O luto traz, desde logo, um problema. Quando ele chegou, alguém saiu. Mas o que quero dizer não fica por aqui.
Nesse momento de sofrimento, em que queremos parar, pensar e lembrar tudo quanto de bom nos trouxe o ausente, precisamos, acima de tudo, de tempo.
E tempo não temos.
O tempo é consumido pelo trabalho, pelas obrigações, pelas outras necessidades.
O nosso tempo de lembrança situa-se entre o trabalho e casa, naquele exíguo caminho.
Situa-se entre o momento em que acabamos de jantar e nos sentamos, a ver a novela.
Só voltam as memórias antes de dormir. Depois de apagadas as luzes.
Quem partiu está ali, connosco, até que se fecham os olhos.
O que é pouco. O que é nada.
quinta-feira, outubro 03, 2013
terça-feira, setembro 17, 2013
Concluindo
Naquele magnífico filme que é Kill Bill, a Noiva, a páginas tantas, está num restaurante para riscar mais um nome da lista.
A visada é uma chefe da máfia local e, et pour cause, a Noiva tem de despachar meia tropa fandanga de ninjas para almejar poder dar a conhecer a sua Hattori Hanzo à "BossA".
Depois de aviar o pessoal que lá estava, oponente e oposta olham-se nos olhos e a vingadora pensa que tem caminho aberto para lograr o desiderato.
Até que ouve uns motores...eram mais uns cinquenta macacos para alimentar.
Só depois desses poderia haver qualquer coisa parecida com uma luta mano-a-mano entre ambas.
Ouvidos os motores, diz a tal chefe, de nome O-Ren Ishii:
- Pensaste que era assim tão fácil?
Resposta:
- Sabes, por um momento, sim, parece que pensei.
E é isto.
A visada é uma chefe da máfia local e, et pour cause, a Noiva tem de despachar meia tropa fandanga de ninjas para almejar poder dar a conhecer a sua Hattori Hanzo à "BossA".
Depois de aviar o pessoal que lá estava, oponente e oposta olham-se nos olhos e a vingadora pensa que tem caminho aberto para lograr o desiderato.
Até que ouve uns motores...eram mais uns cinquenta macacos para alimentar.
Só depois desses poderia haver qualquer coisa parecida com uma luta mano-a-mano entre ambas.
Ouvidos os motores, diz a tal chefe, de nome O-Ren Ishii:
- Pensaste que era assim tão fácil?
Resposta:
- Sabes, por um momento, sim, parece que pensei.
E é isto.
quarta-feira, setembro 11, 2013
Férias
Já acabaram.
Um dia antes de entrar de férias, uma significativa parte do mundo, como a conheço, começou a desabar.
Claro, a vida não acabou. Ficou mais triste.
O ano judicial (aquele que me diz particularmente respeito) abre carregado de angustia.
Só posso esperar que, de alguma maneira, melhore.
Um dia antes de entrar de férias, uma significativa parte do mundo, como a conheço, começou a desabar.
Claro, a vida não acabou. Ficou mais triste.
O ano judicial (aquele que me diz particularmente respeito) abre carregado de angustia.
Só posso esperar que, de alguma maneira, melhore.
quinta-feira, agosto 08, 2013
David Fincher
Constatando que este espaço latrínico está sem ação há algum tempo, decidi apurar quais os habituais temas e tópicos que tenho vindo a abordar, de forma a poder dar algum seguimento, sob pena de esta colossal obra que diariamente construo ser desmantelada e cair, inevitavelmente, no esquecimentoo.
Confesso que me assustei.
É que, há pouco dias, vi aquele monumental filme que é o Seven - Sete Pecados Mortais, do David Fincher, com Brad e Morgan nos papeis.
Pois bem, a páginas tantas, os detetives dão com o domicílio do assassino e entram no dito. Ao fazê-lo, encontram uma pluralidade de bens, de entre os quais se destacam uns milhares de cadernos com apontamentos.
Caros, eu podia ter escrito aqueles cadernos e o John Doe, o tal assassino do filme, podia ser este blogger que vos endereça estas palavras.
E isto, para mim, é o chamado "issue".
Note-se: este texto, que ora finalizo, podia ser da autoria do Johnzinho.
Medo.
Confesso que me assustei.
É que, há pouco dias, vi aquele monumental filme que é o Seven - Sete Pecados Mortais, do David Fincher, com Brad e Morgan nos papeis.
Pois bem, a páginas tantas, os detetives dão com o domicílio do assassino e entram no dito. Ao fazê-lo, encontram uma pluralidade de bens, de entre os quais se destacam uns milhares de cadernos com apontamentos.
Caros, eu podia ter escrito aqueles cadernos e o John Doe, o tal assassino do filme, podia ser este blogger que vos endereça estas palavras.
E isto, para mim, é o chamado "issue".
Note-se: este texto, que ora finalizo, podia ser da autoria do Johnzinho.
Medo.
sexta-feira, junho 21, 2013
Um momento!
O triste no meio disto, e depois de pensar um bocado sobre o que Chico Buarque está a cantar, é que, quando chega mesma o último dia ninguém sente, ninguém sabe.
Ninguém acorda e diz: "epá, isto, hoje, acaba".
Disse que é triste, mas se calhar nem tanto. Numa qualquer confluência cósmica ficou decidido que o último dia é surpresa, como o Kinder.
É agradável pensar que nada é por acaso. E o "fim" é tudo menos acaso. E, como se disse, ninguém sabe quando chega, o que faz do acontecimento o oposto do acaso.
quarta-feira, junho 19, 2013
A meio caminho da estatuição da norma
A união de facto é a situação jurídica de duas pessoas que, independentemente do sexo, vivam em condições análogas às dos cônjuges há mais de dois anos.
Artigo 1.º, n.º 2 da Lei da União de Facto
Pois um ano já passou.
Curiosamente, foi exactamente aquilo que pensava que seria.
E foi, creio, porque conhecia bem quem comigo passou a partilhar os espaços e intimidades (intimidade no sentido escatológico, bem entendido).
Naturalmente, há danos colateriais.
Passei, como tantos me disseram, dizem e dirão, a ter "corpo de homem casado". Não é um elogio.
O bom disto e o que, ao fim e ao cabo, me faz continuar, é o processo de contínua aprendizagem sobre aquela que comigo vive em "condições análogas às dos cônjuges" (que termo infeliz). Aprender com ela é também aprender um bocado sobre o que sou, porém, com uma diferença.
O que se aprende dela é bom.
Acabo de perceber isto
A sorte é um acontecimento.
Um acontecimento que ocorre quando dele precisamos, mas em que as probabilidades de ele ocorrer são perto de zero.
A minha sorte era chegar uma proposta. Um pedido. Qualquer coisa que trouxesse alternativa.
Aguardam-se os dias em que poderei dizer que estes anos foram os piores da minha vida.
Entretanto, só posso mesmo dizer que são.
Um acontecimento que ocorre quando dele precisamos, mas em que as probabilidades de ele ocorrer são perto de zero.
A minha sorte era chegar uma proposta. Um pedido. Qualquer coisa que trouxesse alternativa.
Aguardam-se os dias em que poderei dizer que estes anos foram os piores da minha vida.
Entretanto, só posso mesmo dizer que são.
segunda-feira, junho 17, 2013
Uma composição para a escola primária
Menino Bloggerzinho, para amanhã terá de fazer uma composição em que fale dos seguintes temas:
- Malucos;
- Ilusão;
- Malucos;
- Trabalho;
- Indiferença;
- Malucos
Era uma vez um tatazio.
Agora a sério.
Chego. Mais cedo do que é costume. Vinha de uma diligência.
No local onde exerço as minhas funções, existe uma peça chamada, carinhosamente, "folha de obra". A "folha de obra" mais não é que um registo obrigatório das tarefas desempenhadas, incluindo cliente, processo e tempo dispendido.
Há que entregá-la todos os dias, devidamente preenchida. Este menino não entrega a sua há dois dias. Um verdadeiro escândalo.
O chefe teve para comigo alguma palavra? Não. O chefe importa-se muito? Pouco? Nada.
Então, o que te faz escrever, menino?
Chego. Mais cedo do que é costume. Vinha de uma diligência.
Vem até mim um tatatazio.
"É por causa das folhas?"
"É. Mas não é só isso".
"'Tão?"
"Tu não andas bem."
"Não ando bem?"
"Não. Há qualquer coisa".
"O quê?"
"Epá, tu andas a isolar-te."
(Pausa para silêncio dramático)
"Ando a isolar-me?"
"Andas. Antigamente, andavas sempre por aí, fazias piadas, metias-te com o pessoal. Agora não. Sentas-te, estás com o "fónes" postos a ouvir música. Não é normal".
(Pausa para aguentar o riso)
"Pois, oh coiso (inserir outro nome), epá, ajuda a concentrar-me ter um ruído..."
"Mas é que tu não foste sempre assim" (Ele que me conhece há tantos anos...)
"Fui, coisinho, fui..."
"É que eu tou na psicanálise e sei ver essas coisas. Eu próprio já estive como tu. Estás com algum problema na tua vida privada?"
A conversa continuou.
Agradeci do fundo do meu coração a preocupação. No meio, foi dizendo que era fundamental para ele ter equipas motivadas e que isso, para ele, era tudo.
Só posso concluir que fui alvo de uma intervenção.
E fui alvo de uma intervenção porque não lhe entreguei as "Folhas de Obra".
Que castigo desproporcional.
- Malucos;
- Ilusão;
- Malucos;
- Trabalho;
- Indiferença;
- Malucos
Era uma vez um tatazio.
Agora a sério.
Chego. Mais cedo do que é costume. Vinha de uma diligência.
No local onde exerço as minhas funções, existe uma peça chamada, carinhosamente, "folha de obra". A "folha de obra" mais não é que um registo obrigatório das tarefas desempenhadas, incluindo cliente, processo e tempo dispendido.
Há que entregá-la todos os dias, devidamente preenchida. Este menino não entrega a sua há dois dias. Um verdadeiro escândalo.
O chefe teve para comigo alguma palavra? Não. O chefe importa-se muito? Pouco? Nada.
Então, o que te faz escrever, menino?
Chego. Mais cedo do que é costume. Vinha de uma diligência.
Vem até mim um tatatazio.
"É por causa das folhas?"
"É. Mas não é só isso".
"'Tão?"
"Tu não andas bem."
"Não ando bem?"
"Não. Há qualquer coisa".
"O quê?"
"Epá, tu andas a isolar-te."
(Pausa para silêncio dramático)
"Ando a isolar-me?"
"Andas. Antigamente, andavas sempre por aí, fazias piadas, metias-te com o pessoal. Agora não. Sentas-te, estás com o "fónes" postos a ouvir música. Não é normal".
(Pausa para aguentar o riso)
"Pois, oh coiso (inserir outro nome), epá, ajuda a concentrar-me ter um ruído..."
"Mas é que tu não foste sempre assim" (Ele que me conhece há tantos anos...)
"Fui, coisinho, fui..."
"É que eu tou na psicanálise e sei ver essas coisas. Eu próprio já estive como tu. Estás com algum problema na tua vida privada?"
A conversa continuou.
Agradeci do fundo do meu coração a preocupação. No meio, foi dizendo que era fundamental para ele ter equipas motivadas e que isso, para ele, era tudo.
Só posso concluir que fui alvo de uma intervenção.
E fui alvo de uma intervenção porque não lhe entreguei as "Folhas de Obra".
Que castigo desproporcional.
quinta-feira, junho 13, 2013
Dias importantes
É o dia de aniversário.
Meu? Teu?
Sendo de quem é, é um pouco o dia de aniversário, pelo menos, de duas pessoas.
Não que se celebrem os anos de vida: porque a ela se devem os mesmos.
E não só porque a ela se devem os mesmos: porque ela os fez ótimos.
E não só porque ela os fez ótimos: porque os fez à sua imagem.
Parabéns.!
Meu? Teu?
Sendo de quem é, é um pouco o dia de aniversário, pelo menos, de duas pessoas.
Não que se celebrem os anos de vida: porque a ela se devem os mesmos.
E não só porque a ela se devem os mesmos: porque ela os fez ótimos.
E não só porque ela os fez ótimos: porque os fez à sua imagem.
Parabéns.!
Contributo para uma noção
Cinco anos cinco.
Aulas, práticas e teóricas, horas incalculáveis em bibliotecas e salas de estudo.
Bocas, vitórias, derrotas.
Testes. Stress.
Trabalha-se para uma causa, com um objectivo: chegar-se um lugar, criar-se uma posição.
Hoje, há que confessar que nunca vi tanto trabalho e especialização deitada à rua.
Culpa?
Minha.
Aulas, práticas e teóricas, horas incalculáveis em bibliotecas e salas de estudo.
Bocas, vitórias, derrotas.
Testes. Stress.
Trabalha-se para uma causa, com um objectivo: chegar-se um lugar, criar-se uma posição.
Hoje, há que confessar que nunca vi tanto trabalho e especialização deitada à rua.
Culpa?
Minha.
terça-feira, junho 04, 2013
segunda-feira, junho 03, 2013
Algumas Segundas
Proliferam as imagens alusivas à temática capitalista-laboral da Segunda-Feira.
Normalmente, há gente com olheiras, sono e elementos afins.
Durante uma boa parte da minha vida, acompanhava o espírito social relativo ao primeiro dia útil da semana.
Agora, não.
A grande diferença do "antes e do depois" é a tristeza patente no início da semana.
Nunca me incomodou física nem psicologicamente voltar ao trabalho. Custava, é certo, mas era sempre uma maneira de rever os meus amigos.
Agora, não.
Enfim, o trabalho não é nada como o resto da vida.
Como dizia o Bruno Nogueira, no "Último a Sair", para a Lucy: "O mundo não é só isto. O mundo é bué cenas."
Normalmente, há gente com olheiras, sono e elementos afins.
Durante uma boa parte da minha vida, acompanhava o espírito social relativo ao primeiro dia útil da semana.
Agora, não.
A grande diferença do "antes e do depois" é a tristeza patente no início da semana.
Nunca me incomodou física nem psicologicamente voltar ao trabalho. Custava, é certo, mas era sempre uma maneira de rever os meus amigos.
Agora, não.
Enfim, o trabalho não é nada como o resto da vida.
Como dizia o Bruno Nogueira, no "Último a Sair", para a Lucy: "O mundo não é só isto. O mundo é bué cenas."
quinta-feira, maio 30, 2013
Cenas de Advogado (Ou, por outra, aprendiz de...)
"Uma vez estive uma manhã inteira para chegar a um acordo e não se alcançou o dito por causa de uma frase".
segunda-feira, maio 27, 2013
segunda-feira, maio 20, 2013
A intimidade
Para uma definição: cá está ela.
Enquanto qualidade daquilo que é íntimo, a intimidade é, na minha modesta opinião, uma última barreira.
Do grande princípio da confiança que norteia toda e qualquer relação, seja pessoal ou jurídica (mesmo!), que não convém violar, deriva a defesa da intimidade.
Essa defesa faz-se das mais diversas formas.
Por um lado, não propagandeando o que nela existe, e por outro, decisivo, fazendo dela um círculo privilegiado de conversa, debate, avanço.
Num plano algo diferente deste, temos a conversa da treta.
A conversa da treta surge como uma das mais fantásticas criações da natureza. Qualquer ser-humano tem capacidade da produzir, de a fazer alastrar, até de a defender.
Certo dia, a conversa da treta e a intimidade encontraram-se.
Digamos, para jogar uma bisca lambida.
Como não são pessoas, não falaram uma com a outra.
Nem jogaram às cartas.
Porém, a mera hipótese metafórica de um encontro entre um substantivo e uma expressão faz logo antever que está na própria rerum natura a total antitese.
A moral da história não é o gelado ser de morango.
Quando se misturam realidades incomunicáveis é estúpido.
E o que é estúpido é só estúpido ou poderá resultar, ainda, na moagem mental.
E a mente não é materia prima para fazer pão.
Enquanto qualidade daquilo que é íntimo, a intimidade é, na minha modesta opinião, uma última barreira.
Do grande princípio da confiança que norteia toda e qualquer relação, seja pessoal ou jurídica (mesmo!), que não convém violar, deriva a defesa da intimidade.
Essa defesa faz-se das mais diversas formas.
Por um lado, não propagandeando o que nela existe, e por outro, decisivo, fazendo dela um círculo privilegiado de conversa, debate, avanço.
Num plano algo diferente deste, temos a conversa da treta.
A conversa da treta surge como uma das mais fantásticas criações da natureza. Qualquer ser-humano tem capacidade da produzir, de a fazer alastrar, até de a defender.
Certo dia, a conversa da treta e a intimidade encontraram-se.
Digamos, para jogar uma bisca lambida.
Como não são pessoas, não falaram uma com a outra.
Nem jogaram às cartas.
Porém, a mera hipótese metafórica de um encontro entre um substantivo e uma expressão faz logo antever que está na própria rerum natura a total antitese.
A moral da história não é o gelado ser de morango.
Quando se misturam realidades incomunicáveis é estúpido.
E o que é estúpido é só estúpido ou poderá resultar, ainda, na moagem mental.
E a mente não é materia prima para fazer pão.
segunda-feira, maio 06, 2013
Dicionário
Patrão
s. m.
1.
Chefe de uma empresa industrial ou comercial.
2.
Qualquer pessoa em relação aos que a servem.
3.
Amo.
4.
Comandante de barco.
=
ARRAIS, MESTRE
5.
Patrono.
6.
[Antigo]
Padrão.
7. Pessoa a quem não se pode mandar para o caralho que a foda.
segunda-feira, abril 29, 2013
Labores del Hogar
Trata-se de uma revista cuja resistência ao tempo é teste que não sei se passou.
A trabalhar num determinado tipo de peça processual, dou comigo a somar os despojos do dia.
E ainda são só cinco da tarde.
Neste momento, tenho dois patrões.
Agora, estou sujeito aos registos temporais.
Por enquanto, só tenho dúvidas na minha cabeça.
Por que raio havia de estar a viver num momento de crise?
Quanto tempo demora uma peça processual?
Quanto tempo?
Por que razão estou confinado a isto?
Odeio fazer perguntas.
Não gosto do que faço.
Não faço o que gosto.
Pior: pareço uma pita maluca com poesia de casa de banho.
É isso.
Uma pita maluca.
A trabalhar num determinado tipo de peça processual, dou comigo a somar os despojos do dia.
E ainda são só cinco da tarde.
Neste momento, tenho dois patrões.
Agora, estou sujeito aos registos temporais.
Por enquanto, só tenho dúvidas na minha cabeça.
Por que raio havia de estar a viver num momento de crise?
Quanto tempo demora uma peça processual?
Quanto tempo?
Por que razão estou confinado a isto?
Odeio fazer perguntas.
Não gosto do que faço.
Não faço o que gosto.
Pior: pareço uma pita maluca com poesia de casa de banho.
É isso.
Uma pita maluca.
quarta-feira, abril 24, 2013
Ao serviço do mal
Ando a ler, aqui e ali, (mais ali do que aqui) um livro interessante chamado a Nova Teoria do Mal, de Miguel Real.
A complexidade das linhas é clara: começa por uma análise ao funcionamento do cérebro, vai desenvolvendo, até concluir (e nisto estou a ser parcimonioso) que a face do mal são os economistas.
Ainda agora, dei comigo a ouvir o Animal dos R.E.M.
Claro que todas estas referências de pequeno-burguês não significariam nada, não fosse o trabalho que, neste exacto momento, estou a desempenhar.
E que trabalho é esse?
Tentar safar um cliente (também pequeno) que denunciou um contrato a termo que, digamos, não cumpria com os requisitos legais.
A trabalhadora veio impugnar aquilo tudo.
Há que contestar.
Calhou-me.
Nada de más interpretações: gosto muito deste tipo de serviço.
Por outro lado, foi precisamente por isto que não quis ser advogado.
A complexidade das linhas é clara: começa por uma análise ao funcionamento do cérebro, vai desenvolvendo, até concluir (e nisto estou a ser parcimonioso) que a face do mal são os economistas.
Ainda agora, dei comigo a ouvir o Animal dos R.E.M.
Claro que todas estas referências de pequeno-burguês não significariam nada, não fosse o trabalho que, neste exacto momento, estou a desempenhar.
E que trabalho é esse?
Tentar safar um cliente (também pequeno) que denunciou um contrato a termo que, digamos, não cumpria com os requisitos legais.
A trabalhadora veio impugnar aquilo tudo.
Há que contestar.
Calhou-me.
Nada de más interpretações: gosto muito deste tipo de serviço.
Por outro lado, foi precisamente por isto que não quis ser advogado.
quarta-feira, abril 17, 2013
Um certo de tipo de calor
Cheira a trovoada.
Quando a dita cuja está para rebentar, o dia que a antecede é sempre especial.
Há um certo tipo de calor a pairar. Alguma poeira, até. O céu configura-se como se estivesse para parir qualquer espécie de matéria que, dali a umas horas, sabemos qual é.
Por norma, são dias tranquilos. Passa-se pouco, ou nada.
Na verdade, até as conversas são feitas na base da previsão do estado do tempo.
- "Hmmmm, cheira a trovoada."
- "Ahnnnn, pois é, pois é".
Depois de um prazeroso espetáculo a que tive o privilégio de assistir, regressei à chamada "residência habitual".
Como faço (sempre), liguei a televisão. Na RTP2 passava um filme que sempre me agradou, pelos mais diversos motivos: O Frenético.
Quis o acaso que a acção estivesse na cena em que os personagens protagonistas estão num clube privado. Eis que toca Strange, interpretado por Grace Jones (em português, Graça Jonas).
Há dança.
Por alguma razão que alguma ciência algum dia explicará, cheirou-me a trovoada.
Ali, naquela cena específica, está uma metáfora. Mais do que uma metáfora, naquele filme, a cena acaba por ser premonitória de um final semi-trágico.
Ou seja, uma espécie de santíssima trindade que não o é: trovoada, metáfora e tragédia (e aqui é que falha o entendimento: a trovoada é, em si mesmo, uma metáfora para a tragédia. Ora, a trovoada é metáfora para tragédia. Em fim e ao cabo, nem santíssima trindade, nem abençoado duo: é tudo a mesma coisa).
Fica aqui parte importante da banda sonora.
Quando a dita cuja está para rebentar, o dia que a antecede é sempre especial.
Há um certo tipo de calor a pairar. Alguma poeira, até. O céu configura-se como se estivesse para parir qualquer espécie de matéria que, dali a umas horas, sabemos qual é.
Por norma, são dias tranquilos. Passa-se pouco, ou nada.
Na verdade, até as conversas são feitas na base da previsão do estado do tempo.
- "Hmmmm, cheira a trovoada."
- "Ahnnnn, pois é, pois é".
Depois de um prazeroso espetáculo a que tive o privilégio de assistir, regressei à chamada "residência habitual".
Como faço (sempre), liguei a televisão. Na RTP2 passava um filme que sempre me agradou, pelos mais diversos motivos: O Frenético.
Quis o acaso que a acção estivesse na cena em que os personagens protagonistas estão num clube privado. Eis que toca Strange, interpretado por Grace Jones (em português, Graça Jonas).
Há dança.
Por alguma razão que alguma ciência algum dia explicará, cheirou-me a trovoada.
Ali, naquela cena específica, está uma metáfora. Mais do que uma metáfora, naquele filme, a cena acaba por ser premonitória de um final semi-trágico.
Ou seja, uma espécie de santíssima trindade que não o é: trovoada, metáfora e tragédia (e aqui é que falha o entendimento: a trovoada é, em si mesmo, uma metáfora para a tragédia. Ora, a trovoada é metáfora para tragédia. Em fim e ao cabo, nem santíssima trindade, nem abençoado duo: é tudo a mesma coisa).
Fica aqui parte importante da banda sonora.
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