sexta-feira, fevereiro 01, 2013

Isto é matemática

Chegado, ontem, a casa, liguei a televisão e estava no ar, na Sic Notícias, um programa chamado "Isto é matemática".

Trata-se de um programa com duração de cerca de 10 minutos, onde se abordam temas da matemática de forma interessante e quotidiana (sim, deve haver uma forma quotidiana de abordagem).

O tema de ontem era "probabilidades". Que melhor par para a dança que o sempre mítico euro-milhões? Pois bem, depois da apresentação crua das probabilidade de ganhar o prémio, vieram as comparações. Uma delas, para mim a melhor, é que, reunidas determinadas condições, não muitas, é mais fácil ser eleito presidente da república do que ganhar o jogo.

Isto explica muita coisa, principalmente a existência de um Cavaco.

Mas, como não podia deixar de ser, havia que extrapolar. Foi o que fiz.

Pensando no universo da probabilidades, chego à triste conclusão que elas são tudo o que nos separa da concretização dos nossos sonhos.

Pensemos naquela ida às Bahamas, com pesca submarina, bungalows com chão em vidro, com toda a fauna marinha colorida logo ali...

...ou na submissão da classe burguesa, personificada no chefe, pela via mais humilhante possível.

Nada disto vai acontecer.

E a razão é só uma: é pouco, pouquíssimo, ou nada provável.

Não é porque, em tese, não haja dinheiro para a viagem. Há. Mas isso implicaria deixar de comer durante 3 meses.

Nem é porque, em tese, não haja armas e gente e instrumentos capazes de submeter o referido chefe às privações que ele merecia. Sucede é que isso é crime. Pode ser feito, e até devia, mas, hellas, não pode ser.

As barreiras legais e económicas sufocam o desejo.  Por estarmos condicionados, não significa que não possamos fazer. Quer é dizer que não vamos fazer.

Tradução: Não é provável a plena felicidade.


segunda-feira, janeiro 28, 2013

Apontamentos

Digamos que costumo votar à esquerda.

Votei, por uma vez, na Direita: José Coelho, para Presidente da República.

Ultrapassado este ponto, como em tantas coisas na minha vida, há algo de errado.

Vou falar do Partido Socialista.

Os respectivos militantes e boa parte da população votante em Portugal vê em António Costa um messias. Não percebo bem porquê. O meu principal problema com António Costa (diria mesmo único problema) é não saber bem por que razão é tão aclamado. Em que é que se distinguiu? Em que área política foi forte? O que fez? Como se destacou?

Não sei responder a isto.

Em Lisboa, não tem acertado. No Governo, dava boa imagem, mas, cá está, sem perceber bem porquê.

Há nele todos os sonhos do mundo português.

Isto só para apresentar a seguinte conclusão: Costa, que respeito, sublinhe-se, está para mim como o arroz de cabidela está para o paladar luso. Quem gosta, come bem, mas quem não gosta não se farta de perguntar "por que raio comes tu isso?" ao seu próximo.


sábado, janeiro 26, 2013

Perceber


Por que razão me lembro disto?

Anda cinzento o tempo. Chove.

Alia-se tudo à falta de forma mental.

Até que se chega aqui e está perfeito. Uma grande composição.

Balanço, puri.







sexta-feira, janeiro 25, 2013

Vem cá, José Manuel

Tendo sido intempestivo no envio de "curricula", paguei o preço na inexperiência.
Calhou-me a fava.
Entro, naquele fatídico dia, no sitio onde hoje, mais ou menos, estou. A conversa...a conversa só fazia prever o que dali viria, veio, vem e virá. Devia ter havido, da minha parte, mais sagacidade na percepção do que me esperava.
O problema, sempre o problema, é a falta de alternativas. A questão é parecida com a do custo de oportunidade, sempre ilustrada com o industrial da restauração.

Hoje, sou um bocado esse fulano que tem um tasco aberto, cujas receitas cobrem as despesas, num infernal break-even, que não permite tirar, seja o que for, para mim.

Porque é que não saio?

Porque não há para onde ir.

Como o homem do restaurante.


quinta-feira, janeiro 24, 2013

Contributo

Desde já o meu obrigado.

Aqui fica aquilo que procurei, não encontrei, mas foi, gentil e oportunamente, fornecido.



Quatro sonetos a Afrodite Anadiómena

I

PANDEMOS


Dentífona apriuna a veste iguana
de que se escalca auroma e tentavela.
Como superta e buritânea amela
se palquitonará transcêndia inana!

Que vúlcios defuratos, que inumana
sussúrica donstália penicela
às trícotas relesta demiquela,
fissivirão boíneos, ó primana!

Dentívolos palpículos, baissai!
Lingâmicos dolins, refucarai!
Por manivornas contumai a veste!

E, quando prolifarem as sangrárias,
lambidonai tutílicos anárias,
tão placitantos como o pedipeste.


II

ANÓSIA


Que marinais sob tão pora luva
de esbanforida pel retinada
não dão volpúcia de imajar anteada
a que moltínea se adamenta ocuva?

Bocam dedetos calcurando a fuva
que arfala e dúpia de antegor tutada,
e que tessalta de nigrors nevada.
Vitrai, vitrai, que estamineta cuva!

Labiliperta-se infanal a esvebe,
agluta, acedirasma, sucamina,
e maniter suavira o termidodo.

Que marinais dulcífima contebe,
ejacicasto, ejacifasto, arina!...
Que marinais, tão pora luva, todo...


III

URÂNIA


Purília emancivalva emergidanto,
imarculado e róseo, alviridente,
na azúrea juventil conquinomente
transcurva de aste o fido corpo tanto...

Tenras nadáguas que oculvivam quanto
palidiscuro, retradito e olente
é mínimo desfincta, repente,
rasga e sedente ao duro latipranto.

Adónica se esvolve na ambolia
de terso antena avante palpinado.
Fimbril, filível, viridorna, gia

em túlida mancia, vaivinado.
Transcorre uníflo e suspentreme o dia
noturno ao lia e luçardente ao cado.


IV

AMÁTIA


Timbórica, morfia, ó persefessa,
meláina, andrófona, repitimbídia,
ó basilissa, ó scótia, masturlídia,
amata cíprea, calipígea, tressa

de jardinatas nigras, pasifessa,
luni-rosácea lambidando erídia,
erínea, erítia, erótia, erânia, egídia,
eurínoma, ambológera, donlessa.

Áres, Hefáistos, Adonísio, tutos
alipigmaios, atilícios, futos
da lívia damitada, organissanta,

agonimais se esforem morituros,
necrotentavos de escancárias duros,
tantisqua abradimembra a teia canta.

Jorge de Sena

In the mood

Pesquisas

Em conversas, foi-me dito que existe um poema de Jorge de Sena composto, inteiramente, de palavras inventadas. Eis que fui à procura do dito.

Não o encontrei.

Mas dei de caras com isto.

A Canalha

Como esta gente odeia, como espuma
por entre os dentes podres a sua baba
de tudo sujo nem sequer prazer!
Como se querem reles e mesquinhos,
piolhosos, fétidos e promíscuos
na sarna vergonhosa e pustulenta!
Como se rabialçam de importantes,
fingindo-se de vítimas, vestais,
piedosas prostitutas delicadas!
Como se querem torpes e venais
palhaços pagos da miséria rasca
de seus cafés, popós e brilhantinas!
Há que esmagar a DDT, penicilina
e pau pelos costados tal canalha
de coxos, vesgos, e ladrões e pulhas,
tratá-los como lixo de oito séculos
de um povo que merece melhor gente
para salvá-lo de si mesmo e de outrem.

7 de Dezembro de 1971


Por mim, está bem.

Ou, por outra, "muito bem", citando Gaspar.

Do aspecto

O blogue conhece muitas constantes.

A falta de leitores.

(Consequentemente), A falta de comentários.

O template.

Ora, vamos lá amputar parte desta santíssima trindade.

Está, oficialmente, mudado o template.

quarta-feira, janeiro 23, 2013

Num escritório

Para se ser advogado, deve fazer-se um estágio.

Actualmente, esse estágio demora cerca de 3 anos, um pouco menos se, como se diz na gíria, "correr tudo bem".

Quando me iniciei nas lides da advocacia, comecei por procurar um escritório que me acolhesse. O estágio postula várias formalidades e a principal é a existência de um patrono que, supostamente, acompanha, dirige, aconselha. Digo "supostamente" porque existe, no papel, essa obrigação. (Porém, na prática, um patrono é só um patrão que espera que o ofício esteja aprendido desde a barriga da progenitora. Podemos ter a sorte de perceber do assunto como um só "olhadela", e aí a coisa corre de feição, ou então, se todos forem como eu, de compreensão muito lenta, temos um problema.)

Como eu, no escritório, quando entrei, havia 4 estagiários. Duas senhoras e dois senhores, comigo incluído.

A primeira pessoa que me estendeu a mão e falou de igual para igual foi, na passada Segunda-Feira, prestar provas orais de agregação. Reprovou.

Daqueles 4, eu e o outro senhor fomos bem sucedidos, a senhora supra referida vai repetir a prova oral e a quarta, por razões burocráticas, ainda se vai apresentar a exame escrito.

Tudo o que está escrito supra não tem qualquer valor para o que me leva a escrever estas linhas.

Recentemente, outras estagiárias entraram no escritório onde estou.

O "Patrono", entrando no gabinete onde estava uma das novas estagiárias, depois de 30 segundos de conversa da treta, entra no assunto da reprovação.

A miúda nova, que irá ter um grande futuro no escritório, muito admirada, dizia que não entendia como é que a presidente do Júri que chumbou a colega tinha sido tão má, uma vez que era sua formadora na Ordem.

O "Patrono", cheio de si, respondeu que o problema não tinha sido do júri. O problema tinha sido a examinada, que não sabia, não fazia, não, não, não, um monte de "nãos", seguidos de notas pessoais em tons de nojo e depreciação.

Não a defendeu. À frente de um projecto de causídica, o "Patrono" deixou cair um seu outro projecto em forma de estagiário.

Há quem não valha nada.


quinta-feira, janeiro 03, 2013

E não pára.

Vésperas de Nada

Aniversário
Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)


No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas
lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais       copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!..
.

O mundo laboral explicado ao povo e às crianças

(A história que se segue foi-me contada numa versão bem mais abreviada. Decidi alongar, para dar um enquadramento mais capaz)

Tudo se passa numa casa absolutamente normal, no seio de uma família tradicional. Como todas as outras, a família desta história também tinha que "fazer o tacho".
Uma vez que a imaginação não abundava, as refeições eram, frequentemente, as mesmas: carne assada com massa, carne assada com arroz ou carne assada com puré.
O agregado familiar era composto por pai, mãe e filho. O petiz, recente nestas coisas, foi enjoando o manjar até que, um dia, cheirando o hábito vindo da cozinha, perguntou ao seu velho:
- Oh pai, o que é o jantar?
Respondeu o pai:
- Carne assada, filho.
Irritado com o remake daquele pouco suculento filme de terror, o jovem não vai de modas e grita:
- NÃO GOSTO DE CARNE ASSADAAAAAAAA!
O sócio sénior previu aquele dia. Olhou para o seu rebento, respirou fundo e, com toda a calma da margem sul, pediu ao jovem que pusesse o dedo indicador direito dentro do lado direito da boca e o dedo indicador esquerdo do lado esquerdo da boca, ambos dobrados, a formar um pequeno gancho, cada gancho puxando para seu lado.
O filho achou piada ao exercício, quanto mais não fosse porque parecia que estava a fazer uma careta.
O pai pediu ao menor que mantivesse a dita careta e proferisse a frase chave: "não gosto de carne assada":
- Naum gochto de caaane achada" - Disse.
- Então come merda. - Replicou o pai.

No mundo laboral, quando estamos sujeitos às ordens de um sabujo qualquer que é patrão, isto acontece que uma frequência indesejada.

E olhem que até gosto de carne assada.


quinta-feira, dezembro 20, 2012

Teses

Há uns anos, na célebre rúbrica chamada "O Homem que mordeu o cão", dizia-se que a Dina e o (actor que fazia de) Zé Gato eram uma e a mesma pessoa. Dos vários argumentos, o mais pujante vinha na forma de pergunta: Alguma vez foi vista a Dina e o Zé Gato no mesmo sítio?

Agora, tenha-se em consideração o seguinte caso:


Toda a gente, em princípio, conhece este senhor. Abebe Selassie, o Troi em Troika.


Este homem é Cee Lo Green. Passei a conhecê-lo por ser vocalista de Gnarles Barkley.


segunda-feira, dezembro 17, 2012

Estupidez, ainda antes da entrada em modo natalício

Se abrisse um negócio de comida para vegetarianos, apostava na internacionalização e chamar-lhe-ia Food Earth

terça-feira, dezembro 11, 2012

Estava, agora mesmo, a pensar numa cozinha daqueles restaurantes com Estrela Michelin.

Ali, esbate-se o preconceito do grande cozinheiro. Mais concretamente, o que se passa naquele espaço não é o mesmo que acontece numa cozinha doméstica, em que um dos habitantes da casa pega no tacho e, sozinho, produz a refeição.

Numa cozinha de grande gabarito, o chef há de ser sempre o responsável pela ideia, pela receita, que subjaz ao prato. Será sempre dele o tempo de cozedura, de grelha ou outro meio qualquer de produzir o bom do "morf". Também é dele o molho, o tempero, o "saber" onde comprar os bons igredientes.

Na hora da verdade, o chef não está na cozinha a grelhar o peixe, a assar a carne nem a preparar a salada. Para isso há "outras pessoas". Quando muito, um chef prova, "maquilha" o prato e faz com que os olhos também comam.

A constatação do dia é que sou "outra pessoa". Como as coisas estão, é bem possível que passe os próximos anos da minha vida a fritar as batatas ou a cozer arroz.

(Era para ter optado pela metáfora do jogador de futebol que aquece o banco, mas uso-a num outro dia, acompanhada de história própria e reminiscências infantis).

quarta-feira, dezembro 05, 2012

Idades

(Fazia tempo que não escrevia aqui)

 Eu ando sempre a dizer que estou velho. Faço grande parte da minha vida a resmungar e a maldizer a sorte. Ao fim e ao cabo, dou comigo a pensar que, até agora, tem tudo passado muito depressa.

Que já vi muito.

Que já passei por alguma coisa.

Que já ouvi e cheirei o que preferia não ter ouvido e cheirado.

Até que, numa bela tarde de Quarta-Feira (de acordo com o anterior acordo ortográfico), oiço algo que tinha por impensável. A juntar a isso, assisto ao que nunca pensei que pudesse acontecer.


Isto só para dizer que volto a pensar que não sou tão velho assim, como pensava quando andava no ensino básico, ali como quem vai para o 9.º ano.

quarta-feira, outubro 17, 2012

Penitência






(Na sendo do que é habitual, ou seja, entrar a falar sem explicar o contexto, aqui segue)

Ainda nada está resolvido.

Nada é certo.

Porém, há grande probabilidade de ter passado um problema que me tirou o sono.

Criei um problema que outro resolveu. Calhou o outro ser aquele que mais fel me mereceu.

Hoje, há que pedir desculpa.

A ele, nunca. A mim. Porque sou mau demais a avaliar carácteres. Se calhar, nunca há tanto défice quanto se assume.

quinta-feira, junho 28, 2012

Ser advogado é uma bela merda.

Se alguém pensa que tem relação com o direito, está enganado.

Se alguém pensa que tem relação com a justiça, deve deixar a droga.

Se alguém pensa que tem prestígio, vá ver o que significa "prestígio" no dicionário.

E é isto, para já.

Claro, a vida correrá melhor a uns do que a outros. A mim, profissionalmente, corre mal. Corre mal financeira e motivacionalmente.

Também fui estúpido em pensar que seria o contrário. Levei 5 anos de faculdade a negar o cálice. Foi só acabar o calvário e já apanhei uma valente borracheira nele.

Depois, há os aspectos corporativos. A única coisa que me desagrada na OA é o carácter proteccionista que faz barrar os interesses dos que querem ingressar na profissão. De resto, adoro. É aqui que "marra" a minha confusão. É que não suporto os colegas. (Não todos, claro.) Mas, modo geral, é gente com um ego tão maior que o meu, com o convencimento e auto-engrandecimento tão patente que pasmo.

Os advogados são, incontornavelmente, aquilo que dizem deles.

Menos aqueles que não gostam de o ser.

(Sim, a regra comporta excepções.)

segunda-feira, junho 25, 2012

Porque há muito tempo que não escrevia sobre baleias, ursos e restante fauna aplicável

Devia haver um meme para o meu superior hierárquico.

Era fácil.

Fotografia de fundo.

Em cima, uma pergunta. Qualquer coisa. Exemplifico: Chefe, tem horas?

Em baixo, a resposta: Vê o processo.

Volto a exemplificar. Em cima: Ligou o X a perguntar se amanhã sempre se mantém.

Em baixo: Vê o processo.

Trust me, this can last for hours and has its place in every circumstances

terça-feira, maio 22, 2012

Nas vésperas do quinquénio






Esta foto é de dia 24 de Maio de 2007.

Traz, tão-somente, as melhores recordações. Foi uma audiência bem conseguida, o espírito académico estava em alta e, naquela noite, tornei-me melhor pessoa. Levantei-me às 7 horas do dia 24 de Maio e adormeci às 23.40 do dia 25.

Sempre que contemplo a foto, lembro-me de tudo.

Foi, sem qualquer sombra de dúvida, o melhor dia da minha vida.

Nada correu mal.

Matou-se aquela máxima do "tudo o que pode correr mal vai correr mal".


Da prestação de consulta jurídica

Enquanto trocava umas ideias jurídicas, via MSN (estou velho), também andava pelo FB.

Dei com a respectiva face de uma antiga colega de escola, de turma.

Uma mulher que, declaradamente, me odiava.

Melhor aluna que eu. (Obviamente) Mais jeitosa que eu (ainda que para espécime feminino deixasse a desejar...). Mais amigos que eu. Está num escritório mais conceituado que o meu (ah, sim, foi para Direito, até já tem mestrado e brutas notas)

Epá, nunca me suportou. Falava mal de mim nas costas. Encontrava-me todos os defeitos. Era de cortar à faca o ambiente.

Ainda hoje pergunto "porquê".

Ainda hoje não sei.

Tese n.º 1: Porra, és insuportável.
Refutação: Bem verdade, mas ela odiou-me sem me conhecer. Acreditem se quiserem.

Tese n.º 2: Ela tinha uma paixão por ti.
Refutação: Sou profundamente feio e desinteressante.

Tese n.º 3: És profundamente feio e desinteressante.
Refutação: Certo, mas isso não tem nada a ver. Sou amigo de muita gente profundamente feia e desinteressante.

Tese n.º 4: Inveja
Refutação: De quê???

Run out of thesis.

Não chego lá.

Só resta a derradeira explicação: somos irmãos separados à nascença e a voz do sangue é mal ouvida por ela.

domingo, maio 06, 2012

O Dia da Mãe

Ao contrário da generalidade das pessoas, eu gosto que existam "dias" determinados de homenagem a certas coisas ou pessoas. Há o "dia da Mulher", o "dia do Pai" ou o "dia da Paz". Nenhum destes é só mais um dia. Termos presente que alguém se lembrou de instituir, por todo o mundo, uma data de justa evocação traz-nos a obrigação, nem que seja por breves segundos, de pensar nela.

Penso.

Eu não acredito numa "teoria geral da maternidade", isto é, não acredito que haja uma fórmula específica que os seres-humanos do sexo feminino que deram à luz possam aplicar para serem bem sucedidos na missão de se relacionarem com o filho. Acredito, antes, numa "ideia de mãe", sempre subjectiva.

Ao longo da história, tanto da universal, como da minha, conheci grandes mães. Ora, nenhuma delas era igual à anterior, isto é, não foi para os seus filhos aquilo que outras foram para os respectivos. Em cada uma, houve capacidade para perceber que matéria bruta tinham à sua frente, que defeitos e inseguranças despontavam e com elas souberam lidar, nunca apagando traços de personalidade, mas lidando com tudo com a chamada "classe". Sem ser um critério definitivo, é para mim uma boa mãe aquela que soube educar os filhos. Que lhes deu princípios e valores, aquela que os transformou em pessoas e não em mera escória.

Foi isto que fez da minha mãe alguém superior.

Não me quero usar como objecto de análise, mas sempre tenho uma irmã e posso recorrer ao que ela se tornou e, aí, tiro boas conclusões. Hoje, a minha irmã é independente, educada, profissional, há quem diga até que tem uma boa figura, arranja-se e costuma cheirar bem.

Prova dos nove: a minha mãe triunfou.

No que posso dizer, sem emitir parecer acerca do meu carácter, antes de ser mãe, ela é uma grande pessoa. Cresceu num meio em que o dinheiro não abundava. Apesar disso, tirou o seu curso superior enquanto trabalhava, "teve-me" quando "andava a assinar fitas de finalista" e nunca se lhe conheceu fraqueza. Está ali uma grande mulher, uma Senhora.

Deu-me tudo.

Devo-lhe muito daquilo que sou (para o bem e para o mal), daquilo que tive e daquilo que dou. É alguém incontornável na minha vida, uma alma permanente e perene.

Ainda bem que há o Dia da Mãe.

Não há trabalho de tanta responsabilidade.

quinta-feira, abril 12, 2012

Euro 2012

Bar velho.

Mesmo naquelas mesas ao pé da porta que dá para um projecto inacabado de jardim, onde há um relvado e vista para a biblioteca.

Num moleskine, apontávamos apostas: quem é que vai para o Euro 2008?

Há 4 anos.

Hoje vi um passatempo semelhante. Coisa já profissional, acho que até metia dinheirinho.

Lembrei-me daquele instante. Porque irrepetível, porque de tão banal e comum, senti como se uma chapada me fosse dada.

É verdade. Acorda.

Isto para chegar, mais uma vez, àquela conclusão que não me larga, mas teimo em não acatar: há um modo de vida que acabou.

segunda-feira, março 19, 2012

"Tenho ideia que são nove"

Isto foi o que Cavaco respondeu quando lhe perguntaram quantos Cantos têm "Os Lusíadas".

Acho que nunca escrevi um post sobre o Dia do Pai. Até tenho ideia da razão.

Vamos lá a uma pequena dissertação.

O meu Pai é oriundo de um terra sita em Trás-os-Montes. Já o Pai dele, meu avô, era transmontano. Os irmãos, amigos e vizinhos comungavam da cena. Há um traço muito particular no que toca aos transmontanos: combinam na perfeição o binómio frieza/masculinidade.

Naquelas paragens, não há necessidade de chamar "roto", "rabeta", "rabo" ou qualquer coisa parecida. Ali, vive-se de atitude, de actos e factos. Simplesmente, "é-se home".

Isto porquê? Por uma razão simples: o Pai do meu Pai, meu avô, bem como os irmãos, amigos e vizinhos nunca fariam uma dissertação sobre o Dia do Pai. Para eles, não há dias desses. Há autênticas existências de dedicação. Na terra quente, a homenagem é diária, reflectindo-se no respeito que se merece, observando-se no trabalho que se presta, na compreensão eterna jogada no lar.

Ainda que blogs houvesse na sua infância e o mundo Dele fosse o meu, jamais veria o meu velho com um assomo de laudatória a escrever fosse o que fosse a respeito do Pai dele. Não era preciso. Nunca foi. É que sempre esteve na cara o que um simbolizava para o outro. O que era o meu avô na vida do meu Pai e o meu Pai na vida do meu avô.

Eis que chegamos a estas linhas. Eu não sou transmontano. A linguagem que o nordeste fala (e sente) eu nunca aprendi. Tivesse sido nascido e criado em Vale de Prados e o assunto, hoje, era a dimensão axiológica do mito de Anteu.

Ao invés disso, faço uma pequena catarse e penitencio-me: o meu grande mal é nunca dar a entender às pessoas o que elas significam. Na grande maioria dos casos, não significam nada. (Vá lá saber-se porquê). Todavia, outros casos há em que ficou tudo por demonstrar. Mais do que dizer, lamento profundamente não expressar a gratidão por uma vida maravilhosa (não só dada por ele, mas também por todo o meu núcleo familiar). Mais do que convencer, será uma eterna mágoa nunca imputar naquele Homem, com o seu consentimento, a responsabilidade por tantos e tão bons valores e exemplos que me transmitiu.

Mas eu ainda sou novo. Bem vistas as coisas, ele também.

quinta-feira, março 15, 2012

Banalidades e Lugares Comuns

Era a vida toda a correr à frente dos olhos.

Desde o momento do nascimento, até à morte.

Normalmente, quando se ouvem estes mitos, o filme que "rola" na retina é o dos êxitos, o das coisas que se fizeram.

Ali, não. Para além do que foi feito e alcançado, sobrava o que passou ao lado. O que deixou de se fazer, o que se ignorou e aquilo de que se fugiu.

De certa forma, a tónica era essa mesma. A despedidas faziam-se em lágrimas e as palavras dirigidas não eram de congratulação, muitos menos de enaltecimento. O que cantavam aquelas almas era o que estava por fazer, o que estava ao alcance e não podia, por força das circunstâncias, agora ser atingido.

No momento da última batida, onde deveria aparecer a palavra "Fim" a marcar, precisamente, o final do supra citado filme, há uma imagem e um som. Plácido Domingo. Anos mais novo mas com incrível potência vocal. Cantava uma aria qualquer. Em grande.

Partia, assim, para o outro mundo ou para a falta dele.

terça-feira, março 13, 2012

Do "achismo" certo.

Aconteceu a este blogger a única coisa que nunca quis. Ok, uma entre muitas.

Ao almoço:

"- Parabéns, pá. Foi declarada a execução específica do !"#$%."
"- Parabéns porquê? Nem fiz o julgamento..."
"-Não houve julgamento..."

I - Preliminares:

Não sou interveniente nesta conversa. Estava ao lado.

II - Da causa:

No processo supra referido, o fulano que "nem fez o julgamento" foi mandatário do !"#$%. Alguém fez a Petição Inicial, não ele. Ele entregou-a via citius. (Nota: petição inicial é o articulado entregue pelo autor da acção judicial onde vem pedir que se faça justiça, i.e, uma folha A4 com artigos em que são descritos factos e feito um pedido, v.g, "o A. deu-me uma chapada, quero ser indemnizado")

O réu não contestou. Quando isso acontece, o Autor da acção é notificado para alegar, nos termos do artigo 484.º, n.º 2 do Código de Processo Civil. Por alegar entenda-se fazer uma exposição de factos e de direito a justificar a nossa razão.

É aí que eu entro. Fui o autor dessas alegações.

III - Da coisa

Chefe congratula o outro que deu o nome para os autos e disse que era lá advogado para a coisa ficar bonita. As alegações foram aceites, bem como o pedido formulado e foi ganha a acção.

IV - Da condição

Nem o chefe se lembrava que tinha sido eu a fazer as alegações nem a outra besta foi capaz de dizer que se limitou a enviar aquilo que eu fiz.

V - Conclusões

1. O trabalho foi bem feito e isso devia deixar-me contente.
2. O trabalho foi bem feito, mas para quem isso interessa, não tive relação com nada aquilo.
3. Já me têm repreendido por uma ou outra falta de atenção. Se me esqueço de pôr um acento, tenho de me levantar do gabinete e ouvir. Se sou responsável por algo valioso, não sou.
4. O custo de oportunidade. Sempre ele.

segunda-feira, março 12, 2012

Constantes e variáveis

A sobrevivência (em qualquer forma), depende sempre da cedência.

Saber jogar com as cedências é fundamental. Não sei se sempre foi assim, mas sei que comigo não funciona de outra maneira.

É uma constante.

A sobrevivência de uma família faz-se com a cedência dos egos. Cada individuo sê-lo-á menos se quiser gozar daquela confortável união.

A sobrevivência no trabalho faz-se com a cedência de personalidade e auto-estima. Quanto mais merda fomos aguentando mais longe iremos. Claro que ser minimamente competente ajuda. Mas aí está um ponto de toque engraçado: só é mesmo preciso ser minimamente competente. Eu até tenho a medida: competência ao nível do cumprimento de ordens. E chega.

Depois, há os dias variáveis, onde se lida menos bem com a cedência.

Nesses dias, escrevem-se posts.

(E agora, uma constatação nada fática sobre a existência).

Entre o que existe e o que não existe estão as palavras.

Acabando de escrever estas linhas sobre cedências, a realidade far-se-á sentir. Que quer isto dizer em termos práticos, de modo a que um homem médio perceba?

"Olha, tudo bem com as cedências e tal. Vives iludido com aquilo que trouxeste da Faculdade. Já viste que não te serviu de nada. Insistes. Espera que saia a nota do teu exame. Nunca te vais cansar de tomar banhos de humildade."

segunda-feira, março 05, 2012

Da Quebra Justificada do Jejum de Posts

Reza o Código Penal Português que, caso se preencham certos requisitos, certo facto pode justificar a ilicitude, o que fará com que não haja crime.

Ora, o que quero dizer não tem nada a ver.

Sobretudo um espelho de estados de espírito, este blogue já dedicou inúmeras palavras àquela que justifica a cada dia que o blogger subscritor não seja uma "ilicitude andante" (era só para relacionar).

Faz hoje anos.

Queria só dizer que está cada vez melhor. Está tão melhor que a comparação vai deixar de ser com o vinho do Porto. Doravante, as pessoas dirão: "Jesus, aquele Davidovich é como a Diligentia, quanto mais velho, melhor!".

Parabéns, mulherão.

sexta-feira, fevereiro 03, 2012


E é isto.

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

Foi bom ouvir aquilo.

(Aquilo o quê?)

Tudo.

Sei bem que sou o mais difícil de aturar. Demasiado.

Acontece é que, às vezes, até os chatos têm razões para chatearem.

Quando isso acontece, também eles precisam de uma palavra. Às vezes, só querem falar para que os oiçam.

Foi bom ouvir aquilo.

Também foi bom ser ouvido.


quinta-feira, janeiro 26, 2012

Memoria futura

Quando lá cheguei, já se tinha dado o acidente.

quarta-feira, janeiro 25, 2012

Remontada

25.


quarta-feira, janeiro 18, 2012

Tocou o telemóvel.

O Pingo Doce tinha comprado a Vodafone, a rede que utilizava para as telecomunicações móveis. Era o momento de cobrar a dívida, pelo que se impunha o primeiro telefonema de cortesia a avisar que era devedor e teria mesmo de pagar. Tudo era dito com a uma voz feminina delicodoce, como, aliás, se impunha.

Nada era devido. Era o que faltava. O que impunham as condições contratuais era, tão-somente, um pagamento mensal de "X". A partir daí, "liberar geral".

Toca a campainha.

Era um anão. Vestia uma camisa vermelha, que estava fora das calças, calças essas que eram de ganga. Ou bege. Os sapatos eram pretos, a atirar para o verniz. O traço distintivo, para além do tamanho, era o cabelo. Enorme, encaracolado, seboso. Não com caracóis perfeitos "tipo-anuncio-da-pantene", mas umas curvas capilares.

- "Sim?"

- "Sou advogado de $%&/, ando à procura de um devedor. É a !"()?=.

-"E o que é que eu tenho a ver com isso?"

- "Você não foi advogado da !"()?= ?"

- "Não. Por acaso, já litiguei, também contra era".

- "Ou isso. Não me sabe dizer onde anda, ou sabe?" (A pergunta era parva. A devedora era pessoa colectiva.)

terça-feira, janeiro 03, 2012

Ao contrário do que as produções Hollywoodescas nos fazem parecer, o fracasso não é um momento que marca o fim de qualquer coisa.

Por exemplo, o "Suspeito da Rua Arlington". Aquilo acaba mal. Pode falar-se em fracasso. E há o fim. Let's move on.

Na vida real, não. Trata-se de uma diferença colossal.

Na vida real, não naquela onde o Jeff Bridges existe, um erro não determina o fim dos erros. A seguir a um vem outro. Ao outro segue-se outro. O outro melhor que outro. And so on.

Isto, basicamente, para dizer que, na modesta idade que tenho, já fracassei mais que a maioria. É uma coisa muito minha, pronto.

Não sei se será da proximidade da data, se será da perda progressiva de qualidades próprias a que tenho vindo a assistir. Uma das duas. Talvez as duas.

Constatada a primeira facada (não hoje constatada, apenas hoje relatada), a segunda vem já: como resolver? O problema do fracasso (como da humanidade em geral) é que não consegue reverter os ponteiros do relógio. O tempo não volta atrás, oh António Mourão. Pior: nada do que se faça agora deixará de ter o célebre e funesto rótulo: "Estás a compensar a merda que fizeste".

Pois é, é um dilema. Não há é vontade de ligar para a Maya (Eunice, de sua graça). De certeza que ela "sacava" logo de um Dependurado e me dizia qualquer coisa como: "venda a sua casa, que ela está cheia de más vibrações" ou "compre um pequeno hamster".

Quando souber o que fazer depois do fracasso, volto a escrever outro texto sobre a temática. Poupar-me-ei ao esforço se a resposta for um simples: "segue a tua vida".

segunda-feira, janeiro 02, 2012

O Orçamento "Zero"

É um nome pouco técnico de um documento do mais complexo possível.

Não o vou definir. Primeiro, porque acho que todos os Orçamentos devem ser "Zero" e são (Vide LEO). Segundo, porque não me apetece.

O ano 2012 vai ser o meu Orçamento "Zero". Não vou esperar nada. Cada rubrica da minha vida vai ter exactamente aquilo que precisa e nem mais um tusto.

(Isto é) Bom porquê?

Porque a parte "maniaco-depressiva-obsessiva-ursa" tem recursos a mais. Digamos que é o sector empresarial do Estado e eu sou o Estado. O Banco (que é a minha boa vontade) está a emprestar demais e isso está a criar um crowding out effect (não se escreve assim) que faz com que as rubricas restantes não gozem do melhor de mim.

Pronto. Era tudo o que queria dizer, numa alusão clara a conceitos económicos que cheguei a perceber mas nunca dominar.

Bom Ano a Todos.

segunda-feira, dezembro 26, 2011

Passou-me qualquer coisa pelos olhos.

Aquele mendigo que vi na última vez que fui ao bairro. Aquele que, vestido como podia, arranjado como não estava, dormia dentro de uma dependência bancária, à espera que não fosse "varrido" dali para fora.

Era eu.

sexta-feira, dezembro 23, 2011



Este Blogue entra em modo Natalício.

Em que é que este modo se distingue dos restantes? O autor está sobejamente mais bem disposto.


Este Blogue entra em modo Natalício.

Em que é que este modo se distingue dos restantes? O autor está sobejamente mais bem disposto.

quarta-feira, dezembro 21, 2011

Os últimos

O ingresso foi em Setembro de 2009. Fervilhavam os ensinamentos jurídico-políticos numa cabeça assombrada por aquilo que tinha pouco reflexo prático. A carreira forense é diametralmente oposta à carreira académica. Dir-se-á mesmo que o único ponto comum é a omnipresença de legislação, elementar em qualquer dos casos. Fora isso, rien.

*

A transmissão do novo saber começou com atraso: diria Outubro ou Novembro. Havia curiosidade. Desde pequeno que tinha que saber por que regras me regia. Acho que foi isso. Uma opção, uma escolha materializada num formulário entregue em Setúbal. Depois foi o que se viu. Só faltaram as lágrimas ao sangue e ao suor. 5 anos da alta cozinha jurídica numa escola de excelência.

*

4 meses depois, marcava-se mesa no "Sabor Mineiro". Uma imensidão de gente. Era curioso o ritual. Afinal, incitava-se ao convívio, ao bom ambiente, até mesmo à farra. "Ou vais ao RS ou não te assino o relatório de estágio". A brincar, claro. Comeu-se, bebeu-se. Riu-se. Continuava fresco e imberbe (não se mudou muito até hoje). Era estupendo ver que o trabalho também tinha uma dimensão socialite. Faz falta. Lá se foi para o RS, uma discoteca da moda. A visita durou uns amáveis 10 minutos.

*

Durante 5 anos, nasce e morre muita gente. Fisica e socialmente. O mesmo é dizer que corre muita água por baixo das pontes, meanwhile. Como na economia, onde tudo se pode representar por gráficos, também os certames desta índole gozavam de uma representação parecida à curva de Laffer, seja lá o que ela for. Do primeiro nem há lembrança se existiu. Admite-se que sim e até se acha que se sabe com quem. Só podia, na altura. Mas, como se demonstra, valeu zero.

*

2 anos passam. Já foi ontem. É a naturalidade que leva à escrita das linhas. Na verdade, aquele foi o último. Não haverá outro, seguramente, não com aquelas pessoas naquelas circunstâncias. Para o ano, isto não se escreve e terá passado mais uma fase. Naturalidade. Nem nostalgia, nem sentimento de saída. Sem drama. Estranho, porque a eles haveria lugar e não houve. Aceitou-se. Só pode querer dizer isto.

*

Os momentos que antecedem o encontro estão ligados à vida académica na fase mais generosa: terminada uma simulação processual, havia que seguir-se a celebração sazonal. Na altura, crê-se que só um dos convivas ganhava ordenado. Os outros só estudavam. Havia que ir ao encontro de todos os bolsos. Cantina do ISCTE, como era conhecida. Foi lá. O melhor. Até se recorda o prato: jardineira. Mais novos, mas tão felizes. Não interessava o "onde". Logisticamente, requeria-se o "quando". O "porquê" era adquirido: o desejo era de união, aproveitar aqueles últimos dias em que a manhã era teórica e a tarde prática. Trocaram-se prendas. Contaram-se piadas. Estava lá tudo. Também estavam lá todos.

*

Foi o último.

*

sexta-feira, dezembro 16, 2011

Uma grande amiga minha anunciou-me, hoje, que vai sair de casa dos pais.

Foi das melhores notícias que poderia ter ouvido.

Desde que a conheço que teve esse desejo. De se emancipar, de ter a sua vida, o seu espaço. O seu "pequeno T2 onde pudessem viver os dois", lá dizia a música.

Em Janeiro lá está ela.

(Penso quando chegará a minha altura. Alegre, acho que já esteve mais longe.)

Há dias do camandro.

sexta-feira, dezembro 02, 2011

A propósito do "Método Perigoso", veio-me à cabeça um problema de sempre: limites.

Uma das questões que é levantada, e até debatida, no filme, é a da repressão sexual. As teses, primordialmente, tendem a favorecer a ideia de que não deve existir essa repressão, sob pena de se dar origem a comportamentos mais explosivos.

O problema de defender, ou não, a repressão, seja ela qual for, é saber onde se traçam limites. Porém, já saber onde se traçam limites é uma questão de critério. Achá-lo é o diabo.

(Tinha escrito um texto com algumas páginas, mas decidi apagá-lo. Um tema destes não se trata com leviandade).

Depois daquelas máximas ("o Homem é um fim em si mesmo), tenho só a dizer que, tantos os limites, como o inferno, são os outros.

Perceber até onde aguentam é o critério.

quinta-feira, novembro 17, 2011

"Termino já, Sr.ª Presidente"



Viva o PSD, Viva Portugal
Acho que voltámos à luta de classes.

Como em tudo no mundo moderno, houve especialização.

Hoje, já não há aquele conceito de combater a burguesia. Ela própria está estratificada. São os próprios burgueses que se matam entre si. Os trabalhadores do sector público contra os do sector privado. Aqueles que têm um contrato sem termo e aqueles que trabalham a recibos verdes. Por aí fora.

Quando comecei a escrever neste blogue (já não sei há quanto tempo), nunca pensei que chegássemos a este nível.

Chegámos.

Dou por mim a pensar em tudo o que oiço e leio quotidianamente. Quando é notório que há uma clara aposta na política de terra queimada, na "regeneração moral" da sociedade, sendo tudo isso conceitos que abomino e defendo que deveriam ser criminalizados, encontro-me, vezes demais, perto daqueles que vêem a solução a chegar sob a forma de bomba atómica, com mortos e feridos, mas mais mortos que feridos.

Quando, hoje, mais do que nunca, era necessário um consenso, mas não um consenso "a la PR", os elementos da sociedade estão uns contra os outros.

Porque são invejosos.
Porque em casa onde não há pão todos ladram e ninguém tem razão.

Ao fim deste tempo todo, sem escrever, acho que não estive bem ciente do que é o País nos dias que correm. Hoje, sei que ele já não existe para além da formalidade.

Já não há Portugueses, há habitantes do território chamado Portugal. Já não há cidadãos, há funcionários públicos, funcionários privados e, fundindo os dois, há contribuintes, sujeitos passivos.

Uma coisa é boa, no meio disto tudo. Chegou, finalmente, a certidão de óbito do D.Sebastião.

sexta-feira, setembro 23, 2011

Dito em melodia



Um dos meus grandes amigos "postou" isto numa conhecida rede social.

Não conhecia.

Diz aquilo que tantas vezes escrevi. Canta aquilo que tantas vezes pensei.

Nunca mais foi a mesma coisa.

Ainda que subsistam os laços. Ainda que valham todos a minha vida.

Nunca mais foi a mesma coisa.

Ainda hoje não se superou essa inevitabilidade.

Porque é terrível.

Please, don't let the curtain fall.