Menino Bloggerzinho, para amanhã terá de fazer uma composição em que fale dos seguintes temas:
- Malucos;
- Ilusão;
- Malucos;
- Trabalho;
- Indiferença;
- Malucos
Era uma vez um tatazio.
Agora a sério.
Chego. Mais cedo do que é costume. Vinha de uma diligência.
No local onde exerço as minhas funções, existe uma peça chamada, carinhosamente, "folha de obra". A "folha de obra" mais não é que um registo obrigatório das tarefas desempenhadas, incluindo cliente, processo e tempo dispendido.
Há que entregá-la todos os dias, devidamente preenchida. Este menino não entrega a sua há dois dias. Um verdadeiro escândalo.
O chefe teve para comigo alguma palavra? Não. O chefe importa-se muito? Pouco? Nada.
Então, o que te faz escrever, menino?
Chego. Mais cedo do que é costume. Vinha de uma diligência.
Vem até mim um tatatazio.
"É por causa das folhas?"
"É. Mas não é só isso".
"'Tão?"
"Tu não andas bem."
"Não ando bem?"
"Não. Há qualquer coisa".
"O quê?"
"Epá, tu andas a isolar-te."
(Pausa para silêncio dramático)
"Ando a isolar-me?"
"Andas. Antigamente, andavas sempre por aí, fazias piadas, metias-te com o pessoal. Agora não. Sentas-te, estás com o "fónes" postos a ouvir música. Não é normal".
(Pausa para aguentar o riso)
"Pois, oh coiso (inserir outro nome), epá, ajuda a concentrar-me ter um ruído..."
"Mas é que tu não foste sempre assim" (Ele que me conhece há tantos anos...)
"Fui, coisinho, fui..."
"É que eu tou na psicanálise e sei ver essas coisas. Eu próprio já estive como tu. Estás com algum problema na tua vida privada?"
A conversa continuou.
Agradeci do fundo do meu coração a preocupação. No meio, foi dizendo que era fundamental para ele ter equipas motivadas e que isso, para ele, era tudo.
Só posso concluir que fui alvo de uma intervenção.
E fui alvo de uma intervenção porque não lhe entreguei as "Folhas de Obra".
Que castigo desproporcional.
segunda-feira, junho 17, 2013
quinta-feira, junho 13, 2013
Dias importantes
É o dia de aniversário.
Meu? Teu?
Sendo de quem é, é um pouco o dia de aniversário, pelo menos, de duas pessoas.
Não que se celebrem os anos de vida: porque a ela se devem os mesmos.
E não só porque a ela se devem os mesmos: porque ela os fez ótimos.
E não só porque ela os fez ótimos: porque os fez à sua imagem.
Parabéns.!
Meu? Teu?
Sendo de quem é, é um pouco o dia de aniversário, pelo menos, de duas pessoas.
Não que se celebrem os anos de vida: porque a ela se devem os mesmos.
E não só porque a ela se devem os mesmos: porque ela os fez ótimos.
E não só porque ela os fez ótimos: porque os fez à sua imagem.
Parabéns.!
Contributo para uma noção
Cinco anos cinco.
Aulas, práticas e teóricas, horas incalculáveis em bibliotecas e salas de estudo.
Bocas, vitórias, derrotas.
Testes. Stress.
Trabalha-se para uma causa, com um objectivo: chegar-se um lugar, criar-se uma posição.
Hoje, há que confessar que nunca vi tanto trabalho e especialização deitada à rua.
Culpa?
Minha.
Aulas, práticas e teóricas, horas incalculáveis em bibliotecas e salas de estudo.
Bocas, vitórias, derrotas.
Testes. Stress.
Trabalha-se para uma causa, com um objectivo: chegar-se um lugar, criar-se uma posição.
Hoje, há que confessar que nunca vi tanto trabalho e especialização deitada à rua.
Culpa?
Minha.
terça-feira, junho 04, 2013
segunda-feira, junho 03, 2013
Algumas Segundas
Proliferam as imagens alusivas à temática capitalista-laboral da Segunda-Feira.
Normalmente, há gente com olheiras, sono e elementos afins.
Durante uma boa parte da minha vida, acompanhava o espírito social relativo ao primeiro dia útil da semana.
Agora, não.
A grande diferença do "antes e do depois" é a tristeza patente no início da semana.
Nunca me incomodou física nem psicologicamente voltar ao trabalho. Custava, é certo, mas era sempre uma maneira de rever os meus amigos.
Agora, não.
Enfim, o trabalho não é nada como o resto da vida.
Como dizia o Bruno Nogueira, no "Último a Sair", para a Lucy: "O mundo não é só isto. O mundo é bué cenas."
Normalmente, há gente com olheiras, sono e elementos afins.
Durante uma boa parte da minha vida, acompanhava o espírito social relativo ao primeiro dia útil da semana.
Agora, não.
A grande diferença do "antes e do depois" é a tristeza patente no início da semana.
Nunca me incomodou física nem psicologicamente voltar ao trabalho. Custava, é certo, mas era sempre uma maneira de rever os meus amigos.
Agora, não.
Enfim, o trabalho não é nada como o resto da vida.
Como dizia o Bruno Nogueira, no "Último a Sair", para a Lucy: "O mundo não é só isto. O mundo é bué cenas."
quinta-feira, maio 30, 2013
Cenas de Advogado (Ou, por outra, aprendiz de...)
"Uma vez estive uma manhã inteira para chegar a um acordo e não se alcançou o dito por causa de uma frase".
segunda-feira, maio 27, 2013
segunda-feira, maio 20, 2013
A intimidade
Para uma definição: cá está ela.
Enquanto qualidade daquilo que é íntimo, a intimidade é, na minha modesta opinião, uma última barreira.
Do grande princípio da confiança que norteia toda e qualquer relação, seja pessoal ou jurídica (mesmo!), que não convém violar, deriva a defesa da intimidade.
Essa defesa faz-se das mais diversas formas.
Por um lado, não propagandeando o que nela existe, e por outro, decisivo, fazendo dela um círculo privilegiado de conversa, debate, avanço.
Num plano algo diferente deste, temos a conversa da treta.
A conversa da treta surge como uma das mais fantásticas criações da natureza. Qualquer ser-humano tem capacidade da produzir, de a fazer alastrar, até de a defender.
Certo dia, a conversa da treta e a intimidade encontraram-se.
Digamos, para jogar uma bisca lambida.
Como não são pessoas, não falaram uma com a outra.
Nem jogaram às cartas.
Porém, a mera hipótese metafórica de um encontro entre um substantivo e uma expressão faz logo antever que está na própria rerum natura a total antitese.
A moral da história não é o gelado ser de morango.
Quando se misturam realidades incomunicáveis é estúpido.
E o que é estúpido é só estúpido ou poderá resultar, ainda, na moagem mental.
E a mente não é materia prima para fazer pão.
Enquanto qualidade daquilo que é íntimo, a intimidade é, na minha modesta opinião, uma última barreira.
Do grande princípio da confiança que norteia toda e qualquer relação, seja pessoal ou jurídica (mesmo!), que não convém violar, deriva a defesa da intimidade.
Essa defesa faz-se das mais diversas formas.
Por um lado, não propagandeando o que nela existe, e por outro, decisivo, fazendo dela um círculo privilegiado de conversa, debate, avanço.
Num plano algo diferente deste, temos a conversa da treta.
A conversa da treta surge como uma das mais fantásticas criações da natureza. Qualquer ser-humano tem capacidade da produzir, de a fazer alastrar, até de a defender.
Certo dia, a conversa da treta e a intimidade encontraram-se.
Digamos, para jogar uma bisca lambida.
Como não são pessoas, não falaram uma com a outra.
Nem jogaram às cartas.
Porém, a mera hipótese metafórica de um encontro entre um substantivo e uma expressão faz logo antever que está na própria rerum natura a total antitese.
A moral da história não é o gelado ser de morango.
Quando se misturam realidades incomunicáveis é estúpido.
E o que é estúpido é só estúpido ou poderá resultar, ainda, na moagem mental.
E a mente não é materia prima para fazer pão.
segunda-feira, maio 06, 2013
Dicionário
Patrão
s. m.
1.
Chefe de uma empresa industrial ou comercial.
2.
Qualquer pessoa em relação aos que a servem.
3.
Amo.
4.
Comandante de barco.
=
ARRAIS, MESTRE
5.
Patrono.
6.
[Antigo]
Padrão.
7. Pessoa a quem não se pode mandar para o caralho que a foda.
segunda-feira, abril 29, 2013
Labores del Hogar
Trata-se de uma revista cuja resistência ao tempo é teste que não sei se passou.
A trabalhar num determinado tipo de peça processual, dou comigo a somar os despojos do dia.
E ainda são só cinco da tarde.
Neste momento, tenho dois patrões.
Agora, estou sujeito aos registos temporais.
Por enquanto, só tenho dúvidas na minha cabeça.
Por que raio havia de estar a viver num momento de crise?
Quanto tempo demora uma peça processual?
Quanto tempo?
Por que razão estou confinado a isto?
Odeio fazer perguntas.
Não gosto do que faço.
Não faço o que gosto.
Pior: pareço uma pita maluca com poesia de casa de banho.
É isso.
Uma pita maluca.
A trabalhar num determinado tipo de peça processual, dou comigo a somar os despojos do dia.
E ainda são só cinco da tarde.
Neste momento, tenho dois patrões.
Agora, estou sujeito aos registos temporais.
Por enquanto, só tenho dúvidas na minha cabeça.
Por que raio havia de estar a viver num momento de crise?
Quanto tempo demora uma peça processual?
Quanto tempo?
Por que razão estou confinado a isto?
Odeio fazer perguntas.
Não gosto do que faço.
Não faço o que gosto.
Pior: pareço uma pita maluca com poesia de casa de banho.
É isso.
Uma pita maluca.
quarta-feira, abril 24, 2013
Ao serviço do mal
Ando a ler, aqui e ali, (mais ali do que aqui) um livro interessante chamado a Nova Teoria do Mal, de Miguel Real.
A complexidade das linhas é clara: começa por uma análise ao funcionamento do cérebro, vai desenvolvendo, até concluir (e nisto estou a ser parcimonioso) que a face do mal são os economistas.
Ainda agora, dei comigo a ouvir o Animal dos R.E.M.
Claro que todas estas referências de pequeno-burguês não significariam nada, não fosse o trabalho que, neste exacto momento, estou a desempenhar.
E que trabalho é esse?
Tentar safar um cliente (também pequeno) que denunciou um contrato a termo que, digamos, não cumpria com os requisitos legais.
A trabalhadora veio impugnar aquilo tudo.
Há que contestar.
Calhou-me.
Nada de más interpretações: gosto muito deste tipo de serviço.
Por outro lado, foi precisamente por isto que não quis ser advogado.
A complexidade das linhas é clara: começa por uma análise ao funcionamento do cérebro, vai desenvolvendo, até concluir (e nisto estou a ser parcimonioso) que a face do mal são os economistas.
Ainda agora, dei comigo a ouvir o Animal dos R.E.M.
Claro que todas estas referências de pequeno-burguês não significariam nada, não fosse o trabalho que, neste exacto momento, estou a desempenhar.
E que trabalho é esse?
Tentar safar um cliente (também pequeno) que denunciou um contrato a termo que, digamos, não cumpria com os requisitos legais.
A trabalhadora veio impugnar aquilo tudo.
Há que contestar.
Calhou-me.
Nada de más interpretações: gosto muito deste tipo de serviço.
Por outro lado, foi precisamente por isto que não quis ser advogado.
quarta-feira, abril 17, 2013
Um certo de tipo de calor
Cheira a trovoada.
Quando a dita cuja está para rebentar, o dia que a antecede é sempre especial.
Há um certo tipo de calor a pairar. Alguma poeira, até. O céu configura-se como se estivesse para parir qualquer espécie de matéria que, dali a umas horas, sabemos qual é.
Por norma, são dias tranquilos. Passa-se pouco, ou nada.
Na verdade, até as conversas são feitas na base da previsão do estado do tempo.
- "Hmmmm, cheira a trovoada."
- "Ahnnnn, pois é, pois é".
Depois de um prazeroso espetáculo a que tive o privilégio de assistir, regressei à chamada "residência habitual".
Como faço (sempre), liguei a televisão. Na RTP2 passava um filme que sempre me agradou, pelos mais diversos motivos: O Frenético.
Quis o acaso que a acção estivesse na cena em que os personagens protagonistas estão num clube privado. Eis que toca Strange, interpretado por Grace Jones (em português, Graça Jonas).
Há dança.
Por alguma razão que alguma ciência algum dia explicará, cheirou-me a trovoada.
Ali, naquela cena específica, está uma metáfora. Mais do que uma metáfora, naquele filme, a cena acaba por ser premonitória de um final semi-trágico.
Ou seja, uma espécie de santíssima trindade que não o é: trovoada, metáfora e tragédia (e aqui é que falha o entendimento: a trovoada é, em si mesmo, uma metáfora para a tragédia. Ora, a trovoada é metáfora para tragédia. Em fim e ao cabo, nem santíssima trindade, nem abençoado duo: é tudo a mesma coisa).
Fica aqui parte importante da banda sonora.
Quando a dita cuja está para rebentar, o dia que a antecede é sempre especial.
Há um certo tipo de calor a pairar. Alguma poeira, até. O céu configura-se como se estivesse para parir qualquer espécie de matéria que, dali a umas horas, sabemos qual é.
Por norma, são dias tranquilos. Passa-se pouco, ou nada.
Na verdade, até as conversas são feitas na base da previsão do estado do tempo.
- "Hmmmm, cheira a trovoada."
- "Ahnnnn, pois é, pois é".
Depois de um prazeroso espetáculo a que tive o privilégio de assistir, regressei à chamada "residência habitual".
Como faço (sempre), liguei a televisão. Na RTP2 passava um filme que sempre me agradou, pelos mais diversos motivos: O Frenético.
Quis o acaso que a acção estivesse na cena em que os personagens protagonistas estão num clube privado. Eis que toca Strange, interpretado por Grace Jones (em português, Graça Jonas).
Há dança.
Por alguma razão que alguma ciência algum dia explicará, cheirou-me a trovoada.
Ali, naquela cena específica, está uma metáfora. Mais do que uma metáfora, naquele filme, a cena acaba por ser premonitória de um final semi-trágico.
Ou seja, uma espécie de santíssima trindade que não o é: trovoada, metáfora e tragédia (e aqui é que falha o entendimento: a trovoada é, em si mesmo, uma metáfora para a tragédia. Ora, a trovoada é metáfora para tragédia. Em fim e ao cabo, nem santíssima trindade, nem abençoado duo: é tudo a mesma coisa).
Fica aqui parte importante da banda sonora.
terça-feira, abril 02, 2013
Gostos e Desgostos
Desta vez, qualquer coisa mais pessoal.
Ainda no dia de hoje, o Sporting Clube de Portugal derrotou o Sporting Clube de Braga por 2-3 no estádio municipal de Braga.
É uma dia feliz, tendo em conta que as vitórias e o el contado têm escasseado por Alvalade.
Neste mesmo dia, uma das multiplas vergonhas do meu clube, Dias Ferreira, abandonou o espaço de comentário televisivo, o Dia Seguinte.
Saiu a dizer: "Não gosto de si", respondendo ao moderador que lhe dizia que não gostava de ver o de costas para a mesa.
Pela segunda (penso eu) vez na história televisiva, aquele homem sai de um programa televisivo aos berros.
Concluindo: não há dias perfeitos na história do SCP, porém, abundam os dias ferreiras.
Ainda no dia de hoje, o Sporting Clube de Portugal derrotou o Sporting Clube de Braga por 2-3 no estádio municipal de Braga.
É uma dia feliz, tendo em conta que as vitórias e o el contado têm escasseado por Alvalade.
Neste mesmo dia, uma das multiplas vergonhas do meu clube, Dias Ferreira, abandonou o espaço de comentário televisivo, o Dia Seguinte.
Saiu a dizer: "Não gosto de si", respondendo ao moderador que lhe dizia que não gostava de ver o de costas para a mesa.
Pela segunda (penso eu) vez na história televisiva, aquele homem sai de um programa televisivo aos berros.
Concluindo: não há dias perfeitos na história do SCP, porém, abundam os dias ferreiras.
segunda-feira, março 25, 2013
Decadência
Ou erosão.
O título podia ser uma outra palavra.
Vamos, então, para a decadência.
A convivência entre os semelhantes é feita de diversos componentes. Em primeiro lugar, a meu ver, a mera coexistência e partilha do mesmo espaço depende da tolêrancia que temos para com as diferenças do próximo.
Da mesma forma, nasce amizade quando muito mais é aquilo que une do que aquilo que nos separa, uma vez mais, do próximo.
As amizades, aquelas dignas desse nome, resistem bem ao tempo e, independentemente do tempo que passe entre a última vez que se viu um amigo e aquela vez em que se dá o reencontro, tudo está na mesma, com a mesma confiança e conforto que houve desde sempre.
Então, poder-se-á dar o caso de haver uma decadência de tão forte companheirismo?
Claro.
Lamentavelmente, constato que o tempo e respectivo decurso, devidamente acompanhado de episódios menos felizes, produz um fenómeno de afastamento progressivo e decadência naquilo que era algo bastante decente.
Isto é um dado meramente empírico ao qual os líricos responderão qualquer coisa como: "Pá, se forem mesmo grandes amigos, o tempo não significa nada".
Mas significa.
Thats a bitch.
O título podia ser uma outra palavra.
Vamos, então, para a decadência.
A convivência entre os semelhantes é feita de diversos componentes. Em primeiro lugar, a meu ver, a mera coexistência e partilha do mesmo espaço depende da tolêrancia que temos para com as diferenças do próximo.
Da mesma forma, nasce amizade quando muito mais é aquilo que une do que aquilo que nos separa, uma vez mais, do próximo.
As amizades, aquelas dignas desse nome, resistem bem ao tempo e, independentemente do tempo que passe entre a última vez que se viu um amigo e aquela vez em que se dá o reencontro, tudo está na mesma, com a mesma confiança e conforto que houve desde sempre.
Então, poder-se-á dar o caso de haver uma decadência de tão forte companheirismo?
Claro.
Lamentavelmente, constato que o tempo e respectivo decurso, devidamente acompanhado de episódios menos felizes, produz um fenómeno de afastamento progressivo e decadência naquilo que era algo bastante decente.
Isto é um dado meramente empírico ao qual os líricos responderão qualquer coisa como: "Pá, se forem mesmo grandes amigos, o tempo não significa nada".
Mas significa.
Thats a bitch.
terça-feira, março 12, 2013
O sustentável peso da inexistência
Por várias vezes a ficção literária, televisiva e cinematográfica (que são as que conheço) tentou criar o cenário perfeito da antítese.
Isto é, tentou pôr o mundo do avesso, apresentar o caos, a discórdia, a incerteza, insegurança, a vida depois da morte e a morte como início da vida.
A vida real, como sempre, como dantes, já cantava o Camané, mete a ficção no chinelo.
O mundo, a certas horas do dia, em certos dias do mês, em certas épocas do ano, vira.
Vira sem aviso, vira de repente.
E depois volta ao normal, àquilo que antes era. Uma vezes tão depressa como virou e outras vezes com variações ritmadas a interromper o processo de retoma, de regresso.
A teoria geral disto que digo está na própria concepção de natureza, de biologia.
Está "escarrapachada" nas burlas aos velhotes, quando eles, enciclopédias vivas, já deviam saber mais a dormir que um batalhão de burlões acordado.
Está patente no declínio de civilizações milenares, fortes, cultas e preparadas: gregos, romanos, incas, por exemplo.
Está na morte de um filho, quando os pais estão no seu velório.
Em todos estes casos, o mundo virou.
Como virou o meu, ainda que por minutos, ainda hoje.
Isto é, tentou pôr o mundo do avesso, apresentar o caos, a discórdia, a incerteza, insegurança, a vida depois da morte e a morte como início da vida.
A vida real, como sempre, como dantes, já cantava o Camané, mete a ficção no chinelo.
O mundo, a certas horas do dia, em certos dias do mês, em certas épocas do ano, vira.
Vira sem aviso, vira de repente.
E depois volta ao normal, àquilo que antes era. Uma vezes tão depressa como virou e outras vezes com variações ritmadas a interromper o processo de retoma, de regresso.
A teoria geral disto que digo está na própria concepção de natureza, de biologia.
Está "escarrapachada" nas burlas aos velhotes, quando eles, enciclopédias vivas, já deviam saber mais a dormir que um batalhão de burlões acordado.
Está patente no declínio de civilizações milenares, fortes, cultas e preparadas: gregos, romanos, incas, por exemplo.
Está na morte de um filho, quando os pais estão no seu velório.
Em todos estes casos, o mundo virou.
Como virou o meu, ainda que por minutos, ainda hoje.
sexta-feira, março 08, 2013
Confluência
O canal Q está na Zon.
Eu sou subscritor da Zon.
Posso ver o Canal Q.
Foi o que fiz.
Ontem, volta da meia noite, meia-noite menos dez, no eterno zapping que efectivamente exerço, parei no supra citado Canal Q.
No ar, o programa "Baseado num história verídica". O Convidado era o Herman José.
Herman José é inevitavelmente inteligente. Chegou onde quis, fez o que lhe apeteceu e, como toda a gente, teve um azar, o de ser "metido" no saco Casa Pia, sem que nada o relacionasse com o processo.
Adiante.
Às tantas, o tema vira-se para a alta sociedade. O entrevistador pergunta-lhe qual o fascínio por ela.
Sai qualquer coisa como isto: "Tu já viste a vida dos pobres? O pobre tem de escolher se vai para a cama, ou se fica a ver televisão; se vai comer ou vai cagar; se vai passear ou fica em casa. Imagina a casa do Ricardo Salgado, aquilo deve ser um glamour. Ele com os filhos, milhões de assuntos. Agora, põe, nisso, um escândalo, uns cornos, a chiquérrima a apaixonar-se pelo Jardineiro. É totalmente diferente" (As palavras podem não ter sido exactamente estas).
Naquela altura, estava a ver televisão, não tinha fome e estava escuro para passear.
Eu sou subscritor da Zon.
Posso ver o Canal Q.
Foi o que fiz.
Ontem, volta da meia noite, meia-noite menos dez, no eterno zapping que efectivamente exerço, parei no supra citado Canal Q.
No ar, o programa "Baseado num história verídica". O Convidado era o Herman José.
Herman José é inevitavelmente inteligente. Chegou onde quis, fez o que lhe apeteceu e, como toda a gente, teve um azar, o de ser "metido" no saco Casa Pia, sem que nada o relacionasse com o processo.
Adiante.
Às tantas, o tema vira-se para a alta sociedade. O entrevistador pergunta-lhe qual o fascínio por ela.
Sai qualquer coisa como isto: "Tu já viste a vida dos pobres? O pobre tem de escolher se vai para a cama, ou se fica a ver televisão; se vai comer ou vai cagar; se vai passear ou fica em casa. Imagina a casa do Ricardo Salgado, aquilo deve ser um glamour. Ele com os filhos, milhões de assuntos. Agora, põe, nisso, um escândalo, uns cornos, a chiquérrima a apaixonar-se pelo Jardineiro. É totalmente diferente" (As palavras podem não ter sido exactamente estas).
Naquela altura, estava a ver televisão, não tinha fome e estava escuro para passear.
segunda-feira, março 04, 2013
Momento meramente académico
Estava a pensar (seriamente, diga-se) encetar uma obra: A Teoria Geral do Limite.
Seria, como o próprio nome indica, um livro com múltiplos tomos e volumes. Teria de abranger várias áreas e inter-ligar ciências e crenças.
O objectivo final seria perceber quando se traça o limite.
Hoje, desisti dessa ideia.
Traçar o limite é a coisa mais fácil deste mundo e do outro.
Problema, aqui, são as consequências. Se cada um está preparado, ou não, para lidar com o que vem a seguir da violação do limite.
E como lida?
E o que vem a seguir?
São incógnitas a mais.
Resta, como sempre, a vontade. Essa é certa como a morte: violado o limite, o fim mais simpático para quem o violou seria a incineração.
Mas a vontade não passa dela própria.
Sob pena de cadeia.
Sob pena de fome.
A terminar, lembrei-me de uma "passagem" interessante de um belo filme que vi, há dias: "Caro Freddie, quando souberes como hás de viver sem depender de um senhor, avisa-nos" (Era qualquer coisa parecida com isto).
Seria, como o próprio nome indica, um livro com múltiplos tomos e volumes. Teria de abranger várias áreas e inter-ligar ciências e crenças.
O objectivo final seria perceber quando se traça o limite.
Hoje, desisti dessa ideia.
Traçar o limite é a coisa mais fácil deste mundo e do outro.
Problema, aqui, são as consequências. Se cada um está preparado, ou não, para lidar com o que vem a seguir da violação do limite.
E como lida?
E o que vem a seguir?
São incógnitas a mais.
Resta, como sempre, a vontade. Essa é certa como a morte: violado o limite, o fim mais simpático para quem o violou seria a incineração.
Mas a vontade não passa dela própria.
Sob pena de cadeia.
Sob pena de fome.
A terminar, lembrei-me de uma "passagem" interessante de um belo filme que vi, há dias: "Caro Freddie, quando souberes como hás de viver sem depender de um senhor, avisa-nos" (Era qualquer coisa parecida com isto).
quinta-feira, fevereiro 28, 2013
I had the time of my life
É uma música pertencente à banda sonora do filme Dirty Dancing, com Patrick Swayze, entretanto falecido.
Isto a propósito do Silver Linings Playbook.
Modo geral, sou adepto de comédias. Um pouco menos de comédias românticas, como é o caso, mas adepto, ainda assim.
Como em tudo, tanto na vida, como nos filmes, há pequenos factos que distinguem, traçam o destino e formam personalidades e características. Aquela hora certa em que se estava no lugar certo. Aquela compra que valeu o triplo do preço. A pessoa que connosco se cruzou.
No cinema, é menos visível, mas está lá.
A derradeira prova, na minha modesta opinião, pois claro, de que o filme, no género, é superior aos pares reside, precisamente, na cena de dança, em que aquilo não corre conforme ensaio.
Pelo contrário, no Dirty Dancing, o cavalheiro Swayze levanta a parceira com uma limpeza exemplar.
Gostei de ambos os filmes, por razões absolutamente diferentes.
Mas o banal era acontecer tudo certinho, porque o "bem triunfa sempre".
Felizmente, aconteceu um precalço.
Porque só com eles (precalços, bem entendido) se pode dar valor ao finalmente.
Isto a propósito do Silver Linings Playbook.
Modo geral, sou adepto de comédias. Um pouco menos de comédias românticas, como é o caso, mas adepto, ainda assim.
Como em tudo, tanto na vida, como nos filmes, há pequenos factos que distinguem, traçam o destino e formam personalidades e características. Aquela hora certa em que se estava no lugar certo. Aquela compra que valeu o triplo do preço. A pessoa que connosco se cruzou.
No cinema, é menos visível, mas está lá.
A derradeira prova, na minha modesta opinião, pois claro, de que o filme, no género, é superior aos pares reside, precisamente, na cena de dança, em que aquilo não corre conforme ensaio.
Pelo contrário, no Dirty Dancing, o cavalheiro Swayze levanta a parceira com uma limpeza exemplar.
Gostei de ambos os filmes, por razões absolutamente diferentes.
Mas o banal era acontecer tudo certinho, porque o "bem triunfa sempre".
Felizmente, aconteceu um precalço.
Porque só com eles (precalços, bem entendido) se pode dar valor ao finalmente.
segunda-feira, fevereiro 25, 2013
O Bode Respiratório
Parece-me que é uma expressão oriunda dos meios futebolísticos.
Adiante.
Como gosto de cinema, não me incomoda nada, pelo contrário, ver distinguido o cinema de qualidade. Vai daí, há as entregas de prémios.
Realizou-se, nesta madrugada, a entrega dos prémios da academia, os Oscares.
Ao contrário da população geral, até gostei do enquadramento.
Por outro lado, no que aos galardoados diz respeito, nem vou pôr em causa o mérito, que com certeza devem ter.
Irritou-me, bastante, a previsibilidade. Os comentadores da cerimónia, que estiveram bem, raramente falharam num nome, lançando, antes do anúncio oficial, quem era o favorito.
Meu dito, meu feito.
Irrita-me toda a tendência que não seja jurídica. Agrada-me o precedente, a consideração que se tem pela jurisprudência e pelos acordãos uniformizadores de jurisprudência.
No que toca a prémios, e especialmente quando é suposto haver surpresa, prefiro não saber.
Quanto a opiniões pessoais, não vi a Vida de Pi nem o Argo. Porém, tendo adorado o Django, preferia que o boneco fosse para o Tommy Lee Jones e que a Jennifer Lawrence esperasse um bocado mais pela vitória. Uns anos.
Mas, repito, não deixa de ser justo.
Adiante.
Como gosto de cinema, não me incomoda nada, pelo contrário, ver distinguido o cinema de qualidade. Vai daí, há as entregas de prémios.
Realizou-se, nesta madrugada, a entrega dos prémios da academia, os Oscares.
Ao contrário da população geral, até gostei do enquadramento.
Por outro lado, no que aos galardoados diz respeito, nem vou pôr em causa o mérito, que com certeza devem ter.
Irritou-me, bastante, a previsibilidade. Os comentadores da cerimónia, que estiveram bem, raramente falharam num nome, lançando, antes do anúncio oficial, quem era o favorito.
Meu dito, meu feito.
Irrita-me toda a tendência que não seja jurídica. Agrada-me o precedente, a consideração que se tem pela jurisprudência e pelos acordãos uniformizadores de jurisprudência.
No que toca a prémios, e especialmente quando é suposto haver surpresa, prefiro não saber.
Quanto a opiniões pessoais, não vi a Vida de Pi nem o Argo. Porém, tendo adorado o Django, preferia que o boneco fosse para o Tommy Lee Jones e que a Jennifer Lawrence esperasse um bocado mais pela vitória. Uns anos.
Mas, repito, não deixa de ser justo.
quinta-feira, fevereiro 21, 2013
terça-feira, fevereiro 19, 2013
Arrentela vs Brasil
Peguei no calhamaço das fotocópias, meti-o dentro da mala e lá fomos.
Isto foi antes de tudo.
4 horas e meia, quiçá 5 e cerca de 500 mil metros depois, lá chegámos ao destino. Aquela casa, aquele lar "lá para cima".
A proposta de estadia era mista. Gozar e estudar.
Como eu disse, foi antes de tudo.
Infelizmente, nunca tive qualquer problema em exercer o belo ócio. É uma questão central na minha vida. A modesta arte do vegetanço corre-me nas veias. Mas isto é feio de se escrever.
Exercido o ócio, nas suas mais diversas modalidades, cabia enquadrar aritméticamente o estudo.
Sentei-me na cozinha. Abri o calhamaço. Não estive sentado duas horas.
O céu, que se via, estava cinzento. Não chovia. Ouviam-se todos os barulhos. A lareira estava o mais parecido possível com um angelical inferno pessoal.
Fartei-me daquilo. O regime jurídico (termo que só vim a aprofundar mais tarde, a bem da sanidade académica) parecia-me acessível.
Dias depois, por escrito, era pedido que resolvesse uma miriade de questões relacionadas com uma promessa de arrendamento a um casal que, hellas, entretanto se havia divorciado.
A conclusão destas linhas, em forma de memória, é uma: o presente vale tanto como um saco de batatas. Menos, talvez.
Isto foi antes de tudo.
4 horas e meia, quiçá 5 e cerca de 500 mil metros depois, lá chegámos ao destino. Aquela casa, aquele lar "lá para cima".
A proposta de estadia era mista. Gozar e estudar.
Como eu disse, foi antes de tudo.
Infelizmente, nunca tive qualquer problema em exercer o belo ócio. É uma questão central na minha vida. A modesta arte do vegetanço corre-me nas veias. Mas isto é feio de se escrever.
Exercido o ócio, nas suas mais diversas modalidades, cabia enquadrar aritméticamente o estudo.
Sentei-me na cozinha. Abri o calhamaço. Não estive sentado duas horas.
O céu, que se via, estava cinzento. Não chovia. Ouviam-se todos os barulhos. A lareira estava o mais parecido possível com um angelical inferno pessoal.
Fartei-me daquilo. O regime jurídico (termo que só vim a aprofundar mais tarde, a bem da sanidade académica) parecia-me acessível.
Dias depois, por escrito, era pedido que resolvesse uma miriade de questões relacionadas com uma promessa de arrendamento a um casal que, hellas, entretanto se havia divorciado.
A conclusão destas linhas, em forma de memória, é uma: o presente vale tanto como um saco de batatas. Menos, talvez.
segunda-feira, fevereiro 18, 2013
sexta-feira, fevereiro 15, 2013
Da anormalidade
Estava à conversa com o capataz da plantação onde exerço a minha profissão de colector de cana de açucar.
A conversa veio parar ao cinema.
Por alguma razão, e confesso toda a minha estupidez em ter, sequer, começado a trocar verbos com a autoridade, disse-lhe que já não tinha paciência para ir a determinado Centro Comercial ao cinema. Muitos putos, muita berraria, pouco civismo.
É então que o cavalheiro pergunta, profundamente indignado: "Epá, mas que filmes é que vais ver?"
E esperou que eu enumerasse.
Não sei porquê.
É que, com ele, nunca tinha acontecido.
A conversa veio parar ao cinema.
Por alguma razão, e confesso toda a minha estupidez em ter, sequer, começado a trocar verbos com a autoridade, disse-lhe que já não tinha paciência para ir a determinado Centro Comercial ao cinema. Muitos putos, muita berraria, pouco civismo.
É então que o cavalheiro pergunta, profundamente indignado: "Epá, mas que filmes é que vais ver?"
E esperou que eu enumerasse.
Não sei porquê.
É que, com ele, nunca tinha acontecido.
quinta-feira, fevereiro 14, 2013
Dia dos Namorados
Há que ser sempre um bocado profano.
Acordei a pensar em "dicas" ou "frases de engate", algo diferente do piroto do trolha.
Só me lembrei de 3.
"O meu nome é Lindo, porque o Ar já tu mo tiraste".
"Usas cuecas TMN? É que tens um cú que é um mimo" (Muito velha, esta.)
"Caíste? Do céu até cá abaixo deve ser uma bruta queda..."
Acordei a pensar em "dicas" ou "frases de engate", algo diferente do piroto do trolha.
Só me lembrei de 3.
"O meu nome é Lindo, porque o Ar já tu mo tiraste".
"Usas cuecas TMN? É que tens um cú que é um mimo" (Muito velha, esta.)
"Caíste? Do céu até cá abaixo deve ser uma bruta queda..."
quarta-feira, fevereiro 13, 2013
Da tendência de suscitar
É da data.
Cresce a tendência para suscitar.
Desta feita, suscito a lamechice.
Amanhã é dia dos namorados.
Como todas as datas comerciais, gosto dela.
sexta-feira, fevereiro 08, 2013
A propósito de uma "pintura" do Bansky, ou da reconstrução do pensamento desprovido de contexto.
Acordar com a seguinte pergunta: Pode um sonho prescrever?
A prescrição é um termo técnico, jurídico.
Paz, quando a mesma se aplicou sobre um crime.
Sorte, quando se fala dela associada a uma dívida.
Os sonhos prescrevem.
Contratamos com a vida a sua concretização. Não depende dela a melhor execução, muito menos o cumprimento. Depende de cada um.
Nunca será a vida a reclamar judicialmente o cumprimento desse sonho.
Porém, será a primeira a invocar a prescrição, quando bater na consciência individual o falhanço e a ela formos pedir contas.
Para tudo há um tempo.
Até para realização de sonhos.
A prescrição é um termo técnico, jurídico.
Paz, quando a mesma se aplicou sobre um crime.
Sorte, quando se fala dela associada a uma dívida.
Os sonhos prescrevem.
Contratamos com a vida a sua concretização. Não depende dela a melhor execução, muito menos o cumprimento. Depende de cada um.
Nunca será a vida a reclamar judicialmente o cumprimento desse sonho.
Porém, será a primeira a invocar a prescrição, quando bater na consciência individual o falhanço e a ela formos pedir contas.
Para tudo há um tempo.
Até para realização de sonhos.
sexta-feira, fevereiro 01, 2013
O Grande Satã do Ocidente
Vistos dois filmes de Bigelow, no curto espaço de dois dias, deu para pensar.
Quem será o Luis de Stau Monteiro Iraquiano?
Quem será o Luis de Stau Monteiro Iraquiano?
Isto é matemática
Chegado, ontem, a casa, liguei a televisão e estava no ar, na Sic Notícias, um programa chamado "Isto é matemática".
Trata-se de um programa com duração de cerca de 10 minutos, onde se abordam temas da matemática de forma interessante e quotidiana (sim, deve haver uma forma quotidiana de abordagem).
O tema de ontem era "probabilidades". Que melhor par para a dança que o sempre mítico euro-milhões? Pois bem, depois da apresentação crua das probabilidade de ganhar o prémio, vieram as comparações. Uma delas, para mim a melhor, é que, reunidas determinadas condições, não muitas, é mais fácil ser eleito presidente da república do que ganhar o jogo.
Isto explica muita coisa, principalmente a existência de um Cavaco.
Mas, como não podia deixar de ser, havia que extrapolar. Foi o que fiz.
Pensando no universo da probabilidades, chego à triste conclusão que elas são tudo o que nos separa da concretização dos nossos sonhos.
Pensemos naquela ida às Bahamas, com pesca submarina, bungalows com chão em vidro, com toda a fauna marinha colorida logo ali...
...ou na submissão da classe burguesa, personificada no chefe, pela via mais humilhante possível.
Nada disto vai acontecer.
E a razão é só uma: é pouco, pouquíssimo, ou nada provável.
Não é porque, em tese, não haja dinheiro para a viagem. Há. Mas isso implicaria deixar de comer durante 3 meses.
Nem é porque, em tese, não haja armas e gente e instrumentos capazes de submeter o referido chefe às privações que ele merecia. Sucede é que isso é crime. Pode ser feito, e até devia, mas, hellas, não pode ser.
As barreiras legais e económicas sufocam o desejo. Por estarmos condicionados, não significa que não possamos fazer. Quer é dizer que não vamos fazer.
Tradução: Não é provável a plena felicidade.
Trata-se de um programa com duração de cerca de 10 minutos, onde se abordam temas da matemática de forma interessante e quotidiana (sim, deve haver uma forma quotidiana de abordagem).
O tema de ontem era "probabilidades". Que melhor par para a dança que o sempre mítico euro-milhões? Pois bem, depois da apresentação crua das probabilidade de ganhar o prémio, vieram as comparações. Uma delas, para mim a melhor, é que, reunidas determinadas condições, não muitas, é mais fácil ser eleito presidente da república do que ganhar o jogo.
Isto explica muita coisa, principalmente a existência de um Cavaco.
Mas, como não podia deixar de ser, havia que extrapolar. Foi o que fiz.
Pensando no universo da probabilidades, chego à triste conclusão que elas são tudo o que nos separa da concretização dos nossos sonhos.
Pensemos naquela ida às Bahamas, com pesca submarina, bungalows com chão em vidro, com toda a fauna marinha colorida logo ali...
...ou na submissão da classe burguesa, personificada no chefe, pela via mais humilhante possível.
Nada disto vai acontecer.
E a razão é só uma: é pouco, pouquíssimo, ou nada provável.
Não é porque, em tese, não haja dinheiro para a viagem. Há. Mas isso implicaria deixar de comer durante 3 meses.
Nem é porque, em tese, não haja armas e gente e instrumentos capazes de submeter o referido chefe às privações que ele merecia. Sucede é que isso é crime. Pode ser feito, e até devia, mas, hellas, não pode ser.
As barreiras legais e económicas sufocam o desejo. Por estarmos condicionados, não significa que não possamos fazer. Quer é dizer que não vamos fazer.
Tradução: Não é provável a plena felicidade.
segunda-feira, janeiro 28, 2013
Apontamentos
Digamos que costumo votar à esquerda.
Votei, por uma vez, na Direita: José Coelho, para Presidente da República.
Ultrapassado este ponto, como em tantas coisas na minha vida, há algo de errado.
Vou falar do Partido Socialista.
Os respectivos militantes e boa parte da população votante em Portugal vê em António Costa um messias. Não percebo bem porquê. O meu principal problema com António Costa (diria mesmo único problema) é não saber bem por que razão é tão aclamado. Em que é que se distinguiu? Em que área política foi forte? O que fez? Como se destacou?
Não sei responder a isto.
Em Lisboa, não tem acertado. No Governo, dava boa imagem, mas, cá está, sem perceber bem porquê.
Há nele todos os sonhos do mundo português.
Isto só para apresentar a seguinte conclusão: Costa, que respeito, sublinhe-se, está para mim como o arroz de cabidela está para o paladar luso. Quem gosta, come bem, mas quem não gosta não se farta de perguntar "por que raio comes tu isso?" ao seu próximo.
Votei, por uma vez, na Direita: José Coelho, para Presidente da República.
Ultrapassado este ponto, como em tantas coisas na minha vida, há algo de errado.
Vou falar do Partido Socialista.
Os respectivos militantes e boa parte da população votante em Portugal vê em António Costa um messias. Não percebo bem porquê. O meu principal problema com António Costa (diria mesmo único problema) é não saber bem por que razão é tão aclamado. Em que é que se distinguiu? Em que área política foi forte? O que fez? Como se destacou?
Não sei responder a isto.
Em Lisboa, não tem acertado. No Governo, dava boa imagem, mas, cá está, sem perceber bem porquê.
Há nele todos os sonhos do mundo português.
Isto só para apresentar a seguinte conclusão: Costa, que respeito, sublinhe-se, está para mim como o arroz de cabidela está para o paladar luso. Quem gosta, come bem, mas quem não gosta não se farta de perguntar "por que raio comes tu isso?" ao seu próximo.
sábado, janeiro 26, 2013
Perceber
Por que razão me lembro disto?
Anda cinzento o tempo. Chove.
Alia-se tudo à falta de forma mental.
Até que se chega aqui e está perfeito. Uma grande composição.
Balanço, puri.
sexta-feira, janeiro 25, 2013
Vem cá, José Manuel
Tendo sido intempestivo no envio de "curricula", paguei o preço na inexperiência.
Calhou-me a fava.
Entro, naquele fatídico dia, no sitio onde hoje, mais ou menos, estou. A conversa...a conversa só fazia prever o que dali viria, veio, vem e virá. Devia ter havido, da minha parte, mais sagacidade na percepção do que me esperava.
O problema, sempre o problema, é a falta de alternativas. A questão é parecida com a do custo de oportunidade, sempre ilustrada com o industrial da restauração.
Hoje, sou um bocado esse fulano que tem um tasco aberto, cujas receitas cobrem as despesas, num infernal break-even, que não permite tirar, seja o que for, para mim.
Porque é que não saio?
Porque não há para onde ir.
Como o homem do restaurante.
Calhou-me a fava.
Entro, naquele fatídico dia, no sitio onde hoje, mais ou menos, estou. A conversa...a conversa só fazia prever o que dali viria, veio, vem e virá. Devia ter havido, da minha parte, mais sagacidade na percepção do que me esperava.
O problema, sempre o problema, é a falta de alternativas. A questão é parecida com a do custo de oportunidade, sempre ilustrada com o industrial da restauração.
Hoje, sou um bocado esse fulano que tem um tasco aberto, cujas receitas cobrem as despesas, num infernal break-even, que não permite tirar, seja o que for, para mim.
Porque é que não saio?
Porque não há para onde ir.
Como o homem do restaurante.
quinta-feira, janeiro 24, 2013
Contributo
Desde já o meu obrigado.
Aqui fica aquilo que procurei, não encontrei, mas foi, gentil e oportunamente, fornecido.
Jorge de Sena
Aqui fica aquilo que procurei, não encontrei, mas foi, gentil e oportunamente, fornecido.
Quatro
sonetos a Afrodite Anadiómena
I
PANDEMOS
Dentífona apriuna a veste iguana
de que se escalca auroma e
tentavela.
Como superta e buritânea amela
se palquitonará transcêndia inana!
Que vúlcios defuratos, que inumana
sussúrica donstália penicela
às trícotas relesta demiquela,
fissivirão boíneos, ó primana!
Dentívolos palpículos, baissai!
Lingâmicos dolins, refucarai!
Por manivornas contumai a veste!
E, quando prolifarem as
sangrárias,
lambidonai tutílicos anárias,
tão placitantos como o pedipeste.
II
ANÓSIA
Que marinais sob tão pora luva
de esbanforida pel retinada
não dão volpúcia de imajar anteada
a que moltínea se adamenta ocuva?
Bocam dedetos calcurando a fuva
que arfala e dúpia de antegor
tutada,
e que tessalta de nigrors nevada.
Vitrai, vitrai, que estamineta
cuva!
Labiliperta-se infanal a esvebe,
agluta, acedirasma, sucamina,
e maniter suavira o termidodo.
Que marinais dulcífima contebe,
ejacicasto, ejacifasto, arina!...
Que marinais, tão pora luva,
todo...
III
URÂNIA
Purília emancivalva emergidanto,
imarculado e róseo, alviridente,
na azúrea juventil conquinomente
transcurva de aste o fido corpo
tanto...
Tenras nadáguas que oculvivam
quanto
palidiscuro, retradito e olente
é mínimo desfincta, repente,
rasga e sedente ao duro
latipranto.
Adónica se esvolve na ambolia
de terso antena avante palpinado.
Fimbril, filível, viridorna, gia
em túlida mancia, vaivinado.
Transcorre uníflo e suspentreme o
dia
noturno ao lia e luçardente ao
cado.
IV
AMÁTIA
Timbórica, morfia, ó persefessa,
meláina, andrófona, repitimbídia,
ó basilissa, ó scótia,
masturlídia,
amata cíprea, calipígea, tressa
de jardinatas nigras, pasifessa,
luni-rosácea lambidando erídia,
erínea, erítia, erótia, erânia,
egídia,
eurínoma, ambológera, donlessa.
Áres, Hefáistos, Adonísio, tutos
alipigmaios, atilícios, futos
da lívia damitada, organissanta,
agonimais se esforem morituros,
necrotentavos de escancárias
duros,
tantisqua abradimembra a teia
canta.
|
Jorge de Sena
Pesquisas
Em conversas, foi-me dito que existe um poema de Jorge de Sena composto, inteiramente, de palavras inventadas. Eis que fui à procura do dito.
Não o encontrei.
Mas dei de caras com isto.
A Canalha
Como esta gente odeia, como espuma
por entre os dentes podres a sua baba
de tudo sujo nem sequer prazer!
Como se querem reles e mesquinhos,
piolhosos, fétidos e promíscuos
na sarna vergonhosa e pustulenta!
Como se rabialçam de importantes,
fingindo-se de vítimas, vestais,
piedosas prostitutas delicadas!
Como se querem torpes e venais
palhaços pagos da miséria rasca
de seus cafés, popós e brilhantinas!
Há que esmagar a DDT, penicilina
e pau pelos costados tal canalha
de coxos, vesgos, e ladrões e pulhas,
tratá-los como lixo de oito séculos
de um povo que merece melhor gente
para salvá-lo de si mesmo e de outrem.
7 de Dezembro de 1971
Por mim, está bem.
Ou, por outra, "muito bem", citando Gaspar.
Não o encontrei.
Mas dei de caras com isto.
A Canalha
Como esta gente odeia, como espuma
por entre os dentes podres a sua baba
de tudo sujo nem sequer prazer!
Como se querem reles e mesquinhos,
piolhosos, fétidos e promíscuos
na sarna vergonhosa e pustulenta!
Como se rabialçam de importantes,
fingindo-se de vítimas, vestais,
piedosas prostitutas delicadas!
Como se querem torpes e venais
palhaços pagos da miséria rasca
de seus cafés, popós e brilhantinas!
Há que esmagar a DDT, penicilina
e pau pelos costados tal canalha
de coxos, vesgos, e ladrões e pulhas,
tratá-los como lixo de oito séculos
de um povo que merece melhor gente
para salvá-lo de si mesmo e de outrem.
7 de Dezembro de 1971
Por mim, está bem.
Ou, por outra, "muito bem", citando Gaspar.
Do aspecto
O blogue conhece muitas constantes.
A falta de leitores.
(Consequentemente), A falta de comentários.
O template.
Ora, vamos lá amputar parte desta santíssima trindade.
Está, oficialmente, mudado o template.
A falta de leitores.
(Consequentemente), A falta de comentários.
O template.
Ora, vamos lá amputar parte desta santíssima trindade.
Está, oficialmente, mudado o template.
quarta-feira, janeiro 23, 2013
Num escritório
Para se ser advogado, deve fazer-se um estágio.
Actualmente, esse estágio demora cerca de 3 anos, um pouco menos se, como se diz na gíria, "correr tudo bem".
Quando me iniciei nas lides da advocacia, comecei por procurar um escritório que me acolhesse. O estágio postula várias formalidades e a principal é a existência de um patrono que, supostamente, acompanha, dirige, aconselha. Digo "supostamente" porque existe, no papel, essa obrigação. (Porém, na prática, um patrono é só um patrão que espera que o ofício esteja aprendido desde a barriga da progenitora. Podemos ter a sorte de perceber do assunto como um só "olhadela", e aí a coisa corre de feição, ou então, se todos forem como eu, de compreensão muito lenta, temos um problema.)
Como eu, no escritório, quando entrei, havia 4 estagiários. Duas senhoras e dois senhores, comigo incluído.
A primeira pessoa que me estendeu a mão e falou de igual para igual foi, na passada Segunda-Feira, prestar provas orais de agregação. Reprovou.
Daqueles 4, eu e o outro senhor fomos bem sucedidos, a senhora supra referida vai repetir a prova oral e a quarta, por razões burocráticas, ainda se vai apresentar a exame escrito.
Tudo o que está escrito supra não tem qualquer valor para o que me leva a escrever estas linhas.
Recentemente, outras estagiárias entraram no escritório onde estou.
O "Patrono", entrando no gabinete onde estava uma das novas estagiárias, depois de 30 segundos de conversa da treta, entra no assunto da reprovação.
A miúda nova, que irá ter um grande futuro no escritório, muito admirada, dizia que não entendia como é que a presidente do Júri que chumbou a colega tinha sido tão má, uma vez que era sua formadora na Ordem.
O "Patrono", cheio de si, respondeu que o problema não tinha sido do júri. O problema tinha sido a examinada, que não sabia, não fazia, não, não, não, um monte de "nãos", seguidos de notas pessoais em tons de nojo e depreciação.
Não a defendeu. À frente de um projecto de causídica, o "Patrono" deixou cair um seu outro projecto em forma de estagiário.
Há quem não valha nada.
Actualmente, esse estágio demora cerca de 3 anos, um pouco menos se, como se diz na gíria, "correr tudo bem".
Quando me iniciei nas lides da advocacia, comecei por procurar um escritório que me acolhesse. O estágio postula várias formalidades e a principal é a existência de um patrono que, supostamente, acompanha, dirige, aconselha. Digo "supostamente" porque existe, no papel, essa obrigação. (Porém, na prática, um patrono é só um patrão que espera que o ofício esteja aprendido desde a barriga da progenitora. Podemos ter a sorte de perceber do assunto como um só "olhadela", e aí a coisa corre de feição, ou então, se todos forem como eu, de compreensão muito lenta, temos um problema.)
Como eu, no escritório, quando entrei, havia 4 estagiários. Duas senhoras e dois senhores, comigo incluído.
A primeira pessoa que me estendeu a mão e falou de igual para igual foi, na passada Segunda-Feira, prestar provas orais de agregação. Reprovou.
Daqueles 4, eu e o outro senhor fomos bem sucedidos, a senhora supra referida vai repetir a prova oral e a quarta, por razões burocráticas, ainda se vai apresentar a exame escrito.
Tudo o que está escrito supra não tem qualquer valor para o que me leva a escrever estas linhas.
Recentemente, outras estagiárias entraram no escritório onde estou.
O "Patrono", entrando no gabinete onde estava uma das novas estagiárias, depois de 30 segundos de conversa da treta, entra no assunto da reprovação.
A miúda nova, que irá ter um grande futuro no escritório, muito admirada, dizia que não entendia como é que a presidente do Júri que chumbou a colega tinha sido tão má, uma vez que era sua formadora na Ordem.
O "Patrono", cheio de si, respondeu que o problema não tinha sido do júri. O problema tinha sido a examinada, que não sabia, não fazia, não, não, não, um monte de "nãos", seguidos de notas pessoais em tons de nojo e depreciação.
Não a defendeu. À frente de um projecto de causídica, o "Patrono" deixou cair um seu outro projecto em forma de estagiário.
Há quem não valha nada.
quinta-feira, janeiro 03, 2013
Vésperas de Nada
Aniversário
No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas
lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...
Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)
(Álvaro de Campos)
No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas
lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...
O mundo laboral explicado ao povo e às crianças
(A história que se segue foi-me contada numa versão bem mais abreviada. Decidi alongar, para dar um enquadramento mais capaz)
Tudo se passa numa casa absolutamente normal, no seio de uma família tradicional. Como todas as outras, a família desta história também tinha que "fazer o tacho".
Uma vez que a imaginação não abundava, as refeições eram, frequentemente, as mesmas: carne assada com massa, carne assada com arroz ou carne assada com puré.
O agregado familiar era composto por pai, mãe e filho. O petiz, recente nestas coisas, foi enjoando o manjar até que, um dia, cheirando o hábito vindo da cozinha, perguntou ao seu velho:
- Oh pai, o que é o jantar?
Respondeu o pai:
- Carne assada, filho.
Irritado com o remake daquele pouco suculento filme de terror, o jovem não vai de modas e grita:
- NÃO GOSTO DE CARNE ASSADAAAAAAAA!
O sócio sénior previu aquele dia. Olhou para o seu rebento, respirou fundo e, com toda a calma da margem sul, pediu ao jovem que pusesse o dedo indicador direito dentro do lado direito da boca e o dedo indicador esquerdo do lado esquerdo da boca, ambos dobrados, a formar um pequeno gancho, cada gancho puxando para seu lado.
O filho achou piada ao exercício, quanto mais não fosse porque parecia que estava a fazer uma careta.
O pai pediu ao menor que mantivesse a dita careta e proferisse a frase chave: "não gosto de carne assada":
- Naum gochto de caaane achada" - Disse.
- Então come merda. - Replicou o pai.
No mundo laboral, quando estamos sujeitos às ordens de um sabujo qualquer que é patrão, isto acontece que uma frequência indesejada.
E olhem que até gosto de carne assada.
Tudo se passa numa casa absolutamente normal, no seio de uma família tradicional. Como todas as outras, a família desta história também tinha que "fazer o tacho".
Uma vez que a imaginação não abundava, as refeições eram, frequentemente, as mesmas: carne assada com massa, carne assada com arroz ou carne assada com puré.
O agregado familiar era composto por pai, mãe e filho. O petiz, recente nestas coisas, foi enjoando o manjar até que, um dia, cheirando o hábito vindo da cozinha, perguntou ao seu velho:
- Oh pai, o que é o jantar?
Respondeu o pai:
- Carne assada, filho.
Irritado com o remake daquele pouco suculento filme de terror, o jovem não vai de modas e grita:
- NÃO GOSTO DE CARNE ASSADAAAAAAAA!
O sócio sénior previu aquele dia. Olhou para o seu rebento, respirou fundo e, com toda a calma da margem sul, pediu ao jovem que pusesse o dedo indicador direito dentro do lado direito da boca e o dedo indicador esquerdo do lado esquerdo da boca, ambos dobrados, a formar um pequeno gancho, cada gancho puxando para seu lado.
O filho achou piada ao exercício, quanto mais não fosse porque parecia que estava a fazer uma careta.
O pai pediu ao menor que mantivesse a dita careta e proferisse a frase chave: "não gosto de carne assada":
- Naum gochto de caaane achada" - Disse.
- Então come merda. - Replicou o pai.
No mundo laboral, quando estamos sujeitos às ordens de um sabujo qualquer que é patrão, isto acontece que uma frequência indesejada.
E olhem que até gosto de carne assada.
quinta-feira, dezembro 20, 2012
Teses
Há uns anos, na célebre rúbrica chamada "O Homem que mordeu o cão", dizia-se que a Dina e o (actor que fazia de) Zé Gato eram uma e a mesma pessoa. Dos vários argumentos, o mais pujante vinha na forma de pergunta: Alguma vez foi vista a Dina e o Zé Gato no mesmo sítio?
Agora, tenha-se em consideração o seguinte caso:
Toda a gente, em princípio, conhece este senhor. Abebe Selassie, o Troi em Troika.
Este homem é Cee Lo Green. Passei a conhecê-lo por ser vocalista de Gnarles Barkley.
Agora, tenha-se em consideração o seguinte caso:
Toda a gente, em princípio, conhece este senhor. Abebe Selassie, o Troi em Troika.
Este homem é Cee Lo Green. Passei a conhecê-lo por ser vocalista de Gnarles Barkley.
segunda-feira, dezembro 17, 2012
Estupidez, ainda antes da entrada em modo natalício
Se abrisse um negócio de comida para vegetarianos, apostava na internacionalização e chamar-lhe-ia Food Earth
terça-feira, dezembro 11, 2012
Estava, agora mesmo, a pensar numa cozinha daqueles restaurantes com Estrela Michelin.
Ali, esbate-se o preconceito do grande cozinheiro. Mais concretamente, o que se passa naquele espaço não é o mesmo que acontece numa cozinha doméstica, em que um dos habitantes da casa pega no tacho e, sozinho, produz a refeição.
Numa cozinha de grande gabarito, o chef há de ser sempre o responsável pela ideia, pela receita, que subjaz ao prato. Será sempre dele o tempo de cozedura, de grelha ou outro meio qualquer de produzir o bom do "morf". Também é dele o molho, o tempero, o "saber" onde comprar os bons igredientes.
Na hora da verdade, o chef não está na cozinha a grelhar o peixe, a assar a carne nem a preparar a salada. Para isso há "outras pessoas". Quando muito, um chef prova, "maquilha" o prato e faz com que os olhos também comam.
A constatação do dia é que sou "outra pessoa". Como as coisas estão, é bem possível que passe os próximos anos da minha vida a fritar as batatas ou a cozer arroz.
(Era para ter optado pela metáfora do jogador de futebol que aquece o banco, mas uso-a num outro dia, acompanhada de história própria e reminiscências infantis).
Ali, esbate-se o preconceito do grande cozinheiro. Mais concretamente, o que se passa naquele espaço não é o mesmo que acontece numa cozinha doméstica, em que um dos habitantes da casa pega no tacho e, sozinho, produz a refeição.
Numa cozinha de grande gabarito, o chef há de ser sempre o responsável pela ideia, pela receita, que subjaz ao prato. Será sempre dele o tempo de cozedura, de grelha ou outro meio qualquer de produzir o bom do "morf". Também é dele o molho, o tempero, o "saber" onde comprar os bons igredientes.
Na hora da verdade, o chef não está na cozinha a grelhar o peixe, a assar a carne nem a preparar a salada. Para isso há "outras pessoas". Quando muito, um chef prova, "maquilha" o prato e faz com que os olhos também comam.
A constatação do dia é que sou "outra pessoa". Como as coisas estão, é bem possível que passe os próximos anos da minha vida a fritar as batatas ou a cozer arroz.
(Era para ter optado pela metáfora do jogador de futebol que aquece o banco, mas uso-a num outro dia, acompanhada de história própria e reminiscências infantis).
quarta-feira, dezembro 05, 2012
Idades
(Fazia tempo que não escrevia aqui)
Eu ando sempre a dizer que estou velho. Faço grande parte da minha vida a resmungar e a maldizer a sorte. Ao fim e ao cabo, dou comigo a pensar que, até agora, tem tudo passado muito depressa.
Que já vi muito.
Que já passei por alguma coisa.
Que já ouvi e cheirei o que preferia não ter ouvido e cheirado.
Até que, numa bela tarde de Quarta-Feira (de acordo com o anterior acordo ortográfico), oiço algo que tinha por impensável. A juntar a isso, assisto ao que nunca pensei que pudesse acontecer.
Isto só para dizer que volto a pensar que não sou tão velho assim, como pensava quando andava no ensino básico, ali como quem vai para o 9.º ano.
Eu ando sempre a dizer que estou velho. Faço grande parte da minha vida a resmungar e a maldizer a sorte. Ao fim e ao cabo, dou comigo a pensar que, até agora, tem tudo passado muito depressa.
Que já vi muito.
Que já passei por alguma coisa.
Que já ouvi e cheirei o que preferia não ter ouvido e cheirado.
Até que, numa bela tarde de Quarta-Feira (de acordo com o anterior acordo ortográfico), oiço algo que tinha por impensável. A juntar a isso, assisto ao que nunca pensei que pudesse acontecer.
Isto só para dizer que volto a pensar que não sou tão velho assim, como pensava quando andava no ensino básico, ali como quem vai para o 9.º ano.
quarta-feira, outubro 17, 2012
Penitência
(Na sendo do que é habitual, ou seja, entrar a falar sem explicar o contexto, aqui segue)
Ainda nada está resolvido.
Nada é certo.
Porém, há grande probabilidade de ter passado um problema que me tirou o sono.
Criei um problema que outro resolveu. Calhou o outro ser aquele que mais fel me mereceu.
Hoje, há que pedir desculpa.
A ele, nunca. A mim. Porque sou mau demais a avaliar carácteres. Se calhar, nunca há tanto défice quanto se assume.
quinta-feira, junho 28, 2012
Ser advogado é uma bela merda.
Se alguém pensa que tem relação com o direito, está enganado.
Se alguém pensa que tem relação com a justiça, deve deixar a droga.
Se alguém pensa que tem prestígio, vá ver o que significa "prestígio" no dicionário.
E é isto, para já.
Claro, a vida correrá melhor a uns do que a outros. A mim, profissionalmente, corre mal. Corre mal financeira e motivacionalmente.
Também fui estúpido em pensar que seria o contrário. Levei 5 anos de faculdade a negar o cálice. Foi só acabar o calvário e já apanhei uma valente borracheira nele.
Depois, há os aspectos corporativos. A única coisa que me desagrada na OA é o carácter proteccionista que faz barrar os interesses dos que querem ingressar na profissão. De resto, adoro. É aqui que "marra" a minha confusão. É que não suporto os colegas. (Não todos, claro.) Mas, modo geral, é gente com um ego tão maior que o meu, com o convencimento e auto-engrandecimento tão patente que pasmo.
Os advogados são, incontornavelmente, aquilo que dizem deles.
Menos aqueles que não gostam de o ser.
(Sim, a regra comporta excepções.)
Se alguém pensa que tem relação com o direito, está enganado.
Se alguém pensa que tem relação com a justiça, deve deixar a droga.
Se alguém pensa que tem prestígio, vá ver o que significa "prestígio" no dicionário.
E é isto, para já.
Claro, a vida correrá melhor a uns do que a outros. A mim, profissionalmente, corre mal. Corre mal financeira e motivacionalmente.
Também fui estúpido em pensar que seria o contrário. Levei 5 anos de faculdade a negar o cálice. Foi só acabar o calvário e já apanhei uma valente borracheira nele.
Depois, há os aspectos corporativos. A única coisa que me desagrada na OA é o carácter proteccionista que faz barrar os interesses dos que querem ingressar na profissão. De resto, adoro. É aqui que "marra" a minha confusão. É que não suporto os colegas. (Não todos, claro.) Mas, modo geral, é gente com um ego tão maior que o meu, com o convencimento e auto-engrandecimento tão patente que pasmo.
Os advogados são, incontornavelmente, aquilo que dizem deles.
Menos aqueles que não gostam de o ser.
(Sim, a regra comporta excepções.)
segunda-feira, junho 25, 2012
Porque há muito tempo que não escrevia sobre baleias, ursos e restante fauna aplicável
Devia haver um meme para o meu superior hierárquico.
Era fácil.
Fotografia de fundo.
Em cima, uma pergunta. Qualquer coisa. Exemplifico: Chefe, tem horas?
Em baixo, a resposta: Vê o processo.
Volto a exemplificar. Em cima: Ligou o X a perguntar se amanhã sempre se mantém.
Em baixo: Vê o processo.
Trust me, this can last for hours and has its place in every circumstances
Era fácil.
Fotografia de fundo.
Em cima, uma pergunta. Qualquer coisa. Exemplifico: Chefe, tem horas?
Em baixo, a resposta: Vê o processo.
Volto a exemplificar. Em cima: Ligou o X a perguntar se amanhã sempre se mantém.
Em baixo: Vê o processo.
Trust me, this can last for hours and has its place in every circumstances
terça-feira, maio 22, 2012
Nas vésperas do quinquénio
Esta foto é de dia 24 de Maio de 2007.
Traz, tão-somente, as melhores recordações. Foi uma audiência bem conseguida, o espírito académico estava em alta e, naquela noite, tornei-me melhor pessoa. Levantei-me às 7 horas do dia 24 de Maio e adormeci às 23.40 do dia 25.
Sempre que contemplo a foto, lembro-me de tudo.
Foi, sem qualquer sombra de dúvida, o melhor dia da minha vida.
Nada correu mal.
Matou-se aquela máxima do "tudo o que pode correr mal vai correr mal".
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