Ato de Contrição
Pelo que não fiz, perdão!
Pelo tempo que vi, parado,
correr chamando por mim,
pelos enganos que talvez
poupando me empobreceram,
pelas esperanças que não tive
e os sonhos que somente
sonhando julguei viver,
pelos olhares amortalhados
na cinza de sóis que apaguei
com riscos de quem já sabe,
por todos os desvarios
que nem cheguei a conceber,
pelos risos, pelas lágrimas,
pelos beijos e mais coisas,
que sem dó de mim malogrei
— por tudo, vida, perdão!
Adolfo Casais Monteiro
terça-feira, maio 27, 2014
sexta-feira, maio 23, 2014
Lembrar-me
Como um boomerang bem arremessado.
Esta música volta a mim, sempre sempre, nesta altura do ano.
Lembra-me do começo. Da falta de ar. De me remeter sempre para ela. De entre tantas coisas que nos uniam, a música, a espaços, sempre foi um pouco como o mar.
Regressar à experiência que é ouvir este tema é regressar a um dos muitos inícios que fui tendo. (O que é a vida, afinal, senão uma data de inícios?) Neste caso específico, um início de paixão que perdura. Um início que nunca teve fim.
À beira de completar sete anos de uma sublime união, vejo que o inexplicável que vai cá dentro não mudou.
Esta música volta a mim, sempre sempre, nesta altura do ano.
Lembra-me do começo. Da falta de ar. De me remeter sempre para ela. De entre tantas coisas que nos uniam, a música, a espaços, sempre foi um pouco como o mar.
Regressar à experiência que é ouvir este tema é regressar a um dos muitos inícios que fui tendo. (O que é a vida, afinal, senão uma data de inícios?) Neste caso específico, um início de paixão que perdura. Um início que nunca teve fim.
À beira de completar sete anos de uma sublime união, vejo que o inexplicável que vai cá dentro não mudou.
quarta-feira, abril 16, 2014
Depauperização
"Venda o seu carro e vá ao Rock in Rio".
Apareceu esta mesma mensagem no meu e-mail.
Já me chamaram tudo.
Hoje foi: Indigente.
Apareceu esta mesma mensagem no meu e-mail.
Já me chamaram tudo.
Hoje foi: Indigente.
terça-feira, abril 15, 2014
quarta-feira, abril 09, 2014
Cordeiro, pela altura da Páscoa.
Incluido naquilo que se pode designar por realidade figurativamente delimitada a que o direito dispensa um estatuto historicamente determinado para os seres inanimados, não posso deixar de lamentar a ausência de um conjunto de normas e princípios jurídicos concatenados que permite a formação típica de modelos de decisão que proteja a permissão normativa específica de aproveitamento de um bem.
Querendo ganhar dinheirinho ( porque é de "inho" que falo), de criados e admiradores metafóricos passamos a criados reais.
Querendo ganhar dinheirinho ( porque é de "inho" que falo), de criados e admiradores metafóricos passamos a criados reais.
Histórias avulsas sobre o capitalismo
Aconteceu-me.
Quando devia ter cerca de doze ou treze anos (tinha menos de quinze, quase de certeza, mas nunca fiando) fui convidado para a festa de anos de uma vizinha minha, uma criança ainda mais nova que eu.
Já não me recordando ao certo o dia em que teve lugar o certame, recordo-me, contudo, que foi perto do dia 1 de Junho, eventualmente, um dia depois.
E recordo-me porque, na festa de anos, a páginas tantas, a mãe da aniversariante pede atenção e diz que, como no dia anterior (ou há poucos dias trás) foi dia da criança, todas as crianças presentes iriam receber uma prenda.
Foram chamando os nomes. Um a um. Até sair o meu.
Calhou-me um marcador verde daquelas marcas mais conhecidas. Daqueles que se usam para sublinhar os livros fotocopiados.
O Fim.
Quando devia ter cerca de doze ou treze anos (tinha menos de quinze, quase de certeza, mas nunca fiando) fui convidado para a festa de anos de uma vizinha minha, uma criança ainda mais nova que eu.
Já não me recordando ao certo o dia em que teve lugar o certame, recordo-me, contudo, que foi perto do dia 1 de Junho, eventualmente, um dia depois.
E recordo-me porque, na festa de anos, a páginas tantas, a mãe da aniversariante pede atenção e diz que, como no dia anterior (ou há poucos dias trás) foi dia da criança, todas as crianças presentes iriam receber uma prenda.
Foram chamando os nomes. Um a um. Até sair o meu.
Calhou-me um marcador verde daquelas marcas mais conhecidas. Daqueles que se usam para sublinhar os livros fotocopiados.
O Fim.
terça-feira, abril 08, 2014
Da crise do imobiliário
Descobri hoje, pela voz de um autêntico catedrático da advocacia, que a "crise do imobiliário" era o derradeiro argumento contra a lei escrita.
(Claro que para quem ler isto, vai soar avulso e sem sentido. É verdade que sentido tem pouco, mas não é avulso, na medida em que se enquadra numa linha de pensamento e de vida).
A menos que alguma desgraça aconteça (como ser despedido) ou que morra brevemente, será natural o dia em que saia do escritório onde exerço uma espécie de profissão. Um dia.
Quando esse dia chegar, só ficarão as memórias e algumas certezas.
A certeza que há coisas piores que os períodos de estudo na faculdade.
As memórias de quão possível é ser um escroque.
(Claro que para quem ler isto, vai soar avulso e sem sentido. É verdade que sentido tem pouco, mas não é avulso, na medida em que se enquadra numa linha de pensamento e de vida).
A menos que alguma desgraça aconteça (como ser despedido) ou que morra brevemente, será natural o dia em que saia do escritório onde exerço uma espécie de profissão. Um dia.
Quando esse dia chegar, só ficarão as memórias e algumas certezas.
A certeza que há coisas piores que os períodos de estudo na faculdade.
As memórias de quão possível é ser um escroque.
terça-feira, abril 01, 2014
A propósito do 1.º de Abril
Por estes dias, não posso deixar de pensar que a vida, a existência, é uma constante arguição de tese.
Pela parte de quem vive, só cabe elaborar o raciocínio, pensar nas soluções e defendê-las.
É então que aparece a vida, composta por cinco ou seis catedráticos que se preparam para deitar por terra tudo quanto foi defendido.
Se se defender, por mero exemplo, que é possível ser feliz, independentemente das circunstâncias, eis que a vida faz a pergunta que pode levar ao chumbo: "então se for despedido e estiver doente, vai ser feliz como?".
Não raras vezes, a arguição da nossa tese é feita por quem nos é mais próximo. É feita directamente, com interpelações sérias, desagradáveis e ofensivas, como uma boa arguição deve ser.
Outras vezes é feita indirectamente, com as objecções a serem formuladas sob a capa de pergunta ou mesmo logro, a derradeira forma de teste.
Uma coisa é certa e só foi percebida com o advento da proximidade dos 30 anos: terei de passar todo o resto da minha vida/existência a provar que sei, que gosto, que faço, que me importo, que vou ao cabo do mundo, que fico, que não vou, que penso, que não penso, que aprendi, que não aprendi.
É absolutamente falso que se tenha seja o que for. É meramente ilusória a sensação de pertença, seja ela do que for: bens materiais, respeito ou algo mais.
E é falso por causa das vicissitudes da existência. É falso porque todos os sonhos, seguranças e certezas que temos são varridos, qual poeira, com o mais inusitado acontecimento ou facto que acabámos de conhecer.
O que torna o 1.º de Abril verdadeiramente especial é o seu paradoxo. Como a única verdade na vida é a constante mentira, hoje é o único dia da verdade.
Pela parte de quem vive, só cabe elaborar o raciocínio, pensar nas soluções e defendê-las.
É então que aparece a vida, composta por cinco ou seis catedráticos que se preparam para deitar por terra tudo quanto foi defendido.
Se se defender, por mero exemplo, que é possível ser feliz, independentemente das circunstâncias, eis que a vida faz a pergunta que pode levar ao chumbo: "então se for despedido e estiver doente, vai ser feliz como?".
Não raras vezes, a arguição da nossa tese é feita por quem nos é mais próximo. É feita directamente, com interpelações sérias, desagradáveis e ofensivas, como uma boa arguição deve ser.
Outras vezes é feita indirectamente, com as objecções a serem formuladas sob a capa de pergunta ou mesmo logro, a derradeira forma de teste.
Uma coisa é certa e só foi percebida com o advento da proximidade dos 30 anos: terei de passar todo o resto da minha vida/existência a provar que sei, que gosto, que faço, que me importo, que vou ao cabo do mundo, que fico, que não vou, que penso, que não penso, que aprendi, que não aprendi.
É absolutamente falso que se tenha seja o que for. É meramente ilusória a sensação de pertença, seja ela do que for: bens materiais, respeito ou algo mais.
E é falso por causa das vicissitudes da existência. É falso porque todos os sonhos, seguranças e certezas que temos são varridos, qual poeira, com o mais inusitado acontecimento ou facto que acabámos de conhecer.
O que torna o 1.º de Abril verdadeiramente especial é o seu paradoxo. Como a única verdade na vida é a constante mentira, hoje é o único dia da verdade.
sexta-feira, março 07, 2014
O ovo e a galinha
A pergunta tem barbas: quem apareceu primeiro: o ovo ou a galinha?
Há anos, ouvi esta música na rádio. Não será preciso um grande conhecimento músical para perceber, logo aos primeiros acordes, que estamos perante algo extremamente parecido a "Festa" dos "Despe e Siga".
Retomando a pergunta inicial, vale a pena subvertê-la. Quis perceber quem apareceu primeiro, se a "Festa" se a "Fiesta".
Hoje, lembrei-me de consultar a maior fonte de conhecimento: o motor de pesquisa google.
A "Fiesta" veio primeiro.
Nem por isso a prefiro à "Festa".
Este texto está chato, não está? Ouvi a música e dai as mãos contra as bombas antónias.
Há anos, ouvi esta música na rádio. Não será preciso um grande conhecimento músical para perceber, logo aos primeiros acordes, que estamos perante algo extremamente parecido a "Festa" dos "Despe e Siga".
Retomando a pergunta inicial, vale a pena subvertê-la. Quis perceber quem apareceu primeiro, se a "Festa" se a "Fiesta".
Hoje, lembrei-me de consultar a maior fonte de conhecimento: o motor de pesquisa google.
A "Fiesta" veio primeiro.
Nem por isso a prefiro à "Festa".
Este texto está chato, não está? Ouvi a música e dai as mãos contra as bombas antónias.
quarta-feira, março 05, 2014
Da Exoneração do passivo restante
No processo de insolvência, (isto é, um processo que deve ser iniciado quando o seu proponente, ou aquele contra quem a acção é proposta, já não tem hipótese de cumprir as suas obrigações vencidas) existe um instituto jurídico fundamental naquilo que é o equilíbirio que o direito justamente busca: a exoneração do passivo restante.
Muito sinteticamente, trata-se de uma solução para quem, não conseguindo pagar as suas dívidas, pode começar de novo, após um periodo de tempo. Mais simples ainda: aceite o pedido de exoneração do passivo restante, espera o insolvente 5 anos, vivendo em condições miseráveis, até que o seu cadastro obrigacional fique limpo e as dívidas cessem, excluindo dívidas ao estado.
Mais um vez, e por este mesmo meio, venho expressar um lamento: institutos destes não existem para vida pessoal, ou melhor, para a vida moral.
O que seria da humanidade se fosse possível voltar a uma força moral já perdida? O que seria do governo se todos os desempregados crónicos e rejeitados deste país, ao fim de um determinado periodo de tempo, voltassem a acreditar em si?
Trabalhando eu num sítio onde diariamente se recorda o pouco que se vale, desejava um instituto destes.
Insolvi moralmente.
Muito sinteticamente, trata-se de uma solução para quem, não conseguindo pagar as suas dívidas, pode começar de novo, após um periodo de tempo. Mais simples ainda: aceite o pedido de exoneração do passivo restante, espera o insolvente 5 anos, vivendo em condições miseráveis, até que o seu cadastro obrigacional fique limpo e as dívidas cessem, excluindo dívidas ao estado.
Mais um vez, e por este mesmo meio, venho expressar um lamento: institutos destes não existem para vida pessoal, ou melhor, para a vida moral.
O que seria da humanidade se fosse possível voltar a uma força moral já perdida? O que seria do governo se todos os desempregados crónicos e rejeitados deste país, ao fim de um determinado periodo de tempo, voltassem a acreditar em si?
Trabalhando eu num sítio onde diariamente se recorda o pouco que se vale, desejava um instituto destes.
Insolvi moralmente.
segunda-feira, março 03, 2014
Modo "Pause"
"Pause" no modo "pause" que este blogue vinha tendo.
Ou seja, "press play", ou como dois negativos dão positivo, penso eu.
Falando um bocado "a latere" de cinema, (e "a latere" porque não me apetece abordar a essência da arte, mas tão-somente aspectos circundantes), terá encerrado o ano cinematográfico, isto é, até para o ano sucessivas estreias de filmes decentes, uma vez que já tiveram lugar os prémios Oscar.
Como sempre, vou achando justiça na designação dos vencedores. O método é eleitoral, parecendo até que há autênticas campanhas, pelo que, ganhando os mais votados e tendo em conta que os gostos são subjectivos, a coisa acaba por compor-se, confessando que vezes há em que preferia não ouvir falar daquele que arrecada a estatueta.
Jurista de formação, e deformado jurista, faço um bocado como Leite de Campos aconselha nas suas "Lições de Direito da Família e Sucessões". O ilustre aconselha qualquer coisa como ver Direito em tudo e Direito da Família especialmente na novela das oito. Há de tudo: divórcio, regulação das responsabilidades parentais, alienação parental, heranças sangrentas e por aí fora.
Eu procuro o lado jurídico no cinema. Gosto especialmente de um filme que "dependa" de principios universais e intemporais de Direito.
Este ano cinematográfico foi especialmente conseguido, sobretudo nos filmes que concorreram a sério pelos prémios.
O mais evidente é "12 anos escravo". Claro que uma pessoa que tenha tido a bênção de não estudar Direito vai apreciar a película com uma sensibilidade diferente. Vai, designadamente, sentir-se prisioneiro na tela. Vai ter pena, sentir compaixão e acompanhar a luta de um inocente. No meu caso, além dessa dor toda, não deixei de pensar nas características da ordem jurídica. Não deixei de pensar em punição (até mesmo coercividade), valores e dignidade da pessoa humana, direitos fundamentais. Para ser perfeito, e não querendo estragar nada, o filme acaba com a informação acerca do processo que Northup moveu contra os seus raptores. Por um pormenor processual, não logrou qualquer reparação dos danos sofridos. Dá que pensar, sobretudo quando passamos anos (muitos, se me perguntarem) a ouvir doutrina jus-naturalista que apregoa os benefícios do direito natural.
Para além do supra referido, a juridicidade caminha nas restantes telas. "Golpada Americana", "O Lobo de Wall Street", ou mesmo em "Her" (até neste!) não há isenção de debate. Aspectos penais, civis, protecção de dados. Está lá tudo.
Torna-se absolutamente relaxante quando o filme cujo visionamento se prepara é uma "chachada". O pior filme que terei visto nos últimos tempos foi "Freddy vs Jason". O filme é simples: há o Freddy Krueger e o Jason do Sexta-Feira Treze. E é isto. Nem divagações acerca da vulnerabilidade da condição humana. Nem violações abruptas de contratos. Só matança e chachada.
Naturalmente, o espectador não sai do cinema contente com a obra a que assistiu, mas pelo menos não teve que relembrar que uma presunção pode ser ilidível ou inilidível e que existem coisas como o bloco de legalidade do qual faz parte, entre outros diplomas, a CRP.
sexta-feira, fevereiro 14, 2014
Pela primeira vez
Pela primeira vez, não vai existir um jantar à volta da mesa.
Pela primeira vez, as velas não serão apagadas.
Pela primeira vez, não haverá um bolo em forma de coração.
Pela primeira vez, as velas não serão apagadas.
Pela primeira vez, não haverá um bolo em forma de coração.
quarta-feira, fevereiro 12, 2014
Da falta de habilitações
Uma conhecida rede social que agora comemora os 10 anos de existência conseguiu que a cada um dos usuários fosse atribuído um video contendo fotos da última década devidamente acompanhadas da música apropriada.
Ao visualizar um vídeo em particular, lembrei-me que há pessoas que conseguem fazer uma festa sozinhos. Há seres que conseguem catalisar as boas energias para os momentos certos.
Nunca percebi como é que isso se faz.
Para ser mais específico, estou a falar de pessoal que consegue tornar um jantar de meia dúzia de pessoas numa grande noite. Estou a falar de almas que conseguem, até numa barraca, divertir e provocar diversão.
Claro que existe uma espécie de dopping para isso: álcool, substância que tende a desinibir corpo e mente.
Mas o fascinante é que há quem dele não precise para criar os momentos.
Como é possível ser assim?
Eu, macambúzio confesso, sempre aspirei a ser assim "querido" num espaço, em virtude das minhas capacidades.
Nunca fui.
Quem gosta de mim, gosta por outros motivos. Até há quem goste de mim por ser parvo, o que, nos dias que correm, nem é nada de especial.
Mas não por causa disto.
Seria importante perceber a causa desta coisa para me lançar na percepção das origens do carisma, da liderança.
Tudo vem daquilo a que o povão chama "personalidade", penso eu. Mas também me parece que a "personalidade" é genética e quem não nasce carismático dificilmente aprenderá a sê-lo. E daí talvez não.
Numa ótica de jurista, que um dia quis ser, esta questão vem a propósito dos requisitos.
O carisma, a personalidade, ser a alma da festa são requisitos para tomar as atitudes certas nos momentos certos.
Na minha vida, houve momentos em que tomei as atitudes certas nos momentos certos. O que me preocupa é que, estatisticamente, essas vezes foram uma minoria, valiosa, mas minoria.
Até que me encontro a escrever um texto profundamente enfadonho e a pensar: "raios, caíste naquilo que lamentas: tomaste a infeliz decisão de escrever este amontoado de patacoadas no momento errado".
O Capucho foi expulso do PSD. Como dizem (alguns) Brasileiros: "Aqui não tem maluco não!".
Ao visualizar um vídeo em particular, lembrei-me que há pessoas que conseguem fazer uma festa sozinhos. Há seres que conseguem catalisar as boas energias para os momentos certos.
Nunca percebi como é que isso se faz.
Para ser mais específico, estou a falar de pessoal que consegue tornar um jantar de meia dúzia de pessoas numa grande noite. Estou a falar de almas que conseguem, até numa barraca, divertir e provocar diversão.
Claro que existe uma espécie de dopping para isso: álcool, substância que tende a desinibir corpo e mente.
Mas o fascinante é que há quem dele não precise para criar os momentos.
Como é possível ser assim?
Eu, macambúzio confesso, sempre aspirei a ser assim "querido" num espaço, em virtude das minhas capacidades.
Nunca fui.
Quem gosta de mim, gosta por outros motivos. Até há quem goste de mim por ser parvo, o que, nos dias que correm, nem é nada de especial.
Mas não por causa disto.
Seria importante perceber a causa desta coisa para me lançar na percepção das origens do carisma, da liderança.
Tudo vem daquilo a que o povão chama "personalidade", penso eu. Mas também me parece que a "personalidade" é genética e quem não nasce carismático dificilmente aprenderá a sê-lo. E daí talvez não.
Numa ótica de jurista, que um dia quis ser, esta questão vem a propósito dos requisitos.
O carisma, a personalidade, ser a alma da festa são requisitos para tomar as atitudes certas nos momentos certos.
Na minha vida, houve momentos em que tomei as atitudes certas nos momentos certos. O que me preocupa é que, estatisticamente, essas vezes foram uma minoria, valiosa, mas minoria.
Até que me encontro a escrever um texto profundamente enfadonho e a pensar: "raios, caíste naquilo que lamentas: tomaste a infeliz decisão de escrever este amontoado de patacoadas no momento errado".
O Capucho foi expulso do PSD. Como dizem (alguns) Brasileiros: "Aqui não tem maluco não!".
segunda-feira, fevereiro 03, 2014
O que queres ser quando fores grande?
Está por estudar (penso eu) a equivalência entre a vontade dos mais novos em ter determinada profissão e o efectivo exercício da mesma, na idade certa.
Quantos daqueles que queriam ser "jogadores da bola" conseguiram lá chegar, ainda que num nível amador?
E quantos daqueles que queriam ser polícias enveredaram por essa carreira?
Era engraçado saber.
Pela minha parte, sempre quis ir para o curso de Direito. Na escola primária, ainda falei em ser advogado, mas daí para a frente só pensava na magistratura.
Calhou-me a fava e hoje em dia engrosso as filas da mais proletarizada profissão intelectual.
Não que me queixe, mas queixando-me, vá.
Nesse percurso que força as decisões que é o crescimento, houve uma altura em que, desgraçadamente, pensei que podia ser músico. Não a nível profissional. Um curioso, só. Pedi aos meus pais que me inscrevessem nas aulas de orgão. Como sempre e nunca me deixando ficar mal, e tantas vezes com custos elevados, lá me inscreveram (bem como à minha irmã) numa escola de música.
Recordo, nesta altura, e mais do que nunca, aqueles tempos.
Primeiro, porque gostava do professor de orgão, Bruno de seu nome. Um galhofeiro. Também tinha aulas de solfejo. A professora, Marta, sabia do assunto e muito ensinou. Estão a ver uma velha caquética, feia e desdentada? Era o oposto.
Em segundo, porque não cheguei a um nível que me permitisse desenvolver o ouvido para níveis mais aceitáveis.
Isto tudo para chegar a uma conclusão. Nestes dias, preciso de uma banda sonora. Um conjunto de músicas que preencham acontecimentos. Até que os legendem, se for caso disso.
E está difícil.
Quantos daqueles que queriam ser "jogadores da bola" conseguiram lá chegar, ainda que num nível amador?
E quantos daqueles que queriam ser polícias enveredaram por essa carreira?
Era engraçado saber.
Pela minha parte, sempre quis ir para o curso de Direito. Na escola primária, ainda falei em ser advogado, mas daí para a frente só pensava na magistratura.
Calhou-me a fava e hoje em dia engrosso as filas da mais proletarizada profissão intelectual.
Não que me queixe, mas queixando-me, vá.
Nesse percurso que força as decisões que é o crescimento, houve uma altura em que, desgraçadamente, pensei que podia ser músico. Não a nível profissional. Um curioso, só. Pedi aos meus pais que me inscrevessem nas aulas de orgão. Como sempre e nunca me deixando ficar mal, e tantas vezes com custos elevados, lá me inscreveram (bem como à minha irmã) numa escola de música.
Recordo, nesta altura, e mais do que nunca, aqueles tempos.
Primeiro, porque gostava do professor de orgão, Bruno de seu nome. Um galhofeiro. Também tinha aulas de solfejo. A professora, Marta, sabia do assunto e muito ensinou. Estão a ver uma velha caquética, feia e desdentada? Era o oposto.
Em segundo, porque não cheguei a um nível que me permitisse desenvolver o ouvido para níveis mais aceitáveis.
Isto tudo para chegar a uma conclusão. Nestes dias, preciso de uma banda sonora. Um conjunto de músicas que preencham acontecimentos. Até que os legendem, se for caso disso.
E está difícil.
sexta-feira, janeiro 31, 2014
On and on
Esta semana já ouvi isto, pelo menos, e contas por alto, 20 vezes.
Pior é que não sei porquê.
segunda-feira, janeiro 27, 2014
O ninho e quem o vê de longe
Quando comecei a namorar com ela, separavam-nos dezenas de minutos.
Quando me encontrou, havia um poiso comum, para afastar a palavra lugar. Havia um espaço que, para além dos outros todos, era só nosso. Com o parco dinheiro (porque o dinheiro nunca será demais), faziamos as nossas flores: os passeios, os gelados, o cinema, o singelo café, onde a descoberta era permanente e sempre no sentido ascendente.
Durante vários anos, fomos cimentando o lar íntimo em tardes semanais passadas naquele que será sempre o nosso ninho de princípio de vida: a cidade de Lisboa.
Horas passadas na baixa, no Saldanha, no jardim botânico, no Parque das Nações. Entre as nossas casas, Lisboa.
Devo à cidade incontáveis horas do chamado pelos anglo-saxónicos "quality time"
Com ela.
Hoje, do Olissipo romano guardo as saudades, que trato de assassinar quando surge a oportunidade. Mais que um espaço, foi um símbolo de tudo quanto se e é de tudo quando damos e recebemos.
No Sábado, quando a noite estava madura, ambos observávamos, do nosso novo lado, aquela que permitiu que ali chegássemos.
Em breves minutos, um pouco como aquelas experiências quase-morte, vi aquela parte da minha vida a passar-me à frente dos olhos.
Vi um caminho que percorri. Com ela.
O passo que se seguiu foi só o lógico.
E é sempre sublime quando o lógico se cruz com o desejado.
Quando me encontrou, havia um poiso comum, para afastar a palavra lugar. Havia um espaço que, para além dos outros todos, era só nosso. Com o parco dinheiro (porque o dinheiro nunca será demais), faziamos as nossas flores: os passeios, os gelados, o cinema, o singelo café, onde a descoberta era permanente e sempre no sentido ascendente.
Durante vários anos, fomos cimentando o lar íntimo em tardes semanais passadas naquele que será sempre o nosso ninho de princípio de vida: a cidade de Lisboa.
Horas passadas na baixa, no Saldanha, no jardim botânico, no Parque das Nações. Entre as nossas casas, Lisboa.
Devo à cidade incontáveis horas do chamado pelos anglo-saxónicos "quality time"
Com ela.
Hoje, do Olissipo romano guardo as saudades, que trato de assassinar quando surge a oportunidade. Mais que um espaço, foi um símbolo de tudo quanto se e é de tudo quando damos e recebemos.
No Sábado, quando a noite estava madura, ambos observávamos, do nosso novo lado, aquela que permitiu que ali chegássemos.
Em breves minutos, um pouco como aquelas experiências quase-morte, vi aquela parte da minha vida a passar-me à frente dos olhos.
Vi um caminho que percorri. Com ela.
O passo que se seguiu foi só o lógico.
E é sempre sublime quando o lógico se cruz com o desejado.
quinta-feira, janeiro 23, 2014
Do post transitório
Por alguma razão,
Por algum intervalo cerebral,
Houve uma altura em que decidi ir ver o que era isso do Spotify.
Vai daí, vou à net e descarrego o software. Instalo-o. Trabalha bem, publicidade à parte.
Crio um "playlist". Chamei-a de "Congregação para a causa dos Santos".
Só ouvi referência à dita cuja uma vez, a respeito de um famoso Cardeal Português.
Nem sei bem o que seja.
Nem sei bem o que faça.
Mas assim se chama a minha playlist.
Por algum intervalo cerebral,
Houve uma altura em que decidi ir ver o que era isso do Spotify.
Vai daí, vou à net e descarrego o software. Instalo-o. Trabalha bem, publicidade à parte.
Crio um "playlist". Chamei-a de "Congregação para a causa dos Santos".
Só ouvi referência à dita cuja uma vez, a respeito de um famoso Cardeal Português.
Nem sei bem o que seja.
Nem sei bem o que faça.
Mas assim se chama a minha playlist.
quarta-feira, janeiro 22, 2014
sexta-feira, janeiro 17, 2014
Interrogação
Sou um adepto do direito do trabalho.
A nivel jurídico, é dos ramos de direito que mais gozo me deu estudar. Não pela parte ideológica, mas pelo facto de achar que, a nível contratual, é dos que impõe mais justiça nas relações jurídicas, esse conceito tão vago.
Adiante.
O direito do trabalho é uma parte essencial daquela realidade de que me apercebo só agora: o mundo do trabalho. (Calma, bem sei que o "mundo do trabalho" é demasiado evidente para não se reparar nele, mas tomai em consideração que há aperceber e há "aperceber").
No mundo do trabalho, há que fazer escolhas. Nisso, não há particular diferença das outras realidades em que vivemos e às quais estamos sujeitos.
O problema, neste mundo, são as consequências.
Na escola, ao entrarmos em litígio com colegas e professores, no limite, podemos sempre mudar de escola. Não faltam escolas. Por outro lado, também não fecham.
Num espetáculo, se encontramos um espectador que teima em não desligar o telemóvel ou em conversar com o "vizinho" do lado, podemos mandá-lo calar, e, no limite, podemos sair, havendo uma previsivel repetição do espetáculo num lapso temporal razoável.
No trabalho, se a coisa vai mal com os colegas, ou mesmo com o chefe, não nos podemos despedir. Não podemos porque dali advém o nosso sustento. Não podemos porque não será fácil, pelo contrário, substituir a fonte de rendimentos.
Para trabalhar, mais do que talento, é preciso estômago.
A nivel jurídico, é dos ramos de direito que mais gozo me deu estudar. Não pela parte ideológica, mas pelo facto de achar que, a nível contratual, é dos que impõe mais justiça nas relações jurídicas, esse conceito tão vago.
Adiante.
O direito do trabalho é uma parte essencial daquela realidade de que me apercebo só agora: o mundo do trabalho. (Calma, bem sei que o "mundo do trabalho" é demasiado evidente para não se reparar nele, mas tomai em consideração que há aperceber e há "aperceber").
No mundo do trabalho, há que fazer escolhas. Nisso, não há particular diferença das outras realidades em que vivemos e às quais estamos sujeitos.
O problema, neste mundo, são as consequências.
Na escola, ao entrarmos em litígio com colegas e professores, no limite, podemos sempre mudar de escola. Não faltam escolas. Por outro lado, também não fecham.
Num espetáculo, se encontramos um espectador que teima em não desligar o telemóvel ou em conversar com o "vizinho" do lado, podemos mandá-lo calar, e, no limite, podemos sair, havendo uma previsivel repetição do espetáculo num lapso temporal razoável.
No trabalho, se a coisa vai mal com os colegas, ou mesmo com o chefe, não nos podemos despedir. Não podemos porque dali advém o nosso sustento. Não podemos porque não será fácil, pelo contrário, substituir a fonte de rendimentos.
Para trabalhar, mais do que talento, é preciso estômago.
terça-feira, janeiro 07, 2014
Evocação dos saudosos conhecimentos de Economia
Lembrei-me do conceito de custo de oportunidade.
Lamentavelmente, não trago comigo o manual que mo ensinou. Mas há a net. A net diz que:
O custo de oportunidade é um termo usado em economia para indicar o custo de algo em termos de uma oportunidade renunciada, ou seja, o custo, até mesmo social, causado pela renúncia do ente econômico, bem como os benefícios que poderiam ser obtidos a partir desta oportunidade renunciada ou, ainda, a mais alta renda gerada em alguma aplicação alternativa. (...) isto é, "a escolha de determinada opção impede o usufruto dos benefícios que as outras opções poderiam proporcionar".
Fonte: Wikipédia.
E pronto. Era isto.
Parece simples, mas não é. Para dar "graça" ao conceito, recomendo pensar nele em termos de telenovela Mexicana. (dobrada em português do Brasiú, preferencialmente pelo Herbert Richards)
- Ramón, pense em seus filhos, sua casa...Ramón, pense em mim!
- Cale sua boca, Juanita! Eu vou sair dessa casa hoje mesmo. Levarei comigo toda a minha dignidade e jamais me colocarei sob a alçada de D. Diego.
Passados uns episódios, o Ramón está em Toluca, num qualquer cruzamento com barba pelos joelhos a cheirar a morto enterrado no século XVIII, a pedir uns pesos para uma sopa.
Já a Juanita arranjou maneira de "afiambrar" o D. Diego e está bem de vida.
Moral disto tudo? Pois claro que a dignidade é essencial à salubridade mental do ser-humano. Mas diz que poder comer também é.
Lamentavelmente, não trago comigo o manual que mo ensinou. Mas há a net. A net diz que:
O custo de oportunidade é um termo usado em economia para indicar o custo de algo em termos de uma oportunidade renunciada, ou seja, o custo, até mesmo social, causado pela renúncia do ente econômico, bem como os benefícios que poderiam ser obtidos a partir desta oportunidade renunciada ou, ainda, a mais alta renda gerada em alguma aplicação alternativa. (...) isto é, "a escolha de determinada opção impede o usufruto dos benefícios que as outras opções poderiam proporcionar".
Fonte: Wikipédia.
E pronto. Era isto.
Parece simples, mas não é. Para dar "graça" ao conceito, recomendo pensar nele em termos de telenovela Mexicana. (dobrada em português do Brasiú, preferencialmente pelo Herbert Richards)
- Ramón, pense em seus filhos, sua casa...Ramón, pense em mim!
- Cale sua boca, Juanita! Eu vou sair dessa casa hoje mesmo. Levarei comigo toda a minha dignidade e jamais me colocarei sob a alçada de D. Diego.
Passados uns episódios, o Ramón está em Toluca, num qualquer cruzamento com barba pelos joelhos a cheirar a morto enterrado no século XVIII, a pedir uns pesos para uma sopa.
Já a Juanita arranjou maneira de "afiambrar" o D. Diego e está bem de vida.
Moral disto tudo? Pois claro que a dignidade é essencial à salubridade mental do ser-humano. Mas diz que poder comer também é.
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