos destes anos depois.
A partir de uma certa idade, é certo, podemos escolher. Mas na infância não.
Está aqui a primeira razão.
A segunda razão é a mais evidente: SE A SOPA (AIIIIIIIIIIIIIIII) FOSSE UM ALIMENTO SABOROSO (AIIIII, "SOPA" E "SABOROSO" NA MESMA FRASE!!!) ninguém era obeso. Havia menos diabéticos, menos pessoal com hipertensão e por aí fora.
Terceira razão: a sopa representa um estilo de vida. Um estilo de vida de freiras, de fascistas-higiénicos, de gente que nunca comeu mais nada senão coves em caldo. (Sem querer generalizar. Percebam, é duro escrever tantas vezes a palavrinha e lembrar-me da sua entoação na cabeça. Raios). É um estilo de vida que não me interessa. Até porque, quando morrer, há de estar alguém ao pé do meu casaco de pinho a dizer:
- Este rapaz estava gordo. Só comia pizzas e hamburguers. Nunca o vi a comer uma sopa.
(Estava capaz de jurar que voltava à vida só para esfolar o autor da frase)
Enfim. Ao contrário de tudo mais, eu até aguento bem quem diz "sopinha". É mais irritante, mas remete para o imaginário das coisas rápidas (como sejam um "minutinho" ou "instantinho"). Uma "sopinha" é um castigo que passará rápido.
Antes de terminar, queria fazer uma importante distinção. Caldo Verde não é sopa. Canja não é sopa. Sopa da Pedra não é Sopa. O nome é Caldo Verde, Canja e Sopa da Pedra.
Enfim. O saudável irrita-me. Por isso estou assim.
quarta-feira, março 18, 2015
Lamentos
Tenho lido pouco. Tenho visto pouco cinema europeu. A última vez que fui ao teatro foi há mais de um ano. À Opera nem se fala. Tenho comido coisas que me fazem mal, mas sabem bem. Tenho sido sedentário. Vai fazer em Maio 3 anos de tabaco, ainda que em doses reduzidas.
Que vida boa seria se lesse que nem um doido, conhecesse tudo quanto é ator e realizador da Picheleira até Minsk, escrevesse crítica de teatro para uma revista da especialidade e soubesse cada nota do Anel dos Nibelungos (A série toda). Que saudável seria se comesse verduras e condenasse ao fogo do inferno os hidratos e o açucar. Que grosso estaria se o ginásio fosse diário. O Tabaco dá estilo, poupem-me.
- Senhor Padre?
- Reza um Pai Nosso e um Avé Maria, para te dar força. Deus t'abençoe.
Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais e até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos, trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos com problemas pequenos
Ter morrido de amor
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos, trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr.
Que vida boa seria se lesse que nem um doido, conhecesse tudo quanto é ator e realizador da Picheleira até Minsk, escrevesse crítica de teatro para uma revista da especialidade e soubesse cada nota do Anel dos Nibelungos (A série toda). Que saudável seria se comesse verduras e condenasse ao fogo do inferno os hidratos e o açucar. Que grosso estaria se o ginásio fosse diário. O Tabaco dá estilo, poupem-me.
- Senhor Padre?
- Reza um Pai Nosso e um Avé Maria, para te dar força. Deus t'abençoe.
Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais e até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos, trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos com problemas pequenos
Ter morrido de amor
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos, trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr.
Joe Cocker - With a little help from my friends
Sendo esta uma Quarta muito Segunda, dei por mim a fazer comparações.
Comparações normais. Com o antes e o agora. Com estes e com aqueles.
Tenho em mim um gene cabresto que me faz olhar para o passado e ver que estive sempre melhor do que estou.
Se o homem também é o que é e mais as circunstâncias, raio.
What would you think if I sang out of tune
Would you stand up and walk out on me?
Lend me your ears and I'll sing you a song
And I'll try not to sing out of key
Oh I get by with a little help from my friends
Mm I get high with a little help from my friends
Mm going to try with a little help from my friends
What do I do when my love is away?
(Does it worry you to be alone?)
How do I feel by the end of the day?
(Are you sad because you're on your own?)
No I get by with a little help from my friends
Mm I get high with a little help from my friends
Mm going to try with a little help from my friends
(Do you need anybody?)
I need somebody to love
(Could it be anybody?)
I want somebody to love
(Would you believe in a love at first sight?)
Yes I'm certain that it happens all the time
(What do you see when you turn out the light?)
I can't tell you, but I know it's mine
Oh I get by with a little help from my friends
Mm I get high with a little help from my friends
Oh I'm going to try with a little help from my friends
(Do you need anybody?)
I just need somebody to love
(Could it be anybody?)
I want somebody to love
Oh I get by with a little help from my friends
Mm going to try with a little help from my friends
Oh I get high with a little help from my friends
Yes I get by with a little help from my friends
With a little help from my friends
Comparações normais. Com o antes e o agora. Com estes e com aqueles.
Tenho em mim um gene cabresto que me faz olhar para o passado e ver que estive sempre melhor do que estou.
Se o homem também é o que é e mais as circunstâncias, raio.
What would you think if I sang out of tune
Would you stand up and walk out on me?
Lend me your ears and I'll sing you a song
And I'll try not to sing out of key
Oh I get by with a little help from my friends
Mm I get high with a little help from my friends
Mm going to try with a little help from my friends
What do I do when my love is away?
(Does it worry you to be alone?)
How do I feel by the end of the day?
(Are you sad because you're on your own?)
No I get by with a little help from my friends
Mm I get high with a little help from my friends
Mm going to try with a little help from my friends
(Do you need anybody?)
I need somebody to love
(Could it be anybody?)
I want somebody to love
(Would you believe in a love at first sight?)
Yes I'm certain that it happens all the time
(What do you see when you turn out the light?)
I can't tell you, but I know it's mine
Oh I get by with a little help from my friends
Mm I get high with a little help from my friends
Oh I'm going to try with a little help from my friends
(Do you need anybody?)
I just need somebody to love
(Could it be anybody?)
I want somebody to love
Oh I get by with a little help from my friends
Mm going to try with a little help from my friends
Oh I get high with a little help from my friends
Yes I get by with a little help from my friends
With a little help from my friends
sexta-feira, março 13, 2015
Aggiornamento
Os últimos posts têm reflectido queixas atrás de queixas.
Não é legau (Brasileirismo latente).
Vamos mudar de toada.
Claro, há uma razão para o arrazoado de queixume. Há uma parábola que assiste: "Meu filho, quando coçares os tomates e notares que coçaste três, desengana-te: não tens uma terceira bola, estão é a ir-te ao cú".
Perdão pelo calão. Isto segue dentro de momentos.
Não é legau (Brasileirismo latente).
Vamos mudar de toada.
Claro, há uma razão para o arrazoado de queixume. Há uma parábola que assiste: "Meu filho, quando coçares os tomates e notares que coçaste três, desengana-te: não tens uma terceira bola, estão é a ir-te ao cú".
Perdão pelo calão. Isto segue dentro de momentos.
quarta-feira, março 11, 2015
Mera prova indiciária
Fiz um teste para saber que tipo de pai seria.
Calhou Walter White.
Podia ter calhado o Phil Dunphy, Sonny Koufax, até mesmo Tony Soprano.
Walter White.
Do Breaking Bad.
Calhou Walter White.
Podia ter calhado o Phil Dunphy, Sonny Koufax, até mesmo Tony Soprano.
Walter White.
Do Breaking Bad.
segunda-feira, março 09, 2015
Lições
Findou, hoje, a produção de prova num processo que corre termos num Julgado de Paz desse Portugalão.
O processo foi-me "confiado" numa ótica de favor, mais concretamente, a parte e a contra-parte são amigos comuns de um colega meu. Por não se querer envolver, o colega pediu-me para fazer o julgamento, cabendo-lhe fazer determinada peça processual, um articulado.
Foi o processo que, sem dúvida, me abalou mais, nem sendo nada de especial. Sem querer revelar os detalhes, aprendi:
1. Nunca aceitar processos de clientes que não te pertecem. Há excepções.
2. Nunca mostrar educação com as testemunhas da parte contrária. Passas por "calmo". Um advogado "calmo" é sinónimo de "corno manso".
3. Aumentar a dose de cinismo na vida diária. Desde que comecei a ser advogado que me vejo um cínico nojento. Para a profissão, é bom. Melhor mesmo só psicopata, no sentido mesmo médico do termo.
4. Nunca receber no fim. É que não sei quanto vou receber, nem quando. Fiz um favor.
5. Nunca faças favores incondicionais, no que à profissão diz respeito. Goes without saying.
Só tenho a dizer que, felizmente, não volto àquele lugar tão cedo.
Também tinha uma lista de desejos. Vou ficar-me pelas lições.
O processo foi-me "confiado" numa ótica de favor, mais concretamente, a parte e a contra-parte são amigos comuns de um colega meu. Por não se querer envolver, o colega pediu-me para fazer o julgamento, cabendo-lhe fazer determinada peça processual, um articulado.
Foi o processo que, sem dúvida, me abalou mais, nem sendo nada de especial. Sem querer revelar os detalhes, aprendi:
1. Nunca aceitar processos de clientes que não te pertecem. Há excepções.
2. Nunca mostrar educação com as testemunhas da parte contrária. Passas por "calmo". Um advogado "calmo" é sinónimo de "corno manso".
3. Aumentar a dose de cinismo na vida diária. Desde que comecei a ser advogado que me vejo um cínico nojento. Para a profissão, é bom. Melhor mesmo só psicopata, no sentido mesmo médico do termo.
4. Nunca receber no fim. É que não sei quanto vou receber, nem quando. Fiz um favor.
5. Nunca faças favores incondicionais, no que à profissão diz respeito. Goes without saying.
Só tenho a dizer que, felizmente, não volto àquele lugar tão cedo.
Também tinha uma lista de desejos. Vou ficar-me pelas lições.
sexta-feira, março 06, 2015
Avulsos
Percebi que a minha pança tem personalidade jurídica.
Merece ser individualizada, ter património, número de identificação fiscal e cartão do cidadão. Merece votar, usufruir do SNS e da Escola Pública.
A minha pança votaria à Direita. CDS-PP. Tirava o curso de Engenharia Agrónoma e só frequentava clínicas privadas, como a dos Lusíadas.
Quem me dera gostar mais de ginásio (e ter tempo...ter tempo...). Se gostasse, a minha pança poderia acasalar com uma pança fémea e terem pancinhas pequenas, que educariam sob forte influência católica. E poderia porque já não estaria em mim a dar-me relevos que bem dispensava.
Merece ser individualizada, ter património, número de identificação fiscal e cartão do cidadão. Merece votar, usufruir do SNS e da Escola Pública.
A minha pança votaria à Direita. CDS-PP. Tirava o curso de Engenharia Agrónoma e só frequentava clínicas privadas, como a dos Lusíadas.
Quem me dera gostar mais de ginásio (e ter tempo...ter tempo...). Se gostasse, a minha pança poderia acasalar com uma pança fémea e terem pancinhas pequenas, que educariam sob forte influência católica. E poderia porque já não estaria em mim a dar-me relevos que bem dispensava.
quarta-feira, março 04, 2015
Devaneios de meio de tarde com remate de convite a contratar.
Gostava de abrir escritório.
Não era sozinho. O ideal era 3/4 pessoas, para se conseguir dividir despesas. Cada um com seus clientes e respectivo pagamento.
Com 4 pessoas, dava € 200/mês a cada um.
Eu sei que ninguém quer, mas,
Quem quer?
Não era sozinho. O ideal era 3/4 pessoas, para se conseguir dividir despesas. Cada um com seus clientes e respectivo pagamento.
Com 4 pessoas, dava € 200/mês a cada um.
Eu sei que ninguém quer, mas,
Quem quer?
terça-feira, março 03, 2015
Souvenirs
(Penso que já terei escrito um post com o mesmo início. A vida é isto mesmo: um Alzheimer consciente)
Em certo filme de Manoel de Oliveira (meu ídolo pessoal), uma das personagens pergunta a outra como se diz "saudades" na língua desse imortal estadista que é Hollande (ela só pergunta mesmo como se diz "saudades"). Andam por ali até que alguém diz que será, talvez, Souvenirs.
Para mim, um Souvenir é um porta-chaves de uma zona balnear. Quiçá, um boneco das Caldas.
Contudo, e na senda do supra exposto, peço justiça.
Nada disso.
Lembrei-me do episódio de uma colega de escritório que daqui saiu no fim do estágio. Tinha arranjado um emprego numa espécie de Secretaria de Estado do Turismo, mas não estou a ser preciso. Seria algo desse género.
Lá foi ela contar ao Ilustre e Distinto Chefe Supremo Cateran que ia embora. De onde estava, ainda se ouviam aqueles sons de alegria contida, expelidos em resposta quando alguém nos diz que ganhou € 5 numa raspadinha, ou quando um notável urso passa com 50% num teste.
Lá regressou ao posto e perguntei-lhe como tinha sido.
Foi então que me contou que tinha dado a novidade, ele tinha-se rido, dito qualquer coisa como "muito bem" (lá está, "ganhaste uma coca-cola extra? boa!") e rematado:
- Olha, lá para onde fores, vê lá se chegas a horas.
Sempre que a vejo (vivemos perto um do outro), é inevitável lembrar-me da história.
Em certo filme de Manoel de Oliveira (meu ídolo pessoal), uma das personagens pergunta a outra como se diz "saudades" na língua desse imortal estadista que é Hollande (ela só pergunta mesmo como se diz "saudades"). Andam por ali até que alguém diz que será, talvez, Souvenirs.
Para mim, um Souvenir é um porta-chaves de uma zona balnear. Quiçá, um boneco das Caldas.
Contudo, e na senda do supra exposto, peço justiça.
Nada disso.
Lembrei-me do episódio de uma colega de escritório que daqui saiu no fim do estágio. Tinha arranjado um emprego numa espécie de Secretaria de Estado do Turismo, mas não estou a ser preciso. Seria algo desse género.
Lá foi ela contar ao Ilustre e Distinto Chefe Supremo Cateran que ia embora. De onde estava, ainda se ouviam aqueles sons de alegria contida, expelidos em resposta quando alguém nos diz que ganhou € 5 numa raspadinha, ou quando um notável urso passa com 50% num teste.
Lá regressou ao posto e perguntei-lhe como tinha sido.
Foi então que me contou que tinha dado a novidade, ele tinha-se rido, dito qualquer coisa como "muito bem" (lá está, "ganhaste uma coca-cola extra? boa!") e rematado:
- Olha, lá para onde fores, vê lá se chegas a horas.
Sempre que a vejo (vivemos perto um do outro), é inevitável lembrar-me da história.
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